TAÍS ORLANDI: A 09 DA ODR 3ª TEMPORADA

Me chamo Taís Orlandi e tenho 30 anos, sou paulistana e sempre morei na capital do estado. Sou fonoaudióloga há quase 10 anos e possuo formação como atriz. Sempre gostei de praticar atividade física como musculação, corrida e crossfit, e já fiz muitos anos de dança (ballet, sapateado e jazz).

Moramos apenas eu e meu noivo, nós dois e criamos um cachorro chamado Luffy. O Alexandre é meu maior parceiro e foi quem mais me motivou para participar da ODR.

Vou contar sobre o motivo decisivo para minha participação na ODR. No dia 4 de abril eu recebi um diagnóstico de nódulo maligno na tireoide e estava passando por um momento de muita  ansiedade, pois além do processo de aceitação do diagnóstico, eu estava na “crise dos trinta”.

No dia 14 de abril, meu noivo me apresentou o canal SV, assistindo o canal junto dele, acabei descobrindo os vídeos da primeira temporada da ODR. Eu “maratonei” as duas primeiras temporadas muito rápido e me inspirei muito nas mulheres que haviam passado pelo  desafio. Foi então que decidi pesquisar se haveria uma 3ª temporada, e para minha sorte, as inscrições estavam abertas.

Fiz minha inscrição e passei pela entrevista com o Julio Lobo no dia 21 de abril, e acabei sendo selecionada para participar da 3ª temporada da ODR. Foi um misto de alegria, medo e ansiedade. Agora não tinha mais volta!

Minha preparação para a ODR foi muito significante na minha vida, pois concentrei meus pensamentos no desafio que estava por vir e me distanciei um pouco dos meus problemas pessoais. Intensifiquei os preparos físicos e mentais, e busquei me adaptar com água fria e o escuro, que eram os meus maiores desafios. Também enfrentei a perda do meu padrasto tão querido quando faltava apenas um mês para a oficina.

Na véspera da ODR, eu e meu noivo fomos de carro até Florianópolis. Eu estava feliz e apreensiva com essa experiência que estava por vir. Ficamos hospedados em um hotel próximo ao  ponto de embarque e aproveitamos para conhecer Florianópolis.

Na noite anterior ao desafio, mal consegui dormir. Eu acordava de hora em hora pensando o que me esperava nessa oficina.

Acordei em torno das 4h da manhã e comi uma marmita de arroz  com frango para manter uma boa reserva de comida no estômago. Ao tentar sair do hotel, o portão estava trancado e não  havia ninguém na recepção para abrir. Eu e meu noivo tentamos de tudo para abrir aquele portão, tocamos a campainha, ligamos para a recepção, buzinamos e nada de alguém aparecer. Nesse momento o desespero falou mais alto e resolvi pular o portão do hotel e correr para não perder o ônibus que nos aguardava no ponto de embarque, mas quando eu estava prestes a pular o portão, o funcionário do hotel apareceu, e assim pudemos sair com o carro do hotel.

Enfim embarquei nessa experiência com todos os outros participantes e logo no início tive que enfrentar meu maior medo:  O escuro!

Sobrevivi ao escuro e consegui chegar na praia com os outros participantes. Essa etapa foi desafiadora, mas eu estava muito focada e me sentia anestesiada pelo momento. Apenas vivi a experiência. O frio não foi meu inimigo, consegui driblar bem esse  quesito durante o período em que estive no desafio.

Durante a etapa da praia, houve um momento que me marcou muito, foi quando eu carreguei a 22 (Flávia) nas costas. Aliás, preciso enaltecer todas as participantes mulheres dessa temporada, pela força e inspiração que cada uma demonstrou durante sua permanência no desafio.

Ao final da etapa da praia, retornamos ao ônibus e partimos para a segunda fase que seria “A MARCHA”. Durante o longo trajeto do ônibus, me mantive acordada e cantei mentalmente diversas músicas da minha playlist imaginária.

Enfim chegamos à etapa da marcha, porém eu saí do ônibus com  outra fisionomia. Minha energia tinha se esgotado e agora o  cansaço tinha começado a apresentar sinais em meu corpo. Apesar de não estar sentindo fome, eu sentia que meu corpo estava pedindo por alimento para manter-se firme na jornada.

Durante a marcha percebi qual era o papel dos instrutores na oficina. Apesar de eles parecerem os “vilões”, na verdade foram meus “heróis”, pois através das duras palavras deles, pude encontrar minha força interior, e com isso, descobri em mim mesma, uma mulher forte que eu não conhecia até então.

Em uma das subidas finais da marcha, eu já me sentia enfraquecida e não conseguia acompanhar o ritmo do grupo. Nesse momento pensei muito em desistir, pois me senti inferior aos outros participantes. Porém, os próprios participantes me empurraram (literalmente) e não me deixaram desistir da ODR.

