POST DO LEITOR: ACIDENTE DOMÉSTICO
Eu sou Daniel Bezerra, um mineiro de Belo Horizonte, atualmente com 32 anos de idade. Resido em Três Marias, uma acolhedora cidade na região central de Minas Gerais. Há aproximadamente oito anos, descobri e me tornei seguidor entusiasmado do SV e a dois anos me tornei um apoiador. Estou aqui para compartilhar um relato.
Em setembro de 2023, fui confrontado com uma experiência que, caso tivesse ocorrido em anos anteriores, eu teria sem dúvida encarado como extremamente traumática e perturbadora para o meu bem-estar emocional e psicológico. No dia do ocorrido, marcaríamos presença em um casamento tão esperado. Minha prima e seu agora esposo decidiram se unir há um ano e meio atrás, então finalmente chegou o tão aguardado dia. Após sete anos de relacionamento, o momento tão aguardado chegou. Acertamos entre nós que, ou eu, ou minha mãe, ou até mesmo ambos, compareceríamos à cerimônia, pois nossa prima fazia questão da nossa presença. No entanto, decidimos ir acompanhados de minha avó, que hoje conta com 99 anos de idade.
A manhã de sábado transcorreu de maneira bastante tranquila, sem grandes contratempos, exceto pelo calor abrasador que se fazia sentir aqui em Minas Gerais. Após o almoço, minha mãe decidiu tirar um cochilo, pois nessas altas temperaturas e clima seco, o desgaste é significativo, levando-nos a nos sentirmos fatigados rapidamente. Embora para aqueles acostumados com o calor intenso da região, como nós aqui em Minas, possam permanecer ativos, minha mãe, que já possui 66 anos, sente mais os efeitos do calor.
Eu estava tranquilamente em meu quarto, alternando entre assistir alguns vídeos e folhear meu “pequenino” livro de O Senhor dos Anéis, quando ouvi minha mãe despertar. Ela se dirigiu até a entre sala, pegou um banco para alcançar a roupa que pretendia usar no casamento. Eu já estava praticamente pronto para o evento. Tinha separado cuidadosamente minha vestimenta: um terno, pois além de ser primo dos noivos, eu também estava encarregado de gravar a cerimônia.
Enquanto eu estava buscando meu sapato no guarda-roupa, ouvi minha mãe fazendo tentativas para subir no banco. Na quarta ou quinta tentativa, infelizmente, ela acabou caindo. O impacto foi violento; ela bateu a cabeça em uma cama que fica no quarto dela (onde meu filho normalmente dorme), os braços na mesma cama e as pernas no guarda-roupa. O sangue jorrou imediatamente.
Eu ouvi o barulho da queda e, instantaneamente, o instinto toma conta de mim. Corri do meu quarto até o dela e a encontrei caída. Rapidamente a ajudei a se levantar e percebi o sangue escorrendo. Em poucos segundos, observei o corte, que era maior do que eu imaginava, aproximadamente 10 centímetros de comprimento, enquanto ela se recuperava da tontura. Recordando vídeos de primeiros socorros, lembrei que em situações sem materiais adequados, devemos usar o que temos à mão e buscar ajuda. No caso, encontrei toalhas e roupas de cama no quarto dela e, sem hesitar, peguei uma toalha de rosto para estancar o sangramento. Entretanto, ela rapidamente se encharcou, então substituí por uma toalha de banho, que foi mais eficaz. Desde a queda até chegarmos ao hospital, passaram-se cerca de 20 minutos. Em momento algum eu mencionei a gravidade do ocorrido para ela. Ela só sabia que havia cortado, mas não tinha ideia do tamanho do corte.
Inicialmente, fiquei assustado, ciente de que quedas desse tipo podem ser fatais. Ao vê-la cambalear, meu coração se apertou de preocupação, mas logo percebi que era apenas o susto causando tontura. Meu foco então se voltou para procurar outras possíveis lesões. Ela tinha alguns cortes menores e escoriações nos braços e pernas devido ao impacto contra o guarda-roupa e a cama, mas nada grave. O principal desafio era o corte na cabeça e a dificuldade em estancar o sangramento, mesmo aplicando pressão. Enquanto a tranquilizava, percebi sua aflição devido à dor e ao sangramento contínuo. Ofereci água e a ajudei a se sentar, permanecendo ao seu lado até a chegada do carro para levá-la ao hospital. Apesar de tentar comprimir o ferimento para estancar o sangramento, sua dor me fez optar por deixar que ela mesma aplicasse a pressão, já que saberia até onde suportar.
