Relato: Deficiência na preparação

Hoje vamos conhecer o relato vivencial de um apoiador do canal que tem uma doença não muito conhecida: Atrofia muscular espinhal. Aqui ele irá relatar como conheceu esse nosso estilo de vida e porque dentre tantas coisas ele escolheu justamente o Sobrevivencialismo como uma área de interesse.

O que é a Atrofia Muscular Espinhal?

A AME é dividida entre três tipos sendo eles classificados como: Tipo I; Tipo II e Tipo III. A gravidade se dá em ordem decrescente, ou seja, o tipo I é o mais forte, porém a diferença principal entre cada um é a intensidade dos sintomas.

A atrofia muscular espinhal tipo II, que é a que acomete o Bruno, é uma forma crônica infantil de atrofia muscular, caracterizada por fraqueza muscular e hipotonia resultante da degeneração e perda dos neurônios motores inferiores da medula espinhal e do núcleo do tronco cerebral. Isso significa que não há força suficiente nos músculos, além de ser impossível de ganhá-la com o tempo. O que Bruno consegue fazer é realizar movimentos simples, como comer e utilizar o celular. Felizmente a AME acomete somente as funções motoras do corpo, as cognitivas permanecem normais.

Agora, com essa base de apresentação, está na hora do Bruno assumir este texto.

A VIDA

Meu diagnóstico foi dado com um ano de idade, desde então a minha família começou a procurar uma cura, mesmo sabendo que ela não existia. Para mim tudo isso foi somente sofrimento, foram visitas e consultas a curandeiros, quiropraxistas e todos os outros métodos imagináveis e acessíveis para nós.

Houveram ocasiões em que as dores foram excessivas ao ponto de não ser possível resistir… Eu fazia alongamentos que eram feitos com esperança de que teriam algum efeito positivo, mas a verdade é que não houve melhora alguma. Com o passar do tempo as opções foram acabando e não havia mais motivos de continuar com aquelas tentativas desesperadas de tratamentos e curas. Finalmente, minha condição foi aceita.

Depois de algum tempo passado, fui diagnosticado com escoliose na coluna, e em 2009 quando tinha nove anos de idade, uma cirurgia foi necessária. Todas as minhas costas foram abertas, alinharam minha coluna e após deixarem a mesma reta e em seu devido lugar, nela foram inseridos vinte e sete parafusos, quatro hastes de titânio e dois ganchos. Hoje depois de dez anos ainda necessito de uma operação, dessa vez no quadril. A vida desde então se tornou uma rotina de fisioterapia constante, mas as condições financeiras não permitem a realização com o profissional todos os dias, que é o recomendado, por isso é realizada somente uma vez por semana e no restante dos dias é feita pela minha própria mãe. Além das seções de fisioterapia, medicamentos são necessários, pois eles fortalecem os pulmões e diminuem a probabilidade de uma pneumonia ou algo do gênero.

DESCOBRINDO O SOBREVIVENCIALISMO

Por uma recomendação diferente do YouTube eu cheguei a um vídeo um tanto diferente, o nome do canal era incomum e eu não fazia a menor ideia do que se tratava. Era julho de 2016 e o vídeo que eu acabara de clicar de chamava: Como fazer fogo com açúcar e permanganato de potássio? Do canal Sobrevivencialismo.

Eu achei aquilo curioso e interessante e comecei a vasculhar pelo conteúdo daquele canal recém descoberto, porém diferente da maioria que conhece esse estilo de vida, ainda mais de maneira abrupta como eu conheci, que deduzem logo que tudo aquilo é coisa de quem é maluco e paranoico, tendo como um dos primeiros pensamentos o tão famigerado apocalipse zumbi. Eu não! Comecei a clicar e assistir outros vídeos e depois de vários percebi que o conteúdo era bastante abrangente e fui aos poucos tomando consciência do que era tudo aquilo.

