Proteção residencial: O pensamento criminoso e as defesas eficazes contra ele

Em um mundo cada vez mais violento e com assaltantes mais e mais ousados, a proteção residencial é um item que anda em alta. Hoje em dia ao andarmos nas ruas vemos casas que parecem castelos medievais com seus muros altíssimos e defesas praticamente intrespassáveis. Pensando nesse fenômeno, hoje falaremos sobre os aspectos comportamentais da invasão residencial e como corrigir algumas visões equivocadas que temos sobre o assunto.

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Geralmente quando pensamos em um bom sistema de proteção para nossa casa automaticamente pensamos em cercas elétricas, muros, cercas e afins. Tudo isso é com certeza muito eficiente (como relatamos em um post a quase três anos atrás), mas hoje vou lhes trazer uma perspectiva diferente, o olhar comportamental por trás de todos estes aspectos.

Começaremos pelo olhar do assaltante atual e quais são algumas formas deles pensarem para que vocês possam compreender o quão equivocadas as pessoas andam quando se trata de defesa da propriedade.Vamos dividir por tópicos para facilitar a reflexão e tornar o post mais organizado:

  • A perspectiva de valor: A regra é simples, quem muito protege, muito tem a defender. Isso basicamente quer dizer que quanto mais sua casa for visualmente protegida, mais valor deve haver dentro dela. Quando andamos em bairros de grande poder aquisitivo e vemos aqueles muros bem altos com cercas enormes e até guaritas nas esquinas o que pensamos? Exatamente, que lá dentro deve haver itens interessantes;
  • Não se trata do alvo mais fácil: Hoje o crime anda muito organizado. Já passamos o tempo onde o ladrão de residência era aquele que via uma janela aberta e aproveitava para pular. As quadrilhas são especializadas e vigiam por semanas seu alvo para descobrir suas vulnerabilidades. Não se trata de achar uma casa “fácil de entrar” e sim do custo/benefício. Se eles tiverem de invadirem uma fortaleza mas lá dentro conquistarem verdadeiros tesouros, a decisão está feita;
  • A conquista está na emboscada: Raros são os assaltantes que tentarão invadir sua casa enquanto você não está. Teriam de burlar suas defesas e ainda correrem o risco de serem pegos no meio do ato por algum residente chegando mais cedo. Hoje diria que 80% das invasões e roubos residenciais acontecem por meio de emboscada, ou seja, quando o portão da garagem se abre para o residente estacionar eles abordam a vítima e entram com ela para dentro, pegando toda a família como reféns;

Visto que os pensamentos mudaram e os assaltantes andam muito mais espertos e livres do que deveriam, trago agora para vocês alguns contra pontos para resolver os tópicos apresentados acima.

  • Pense como o criminoso: Lembre-se que todo bom cão pastor tem em seu DNA partes de lobo. Isso simplesmente quer dizer que você deve desenvolver um olhar diferente, teoricamente criminoso, sobre o tema. Quando chegar em sua casa hoje, peço que olhe para ela e pense como você assaltaria o local. Imagine o que teria de fazer para evitar ou render o “trouxa” que mora ali e por onde faria tais incursões, quais equipamentos precisaria e em que horário seria a melhor alternativa. Pensando assim você sem querer vai começar a perceber várias vulnerabilidades que o local tem. Apesar de ser um conselho bastante politicamente incorreto, se você não conseguir imaginar isso com sua casa pode fazer o mesmo exercício (teórico) com a casa do vizinho – será mais fácil de começar o treino;
  • Contexto e localidade: Reconhecer o padrão das casas da sua vizinhança é muito importante. Se você mora em uma residência onde ninguém tem cercas ou muros altos, com certeza ao instalar estes na sua casa você estará mostrando claramente que é o único ali na região que vale a pena ser assaltado. Observar quais são os artifícios que as casas vizinhas usam para se proteger e manter-se no mesmo padrão não deixa você “brilhando” como um baú de tesouro para possíveis assaltantes.
  • Menos é mais: Algumas vezes demonstrar que se têm menos é a melhor saída. Casas que ostentam riqueza com garagens expostas e grandes janelas mostrando seu interior só mostram o quão besta o proprietário é, afinal, só vão atrair invejosos e interessados em assaltá-lo. Viver com conforto e luxo é muito gostoso, mas lembre-se de não sair gritando o quanto você tem de dinheiro por aí.
  • Atenção: A boa e velha atenção sempre vai bem. Ao aproximar-se de sua casa voltando do trabalho fique atento a movimentações estranhas ou pessoas nas esquinas, observando o que está acontecendo. Se caso perceber algo que foge do comum, dê um tempo. Vá até o mercado, dê a volta na quadra… Até as coisas ficarem menos suspeitas.

Entendam que idealmente todas essas dicas não deveriam precisar ser usadas. O ideal é que vivêssemos sem a preocupação de nos tornarmos a vítima da vez, de aparecermos mortos e estirados no jornal sensacionalista do final de tarde, mas infelizmente essa é a realidade em que vivemos. Você tem duas opções claras que trago em um português muito informal e claro: Ou fica esperto, ou vai rodar.

Espero que essas dicas simples e valiosas possam ajudá-lo a ter um olhar diferente, menos “feudal” sobre a defesa residencial. Se você ainda acredita que pode levantar muros altos o suficiente, usar de cercas elétricas, câmeras e afins, lembre-se que não há nenhum castelo na história humana que não tenha sido invadido.

Até.