Cavalo: O 4×4 original

Por quase 6 mil anos os cavalos têm acumulado funções na sociedade muito além da alimentação. O uso de sua força e vigor físico se tornaram uma extensão da capacidade humana no trabalho, na guerra e no esporte.

As provas arqueológicas mais antigas de cavalos domesticados têm 5500 anos e ficam no Norte do Cazaquistão. Apesar disso, ainda elas não demonstravam onde é que o cavalo foi domesticado pela primeira vez.

A seleção artificial foi responsável por uma variação gigantesca de raças com características muito distintas, tanto no quesito tamanho quanto a função de cada raça.

A última carga de cavalaria (manobra no campo de batalha em que tropas avançam sobre os seus inimigos em velocidade) bem-sucedida aconteceu na Rússia em 1942 e foi realizada pela Cavalaria de Savoia.

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Carga de cavalaria Russa durante a segunda guerra mundial

Cavalos e o Sobrevivencialismo moderno

Cavalos têm uma velocidade e capacidade de carga esplêndidas. Podem carregar até 20% do seu peso sem problemas e até 30% por períodos curtos (faça a conta dessa porcentagem sobre um animal de 500 quilos).

Podem percorrer 50 quilômetros por dia facilmente e até 80 quilômetros se preparados fisicamente. Tem três tipos de “andaduras”, o passo, o trote ou marcha e o galope. Podendo chegar até 60km/h.

Além disso podem passar por obstáculos e trilhas que nenhum outro “veículo” passaria.

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A foto acima mostra uma competição de mountain trail, onde os cavalos são submetidos ao que simula uma trilha selvagem pelas montanhas, ultrapassam rios, andam por trincheiras, ponte pêncil e outros obstáculos.

Mas vale a pena para um sobrevivencialista?

Para aqueles que gostam de animais e de contato com a natureza, existem vários esportes apaixonantes para ser seu hobby de fim de semana. Trilha e cavalgada, salto, atividades de rodeio (laço, e treinamento de obediência) são apenas algumas delas.

Também existem várias raças disponíveis no Brasil, as mais comuns são o Manga Larga, o Quarto de Milha e o Cavalo Crioulo. Cada uma com características distintas.

Primeiramente saiba que você não precisa ter um cavalo para começar. Existem inúmeras escolas de equitação que oferecem cursos desde os princípios básicos até treinamentos avançados para competidores.

Na minha sincera opinião, não vale a pena ter um cavalo pensando apenas em preparação. Porém ter o conhecimento de como tratar e usar um cavalo corretamente é muito válido.

Imagine uma situação de crise em que por acaso você se depara com a possibilidade usar um cavalo como locomoção.  Porém você nunca se aproximou de um, e não sabe o que fazer. Provavelmente você acabará com alguns ossos quebrados ou com uma bela mordida (sim, cavalos assustados  mordem e o resultado não é bonito de se ver).

Quanto Custa?

Mas caso você esteja pensando em já adquirir o seu, os valores que colocarei aqui são baseados na minha experiência até a publicação desse texto.  Sempre tive cavalos da raça Crioulo, e acredito que, se pensando apenas em preparação para um cenário de crise, essa seria a escolha ideal. Os motivos são:

  • Agilidade
  • Resistencia
  • Baixo custo de manutenção

Pode se adquirir um cavalo de raça, registrado na ABCCC (Associação de Criadores de Cavalo Crioulo) por um valor em torno dos 3 mil reais, para um potro (cavalo novo não domado) e por volta de 5 a 10 mil reais por um cavalo já bem treinado.

É claro que esse é só um exemplo, e além dos cavalos existem os muares, que dependo da região também oferecem ótimas vantagens.

Já o custo de manutenção varia. Você não precisa morar em uma fazenda! Em praticamente todos as cidades existem hotelarias, locais onde os cavalos são mantidos e até treinados por um valor mensal (cavalos precisam de exercícios regularmente, caso contrário contraem “tiques” e problemas de comportamento). Os valores variam dependendo da região, da infraestrutura do local e se oferece alimentação ou ela deve ser fornecida pelo proprietário do animal. Aqui na minha região consegue-se acomodar um cavalo em bons locais com alimentação incluída por volta dos R$600,00 mensais.

Há também o custo de manutenção dos cascos, o cavalo deve ser ferrado a cada no máximo 60 dias, e o custo sai uma média de R$100,00.

Quanto ao equipamento, sela e acessórios, gasta-se inicialmente algo em torno dos 2 mil reais.  A durabilidade do equipamento varia de acordo com a quantidade de uso, mas sendo feita a devida manutenção e limpeza, pode durar por volta de 5 anos.

Para concluir

Caso você não tenha fechado o texto ainda, assustado com o tamanho do investimento a ser feito, saiba que o mais importante é saber o que fazer. Não adianta de nada comprar um cavalo campeão de competição de 500 mil reais se você não souber o que fazer em cima dele. O cavalo não lê sua mente e apesar de fazer seu trabalho com muito prazer quando bem tratado, precisa de comandos precisos para fazê-lo. Então antes de tudo procure aprender a montar com alguém que já sabe. De preferência em algum curso pago, e não com as dicas do metido a sabe-tudo (você vai encontrar um monte desses por aí).

Não comentarei nada aqui sobre o uso do cavalo como alimentação. O comércio da carne de cavalo é proibido no Brasil por influência histórica da igreja católica, mas essa é uma longa história que fica para outro hora.

O cavalo é um animal esplêndido, e, quanto tratado com respeito e  dedicação, torna-se um grande companheiro.

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Imagem do documentário “Sem Rédeas”, onde quatro homens atravessam os EUA, da fronteira do México até o Canadá usando mustangs selvagens  resgatados de um abrigo, disponível no Netflix.

Autor: Vinicius Closs, fabricante de equipamentos para montaria e proprietário da empresa Estrada Campestre (site).