A atitude de sobrevivência

Uma emergência pode acontecer com qualquer pessoa, em qualquer lugar. Quando nos deparamos com uma situação de sobrevivência inesperada, teremos de superar diversos desafios para garantir a continuidade de nossa existência. Mas… O que é a sobrevivência mesmo? 

Sobreviver é a arte de existir além de qualquer evento. Sobreviver significa manter-se vivo. É aceitar as circunstâncias do ambiente e tentar melhorá-lo enquanto sustenta sua vida até conseguir sair da situação. Mas, mais importante que isso, sobrevivência é um estado mental.

A sobrevivência depende em grande parte da sua habilidade de lidar com o estresse em situações de emergência. Seu cérebro é sem dúvida a melhor ferramenta que você tem. 

O fato mais interessante é que não são necessariamente os fisicamente mais fortes os mais capazes de lidar com o medo em situações inesperadas. A sobrevivência geralmente depende mais das reações e comportamentos individuais ao estresse do que do risco imediato oferecido pelo ambiente à sua volta. Lembre-se: Aquele que se adapta sobrevive.

Não é incomum observar pessoas em estado de choque durante situações de emergência. Sabe o que isso quer dizer? Que a reação psicológica de um indivíduo ao estresse gerado por uma emergência pode deixá-lo incapaz de continuar, de utilizar os recursos que tem à mão. Isso também significa que você provavelmente não será capaz de usar a sua força ou condicionamento físico se não conseguir manter o equilíbrio emocional.

Você só sobreviverá se conseguir estabelecer o estado mental apropriado quando uma emergência acontecer

Este é sem dúvida o maior e mais importante ingrediente, com a atitude certa suas chances aumentam dramaticamente. Entenda que, mais que qualquer outra coisa, determinação e adequação são os principais fatores que lhe atravessarão por um momento difícil.

Já conhecemos por diversas vezes histórias de pessoas que superaram as condições mais absurdas simplesmente porque não aceitaram morrer. Utilizaram-se de determinação, foco e até mesmo “teimosia” para não se entregarem, improvisando com o que tinham em mãos e seguindo em frente mesmo com as chances de sucesso pequenas.

Pode parecer óbvio agora, mas muitas pessoas não conseguem entender que estão em perigo durante uma emergência. Entram em processo de negação e começam cometer erros sucessivos que as levam à morte. A dica aqui é bastante simples: Se você está em uma situação de emergência, atue de acordo com ela. Muitas pessoas demoram para perceber/aceitar a seriedade da situação em que se encontram, e isso pode prejudicar ainda mais suas chances de sobreviver.

A atitude positiva promove uma influência muito forte em nossa mente e gera motivação necessária para focar no objetivo de sobreviver

Situações de sobrevivência são cenários extremos, que vão testar todos os aspectos de nossa existência. Para que você possa ser capaz de lidar com tamanha pressão é importante ter um objetivo de forma clara e realista na sua mente: “preciso sobreviver”.

Para fortalecer este objetivo você pode pensar em quem irá sentir sua falta caso você desista, pense nos danos que sua ausência pode causar a todas as pessoas que você ama. Este tipo de pensamento tem um poder enorme de nos motivar a continuar em frente.

Por outro lado muitos não pensam em nada disso, se entregam. O vitimismo é um mal que mata muito mais do que as próprias situações de risco! As pessoas simplesmente se entregam, se deixam levar pelas circunstâncias e ficam esperando a intervenção de terceiros ou até mesmo de uma força divina para retirá-los do risco em que se encontram.

Entenda que aqui a dica é: Mantenha a motivação para viver bem clara em sua mente e não terceirize a responsabilidade de se manter vivo – você e somente você é capaz de te tirar da situação de risco.

Durante a situação de emergência você irá enfrentar muitos problemas e terá que solucioná-los

Geralmente em situações inesperadas você será pego com poucos recursos e talvez tenha de superar obstáculos que podem parecer intransponíveis, e por isso que a habilidade de solucionar problemas e ser criativo é uma das mais importantes para um sobrevivencialista.

Utilizar o ambiente à seu favor e criar soluções improvisadas para lidar com as adversidades será um dos principais critérios que decidirão sua sobrevivência. Você precisará reconhecer as ameaças à sua vida, qual a intensidade de cada uma delas e ainda terá de analisar friamente as estratégias que podem ser usadas para combatê-las.

Perceba que geralmente os problemas que você enfrentará serão bastante impactantes no seu estado mental, o que exige um equilíbrio emocional muito bom. Solidão, fadiga, dor, frio/calor, fome, sede, medo… Todos estes aspectos influenciam o seu corpo e os seus pensamentos.

