SUGESTÃO DE LEITURA: “VIDA URBANA E SAÚDE” DE PAULO SALDIVA

Aqui no Sobrevivencialismo falamos muito sobre a nossa preferência em relação a morar em um ambiente mais ruralizado em detrimento aos centros urbanos, entretanto essa não é a realidade da maioria das pessoas que nos acompanham.

Para aqueles que nasceram e se construíram dentro das cidades é difícil moldar toda a vida para que uma mudança de ambientes, como mudar para o campo, possa acontecer. Se aquele que sobrevive é o que melhor se adapta, então, seria bastante interessante conhecer sobre tudo o que atinge as grandes cidades e seus habitantes e talvez fazer o pouco que é possível para melhorar a sua própria estadia na selva de pedra.

Sinopse

Somos um país urbano: 84% da população brasileira concentra-se em cidades e ao menos metade vive em municípios com mais de 100 mil habitantes. Mas a vida urbana não traz apenas novas oportunidades. Ela propicia doenças provocadas por falta de saneamento, picadas de mosquitos, poluição, violência, ritmo frenético… E tudo isso não ocorre mais apenas nas grandes cidades, mas também nas médias e mesmo pequenas, quase sempre negligenciadas pelo poder público e pelos próprios cidadãos. Mas, afinal, o que fazer para ter boa qualidade de vida nas cidades?

Assim como o médico deve pensar na saúde dos seus pacientes, e não apenas em tratar determinada doença, uma cidade saudável é aquela em que seus cidadãos têm boa qualidade de vida. E o médico Paulo Saldiva, pesquisador apaixonado pelo tema, mostra que é possível, sim, melhorar e muito o nosso dia a dia.

Resenha

Este livro aborda a saúde da vida urbana e, portanto, fala também do ser humano. Entretanto, se você é alguém que já se desligou do ambiente das cidades, ou mesmo viveu no campo a sua vida toda, essa obra talvez não seja tão interessante para você, e fica de recomendação para aqueles que têm uma curiosidade aguçada e gostaria de entender mais sobre esse grande organismo que os centros urbanos se tornaram.

Caso não esteja aqui exclusivamente pela resenha desse livro, e seja sim, um leitor assíduo desse site, é bem provável que sua opinião sobre a vida nas cidades já esteja formada, e que neste momento esteja rumando a sua vida para que consiga sair delas. Aqueles que construíram suas vidas na cidade e por qualquer que seja o motivo não carregam muitas perspectivas de deixar a selva de pedra para trás talvez façam muito mais proveito da leitura desta obra.

As cidades são formadas por humanos, então faz sentido que as mazelas que nos atingem, consequentemente sejam refletidas nas cidades. O autor apresenta isso de maneira excelente fazendo alguns paralelos logo no inicio com a seguinte passagem:

“Se as nossas metrópoles fossem um corpo humano, ele estaria doente, obesidade pelo crescimento exagerado; calvície representada pela destruição da cobertura vegetal; bronquite por anos de inalação de um ar poluído; acrescentam-se a isso o diagnóstico de impotência para fazer as políticas certas e o “mal de Alzheimer político”, dado que os neurônios dirigentes esquecem rapidamente os compromissos assumidos.”

A partir dessa introdução ele disseca de forma bem científica esses paralelos citados, utilizando inclusive dados retirados de pesquisas realizadas e nos apresentando em forma gráfica, o que facilita bastante a compreensão. Outros assuntos também são tópicos de discussão, como a violência, doenças mentais e até mesmo fenômenos climáticos, como as ilhas de calor.

O livro segue essa linha factual durante todos os capítulos, o que particularmente me agradou bastante, entretanto o capítulo final é diferente. Apresentando uma visão mais pessoal de como se sente vivendo numa grande metrópole, mais especificamente São Paulo, cidade do autor, o início do fim se dá com uma reflexão que inclusive o próprio autor se desculpa por fazê-la, afinal o capitulo deveria dar soluções sobre como resolver os problemas apresentados. O curto parágrafo diz o seguinte:

“Quando eu era menino, guardava meus sonhos nas estrelas. Hoje, velho, já não consigo vê-las. Pois, embora possa ver da sacada no meu apartamento na zona rural central de São Paulo a cidade em muito da sua inteireza e grandiosidade, as estrelas do céu, frequentemente, ficam pagadas com o firmamento iluminado pelas luzes das ruas e edificações. Sinto-me bastante perdido, pois o céu me parece invertido, o escuro fica por cima, a luz ilumina por baixo. Será que ainda me encaixo no espaço da minha cidade, luar de perdidos sonhos, onde a mim mesmo rebaixo?”

Deixarei que você mesmo pense sobre isso.

O autor finaliza o livro dizendo que estratagemas para resolver todos os problemas apresentados já existem várias, e se necessário, tomando-os como base, aprimoramentos podem ser feitos. A partir desse ponto ele apresenta suas próprias visões tendo como inicio um pequeno questionamento: A quem de fato pertence as cidades?

Finalizando o livro com um argumento que corrobora com tudo do que dizemos por aqui a muitos anos: Não terceirize a responsabilidade, assuma junto com elas todas as consequências se caso queira realmente mudar alguma coisa, mesmo que seja no micro cenário da vida.

“Não se constrói a cidade a partir de uma governança superior, mas sim, pela força de vontade dos seus cidadãos e consequente exercício da cidadania.”

~ Paulo Saldiva.

Até.

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