SHTF School: Abrigo de sobrevivência perfeito

Para aqueles que não conhecem o contexto do blog SHTF School, clique aqui para ler a introdução do blog e assim conseguir entender o texto abaixo.

Para sobreviver, a prioridade número um quando a crise aconteceu era ter um abrigo seguro.

No começo de tudo, quando os bombardeios e tiroteios começaram, a maioria das pessoas procuravam por um porão. Aqueles que tinham um muitas vezes se mudavam para lá de forma permanente para evitar o inferno lá fora… Mas esses abrigos nunca se pareciam com o que talvez você imagine.

Outras pessoas começaram a ter diversos tipos de idéias para criar suas próprias pequenas fortalezas. A primeira coisa era fortificar qualquer tipo de entrada na casa. Pense naquelas cenas quando pessoas correm de um furacão e pregam madeiras em suas janelas… Em caso de colapso você terá de proteger todas as entradas não apenas do vento, mas também de balas, estilhaços e pessoas que queiram entrar.

Na maioria dos casos as pessoas usavam sacos de areia, sacolas sujas ou qualquer tipo de destroços combinados com madeira por cima. Depois, eles adicionavam um pequeno buraco para algo parecido com um exaustor ou chaminé e colocavam algum tipo de fogão à lenha improvisado.

Eu lembro da história de que se você usasse dois pedaços de madeira e colocasse um travesseiro no meio você teria um dispositivo perfeito para parar balas de menor calibre e pedaços menores de estilhaços. Esse estofamento fazia a mágica e as pessoas usavam isso bastante.

Depois de algum tempo as pessoas começaram a aprender por meio de experiências ruins e de histórias que elas ouviam quando as coisas mudavam. O povo percebeu que estar em um porão não é uma boa idéia, pois eles podem ser facilmente encurralados lá dentro.

Estou falando da situação quando você e sua família estão escondidos no porão e mesmo que tenham a água e comida necessárias, mesmo que você esteja muito bem armado e com muita munição, pode ser difícil se você não tiver outras saídas do porão, você poderia muito bem ser pego lá e morto (ou como em alguns casos queimado ou asfixiado por fumaça).

Em algumas partes da cidade, dependendo da situação e se ela estava sobre bombardeio pesado ou não, pessoas escolhiam ficar nos andares de cima de casas parcialmente destruídas. Elas usavam esses lugares como suas bases, e se moviam entre as ruínas para chegar à outras casas.

Depois de certo tempo você começa a conhecer bastante aquele prédio que você está, com todos os buracos e passagens entre os apartamentos, aí você pode facilmente ser algo como um “rei” daquele lugar.

Seria um pesadelo para qualquer um, ou até mesmo para um grupo de pessoas te atacarem ali, especialmente porque o prédio todo estava mudando todo dia quando coisas quebravam ou novas bombas caiam. Quero dizer, novos buracos e novas passagens abririam, velhas se fechariam e etc.

Eu tive um parente que tinha um apartamento em um prédio de dez andares. Devido ao bombardeio pesado o prédio estava parcialmente queimado, alguns andares completamente destruídos. De fora parecia que o prédio ia desmoronar a qualquer momento… na verdade parecia que tinha começado a cair e no meio do caminho parou. A maioria das pessoas corriam desse prédio e ele ficou lá, por meses, e sobreviveu.

Ele me disse que mesmo com todas as coisas ruins acontecendo ele teve algum tipo de sentimento de que era um homem rico, ele tinha o prédio inteiro para ele, todas as entradas e saídas normais estavam fechadas, enterradas sobre escombros… A maioria devido à destruição, mas ele também moveu bastante sujeira e lixo na frente de algumas para terminar de fechá-las.

Enquanto outros estavam em seus pequenos quartos, famílias inteiras apertadas juntas, ele tinha um complexo de apartamentos só para ele. Ele verificava seu “reino” todos o tempo durante o dia para ver as mudanças e checar suas armadilhas.

Ele fez armadilhas primitivas e algumas explosivas, mas a maioria do tempo ele era deixado em paz por todos. Ele nunca teve problemas com gangues. Apenas algumas pessoas desesperadas queriam entrar em um prédio em ruínas que parecia que ia desabar à qualquer momento. Quando alguém entrava no prédio para checar se havia algo útil dentro ele apenas usava os buracos entre os apartamentos para afastar-se deles. Ninguém tentava subir para os andares superiores.

Era impossível se mover pelo prédio e especialmente para subir andares sem conhecer o local e também provavelmente porque as pessoas constantemente temiam que ele iria desmoronar, então ninguém perdia tempo para achar passagens relativamente secretas.

Depois que tudo terminou e voltamos a nos falar, ele me levou ao prédio e fez uma espécie de tour comigo. Ele tinha todo o seu sistema de como chegar do primeiro andar até o oitavo, onde ele tinha uma espécie de base. A entrada normal estava enterrada, nós usamos um balcão, então um buraco coberto para outro apartamento, então um buraco escondido e uma corda para o segundo andar, etc. Como um grande parque de diversões, mas ali todos perigos eram reais.

