Sobrevivencialismo rural: Milho

Este texto vem para mostrar para quem não está familiarizado com a vida rural como é trabalhoso e ao mesmo tempo prazeroso viver no campo, e para isso vamos falar especificamente do milho.

Escrevi este texto com a ideia de mostrar todo o processo do cultivo de milho aqui onde moro, no interior do Ceará. Isso inclui preparação da terra até o debulhar dos grãos! Devo lembrar que talvez essas coisas sejam feitas de forma diferente aí na sua região, o que será descrito aqui é particular da realidade que vivo. Vamos lá!

Arado ou Broca

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O arado principalmente feito a trator é usado em locais planos e sem árvores, como pastos. É um processo bastante simples, onde o trator puxará os discos de arado, que tem como função cortar e revirar a terra.

Mas e antes dessa tecnologia? Você brocava seu roçado (ou milharal), que nada mais é do que você derrubar todas as árvores que tem no seu terreno (ao bom e velho estilo lenhador) e depois disso ateava fogo em tudo, isolando seu terreno para que o fogo não se alastrasse.

Plantio

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Tirando as máquinas altamente sofisticadas de produção industrial, o plantio é geralmente é feito de forma manual. Vai alguém na frente com a enxada cavando as fileira onde serão depositadas as sementes, depois o indivíduo que vem atrás, geralmente com uma vasilha em mãos plantando e cobrindo as covas de terra (aqui em casa plantamos 3 grãos por cova).

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Matraca ou plantadeira manual

Existe também o plantio com o uso de uma ferramenta chamada matraca, essa por sua vez faz o trabalho dos dois indivíduos, reduzindo o número de trabalhadores. Ela cava, planta e entope, além de ser possível definir quantos grãos serão plantados por cova.

Capina

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Depois que o plantio é concluído você somente vai esperar o milharal crescer. Contudo, de acordo com a chuva cai no sertão, você pode ter problema com as plantas daninhas, aquele mato entre as fileiras de milho. Estas plantas vão competir com o milho pelos nutrientes presentes no solo, por isso deve ser capinado. A capina do milharal ocorre entre uma e duas vezes, até porque depois que o milho ultrapassa a altura do mato não tem mais problema. 

Fazendo esta manutenção corretamente, agora que vem o resultado do seu trabalho: é hora da colheita.

Colheita

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Agora vem a parte gratificante, quando todo seu suor vai valer a pena. A colheita do milho é bem simples, cada planta gera uma espiga que vai crescendo gradativamente. 

Lentamente o milharal ficará verde que é como todos conhecemos com aquelas comidas típicas e tudo mais… Com o passar do tempo o milharal vai secar e será a hora de colher tudo! Isso pode ser feito com máquinas ou de forma manual. 

Debulha

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Chegamos a última etapa! Depois que todo o milho estiver colhido e agrupado em uma única pilha é hora da debulha. Existem duas maneiras de fazer isso: A maneira rústica e tradicional que é manualmente, espiga por espiga, e a que usa máquinas.

Claro que em uma plantação grande a debulha manual não tem a menor condições de ser escolhida, principalmente com os meios mais tecnológicos que temos hoje. Esta segunda maneira mais tecnológica e eficiente é geralmente usada por 100% dos agricultores da da minha região. Essa máquina separa os grãos do sabugo e da palha, fazendo com que os grãos caiam para um lado e o restante é triturado e sai do outro lado da máquina.

A renda do milho é estimada que a cada 1 litro plantado você colha 1 alqueire(160 litros). Juntando boas sementes com uma boa terra e com a colaboração da chuva na época e na quantidade correta a renda aumenta pra 1,5 alqueire pra cada 1 litro plantado! E pra pagar o dono da debulhadora caso ela não for sua, ele recebe em milho.

Geralmente essa é a conta, a cada 1 alqueire debulhado você paga a ele 1 medida(10 litros), depois é só armazenar em algum local vedado e sem umidade.

Conclusão

Esse é todo o processo envolvido por trás do milho, e você leitor, já conhecia esse processo, ou conhece um método diferente? Compartilhe nos comentários!

