Texto do Leitor: Minha crise financeira

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Aqui você não encontrará sensacionalismo de modo algum! Aqui eu quero falar sobre uma crise real que de forma furtiva se apoderou da minha vida e da minha família nos colocando em uma situação deplorável e alertar que praticamente todo brasileiro está sujeito. S​im cara você está em risco, todos estamos.

Eu sou um cara comum, tenho por volta dos 30 anos, sou Mecânico Industrial, minha esposa é um ano mais jovem que eu e temos uma filha de nove anos, no momento desta crise ainda morava conosco uma amiga e seus dois filhos. Trabalhávamos todos em uma empresa do setor do petróleo e juntos tínhamos uma receita de 10 a 15 mil reais mês prevendo oscilações por conta de horas extras que frequentemente fazíamos.

No começo de 2014 começamos a ouvir boatos de paralisação do complexo petroquímico do Rio de janeiro por conta de falcatruas na Petrobras, bom, na ocasião ficamos alguns dias apreensivos pois seria um problema sério. Mas… Os dias passaram e fui pego pela cultura de falta de memória do brasileiro. NÃO TOMEI NENHUMA ATITUDE.

Deixe-me apresentar alguns dados: o COMPERJ trata­-se de um investimento de aproximadamente R$ 32 bilhões e é administrado pela PETROBRAS, onde várias empresas de renome tratavam da construção das plantas da refinaria que seria a maior refinaria do BRASIL e ainda contando com as empresas de beneficiamento de derivados. Inicialmente o COMPERJ visava gerar 25 mil postos de emprego.

Conhecendo estes dados todos pensamos “Claro que não vão parar uma obra deste tamanho”… Ledo engano.​ Assim trabalhamos normalmente e seguimos nossas vidas até o recesso de fim de ano de 2014 onde algo muito estranho aconteceu! Nossos salários atrasaram.

​”Como assim? Porque não nos pagaram??”

A empresa com respostas duvidosas simplesmente sumiu, a operação lava­ jato estava divulgando listas de empresas envolvidas e quando verificamos, TODAS AS EMPRESAS do empreendimento (onde eram mantidos mais de 55 mil postos de trabalho) estavam nas listas.

Então a empresa informou extra oficialmente que efetuaria nossos pagamentos até o dia do fim do nosso recesso em 03 de janeiro de 2015. Até aí tudo bem, iria ser um fim de ano ruim mas aguardamos isto, um tanto apreensivos mas aguardamos. Alguns dias depois – uns três dias antes do fim do recesso – recebemos um comunicado que não haveria transporte para nos levar até o trabalho (o transporte é provido pelas empresas, pois o acesso ao empreendimento é restrito).

Pronto… “​SHTF”. Os ônibus só circulariam após os nossos pagamentos serem efetuados, esta medida foi imposta pela Petrobras visando garantir a segurança do empreendimento pois os trabalhadores poderiam de alguma forma depredar os equipamentos em ato de revolta contra os salários atrasados.

Neste contexto pensamos “Eles devem nos pagar porque se não o fizerem a obra toda vai parar!” e esperamos mais uma vez. Logo pude perceber que a situação estava piorando em uma escala distópica, pois nunca haviam atrasado nossos salários e eu e minha família estávamos usando alguma reserva financeira que durou alguns meses.

Infelizmente vários colegas de trabalho estavam a míngua, pessoas foram despejadas, outros tiveram que voltar pra suas cidades de origem, alguns tinham que voltar mas não tinham dinheiro pra isso… E rapidamente os nossos recursos acabaram e não havia o que fazer.

Em um prazo de três meses vi o setor do petróleo onde eu trabalhava e era muito bem pago minguar, me vi frente a frente com o meu maior medo: a ​falência financeira.​

Eu tinha uma despesa de cerca de seis mil reais por mês e havia três meses que não arrecadava nada. Me questionava “O que eu teria feito de errado? Em que ponto eu teria feito alguma coisa pra colocar a minha família naquela condição? “A resposta era simples NADA.

Eu e a grande maioria sempre ouviu e acredita que se estudarmos, nos esforçarmos, conseguiremos bons empregos de carteira assinada e que dependendo da área/setor estaremos seguros pois os direitos trabalhistas são garantidos por lei…

Bom, três meses sem receber e sem dar baixa nas nossas carteiras nos víamos limitados a súplicas para o governo, o poder legislativo ou o sindicato para tentar garantir aquilo que é visto como direito vinculado. Eu me perguntava “Onde está a Lei?”