Para chegar até a sua base levamos cerca de duas horas rastejando, descobrindo buracos e escalando. Ele me disse que tomamos tanto tempo pois ele estava me cuidando para que eu não caísse em nenhuma armadilha que ele fez, a maioria delas eram pedaços de rochas grandes que ele colocou para que se alguém andasse ou rastejasse em um lugar, elas caiam e enterravam o invasor embaixo de destroços.

Era uma idéia inteligente, porque se alguém passasse em uma de suas armadilhas iria apenas parecer um acidente e se a pessoa estivesse com um pequeno grupo eles sairiam rápido com medo de que isso poderia acontecer com mais deles.

Ele me disse que para ele tomavam apenas vinte minutos para ir do primeiro ao oitavo andar. No telhado do prédio ele tinha algo como um parque de diversões (eu acho), pois ele me disse que sempre que se sentia triste ele ia de noite no terraço e andava de bicicleta (uma que ele achou em um apartamento). Bizarro e meio louco.

Ele disse que não saia do prédio muito, eu suspeito que tenha haver com o fato de que ele tinha muita oportunidade de encurralar pessoas quando elas vinham checar o prédio e coletar seus suprimentos. Ele nunca disse sobre como conseguia comida e outros itens para sobreviver, mas ele estava sozinho e esse é o único caminho que eu vejo como possível.

Fato engraçado é que o prédio não desmoronou devido aos danos dos bombardeios, mas depois que tudo terminou as autoridades o implodiram para construir um shopping lá. Eu perdi contato com meu parente, eu ouvi que ele ficou cada vez mais e mais estranho. Acho que isso tem haver com o medo constante durante meses e meses de que o prédio caia na sua cabeça.

A moral dessa história toda é que o abrigo perfeito não precisa parecer como um abrigo perfeito. Algumas vezes um abrigo perfeito não parece com um abrigo em nada, e ainda assim, é perfeito. Pode ser um lugar onde ninguém mais pode ir ou pode querer ficar, exceto você.

Um abrigo perfeito pode ser um lugar onde dentro de todo o caos, você faz as regras.

Fonte: SHTF School

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12 comentários

  • cara eu tenho uma terra com uma casa e comida e agua são meu ultimo problema,o local é de dificil acesso,mas o q me preocupa é como está armado e ao mesmo tempo dentro da lei,tem como me ajudar?

  • Nós tomamos uma decisão de arrendar/alugar una terra, e ter nossa bol,bem longe e de difícil acesso, foi o que deu para pensar e fazer,somado a treinamento ,estocagem,e muito planejamento,creio que quanto mais treinamento melhor,
    quanto mais preparação melhor…por isso julgo importante essa série de traduções e recomendo.
    Obrigaduu

  • paulo ricardo

    sobreviver é assunto complexo…mais complexo fica quando animais de sua própria espécie querem seu pelo…as cicatrizes dos conflitos nos balcãns ainda sangram…

  • allan johny

    gostei muito mais fiquei curioso onde ele arumava alimento

  • Muito bom Julio. É uma grande lição, para nós que nos esquecemos daqueles que sofreram para que a liberdade existisse….

  • Este texto me fez ver mais uma vez que o improviso é um fator extraordinário quando nos encontramos no meio do caos! Claro que tem coisas que não tem como vc improvisar mas aprender a arte do improviso pode se tornar decisivo para a sobrevivência. Na minha opinião devemos dar uma de Macgyver(Não sei se é assim que se escreve.rsrsrs) e quando estivermos treinando as técnicas de sobrvivêncialismos experimentarmos improvisos com os materiais à nossa volta usando o mínimo de ferramentas possíveis. Mas isso deve ser feito de forma controlada e segura sem se expor a riscos.

    • Concordo plenamente Léo,

      Um dos grandes fatores que determinam o sucesso na sobrevivência é a capacidade de ser criativo perante às diversas situações que podem surgir. Creio que a melhor forma de praticar isso é subtraindo itens de sua mochila (peça para um amigo levar) e tente reproduzir algo que tenha função parecida com o que você não tem acesso. Um exemplo seria não levar a barraca e fazer um abrigo com a mata no local.

      Abraços.

  • marcelo mamone

    Muito legal. Sabe onde ocorreram esses fatos?

    • Olá Marcelo,

      Foi durante a Guerra dos Balkans, na Sérvia. Leia um pouco sobre a história dele no link que deixei no primeiro parágrafo!

      Abraços.

  • Nossa….. muito bom esse texto.

  • Mais um texto interessantíssimo do Selco, com tradução juliana. Agradeço.

    • Gostaria de entender a definição de “atos julianos”…kkkkkkkkkkkkkk.

      Abraços.

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