Texto escrito por Welthon Tavares.

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8 Comentários

  • Alessandro Samuel

    Aqui na minha cidade( inhuma-PI) o processo é basicamente esse, mas até onde eu posso ver se paga com dinheiro pela máquina de debulhar o milho. Também é constume por aqui fazer cilagem para os animais. Na cilagem você pega o pé de milho, tritura e enterra em um buraco que é isolado da terra por uma lona e deixa lá para posteriormente ser usado para alimentar os animais.

  • Caros, trupe e leitores.
    Essa matéria está sobremaneira equivocada, pois uma das primeiras ferramentas criadas com a criação da agricultura foi o arado, os mais primitivos eram “chifres” de troncos onde se colocava amarradas pedras em cima e era puxado pela tração animal original, a força humana! O milho é planta ameríndia, criada e aperfeiçoada por índios americanos, só nas regiões andinas existem mais de 200 tipos de milhos (e de batatas, também americana).
    Os índios nunca derrubaram árvores, abriam clareiras dentro de grandes clareiras feitas por quedas de árvores grandes (regiões de combate, pois eram as mais valorizadas na mata) derrubando arbustos passíveis de serem arrancados na mão pois não tinham ferramentas capazes de derubar grandes árvores, sobretudo arrancar as raizes!
    Todo o artigo é baseado em agricultura INDUSTRIAL, intensiva e não na real agricultura, já plantei milho e tirava uns sessenta quilos em uma área pequena de uns 10 m por 30m!

    O milho é planta milenar, e existe dois tipos de colheita, ele ainda fresco, para consumo cru, cozido, pamonha, curau, e o que deixamos o milho secar no pé, o de criações e armazenamento, milho para fubá, para farinha, para armazenagem pois seco dura uma eternidade! Nesse caso existe a debulha. Observo que A PLANTAÇÃO INTENSIVA NÃO USA DO MILHO IN NATURA, ou seja, só colhe seco, até porque úmido fresco não é debulhável.

    No brasil a cultura do milho é 95% TRANSGÊNICA, criminosa, venenosa (leiam sobre esperimentos feitos com cobaias sujeitas a alimentação com milho transgênico para entenderem o que são essas desgraças).
    Para que entendam o milho (soja ídem) transgênico foi criado para tolerar doses cavalares de desfolhantes, herbicidas (roundup, o glifosato é um dos mais medonhos e famoso deles), assim os pezinhos pequenos suportam veneno brutais enquanto as ervas daninhas (não existe capina em plantação intensiva) morrem envenenadas, ou seja, esse milho tem uma tolerância a veneno que é absurda, ao passo que nosso organismo não!

    Assim, hoje as plantações livres de transgênicos são raríssimas pois os insetos polinizadores saem de plantações transgênicas e vão para plantações adias e o resultados são híbridos com tolerância a venenos.
    Plantar milho é uma das coisas mais fáceis e prazerosas em termos de agricultura, o resultado é rápido, podendo ser de uns 6 meses dependendo da disponibilidade de água, e ve-lo crescer é fascinante, comer um milho cru arrancado do pé na hora é fabuloso, o suco de milho retirado na hora é fantástico! Um curau de milho novo é algo inenarrável em termos de sabor!

    Mas hoje me dia morando em cidade não como milho de forma alguma pois sei que são invariavelmente transgênicos! Há mais de sete anos não como milho no brasil, e só voltarei a comer no dia que tiver uma terra longe de monoculturas e usarei as sementes crioulas como bem comentou o Gustavo!
    Com relação às perdas, entendo que os que comem defunto (comer carne morta é comer defunto), não é um problema, pois as lagartas do milho são bem parrudas, suculentas e como bicho de goiaba, goiaba é, bicho de milho, milho é! Assim vale aprender a fazer algum prato com essas lagartonas e a perda vira ganho!
    Eu se algum dia tiver que ingerir animais, sem dúvida comerei insetos, lagartas e afins, pois o estrago é menor, elas crescem rápido, são em muito maior quantidade e menores, reduzindo o efeito karmico!