Houveram manifestações onde a ponte Rio Niterói foi fechada, que inclusive foram veiculadas em TV de rede nacional para mostrar absurdo que vivíamos e nada foi feito.

Trabalhadores fecham a ponte Rio Niterói

Enquanto isso eu e minha família passamos a vender objetos pessoais para comprarmos comida, já não pagávamos as prestações da casa nem a luz eu fiquei em pânico quando as últimas econômicas foram usadas pra comprar comida, sabendo que quando ela acabasse eu teria a fome como palavra de consolo enquanto meus empregadores simplesmente se negavam a pagar o que me deviam. Durante esse período o ministério do trabalho em caráter de “Urgência” iria avaliar em duas semanas se poderia fazer um acordo para que a empresa que me contratava e a Petrobrás poderiam finalmente começar as nos pagar.

Neste ponto vendi nosso carro, um opala SS 1973 que eu adorava de tinha gasto uma quantia considerável para refomar.

Formaram uma comissão que foi a Brasília cobrar do ministério do trabalho uma intervenção. Foi marcada uma reunião para a semana seguinte e eu acreditei que finalmente o que era meu por direito seria garantido e pagaria as contas , que eu teria a carteira liberada para procurar outro emprego. Então, tomei dinheiro emprestado pois o ministro do trabalho disse que viria pessoalmente ao rio de janeiro resolver a questão.

​No entanto, ele veio… Esperamos no hall do prédio até a reunião acabar e logo veio a notícia: o ministro do trabalho veio ao Rio de janeiro e participou de uma Reunião por quase quatro horas onde chegou a conclusão que ele deveria buscar mais informações com o ministro de minas e energias e precisava entender se a Petrobras detinha algum valor em débito com a terceirizada onde eu trabalhava para a partir daí buscar um acordo de como pagamento poderia ser feito.

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Quer dizer, o então Sr. Manoel Dias, Ministro do Trabalho, veio até aqui sem nem ter se dado o trabalho de se colocar a par da situação?

Não existe uma verba que é destinada a gabinetes e a ministérios que paga assessores para este tipo de coisa? Será que uma secretária ou um assessor não poderia ter buscado esta informação antes da reunião? A minha família a beira de passar fome e o ministro do trabalho pedindo para que aguardássemos mais duas semanas para recebermos o que a empresa nos deve? Somos 3.500 trabalhadores de carteira assinada que tem um pedido de calma enquanto nossas famílias passam fome, são despejadas e se vêem marginalizadas sem nem mesmo encontrar outro emprego porque as carteiras ainda estavam em aberto.

Sim era essa nossa condição, foi quando finalmente eu pude ver o meu erro.

Captura de Tela 2015-11-04 às 12.56.47Matéria do G1

TUDO QUE NOS DIZEM SOBRE DIREITO É MENTIRA E EU CONFIEI NISTO!
Sobrevivi e minha família também, até hoje – um ano depois – ainda não fomos pagos, foi aberto um processo e nossas carteiras foram liberadas depois que ocupamos o prédio do ministério do trabalho. Encontrei outro emprego e minha esposa também.

Tiramos uma lição muito importante disto tudo: estamos sozinhos. Nós brasileiros não temos direito algum garantido e no que depender dos três poderes, a fome a necessidade de moradia e de receber salários atrasados e direitos trabalhistas podem esperar por mais de um ano que é o tempo que espero.

Hoje substituí minhas roupas por roupas de trekking de material Leve e de secagem rápida, uso botas de EPI como calçado principal, minha mochila do dia a dia é uma mochila tática padrão molle, carrego um kit de edc que abrange os quatro princípios – abrigo, água, alimentação e fogo -, montei uma mochila igual para o dia a dia para minha esposa, estoco bastante suprimento para um período de seis meses e contínuo aumentando essa reserva que incluí tudo, de papel higiênico a água mineral, passando por dinheiro e suprimentos médicos.

Tirei os passaportes de todos da minha família e mantemos um plano de evacuação para o exterior no caso de uma crise econômica mais grave. Vendi a minha casa e pago aluguel, porém o dinheiro da venda da casa eu acumulei como uma espécie de poupança para sair do país caso precise e também reduzi minhas despesas o máximo que pude.

Minha esposa viveu o mesmo que eu e compartilha das minhas ideias.

