VOCÊ PRECISA DE VÁRIAS ROTAS DE FUGA

Map showing Oakhaven's evacuation routes, flood zones, shelters, and key areas including downtown and Westsuburb.

É fácil elaborar um plano de emergência que pareça bom à primeira vista. No entanto, quando se trata de uma situação crítica, cada um dos seus planos precisa ser analisado de forma crítica e completa. Por exemplo, muitas pessoas têm um plano de evacuação, e, na minha experiência, ele geralmente se parece com isto:

Passo 1: O alarme toca e você pega suas coisas.

Passo 2: Jogue essas coisas em um veículo ou nas costas.

Passo 3: Saia correndo e vá para a casa da vovó ou para qualquer outro lugar que você considere como refúgio.

À primeira vista, não há nada de errado com esse plano, pois a pessoa tem suprimentos e pensou em um local alternativo que a colocaria em segurança. Mas faltam vários elementos no plano acima. Por exemplo, e se a estrada para o seu refúgio estiver bloqueada? Nesse caso, você pode acabar em situação pior do que se tivesse ficado em casa. Vamos direto ao assunto e começar a discutir maneiras de ajustar o plano da sua rota de fuga.

Escolha várias rotas

Idealmente, uma pessoa terá mais de um local de refúgio, mas para os propósitos deste artigo, vamos nos ater a um único local. Mesmo que você tenha apenas um local de refúgio, isso não significa que você deva ter apenas uma rota planejada. Você precisa ter várias rotas para esse local. Na verdade, você deve planejar o máximo de rotas possível. Não consigo nem contar quantas vezes ouvi alguém falando sobre seus planos de fuga e só tendo uma rota em mente. Assim que começo a apresentar possíveis razões pelas quais essa rota não funcionaria, logo percebem a necessidade de múltiplas rotas.  Há muitas coisas que podem acontecer e tornar uma determinada rota mais perigosa ou até mesmo interditá-la completamente. Mau tempo, obras, tumultos, engarrafamentos.

Primeiro, elabore seu mapa e marque os pontos de partida. A maioria das pessoas terá dois pontos de partida diferentes, que são os dois locais onde passam a maior parte do tempo. Para a maioria das pessoas, esses dois pontos serão sua casa e seu local de trabalho. É importante planejar a rota a partir desses dois locais, pois as circunstâncias em cada trajeto serão diferentes. Depois de marcar seus pontos de partida, marque seu local de refúgio.

Agora, escolha várias rotas diferentes entre os pontos de partida e de chegada e marque essas rotas no mapa.  Neste ponto, algumas pessoas podem estar se perguntando: “Como identifico uma boa rota?”. Há vários fatores a serem considerados, mas uma resposta popular é escolher a rota que o levará ao seu destino mais rapidamente, e eu não discordo totalmente disso. No entanto, gostaria de acrescentar que a rota também deve ser a opção mais segura. Isso porque o caminho mais rápido nem sempre é o melhor ou o mais seguro. Lembre-se: só porque é o caminho mais rápido no papel não significa que será assim quando a situação ficar crítica.

Percorra a rota

O segundo problema que vejo nos planos de fuga é que eles geralmente só existem no papel e nunca são colocados em prática. Depois de definir as rotas que você quer seguir, é preciso sair e percorrer o trajeto do início ao fim. Você pode usar o que quiser, seja carro, bicicleta, a pé ou embarcação. Não importa o veículo que você tenha, apenas percorra a rota da mesma forma que faria se colocasse seu plano em prática.

Idealmente, você deve percorrer este percurso o máximo possível para se familiarizar com ele. Você deve percorrê-lo tanto durante o dia quanto à noite, já que o ambiente pode parecer muito diferente em diferentes horários do dia. No início deste processo, dedique tempo ao percorrer o trajeto, em vez de simplesmente passar por ele rapidamente. Este é o momento para fazer observações, que é o tema da próxima seção.

Anote

Ao se preparar para percorrer sua rota de fuga, certifique-se de levar um bloco de notas e uma caneta para que possa fazer observações e anotações sobre a viagem. Por esse motivo, pode ser melhor ir como passageiro durante a primeira ou segunda viagem. Durante a viagem, não tenha pressa e pare se precisar para analisar bem o que está ao redor. Anote ou fotografe para registrar observações sobre o trajeto, sejam elas positivas ou negativas. Abaixo estão alguns exemplos de perguntas ou coisas que você deve observar e registrar sobre sua rota de fuga:

  • A rota fica congestionada com outros veículos ou pessoas em determinados horários do dia?
  • Existem trechos do percurso suscetíveis a fatores ambientais como inundações, deslizamentos de rochas, de terra ou algo a mais?
  • Existem locais para parar e reabastecer? É aqui que mapas em diferentes escalas serão úteis, pois você poderá fazer anotações sobre pontos de interesse.
  • Existem pontes? Pontes podem se tornar pontos de estrangulamento perigosos e, se não puderem ser atravessadas, você precisará encontrar um novo caminho.

Corridas cronometradas

Os ensaios anteriores serviram para que você se familiarizasse com o percurso e fizesse observações. Também é importante saber quanto tempo leva para percorrer cada trajeto.  Eu sei, eu sei. Provavelmente algumas pessoas estão revirando os olhos agora porque pensam que é para isso que servem os recursos online e o GPS. Depois de digitar o seu trajeto, ele automaticamente calculará quanto tempo levará para ir do ponto A ao ponto B. Embora esses tempos geralmente sejam muito precisos, ainda assim recomendo que você percorra a rota e registre seu tempo. Lembre-se, a forma como as coisas aparecem no papel nem sempre corresponde à realidade.

Juntando tudo

Assim que seus mapas, planos e anotações estiverem finalizados, seria uma boa ideia colocar tudo em sua pasta de plano de emergência. Você pode até querer ter uma cópia do plano de rota de fuga em seu veículo para que esteja sempre acessível. No entanto, devo dizer que isso pode representar um risco de segurança para você e seus planos caso seu veículo seja arrombado, então essa é uma decisão que você precisa tomar por si mesmo.

Vá além

Se você quer estar no auge do seu desempenho, a melhor maneira de testar suas rotas de fuga é executá-las exatamente como faria quando o plano fosse colocado em prática. Eis um exemplo de como isso poderia ser: Certo dia, enquanto estiver em casa, largue tudo o que estiver fazendo e diga a todos do seu grupo que é hora de dar o fora. Em seguida, pegue seus suprimentos e faça o que precisa de acordo com seus planos de emergência.

Lembre-se, o tempo é essencial. Não perca três horas carregando o veículo e procurando carregadores de celular, porque você não terá tempo para nada disso em uma situação real. Entre no seu veículo e percorra a rota de fuga do início ao fim. Provavelmente não será uma experiência agradável para ninguém no veículo, mas você terá a melhor noção de como o processo funciona.

Considerações finais

Muitas vezes, é fácil se sentir confortável e seguro simplesmente por ter um plano, e ao ter um plano você já está um passo à frente de todos os outros. Há um ditado que diz: “Um plano nunca sobrevive ao primeiro contato com o inimigo”. Ao ter um plano, analisá-lo criticamente, personalizá-lo e praticá-lo, você estará mais bem preparado para se adaptar quando ele entrar em contato com o inimigo.

Texto traduzido e adaptado do site: Urban survival.

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