SUBIDA DO PICO PARANÁ

Meu nome é Mayckel, e faço parte de um grupo de trilha composto por colegas de trabalho e amigos. De tempos em tempos, planejamos aventuras para escapar da rotina da cidade grande. Após nossa última expedição ao Cambirela, a vontade de explorar novas trilhas ressurgiu. Começamos a pesquisar possíveis destinos e decidimos que o Pico Paraná seria o próximo desafio.

Já no canal do Sobrevivencialismo, existia um histórico desse gigante. Julio tentou conquistá-lo uma vez, mas por razões técnicas não conseguiu concluir a subida. Mais tarde, ele e Anderson alcançaram o cume e acamparam lá. Inclusive, há ótimos vídeos desse dia no canal, que utilizei para ter uma ideia do que nos esperava nessa aventura.

Após organizarmos tudo, partimos de nossa cidade, Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, com destino ao famoso e temido Pico Paraná. A viagem foi longa, levando cerca de 8 horas, contando com paradas para refeições e deslocamento. Chegamos à Fazenda Pico Paraná, onde fizemos o registro e pagamos a taxa de utilização do camping, que era de 10 reais.

O local possui uma estrutura simples, com um pequeno bar onde é possível comprar pastéis, café e alguns lanches secos. Também conta com dois banheiros que têm chuveiros quentes. No entanto, é importante notar que o local recebe muitos visitantes, e a estrutura pode ficar sobrecarregada, resultando em filas para tomar banho. Os proprietários fazem o possível para manter a limpeza, mas devido ao grande fluxo de pessoas e ao barro nas trilhas em dias úmidos, pode ser desafiador manter a higiene. Minha dica é planejar os horários estrategicamente para evitar as multidões. Normalmente, as pessoas começam a se movimentar por volta das 5h.

É importante mencionar que não há sinal de telefone na fazenda, e o Wi-Fi não é disponibilizado, sendo utilizado apenas para transações com cartão de crédito. Existe uma pequena área coberta perto dos banheiros, que pode servir de abrigo contra a chuva ou para socializar com outros aventureiros. Também estão disponíveis algumas churrasqueiras de tonel, que podem ser usadas mediante o pagamento de 10 reais, eles também disponibilizam a venda sacos de lenha.

Após jantarmos, fomos para nossas barracas, onde passamos a noite. No dia seguinte, acordamos às 4h e começamos a trilha às 5h, apesar do escuro e da garoa constante. Cerca de uma hora depois, encontramos várias pessoas voltando, desistindo da caminhada.

Aqui, vale ressaltar a importância das vestimentas, especialmente para iniciantes. Recomendo o uso de roupas em camadas para se adaptar às mudanças de temperatura. Vimos pessoas usando bermudas e calçados inadequados, o que pode prejudicar a caminhada e até levar à hipotermia. Uma capa de chuva é útil, pois a caminhada é longa e demorada.

Mesmo com todos os equipamentos adequados, chegamos ao cume completamente molhados devido ao mau tempo. À medida que avançávamos na trilha, ela se tornava mais aberta e ventosa, causando um grande desconforto devido ao frio. Como pegamos dias chuvosos, o barro era uma presença constante no caminho. Tentamos desviar do barro, mas percebemos que essa estratégia tinha seus perigos, como os tombos.

Aqui está outra dica: se você não tem muita experiência, mas deseja acampar e apreciar as belas paisagens, o Morro do Getúlio é o local perfeito. Fica a cerca de duas horas da fazenda, a subida é tranquila e há muito espaço para acampar.

Continuando nossa jornada, passamos por uma bifurcação marcada por placas e superamos diversos obstáculos no caminho, como raízes, pedras soltas, grampos, cordas e correntes. Também é importante se organizar com a água, pois ela se torna escassa à medida que você sobe. Passamos pelo A1, onde há mais espaço para barracas, e pelo ar do caratuvas, que, quando molhado, pode deixá-lo bastante encharcado.

Prosseguimos até o A2, onde o espaço para barracas é mais limitado, e finalmente enfrentamos o temido paredão, o maior desafio da jornada, especialmente para mim, devido ao meu medo de altura. Com incentivo dos amigos, consegui superar esse obstáculo.

Finalmente, chegamos ao cume do Pico Paraná às 11h. Devido ao mau tempo, estava completamente envolto em neblina, e não conseguimos ver absolutamente nada. No entanto, a sensação de dever cumprido prevaleceu. Após descansar por meia hora e nos alimentarmos com lanches que havíamos levado, começamos a descida, que se revelou uma nova aventura. Descer o paredão foi ainda mais assustador do que subir, mas não tínhamos escolha. Enfrentei meu medo e fiz a descida.

Conforme mencionado no texto, optamos por fazer uma investida ao cume e voltar no mesmo dia para economizar tempo e energia, carregando apenas mochilas de ataque com refil de hidratação, isotônicos, lanches prontos, uma muda de roupa extra, carbogel e barras de cereal para consumir durante a caminhada.

Recomendo esta trilha para pessoas com alguma experiência em caminhadas, que não tenham medo de altura ou possam superá-lo, e que estejam em boa forma física, pois a trilha e as escaladas exigem muito do corpo. No final das contas, a aventura se resume a apreciar o momento, estar entre amigos e imergir na natureza.

Relato por Mayckel Antunes.

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