Como trabalhamos na indústria ela passou a usar as mesmas roupas que eu no trabalho. Eu uso o uniforme da empresa no local de trabalho mas no translado uso roupas táticas e o conceito de camadas ainda assim mantendo o perfil baixo, comprei rádios talkabout o que nos garante alguma comunicação.

Comprei livros sobre plantas comestíveis, raízes, pus minha filha num grupo de escotismo e acampamos com frequência onde treino pesca, fabricação de armadilhas… Técnicas primitivas em geral e estou lendo agora sobre lockpiking.

Não quero dizer que estou preparado para um apocalipse zumbi ou sei lá mais o que for.  Não tenho equipamentos ninja de sobrevivência nem militarizados apesar de manter algumas utilidades de características militares. Sou uma pessoa comum, o que pude perceber é que o cenário de crise está muito mais próximo do que normalmente imaginamos e age de maneira furtiva…

O que fiz foi atrelar minha vida comum e cotidiana a um padrão de comportamento onde economizo e guardo tudo que é útil e prático numa situação de sobrevivência real e simples – como a de um estado de governo que não garante direito vinculado simples como o acesso ao salário no caso do trabalhador de carteira assinada.

A minha família teve bastante sorte, tínhamos acesso a recursos e mesmo assim ainda sofremos perdas financeiras graves por um simples problema trabalhista, uma desordem que é proveniente do caos politico e econômico que o Brasil se encontra. Houveram famílias muito mais prejudicadas, hoje o COMPERJ está parado com equipamentos que custaram milhões se estragando sem manutenção. 55 mil postos de trabalho foram extintos somente no que tange empregos diretos.

A economia da cidade de Itaboraí e cidades vizinhas que se beneficiavam da receitas oriundas destes postos de trabalho está seriamente prejudicada com prédios vazios e lojas fechando as portas.

Agora imaginem comigo: junto com a alta do dólar, a inflação, a desarmonia política, as previsões de baixo crescimento econômico, o êxodo de investidores internacionais… Será que o Estado tem condições de garantir algum dos seus direitos básicos como o acesso a alimentos, a energia e segurança? Será que o seu dinheiro que está no banco está realmente lá? O que lhe garante isto? A palavra do estado?

Sabe o que você aprendeu sobre leis e direitos e deveres? Eu também aprendi, eu também confiei.  Acreditava no meu país mas o que mais me deixa triste é que quando precisei o meu país agiu com muito descuido e sem nenhuma urgência.

É triste mas é real, depois desta crise passei a ver coisas do dia a dia de uma forma diferente, como por exemplo:
Somente 8% dos assassinatos no Brasil são solucionados e seus autores punidos. 9​2% dos assassinatos ocorridos no BRASIL ficam sem solução!

Como confiar que o estado garante meus direitos básicos se nem consegue garantir a punição dos marginais? ​Não acredito que possa e tenho medo seu eu mesmo não puder.

Pense e prepare­-se, não seja o Rambo, Bourne ou Bear Grils. Seja o cidadão comum que cuida do bem estar da sua família. PREPARE­-SE!

Autor preferiu não ser identificado.

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27 comentários

  • Caramba… esse texto…. cai do cavalo! Eu tenho me iludido a meses pensando estar seguro, achando q tenho muito tempo até uma crise feia acontecer mas ela está acontecendo, agora, no mundo todo! Tenho feito minhas preparações em camera lenta, sem me preocupar muito, mas depois deste texto nada mais será como antes

  • seu texto mostra o quanto as leis trabalhistas prejudicam o trabalhador, direta e indiretamente. Diretamente, ao impedi-lo de procurar outro emprego por não ter dado baixa na carteira de trabalho, mesmo com a empresa falida ou paralisada. Indiretamente, ao criar a falsa sensação de segurança, de que caso tenha algum problema vai ter a indenização/FGTS/Previdência para garantir seus “direitos”, seu sustento. Parabéns por ter acordado pra realidade e conseguido se recuperar.