Assim que o incidente ocorreu, entrei em contato imediatamente com minha namorada, que coincidentemente trabalharia no casamento em questão dentro de poucos minutos. (O incidente ocorreu às 14:20 e o casamento estava marcado para as 16:30, mas devido ao trabalho dela na cerimônia, ela precisava estar no local às 15:00). Ela chegou rapidamente com o carro e a levei até a casa dela para que pudesse terminar de se arrumar. Em seguida, partimos para o hospital às pressas.

Ao chegarmos, tivemos a sorte de encontrar o médico do posto de saúde do meu bairro de plantão. Ele nos recebeu prontamente e perguntou sobre o ocorrido. Sem hesitação, ele ordenou que fosse feito um raio-X para avaliar a gravidade do ferimento. Após a realização do raio-X, encaminhamos minha mãe imediatamente para a sala de procedimentos a fim de realizar a sutura do corte. No total, foram necessários 14 pontos para fechar o ferimento.
Devido ao corte no couro cabeludo, foi necessário raspar a área ao redor para mantê-la o mais seca e limpa possível. Isso exigiu um pouco mais de trabalho, mas, após algumas horas, tudo correu bem no final. Foram aproximadamente 15 dias até a remoção dos pontos. O momento mais complicado era quando ela precisava dormir, pois exigia cuidados extras. Para garantir conforto, envolvíamos toda a cabeça com faixas e adicionávamos 2 a 3 gazes a mais do que o necessário para suavizar a área e evitar desconforto durante o sono. A cicatrização ocorreu sem problemas. Graças aos vídeos educativos que aprendi a acessar no Portal, que foi muito importante, utilizamos soro fisiológico e gaze para lavar a área, seguindo as instruções dos vídeos.
Falando em Sobrevivencialismo, um dos pilares fundamentais é o Resgate, algo que sempre considerei essencial, especialmente após morar durante alguns anos no interior. Acredito firmemente que ter conhecimentos básicos de primeiros socorros pode fazer toda a diferença, seja para salvar a vida de alguém próximo a você ou de qualquer outra pessoa. Julio, em seus vídeos, costuma enfatizar que não adianta pensar que somos super-heróis capazes de enfrentar inimigos sozinhos, ou que podemos realizar curativos mirabolantes como nos filmes usando pólvora e fogo. A vida real demanda preparo e conhecimento específico.
Acredito que todos deveriam, no mínimo, fazer um curso de Atendimento Pré-Hospitalar (APH) em algum momento da vida, e para aqueles que já o fizeram, uma reciclagem anual seria prudente. A falta de prática em situações de emergência pode significar a diferença entre a vida e a morte. Entendo que nem todos têm acesso a hospitais próximos, bombeiros ou postos de saúde para intervenções imediatas em momentos de crise. Portanto, esse conhecimento não é dispensável; pelo contrário, em momentos inesperados, ele pode ser crucial.
Embora nem todas as cidades ofereçam cursos de APH, uma pesquisa rápida pode revelar opções em localidades próximas. Além disso, a internet oferece uma vasta gama de conteúdos gratuitos, como vídeos e textos educativos. O tempo que muitos gastam em entretenimento superficial, como festas, filmes ou nas redes sociais, poderia ser muito bem empregado na absorção desse tipo de conhecimento. Não precisa ser algo rotineiro, mas a cada aprendizado, surge o desejo de aprimorar ainda mais.
Para mim, o SV não é apenas entretenimento, mas um estilo de vida com o qual me identifiquei profundamente. Desenvolvi habilidades que antes acreditava não serem para mim, tornando-me uma pessoa melhor em todos os aspectos. A verdadeira essência do Sobrevivencialismo reside em compreender que não é necessário ser um especialista em tudo, mas ter noções básicas em diversas áreas pode ser crucial. Ser um sobrevivencialista é assumir a responsabilidade por si mesmo e por aqueles ao seu redor, algo que considero essencial para qualquer pessoa.
Relato escrito por: Daniel Bezerra.

RELATO LONGO DEMAIS.
NÃO AGUENTEI LER TUDO.
Só quem tem idoso ou criança em casa, pode imaginar a aflição de um acidente em casa, estando sozinho e longe de tudo.
Parabéns pela calma que manteve no atendimento imediato e pela iniciativa de compartilhar sua experiência conosco. Sem dúvida, ter conhecimentos de primeiros socorros é muito importante.