Meu corpo deu sinais de fraqueza duas vezes, e na segunda vez quase foi meu fim. Deitei-me ao chão por estar me sentindo enjoada e pensei em arrancar meu número, mas minha cabeça falou mais alto e não me deixou tomar essa atitude. Então logo levantei e consegui concluir mais uma etapa, chegando assim, ao tão sonhado rancho SV.

Foi uma realização pessoal chegar ao rancho e senti um alívio imenso por estar lá. Mas ao mesmo tempo, esse momento de “descanso” aumentou minhas dores musculares e minha fraqueza  pela falta de comida.

No alojamento com os outros sobreviventes, os instrutores realizaram uma dinâmica da qual tiraram toda a comida que havíamos levado, e isso acabou com a minha expectativa de ingerir algum alimento naquele momento. Confesso que fiquei enraivecida por ter perdido minha comida.

Outro momento marcante, foi quando meu olhar cruzou com o olhar da n°22. Eu já estava fraca e sem forças naquela hora,  porém ao olhar para ela, senti que ela estava orgulhosa de me ver ali. Foi um momento muito especial, pois ela me passou um pouco de sua força através do olhar.

Meu fim chegou quando iniciamos a dinâmica de fazer uma fogueira. Me senti muito enjoada e acabei vomitando  absolutamente nada, pois não havia nada no estômago. Eu queria  MUITO continuar, mas vi que meu corpo não estava  correspondendo ao meu pensamento.

Assim, tomei a difícil decisão de retirar meu número, pois meu corpo já tinha chegado no limite. Apesar de não ter terminado  a ODR, eu estava feliz por ter chegado aonde cheguei e por estar acompanhada pela participante da 1ª temporada, a Josi, que foi uma das minhas inspirações para a minha inscrição no desafio.

Depois da ODR, muitas fichas foram caindo e pude ver o quanto evoluí com essa experiência. Acredito que todos deveriam passar por situações de desconforto extremo para descobrirem seu potencial. Hoje consigo usar muito do que aprendi durante o desafio e inclusive anotei alguns insights que obtive durante a oficina, dos quais eu releio todos os dias.

Também fiz minha cirurgia da remoção da tireoide, e acabou dando tudo certo. Saí do meu conforto de apartamento para vivenciar essa experiência e descobri meu potencial como ser humano.

Meu relato serve para eternizar esse desafio e quem sabe inspirar  outras mulheres. Agradeço a toda equipe SV, por ter nos proporcionado esse aprendizado maravilhoso.

A ODR começou quando eu tirei meu número.

Abraço da 09.

8 Comentários

  • Se não somos a vozinha/os pensamentos que estão na nossa cabeça,
    talvez sejamos o ouvinte dessa voz, o que acreditamos ou não desses pensamentos…

  • Muito massa, eu vi o episódio, parabéns pela força 💪
    As vezes as coisas não saem como pensamos, tem coisas que até podem ficar inconclusivas…,
    vc se dedicou demais naquele presente momento e isso que importa no seu consciente, a relação com vc mesma…
    Parabéns moça

  • Mayckel Antunes (Mayck)

    Muito legal ver seu relato aqui Taís, parabéns por ter enfrentado esse desafio que te deu forças para enfrentar a sua cirurgia, todos saímos diferentes da ODR, abraços do 13!

  • Eu acompanho o sv tem uns 5 ou 6 anos, e essa ODR é muito boa e lembra muito vários momentos o que passe em diversas oficinas dentro da Brigada paraquedista, e as oficinas têm a função de nos ensinar várias técnicas para aperfeiçoar no combate, mas o principal é nos lembrar que temos que lapidar a nossa mente, hoje eu sou resiliênte por ter passado 8 anos de exército dentro da Brigada, mas me da muito gosto em ver um civil sendo submetido a várias oficinas parecidas e chegando ao fim e mesmo os que não chegaram, porque não é só sobre quem chega no fim da oficina, mas sim no limite da pessoa e no ela consegue absorver disso pra vida apartar dali, enfim parabéns 09 vc é uma guerreira!! S2

  • Leonardo costa

    Tudo do SV É MASSA!!!! PARABENS A EQUIPE TODA.

  • Luzia Feitoza

    Me emocionei! Q bom que você foi, viveu e se jogou com tudo. Eu, não espwrava nada diferente de vc!
    Parabéns!👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

  • Tais Orlandi

    Que alegria ver meu relato aqui no site!

    Muito obrigada!

  • Flávia Mafra

    Nossa! Que lindo 🤩
    Estou aqui emocionada com sua vivência e experiência. Você é forte e corajosa.

    Abraços da 22
    Há ! Vc me levou no colo ! Que força 🤗

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