  • Cidadão Comum. A crise de 2008 levou muitos americanos a deixar suas residências sultuosas e viver em acampamentos na periferia das cidades. Não se trata de ser Brasil, mas uma realidade que pode assolar qualquer nação. Já vivi uma crise assim em 2002\2003 e as poucas opções de emprego eram com baixíssimos salários. A solução foi vender churrasquinho associado a um amigo. Quebrou o nosso galho por uns meses e logo consegui um emprego e mais tarde meu amigo também, daí vendemos os equipamentos e ficamos com uma graninha.
    A lição que tive foi a seguinte: Jamais tirar empréstimo para pagar dívidas; manter uma “reserva” (nunca comprometer mais de 75% de renda), não tirar empréstimo exceto se for um bom investimento, não se deixar seduzir pelo consumismo (meu carro é popular e velho, mas muito bom, conservado e está pago), aprender a fazer de tudo (eu mesmo faço minhas obras e consertos e invisto em equipamentos) e sobretudo, procurar ter outra renda (por exemplo: construí algumas salas comerciais que alugo, mas quero abrir um negócio ano que vem).
    Quanto à operação Lava Jato, é ótimo varrer a corrupção de nosso país, mas estrangular a nossa economia e lançar milhares de trabalhadores na miséria é injustificável! Grandes multinacionais foram colaboradoras do nazismo como a Bayer, Coca-cola, Siemens, GE, etc e nem por isso foram extintas, mas cobradas de pesadas multas e reparações financeiras às vítimas do nazismo.

    • Ob.: Quanto a sair do país, acredito ser uma opção válida, afinal as pessoas tem o direito de buscar o lugar em que se sintam bem e seguras. Porém, eu falava com um porteiro da faculdade Anhanguera uns dias atrás. Ele nissei, viveu 18 anos Japão e perguntei: Por que voltou para o Brasil? Ele respondeu “Não tem mais emprego no Japão, daí eles mandam os estrangeiros embora!” Porém estava feliz aqui pois, além do emprego de porteiro, tinha outro na cantina e fazia massagens terapêuticas nas folgas e faturava mais de 4 mil reais por mês, falava empolgado. Daí perguntei se não tinha folga e ele retrucou: “E por acaso no Japão eu tinha?” Completou dizendo que estudar e trabalhar no Japão é praticamente impossível. Então, o exterior pode não ser uma maravilha…
      O Brasil é muito grande e creio existir boas cidades no interior, ainda com ar puro, habitantes solidários e violência mínima.

    • Cidadão comum

      Sim com certeza qualquer nação pode ser afetada por uma crise, mas do meu ponto de vista no Brasil existe uma especial morosidade dos três poderes. Não vejo a lava jato como o problema o problema é que o judiciário não funciona, o direitos do trabalhador enfim. Também gostaria de observar aqui que o ultimo lugar pra onde eu iria com minha família é para USA…. De qualquer forma obrigado.

