Princípios psicológicos de sobrevivência

Como já falamos em alguns posts sobre situações de emergência, todos nós já temos certa ciência que se nos encontrarmos em uma situação em que as práticas de sobrevivência devem ser utilizadas, não será nada fácil. Por sorte poderemos ter um de nossos kits ou quem sabe uma faca, porém se não tivermos conhecimento e nem ter praticado estas habilidades, de nada vai adiantar termos esses recursos à mão. Por isso é bom compreendermos alguns princípios da “psicologia da sobrevivência”.

A vontade de viver

Existem casos de pessoas que foram tratadas de todas as formas e, mesmo tendo chance de sobreviver perderam suas vidas, ou seja, perderam a vontade de viver. A experiência de militares, principalmente na 2º guerra mundial, isolados em combate, demonstram que a sobrevivência fundamentalmente é uma questão de perspectiva mental. A vontade de viver é o que vai falar mais alto, se você não estiver mentalmente preparado para vencer os obstáculos e esperar o pior, as suas chances de sair com vida são grandemente reduzidas.

Sobreviventes uruguaios de uma tragédia aérea ocorrida na cordilheira dos Andes em 1972 comemoraram o início do resgate dos 33 mineiros presos no Chile, certamente se os dois casos tivessem desistido, não estariam contando as suas histórias.

A grande maioria dos manuais de sobrevivência, não da importância a um fator que pode ser considerado como principal: A força de vontade.

A visão do local, o entendimento da situação e o estilo de pensamento tem um papel muitas vezes mais importante do que o seu equipamento ou treino. Tudo bem que o equipamento vai nos trazer um pouco mais de segurança, mas o nosso equilíbrio psicológico vai estar sempre nos acompanhando e guiando nossas ações. Seguem alguns princípios que se lidos e praticados podem fazer diferença:

  • Passos pequenos e seguros

A forma de dividir eventos em tarefas mais pequenas e simples é a forma mais eficaz e segura em situações de emergência. Focar-se apenas em uma tarefa por vez é essencial para se pensar com clareza, mesmo que outros fatores te atrapalhem. O importante é dividir tudo em pequenos passos de acordo com as prioridades (se possível).

  • Evite o pessimismo

A negação é um fator quase universal, mesmo para quem tem muito treino. Pensamos em fatos e alternativas muito pouco prováveis para sairmos da situação que nos encontramos (Exemplo: Achar que não está perdido, a paisagem só mudou desde a última vez que estive aqui). É importante ver as coisas como elas realmente são, tentando não fugir da realidade.

  • Cante uma música

Quando estamos em uma situação ruim, é comum pensarmos “coisas ruins”. A melhor atitude a se tomar é pensar positivamente. Cante uma música que goste, um mantra. Algo que te faça relaxar por alguns instantes.

  • Não cante vitória antes do tempo

Um exemplo simples de entender: Se você escalar uma montanha e chegou até o topo, comemore por ter chegado lá, mas lembre-se que está na metade do caminho. Existe toda a volta e seu corpo e mente já estão muito cansados e você tem menos tempo disponível. Então esperar até tudo estar no controle ou no ponto de partida é muito importante.

  • Saia da zona de conforto

As rotinas os poupam de trabalho e pensamento, mas danificam a nossa forma se pensar e agir, nos tornando menos adaptáveis. Qualquer atividade fora do comum, como escrever com a mão que você não escreve, é um bom exercício para manter o cérebro ativo e adaptável a novas atividades. Viver de rotina enfraquece a nossa capacidade de reação e adaptação.

  • Pense no risco

É importante saber se o risco que estamos prestes a correr não é uma questão de teimosia ou obsessão. Uma boa forma de evitar isso é traçar uma linha de onde fica o nosso limite. Pois se tivermos estas linhas pré-definidas, se algo acontecer saberemos qual atitude correta tomar.

  • Tenha calma

 Isso não significa “relaxar embaixo de uma árvore”, mas o excesso de pressão faz você se irritar mais fácil, pensar menos e agir por impulso, o que faz uma uma péssima combinação de ações. Aprenda com os contratempos e com os erros, pense no que ocorreu de errado e tente corrigir. Utilize o bom senso para determinar o que é certo e seguro, mas não deixe o medo e o pânico te dominar.

Essas são técnicas simples que podem ser praticadas no seu dia-a-dia. Quanto mais vezes você repetir e se preparar, mais êxito você vai ter nas suas atitudes. A sobrevivência é uma atitude mental com você e com o ambiente que você se encontra. Seu principal lema é:

NÃO DESISTA NUNCA.