MUDANÇAS

É difícil transcrever o quanto o Sobrevivencialismo me influenciou e mudou muita coisa na minha vida. Devido a minha condição, eu não consigo focar nos aspectos mais interessantes e atrativos que todos acham dentro desse estilo de vida, entre eles estão a defesa com armas de fogo, o aumento do condicionamento físico e a realização de trilhas, pois como já dito por mim, a AME não afeta as funções cognitivas. No aspecto da preparação, talvez muito subestimado porém essencial que eu tenho colocado todos os meus esforços.

Fortalecer a mente, esse é o meu principal treino.

Não foi apenas essa mudança que ocorreu devido ao Sobrevivencialismo. Não fortaleço a mente buscando apenas uma maior resiliência. Também estudo, coisa que não me era tão atrativa assim, busco estar consciente daquilo que está ao meu redor em formas de ideias! Quanto mais se sabe, mais difícil será de ser manipulado como uma simples massa de manobra. A avaliação de risco se tornou uma grande diferença, estar na rua significa estar atento, e para isso, avaliar as coisas físicas ao seu redor é de suma importância. Sem dúvidas, o conhecimento é a maior arma que se pode ter, sendo a mais desprezada, também é a mais fácil de se obter. Estude.

EXPERIÊNCIA

Como pontuei acima com bastante ênfase, considero que o principal aspecto da preparação é a mente. Este é um relato vivencial que ocorreu a um tempo atrás:

Cerca de um ano atrás, estava eu, minha prima de seis anos e minha avó em casa, e especificamente naquele dia ela não estava se sentido muito bem, mas até aí tudo “normal”. São coisas que idosos passam a sentir depois que atingem tal idade. Eu estava no meu quarto e fui ver a minha avó, só por precaução, para ver como ela estava, porém algo parecia diferente. Quando eu a procurei pela casa, notei que ela estava no banheiro, quando adentrei o mesmo, minha avó estava em frente à pia, se encontrava praticamente paralisada, apenas repetia os mesmos movimentos, em uma espécie de ciclo.

A princípio eu não entendi, então comecei a conversar com ela, entretanto não obtinha resposta alguma, minha prima se encontrava do meu lado, e de repente minha avó começou a chorar, rapidamente pedi para que minha prima fosse pegar uma cadeira e que a posicionasse atrás dela, só que ela não sentava, se encontrava “paralisada”. Minha prima ficou nervosa, e eu tive que acalmá-la.

Eu que sempre consegui manter a calma, tive a atitude de ligar pra minha tia mais próxima e assim por consequência tudo se resolveu, minha avó foi para o hospital e todos os procedimentos foram feitos. Os resultados dos exames apontaram um início de AVC. Talvez algo de mais grave poderia ter acontecido se as mínimas procedências não tivessem sido tomadas.

CONCLUSÃO

Gostaria de finalizar dizendo que praticamente todo mundo é um sobrevivencialista, só que muita gente não sabe disso, não tem conhecimento sobre esse estilo de vida tão diferente e eficaz.

Queria deixar uma mensagem para todos, não só pra quem tem limitações físicas assim como eu. É uma coisa que eu sempre carrego comigo:

Antes de tudo, antes de reclamar ou qualquer outra coisa, é sempre correto antes “olhar” ao seu redor, porque sempre terão pessoas que estarão enfrentando situações muito piores que a que você está lidando, essas pessoas dariam tudo para estar vivendo aquilo que você vive, mesmo que pra você seja algo ruim.

Eu levo esse pensamento comigo a todo momento. Ao menos reflita sobre isso também.

Relato de Bruno Borba.

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um comentário

  • Barretto Colecionador

    Muito bom seu relato Bruno

    Também acredito que a melhor coisa a ser treinada é nossa mente. Porque com ela teremos discernimento para encarar os mais diversos problemas que a vida nos mostra.

    Força e Fé sempre.

    abraços

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