  • Observador Liberal

    Amigo, me desculpe, mas realmente vc foi ingênuo e nas próprias linhas reconhece isso e essa desilusão fez vc crescer e fazer planos para o futuro. Infelizmente, as pessoas acham que basta uma lei e tudo está resolvido. Basta um imposto que distribuirá o dinheiro, e a mágica se fará. Nada disso adianta sem uma cultura natural de cumprimento das leias, nada disso tem força se o recurso correspondente inexiste. Nada disso fará efeito se poucos forem forçados a prover a situação complicada de muitos. E mais: muitos acham que basta distribuir dinheiro que todos os problemas sociais se resolvem (maior das mentiras, diga-se a verdade: quanto mais dinheiro no sistema, mais inflação, menos esse dinheiro vale). Temos de ter em mente que as situações são efêmeras, passageiras, sejam más ou boas, e de cada uma tem de se tirar o proveito. E isso vc está fazendo bem!
    Realmente o país não vai colapsar numa guerra civil, pois as linhas de guerra dos sedentos por poder são pouquíssimas: as Farc só são inimigo pra o incipiente exército do estado falido colombiano; os MST, quando veem três soldados armados, saem correndo, se cagando com as foices na mão; o exército nacional jamais aceitaria uma ordem do Chefe do Executivo para do nada instalar um estado de sítio para manter os desordeiros ladrões no poder. Ou seja, estamos, num certo ponto, em um país relativamente estável neste ponto. Existem vários “brasis”, o país é enorme e esse tipo de coisa precisaria de aceitação da comunidade internacional: USA, China e Comunidade Europeia discordam; só a Rússia, que não tem nenhum espectro de influência sobre o mundo hj, é que apoiaria muito remotamente uma sandice dessas. Para se chegar a Venezuela, temos de chegar antes a uma Argentina, o que está um tanto longe ainda: temos mais commodities pra usar de moeda de troca lá fora, enquanto a Argentina….bem, desnecessário dizer.
    Quanto a o mundo estar desmoronando, isso é balela. A bíblia fala de um apocalipse já na época do Império Romano, para aquelas primeiras décadas da Era Cristã. Todos os povos antigos falam do fim de tudo isso desde a época de suas respectivas civilizações. Se vc prestar atenção, nós, seres humanos, sempre esperamos por duas coisas: uma, é o porto seguro; e outra, é procurar saber que vivemos numa matrix que precisa ser destruída o quanto antes pra resetar e fazer tudo correto. Nem uma coisa nem outra existem. Eis a verdade. Somos esperançosos num ponto e fatalistas de outro lado da moeda. Está em nossos genes e pronto por uma questão de estratégia de sobrevivência, como comer tresloucadamente está inserido como forma de sobreviver pois o nômade não sabe quando verá comida de novo.
    Existem, sim, locais melhores de se viver. Conheço locais a fundo do mundo desenvolvido e digo que muita coisa é melhor que aqui. A decadência de que o pessimista acima coloca é nada mais nada menos que a decadência de alguns estados norte-americanos, não todos. E eles têm a capacidade de se reinventarem e de se endividarem, pois têm cultura de sobrevivência, disciplina e superação maior que a nossa. Enquanto os pessimistas gritam, no mundo inteiro a perspectiva de vida das pessoas aumenta substancialmente, a mortalidade infantil diminui, os produtos se tornam mais eficientes, mais pessoas têm acesso a comida, víveres básicos, informação, educação, etc. Essa barbárie de que esse pessimista neurótico fala, se comparada a muitas outras eras do ser humano, estamos num paraíso. A economia, que dizem estar em franco declínio mundialmente, está diante de uma outra crise: a de excesso de colocações profissionais. Existe uma previsão de que nos anos 30 deste século a maioria dos 50/60 países do mundo desenvolvido terá uma crise de excesso de vagas de emprego pelo fato de que as pessoas irão se aposentar e não haverá gente para ocupar suas posições (na verdade, isso já ocorre em alguns países, uns dez). Isso é crise econômica? Acho que se trata de um desinformado que só lê blog de supremacistas brancos, de teóricos da conspiração e de gente que quer, na verdade, tomar o poder pela força já que pela via comum não conseguem, neurótico e com pouca base intelectual sólida, servindo de bucha de canhão para uns poucos espertos que conseguem ver o panorama global das coisas – do mesmo jeito que existem os esquerdoides maníacos, existem os direitistas conservadores anárquicos, todos com suas respectivas buchas de canhão, suas linhas de frente, de militantes e tolos úteis.
    Vejo, ainda, que vc tem uma visão bem correta: o Brasil não reúne, nos próximos 30 a 50 anos, condições de dar segurança e conforto a seus cidadãos nos moldes que a educação e o nível de esforço aqui pedem. Continue com seu plano de imigração e procure um local bom pra sua família. Parabéns, vc é um forte e ainda por cima tem humildade para reconhecer seus erros e os consertar.
    Aqui, como disse, já deu!

    • Cidadão comum

      Claro que “fui” mas na verdade ingenuidade não é uma característica, existem muitos fatores que “não tem ‘lugar no texto” que me levaram a esta crise toda, contexto de segurança dentro da industria do petróleo sempre foi muito forte, em fim muitas coisas mesmo, Mas garanto que não acontecerá novamente. Obrigado!!!!

  • Acho que são alguns itens bem básicos que antecedem todos os outros níveis de preparação, como estocar alimentos e utensílios, que um sobrevivencialista deveria ter em mente, primeiro é o conhecimento sobre o seu ambiente, a selva já há muito não é mais nosso ambiente, e sim a sociedade estruturada com um Estado, uma economia, um modelo econômico e etc, e da mesma maneira que buscamos conhecimentos básicos sobre plantas, como fazer fogo e abrigo no mato, deveríamos buscar conhecimentos básicos sobre economia e política, que bem ou mal é o nosso “meio ambiente” atual. Um sobrevivencialista que se preze é desconfiado por natureza, e deveria ser ainda mais desconfiado com o Estado que lhe enche de promessas e direitos, o nosso meio ambiente mudou, mas a máxima do corra ou morra não. Não acho que todos devem ser pessoas politizadas que acompanham diariamente as páginas de política e economia, mas devemos sim buscar informações suficientes para podermos perceber o quanto uma situação é insustentável ou não, existem artigos na internet e vídeos no youtube que datam de 2008, 2010, até antes, dizendo que os rumos da economia no país não eram sustentáveis, muitos se prepararam para o fim do mundo em 2012 mas quando ouviam que o Brasil e a Petrobrás ia quebrar davam risada, qual a lógica? O povo brasileiro no geral não é um povo poupador, nós não passamos por uma grande guerra ou uma grande depressão, nós gastamos o que temos, e somos incentivados cada vez mais pelo nosso governo que nos oferece mais e mais linhas de crédito, nos endividando cada vez mais, daqui a pouco vem outra “redução” de IPI para automóveis, que no final das contas faz um carro de 50 custar 45, 47 mil, e aí é aquela corrida toda às concessionárias, linha branca idem… enfim, acho que partindo do básico mesmo, um sobrevivencialista tem que ser organizado, disciplinado, poupador de recursos e sempre estar atento às intempéries, que atualmente em nosso meio são crises econômicas, desemprego, recessão para que em um cenário de colapso financeiro mesmo consigamos antecipar nossas ações.