    Os agrotóxicos e adubos químicos (NPK, nitrogênio, fósforo e potássio, e companhia) são via de regra oriundos do petróleo, e quando não, são de fontes de nitrato, um exemplo alarmante é o arquipélago de Naurú, na polinésia, os nativos corrompidos pelas “miçangas” das multinacionais aceitaram a exploração do nitrato, oriudo do guano das aves em milhares de anos e fontes de emissões vulcânicas (essas ilhas são de origem vulcânica), e hoje estão com suas terras destruidas, e em alguns casos as ilhas SUMIRAM DO MAPA!
    Essas são as contribuições dessas abjetas multinacionais alienígenas, que graças a governança cafajeste são as dominadoras desse pai´seco em que vivemos, a famosa bancada do agrobusiness que não é só no congresso, é sobretudo no judiciário!
    Em pouco tempo as crianças ficarão com cânceres que sequer existiam!
    Não por acaso, os acadêmicos professores universitários que conheço pelo mundo dizem que a geração nascida depois da década de oitenta são vistos como a “geração perdida” (esse termo foi cunhado por toda a família acadêmica, mas não é divulgada pela porca mídia, afinal isso deve ser “fake news”), até nos EUA eles são entendidos como a primeira geração que vai viver menos que os pais, os pais enterrarão seus filhos!
    Mais uma vez uma metáfora macabra das citações do livro das revelações, o apocalipse de joão!
    Observo que o apocalipse é fato não por premonição, mas sim por PROGRAMAÇÃO!

    No mais, a criminosa plantação intensiva é isso mesmo que o artigo diz, só que de sobrevivencialismo não tem nada!
    Agradeço a atenção
    Obrigado

    • Célio Freitas

      Vapera, você está certo em alguns aspectos, mas não em todos, Existe si, uma forma tecnificada de debulhar milho verde, tanto é que encontramos no mercado centenas de marcas de milho verde enlatado!

      • Caro Célio, não tenho conhecimento dessa ferramenta e pelo o que entendo não creio ser fácil e a perda seria imensa. Não estou dizendo que não existe, entretanto acho que os custos seriam muito elevados.
        O que acredito é que esses milhos são cozidos antes da debulha, e a debulha pode ser feita depois de cozido, pois o milho fica mais manuseável, mais firme. E como esses milhos em conserva são cozidos, não há conflito de proposta.
        no milho verde não acredito que haja uma forma de debulha industrial sem perdas massivas.
        Em tempo, esses milhos enlatados são cheios de toda sorte de químicos que não fazem bem à saúde, vale mais não ingerir esse tipo de alimento, eles talvez sejam alimentos para situações extremas e não cotidianas.
        Ademais, entendo alimento sagrado (é o que garante suporte de vida) e dessa forma prefiro SEMPRE fazer meu próprio alimento, se possível devemos plantar, colher e preparar com nossas próprias mãos, não sendo possível minimizamos em todas as etapas o contato alienígena com nossa fonte nutricional.
        Grato pela maneira polida com que conduziu o debate e pela atenção
        Obrigado

      • Alguns exemplos

  • Danilo Iuri Sacramento

    Esse sistema de plantação em sequência ou fileira se chama plantation e é característica das monoculturas. Além disso, a distância entre pés é para evitar competição.

  • Isso quando a broca não ataca como o meu desse ano. Depois da colheita largar o gado, ou mesmo galinhas na “resteva” para aproveitar as plantas e fazer a ciclagem do carbono. E ainda temos o trabalho de escolher os melhores pés e as melhores espigas para plantar sementes melhores no ano que vem. Plantar a moda antiga, com sementes crioulas, sem adubo químico e sem pesticidas dá muito trabalho, dá mais perda quando tem praga, e volta e meia tem praga, mas produz um sabor melhor, um produto seguro, sustentável, é um prazer sem tamanho.

  • Fagner de Oliveira

    Bom saber como funciona, sou do meio urbano tenho um pouco de noção sobre a plantação do milho, mas do modo como explicou fui lendo e imaginando parecia q eu estava vendo… Parabéns.

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