Reflexão sobre o dinheiro em crises prolongadas

Por Eremita Urbano

Algumas pessoas têm o costume de deixar algum dinheiro, ouro ou prata guardados para emergências e se esquecem de ter reservas de mantimentos e outros itens que podem ser úteis. Isso geralmente ocorre pois são itens fáceis de se comprar hoje em dia… Mas, e se uma crise qualquer ocorrer?

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Hoje venho propor uma reflexão sobre o valor efetivo do dinheiro em cenários de crise – Lembrando que toda vez que me referir a “dinheiro”, estarei me referindo também a ouro, prata ou pedras preciosas.

Nos últimos meses em algumas regiões do nosso país ocorreram muitos eventos que desestruturaram a ordem das coisas, um exemplo claro desse fato ocorreu no estado do Acre. Você pode achar facilmente reportagens sobre a cheia do Rio Madeira que ocorreu por lá, como também sobre a região Sul do país, onde fortes chuvas mataram e desabrigaram várias pessoas.

Não vou citar com detalhes os acontecimentos visto a facilidade de achar esse conteúdo, o que desejo por meio dessa postagem é propor uma reflexão sobre o valor efetivo do dinheiro em cenários de crise. De forma bem resumida, percebi que ele é de valor muito relativo.

Em uma situação normal dez reais compram aproximadamente 5 kg de arroz, mas quando os produtos têm dificuldade para chegar aos mercados eles rapidamente podem passar a custar dez vezes mais por causa da escassez.

Gás de cozinha, alimentos e água nessas regiões ficaram de 3 a 5 vezes mais caros! Isso ocorreu dada a dificuldade dos fornecedores em entregarem os produtos, já que muitos locais ficaram praticamente isolados por via terrestre. Assim surgiu o desabastecimento e consequentemente, a disparada nos preços.

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A enchente cortou o abastecimento de recursos em vários pontos do estado

Essa postagem não tem o objetivo de esgotar o assunto, pelo contrário, quero na verdade plantar essa discussão para que as dúvidas surjam e consequentemente suas conclusões pessoais possam nortear as preparações de vocês. Pare um momento e reflita… O dinheiro tem valor em um cenário de crise?

Eu penso que é válido sim ter uma reserva em casa, mas numa crise, alimentos, água e combustível, são mais interessantes.

Imagine que acabou o seu leite e você sai para tentar comprar. Quando você chega ao mercadinho, você encontra o dono já fechando, pois não tem mais nada para vender e coincidentemente ele está com uma lata de leite em pó nas mãos – a última. Você diz que quer comprá-la, mas ele fala que não esta a venda pois é a última lata do seu estoque e está levando para a sua filha.

É uma lata de leite que em uma situação normal custa em torno de dez reais, mas você então propõe pagar 100 reais. Ele diz que não, você propõe para 500 reais e ele finaliza a conversa simplesmente dizendo: “Desculpe, não esta a venda, não tem como comer dinheiro amigo!”

Percebeu que nesse momento o dinheiro não vale mais nada? Você poderia oferecer os 1.000 reais que tinha reservado, nada mudaria! Esse dinheiro reservado que em uma situação normal daria pra fazer compras para trinta dias agora não compra 1 lata de leite.

Eu penso que é interessante não descuidar dos estoques e ter guardados pelo menos 3 meses de itens básicos. Essa conduta é vital, afinal, se uma crise qualquer ocorrer, alimentos, materiais de limpeza, ferramentas e combustíveis tem mais valor que qualquer outra coisa.

E você amigo leitor? Já tinha refletido sobre esta questão?

Dinheiro é bom e muito importante, mas funciona bem somente quando está tudo caminhando perfeitamente. Em uma crise grave, definitivamente seu valor é bastante diminuído, pode passar a ser extremamente limitado e até mesmo, ficar sem valor algum.