    • Cidadão comum

      Bem, de fato a preparação também envolve em certa medida o aspecto social dentro da politica e economia, afinal esta é a proposta de vida “normal’ e comum” Porém não acredito que as ciências humanas possam salvar a sua vida cara… “Bom isto é um pensamento ignorante eu admito”
      acredito que coletar informações, entender e tentar prever futuros acontecimentos econômicos e políticos pode evitar situações graves como a minha mesmo, mas para isto basta ler jornais e buscar informação tomando cuidado com as fontes das mesmas. Acredito que aprender a produzir carvão ativado, é muito mais útil passar horas lendo jornais e assistindo Jornal da Globo.

  • Sinto pela crise que vc e sua família tenham passado, porem vendo pelo lado positivo foi um baita despertar e se acontecer de novo vc estará mais preparado! Porem espero que não precise passar por isso novamente.

    Meu conselho para vc é que não fique apenas acumulando coisas que julgue necessárias… Ter equipamentos e provisões são importante e fazem a diferença, porem sugiro que além disto pense em ser o mais auto suficiente que vc puder ser! Exemplo aprenda como garantir produtos alimentares renováveis, aprenda como ter uma fonte de água confiável, seja capaz de construir vc mesmo coisas úteis e também capas de transformar matéria prima em coisas úteis e etc… Pense também como um sobrevivencialista e não apenas como um preparador!

    • Cidadão comum

      Sim, concordo meu plano envolve auto suficiência completa, mas isto demanda tempo sair do país é bem mais ágil e barato.
      A longo prazo pretendo comprar outro imóvel (na verdade construir) na zona rural próximo a fronteira e providenciar auto suficiência total no quesito energia, água e comunicação. Pensando num contexto em que o mundo não disabou de vez como disse meu objetivo é adaptar a vida comum de maneira que caso a crise ocorra eu e minha família sobreviveremos de acordo com que o mundo nos oferece, sobre habilidades sempre busquei aprender minha profissão acaba me tornando um “solucionador de problemas” Agora mesmo estou estudando lockpiking se me perguntar pretende arrombar algum lugar respondo NÃO, mas pode ser necessário!
      Minha maior lacuna a ser preenchida é conhecimento da flora do nosso país mas ler e testar sempre estará no meu dia a dia.

  • Eu acho que um ponto importante ao pensarmos em SHTF e em um mundo diferente do atual, e que é um ponto que passa por este texto e que preparadores devem olhar, é buscarmos uma qualificação na área de colarinho azul, na área de saúde, na área de alimentação e-ou agricultura. Uma destas três.

    Não falo em apenas você aprender a fazer coisas, mas a buscar uma real e profissional reconhecida qualificação em áreas o mais práticas possível.

    Isto é hoje um ponto extremamente batido nos sites americanos que frequento, sites mais underground, e que serve em especial para os jovens que já tem a mente da preparação e estao procurando iniciar uma carreira.

    DESISTA DAS CIÊNCIAS HUMANAS E DAS CIÊNCIAS PURAS NÃO ECONOMICAMENTE APLICÁVEIS.

    DESISTA DEMONIO! Especialmente se você for o que chamam de, como posso dizer?… um elemento que é geneticamente um opressor histórico de alguma de uma tal de minorias qualquer.

    As portas se fecharão para você cada vez mais, desista! Escolha trabalhos que tenham um valor real prático. Algo que o Estado tenha dificuldades em lhe limitar e que as pessoas realmente precisem. Os dias de ser advogado, historiador, psicólogo, publicitário acabaram.

    Estes campos serão cada vez mais reservados para os mascotes do sistema. Você está fora se não é um.