Isso quer dizer que você terá de pensar com clareza e tomar decisões importantíssimas sentindo todos estes desconfortos. Para isso, nossa dica é: Aprenda a solucionar problemas quando não está em uma situação ideal. Adapte-se ao desconforto e não deixe que ele contamine sua mente.

Para manter seu corpo funcionando você precisa reagir aos indicadores de problemas

Novamente aqui estamos falando de aceitação e adaptação. Se você está sentindo frio, tremer, reclamar e se vitimizar não fará que ele desapareça, compreende? É importante ter uma reação adequada para cada elemento que surge em sua situação.

Por mais que queiramos deixar tudo acontecer e esperar que alguém venha e resolva as dificuldades para nós, se você não planejar suas ações baseadas no que o seu corpo diz a você provavelmente falhará em manter-se vivo. Por exemplo, de nada adianta passar horas procurando por comida se a temperatura está caindo e o frio está ficando intenso… Você provavelmente morrerá de frio, não de fome.

Pode parecer uma dica óbvia, mas durante a situação ela não fica tão clara assim. Todo mundo já sentiu fome, frio, medo ou cansaço, mas poucos sentiram tudo isso ao mesmo tempo. Nossa mente fica turva, com dificuldades de definir prioridades e construir planos de ação.

Aprenda a reconhecer os fatores de risco (especialmente físicos) e solucione seus problemas por graus de prioridade. 

A solidão pode ser mais perigosa do que você imagina.

O sentimento de sentir-se completamente sozinho pode causar desespero facilmente em nós, seres humanos. Somos em essência indivíduos sociais e sempre contamos com outros para solucionarmos problemas e dividirmos tarefas, mas… E se você estiver só?

Nos dias atuais de redes sociais e facilidade de deslocamento poucos conseguem tolerar o silêncio ou a falta de contato com outras pessoas. Na verdade, pequenos períodos de isolamento podem afetar tremendamente a saúde mental de muitas pessoas que estão acostumadas à essa “hiperconectividade”.

O problema é que em uma situação de sobrevivência você provavelmente estará sozinho. Você será o único responsável por manter-se vivo e não terá ninguém ao seu lado para conversar, receber apoio ou ao menos dividir angústias. Terá de lidar com o medo, com o tédio, com o sentimento de ter sido completamente esquecido.

Este elemento retoma a necessidade do sobrevivente focar em seu objetivo, em quem o está esperando em casa e o que ele ainda vai viver no futuro. Evocar imagens como essas podem fazê-lo “engolir” os sentimentos ruins e mantê-lo em movimento rumo a segurança.

Experimente a solidão e aprenda a lidar com os sentimentos ruins que ela trás. Desenvolva técnicas para continuar focado e capaz de seguir em frente.

Medo e pânico, seus grandes inimigos

Diferente do que nossos filmes e contos pregam, os corajosos não são imunes ao medo. Entenda que, independente de quem você é ou que treinamento possui, você também sentirá medo em algum momento. Aceitar esta realidade já nos deixa um passo mais próximo de aprender a lidar com ele.

Admitir quando estamos com medo é importante! Somente assim conseguiremos identificar quando estamos tomando atitudes baseadas na lógica ou no medo irracional, que nos leva a agir de maneira desajustada à situação em que estamos.

Pense consigo: “Eu estou com medo agora? Estou agindo assim porque estou com medo ou porque esta é a melhor maneira de resolver a situação?”. Entenda que a função do medo é fazer com que você preserve sua vida, mas por ser uma emoção baseada em percepções internas, o medo não leva em consideração os recursos, ambiente e ameaças que estão à sua volta.

O medo é, em essência, construído em cima de fantasias. Ele surge quando começamos a imaginar uma situação que pode acontecer conosco, mas que ainda não aconteceu. Por ser baseado em imaginação, precisamos ter muito cuidado ao lidar com ele e tomar decisões para diminuir esta sensação desconfortável. Melhor continuar com medo e manter-se vivo, não acha?

O medo é necessário, mas pode deixá-lo cego e incapaz de tomar decisões racionais. Aprenda a admitir quando está com medo e treine sua capacidade de tomar decisões enquanto sente ele.

Conclusão

Este texto vêm apenas como um agregado de lembretes que podem surgir em sua mente quando estiver em um local de risco. Estas lições, apesar de simples e talvez até “clichês” podem facilitar sua jornada durante momentos complicados e cumprir o objetivo principal, que é manter você vivo. Espero que estas reflexões tenham lhe ajudado.

Até.