COMO SOBREVIVER A UMA DEBANDADA HUMANA

Em junho de 2017, a explosão de um rojão provocou pânico entre 30 mil torcedores que assistiam a uma partida de futebol em Turim, na Itália. A explosão que se seguiu matou três pessoas e feriu 1.672. Mais de 700 pessoas morreram em 2015 durante a peregrinação anual do Hajj em Mina, Meca, Arábia Saudita. Autoridades relataram que o pânico se instalou quando dois grandes grupos de peregrinos chegaram à mesma rua, vindos de direções diferentes, e criaram um gargalo.

Testemunhas disseram que foi um caso de muitas pessoas se empurrando e se acotovelando em uma pequena ponte suspensa, o que causou uma situação mortal durante as celebrações do Festival da Água Khmer em Phnom Penh, Camboja, em 2010. O número de mortos foi de 347. Na Alemanha, em 2010, pessoas a caminho da Love Parade, um festival de música popular, aglomeraram-se em uma passagem subterrânea. Mais de 650 pessoas ficaram feridas e 21 morreram no túnel superlotado. 

Nos EUA, houve uma corrida por assentos por ordem de chegada em um show da banda de rock britânica The Who, que se tornou mortal em Cincinnati em 1979. Onze pessoas perderam suas vidas. O que todos esses eventos têm em comum? Foram eventos pacíficos e lotados que se tornaram mortais. Essas debandadas humanas demonstram que, quando as pessoas entram em pânico, um caos mortal pode se instalar.

Debandadas humanas podem ocorrer quando as pessoas percebem uma ameaça – como o som da explosão em Turim – e fogem dela. E podem ocorrer quando as pessoas antecipam algo de valor – como um bom lugar em um show – e correm em direção a esse objeto valioso. Debandadas humanas fatais já ocorreram em casas noturnas, eventos esportivos e shoppings em todo o mundo.

Especialistas em gerenciamento de multidões explicam que a debandada humana geralmente começa quando as pessoas chegam a uma porta, parede ou outra barreira e diminuem a velocidade ou param. As pessoas atrás delas continuam se movendo, presumindo que o espaço se abrirá. Quando esse espaço não se abre, elas começam a avançar.

Claramente, a melhor maneira de sobreviver a uma debandada humana é evitar multidões completamente. No entanto, essa tática nem sempre é possível, e nem sempre podemos prever quando uma situação vai piorar. Assim como em muitas situações da vida, sobreviver a uma debandada humana pode depender de preparação mental. Aqui estão nove maneiras de sobreviver a uma debandada humana.

1. Crie uma estratégia de saída

Esteja você em um prédio lotado ou em um pátio lotado, reserve um tempo para procurar saídas. Lembre-se de que a melhor saída pode não ser por onde você entrou. Procure saídas alternativas que possam ser usadas por menos pessoas.

2. Siga seu instinto

Se você se sentir desconfortável em meio a uma multidão, preste atenção a esse instinto e vá para um local mais seguro ou saia de lá completamente. Essa decisão pode ser difícil, principalmente se você viajou muito ou gastou muito dinheiro com passagens, mas pode salvar sua vida.

3. Mantenha a calma

Especialistas afirmam que mais pessoas morrem por falta de oxigênio (asfixia compressiva) em uma debandada humana do que por pisoteamento. Não desperdice sua energia e oxigênio gritando e empurrando. Em vez disso, mantenha o foco e resista à mentalidade de rebanho.

4. Fique em pé com as mãos para cima

Mantenha as mãos e os braços junto ao peito, como um boxeador em uma luta. Essa posição lhe dá impulso e ajuda a proteger seu tronco vulnerável. Não se abaixe para pegar um objeto caído — não vale a pena.

5. Continue se movendo

Se uma multidão estiver se aproximando, é improvável que você consiga resistir à força delas. Tente se mover no mesmo ritmo da multidão. A exceção a essa regra é se o grupo estiver se movendo em direção a uma barreira, como uma parede, cerca ou qualquer outro objeto sólido que não seja possível escalar ou transpor. Evite se mover em direção a um desses pontos de estrangulamento, se possível.

6. Mova-se para o lado

O especialista em segurança de multidões Paul Wertheimer recomenda uma técnica que ele chama de “método sanfona” para escapar de uma multidão perigosa. Depois que a multidão avança, há uma breve pausa. Wertheimer recomenda usar essa pausa como uma chance de se mover diagonalmente entre as pessoas. Dê alguns passos para o lado. Espere a próxima pausa. Depois, dê mais alguns passos até chegar à extremidade da multidão, onde é menos provável que você se machuque.

7. Ajudem uns aos outros

Ajude alguém a se levantar estendendo a mão e apontando com as mãos e os braços diferentes saídas possíveis. Um estudo histórico sobre comportamento em multidões, liderado pelo psicólogo John Drury, da Universidade de Sussex, descobriu que a chave para evitar tragédias é ajudar uns aos outros em meio a uma debandada. De acordo com o estudo, quando as pessoas param para ajudar umas às outras, isso diminui a sensação de pânico de todos.

8. Procure abrigo

Se o perigo atual for a debandada em si (não um incêndio ou outra emergência), procure maneiras de escapar da multidão. Se estiver em um ambiente fechado, pode ser uma escada lateral ou um armário. Não se esqueça de procurar uma saliência ou, se estiver ao ar livre, pode ser uma boa ideia subir em uma árvore ou em um veículo para se proteger.

9. Proteja sua cabeça

Se você cair, tente se levantar o mais rápido possível. Se não conseguir se levantar, Wertheimer recomenda que você se curve de lado e proteja a cabeça com os braços. Uma das coisas interessantes sobre multidões é que seus movimentos seguem padrões. Muitos especialistas em controle de multidões falam sobre grupos humanos se movendo previsivelmente em fluxos e refluxos, como ondas. Equipes inteligentes de gerenciamento de multidões se planejam para essas ondas com muitas entradas e saídas, direções bem sinalizadas, sistemas de som e medidas rigorosas de controle de multidões em pontos de congestionamento.

Se você estiver em um evento lotado — seja um show, uma promoção de Black Friday ou um protesto pacífico — que não esteja levando essas medidas em consideração, você pode estar em perigo. Mantenha a calma e saia de lá em segurança enquanto ainda pode.

Texto traduzido e adaptado do site: Urban survival.

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