    Aprenda a ser soldador, mecânico de avião, médico, podologo, cozinheiro, etc. Algo que mesmo controlado pelo Estado tem valor mesmo indo contra ele e sem a autorização deste. Principalmente quando ele começa a colapsar.

    Desenvolva um conhecido útil. Isto é muito importante na atual fazê, algo que seja realmente formal e não improvisado. Isto está sendo muito recomendado em qualquer lugar que você for na net underground.

    http://www.returnofkings.com/62941/is-a-blue-collar-job-for-you

    • Cidadão comum

      Eu concordo com praticamente tudo que você pontuou…. Mas esse é um ponto relativo porque eu sou Mecânico Industrial com quase dez anos de experiência inclusive especialista em um equipamento que só foi montado uma vez no Brasil e o maior que já foi montado na América latina.
      Está é uma questão grave de que atualmente o Brasil o Estado não garante ao cidadão direito nenhum e como colegas aqui mencionaram aparentemente estamos nos aproximando d estado civil de “condição natural” Onde não existem leis nem direitos nem nada do tipo claro que este é um ponto de vista bastante pessimista, mas acredito este ser o cenário que você deve pensar ao se preparar e isto vai agindo de maneira silenciosa e lenta eu já fui uma das vítimas e pude despertar à tempo a esmagadora maioria vai ser pega de surpresa por simplesmente ignorar isto.

  • Eu moro em Macaé/RJ. Eu conheço e sei como é a história que foi contada.
    Um relato impressionante e rico em detalhes, parece um livro de ficção, mas é exatamente a situação que passa a região e todas as pessoas e empresas que de alguma forma estão ligadas ou dependentes da Petrobrás.
    Eu ainda tenho em mente a ordem cronológica de quando começou… Em meados de agosto de 2014.
    As Prefeituras da região não têm mais o dinheiro dos royalties do petróleo para esbanjarem, os estabelecimentos comerciais, seja de qual ramo for, fecham as portas. Toda semana só se houve falar em demissões e perdas de contratos. Algumas multinacionais estão fechando seus escritórios e desmobilizando suas bases para encerrar negócios. O que um dia foi considerada a “Nova EL DORADO” brasileira, hoje chega ao ponto do prefeito abrir mão do seu salário e ainda, em reunião com os funcionários municipais, reduzir 40% dos valores dos salários do funcionalismo municipal. É a realidade… Disso ninguém foge e ainda vai piorar. Em fevereiro de 2016 haverá renegociação de contratos com a Petrobrás, e pelo que se comenta não haverá renovação. Para se ter noção do que é um negócio mal administrado, existem hoje, aproximadamente, 6000 funcionários concursados espalhados pelo Brasil apenas cumprindo horário ou tomando conta de máquinas de xérox ou funções que não tem nada haver com o cargo. Então a presidência da Petrobrás já definiu que esses 6000 que estão “voando” por ai, virão para ocuparem vagas na região. E os que eram contratados e tinham know how sobre a atividade serão demitidos. É… 6000 pais e mães de família demitidos em uma leva só, fora as empresas que não renovarão os contratos. Vê-se na rua as pessoas andando como o olhar meio que perdido, desiludido. Imóveis para alugar ou vender aos montes, obras de incorporações de apartamentos paradas “no esqueleto”.
    As compras de supermercado só abrangem o essencial e a cada ida, traz-se menos coisas, gasolina insustentável, etc..
    Já renovei meu passaporte e pela primeira vez cogito seriamente em imigrar para o exterior.
    As instituições brasileiras não estão dignas de confiança.
    Me preparo, mas torço para que mude.
    Um abraço e muita força para Todos!

  • Perceber-se só é terrível mas tem uma grande vantagem: você sabe que está só, todos os outros não, eles pensam ter algo.

    A natureza não concede a ninguém direito algum, não existe tal coisa de direitos naturais da pessoa humana. A natureza só concede capacidades, e a alguns ela dá mais do que para outros. Pode não parecer justo, mas a natureza não dá realmente a mínima para justiça.

    Mas para não dizer que ela é totalmente injusta ela concede realmente, em maior ou menor grau, um único direito a todos. O direito de aumentar e aperfeiçoar as suas capacidades, nada mais. Assim as capacidades não são uma coisa estanque.

    O texto é bom mas o autor ainda está ingênuo. Há nele ainda raiva, bem como uma crença no Estado e na civilização que o leva a crer que em outro lugar o paraíso poderia existir. Não sinta raiva do Estado e do mundo como ele é. Você não é um homem civilizado fugindo da barbárie. Você sim é que é o barbaro. Eles de fato são a civilização.

    http://legio-victrix.blogspot.com.br/2014/01/tornando-se-os-novos-barbaros.html?m=1

    Fique no Brasil, não saia, para onde você acha que pode ir? Quando o mundo cair o Brasil ainda será um dos melhores lugares para se estar. Para onde você quer ir, para lugares mais civilizados e eficientes….? Será pior por lá.

    • Cidadão comum

      Não concordo, não procuro um paraíso não acredito que exista nenhuma lugar assim. Sobre a raiva que se percebe em meu relato não é do ESTADO ou do mundo, longe disto. É da Mentira que nos contam!
      Infelizmente não pretendo compartilhar meu ponto de fuga nem no país nem no exterior. E gostaria de lembrar que, eu encaro uma ameaça real e não uma barbárie generalizada acredito que não viverei o suficiente para ver o mundo ruir assim.
      Do meu ponto de vista o Brasil está prestes há um colapso baseado no contexto politico e econômico e neste ponto sim há lugares no mundo melhores que podem oferecer uma vida mais digna a minha família.
      Mas vou ler o seu texto e respeito o seu ponto de vista.

      Muito Obrigado!

  • O que nosso amigo diz passo na pele a muitos anos com minha esposa, ela sofreu um acidente de trabalho e está a mais de 10 anos com a carteira dela presa, o INSS é uma vergonha negou o beneficio dela, o caso dela está parado na justiça. Foi afastada do trabalho sem direito a nada, a ação na justiça já foi para STF e nada até o momento, 10 anos de espera… imagina se ela fosse depender da nossa JUSTIÇA para sua subsistência… NÃO CONFIEM NA JUSTIÇA ela é arcaica lenta e obsoleta, sem contar as falcatruas. ESTEJA PREPARADO SEMPRE!!!

  • Cidadão comum

    Gostaria de deixar aqui meu agradecimento sincero a todos até agora, a intenção era compartilhar experiência e mostra que Sim, existe uma real necessidade em preparar-se!!!!

  • Excelente texto, Uma aula de realidade para quem espera um cometa ou por Zumbis, Sou Servidor Publico Federal e estou realmente assustado em ver como as Leis no Brasil não passam de letras mortas, O governo em suas três esferas de poder simplesmente passaram a ignorar as leis. A incapacidade de gerir está lançando o pais em um precipício , Burocratas e incompetentes ganharam cargos de gestão onde só sabem administrar seus “Acordos”. Amigos, Preparem-se, pois vai piorar.

    • Cidadão comum

      Obrigado amigo a intenção do texto é levantar esta questão está cada vez mais claro que existe uma real necessidade de preparar-se!!!!

  • Excelente texto… Realidade que já bate na porta de todos.

  • Muito bom! não só o texto, mas sua capacidade de aprender com o erro.
    isso já te deixa um passo a frente.

    • Cidadão comum

      Obrigado amigo, espero que o texto ajude a outras pessoas a pensar seriamente sobre a preparação!!!!

  • mauricio preuss

    Prezado amigo eu me solidarizo com sua situação e tenho a dizer que estou igualmente desempregado desde abril deste ano, sou piloto de helicóptero e não tenho perspectiva alguma de recolocação a curto prazo e bastam cinco minutos na televisão ou ler alguns jornais para saber que o olho do furacão ainda não chegou por aqui, a situação vai piorar e MUITO para todos brasileiros. Eu ao contrários da maioria dos brasileiros sempre fui muito desconfiado com petistas e comunistas no poder e fiz um pé de meia que ainda está provendo o minimo para minha família, na medida do possível tem estoque para alguns meses e me recuso a sair do Brasil por pior que seja a situação, pois eu não esqueci o juramente que fiz a nossa Bandeira. Boa sorte a todos.

  • Jose Mauricio Rodrigues

    Lamentávelmente eu moro no Rio de Janeiro e assisti tudo o que este rapaz descreveu o estado seja federal, estadual ou municipal simplesmente não existe ou melhor só na hora de cobrar os impostos, assim devemos sempre confiar desconfiando.

  • O conteúdo do texto é extremamente pertinente. O caos do Estado é uma realidade cada vez mais presente e, se continuar no rumo em que está, a falência das instituições será apenas uma questão de tempo…

  • Muito bom o texto!

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