SHTF School: Matar pessoas em um cenário de crise – Consequências que poucos pensam

Cerca de três anos atrás a mulher e o filho do meu amigo estavam no carro quando bateram em outro veículo. Era um acidente bem pequeno, os dois carros estavam devagar e somente ficaram arranhados. No outro carro haviam quatro caras bem bêbados que imediatamente saíram do carro e começaram a ofender a mulher e a criança. Ela trancou o carro e ligou para o marido.

Os caras eram jovens e bêbados e provavelmente não queriam fazer nada demais além de parecerem descolados e perigosos, mas um deles sacou uma faca para assustar a mulher. Era de manhã e haviam muitas pessoas na rua, até algumas pessoas chegaram perto mas não quiseram interferir.

Uma dessas pessoas chamou a polícia. Seu marido veio rapidamente e encontrou esses caras gritando para sua mulher e seu filho, enquanto o cara com a faca estava furando os pneus do carro.

Meu amigo pulou do carro dele e quebrou o maxilar do cara com a faca e depois bateu nos outros três em poucos minutos. Eles sofreram costelas quebradas, traumatismo craniano e um externo rompido.

As testemunhas disseram que ele começou a estrangular um dos caras. Quando dois policiais vieram, eles o separaram do rapaz e então ele começou a estrangular o policial. Finalmente o outro policial o deixou inconsciente com a tonfa. Quando ele ganhou a consciência novamente, estava na prisão.

Ele saiu de todo o problema graças às testemunhas e pegou uma penalidade mínima por ter atacado os policiais (graças ao seu psiquiatra).

Ele tem 1,70m e cerca de 70kg e se você perguntar para todos (antes do evento) sobre ele, iriam dizer que “é uma pessoa muito legal e pacífica, sempre evita problemas, na verdade é alguém que tem medo de violência, um cara que confia no sistema e no amor entre as pessoas”.

Eu estava com ele durante a guerra. Nossa crise vinte anos atrás me fez conhecê-lo de forma diferente. Ele era (e ainda é) um dos caras mais perigosos que eu já conheci.

O ponto da história não é dizer que a violência acontece, vocês sabem disso, mas sim o fato de que você nunca pode julgar a pessoa pela aparência.

Para ser mais preciso, caras realmente perigosos não procuram por encrenca. Eles na verdade a evitam pois sabem que a encrenca pode gerar outras coisas. É a mesma coisa com os “psicopatas”. Se você passar por alguém usando roupas engraçadas e agindo de forma louca ele provavelmente estará só fingindo. Reais psicopatas tentam ser e parecerem normais.

Voltando à violência agora. Quando você tem grande experiência em usar violência, pode-se dizer que você entra nesse “tipo de pessoas” e isso muda as coisas para você. As pessoas não gostam de estar perto de outros que já mataram, não importa porquê o fizeram. Depois que você percebe que é capaz de fazer isso, sabe também que é capaz de fazer de novo, e de novo. Um grande tabu é quebrado quando você mata alguém. Isso é assustador para quem convive com você.

Algumas dessas coisas são ruins, mas também dão alguma vantagem sobre as pessoas normais. Sim, você pode ter certeza de que depois de tirar algumas vidas você não será o mesmo homem, você estará fora do grupo de pessoas normais.

Durante a crise faz sentido ser conhecido como o cara que não leva desaforo para casa, mas até certo ponto. Depois desse ponto a sua “fama” de ser durão pode atrair outro, talvez caras mais durões para te derrubar simplesmente para conquistar maior fama. Se o nível de violência cresce ao seu redor, você tem de “se misturar”. Não se exponha como fraco e nem como extra forte. Talvez um pouco mais forte do que o normal, mas isso é o suficiente.

Usar a violência para sobreviver e usar violência porque você gosta são coisas muito diferentes. Eu vi pessoas que se “descobriram” ao serem violentas pois elas gostaram do sentimento de poder que vêm junto com os atos.

Eu conheci um cara que gostava. Ele era um homem de família que começou assim como nós durante a crise. Ele fez o que deveria fazer para sobreviver, mas com o tempo ele começou a gostar de tudo isso. A família dele começou a não se sentir confortável com sua presença pois ele era aquele cara que tinham uma opção nova para agir. Ele pode matar e tirar a vida, simples assim. Isso assusta muito as pessoas.

Tenha em mente que as pessoas falam sobre o que aconteceu. As pessoas falarão se você matar alguém. As histórias voltarão para seu grupo e algumas pessoas terão uma péssima impressão de você pois não compreendem a situação em que você estava.

Esse cara que eu estava dizendo não era traficante ou mente criminosa. Era um cara normal de família, ele só achou algo estranho e escuro que estava dentro dele durante a guerra. Ele morreu quando se tornou muito descuidado pois acreditava que era forte e inteligente demais.

Uma mulher de vinte anos apunhalou ele durante uma troca. Ele estava muito confiante. Veio como uma surpresa para um homem que era orgulhoso e famoso por ser assassino…Isso pode acontecer com qualquer um. Essa história é uma lição importante que nunca perde o prazo de validade.

O que você deve entender é que o sentimento de estar no poder de tirar outras vidas pode colocar ideias estranhas na sua cabeça, todos nós sofremos com isso, mas alguns caras esquecem que a sobrevivência não se trata disso.

Hoje em dia a maioria das pessoas são consideradas “duronas” pois outras pessoas dizem, eles estão vivendo na fama e no medo de outros. Reputação é tudo, então a maioria das pessoas acreditam e nem se quer questionam-se sobre isso. 

Quando a crise ocorrer ter um homem no seu grupo ou família que parece uma versão estranha de um herói de filmes de ação não é aconselhável. Não existe competição de contagem de corpos e desejar cegamente em fazer violência com certeza lhe trará muitos problemas.

Atualmente no mundo “normal, quando eu ando durante a manhã e vejo algum problema na minha frente como por exemplo alguns caras bebendo e me encarando, sabe o que eu faço? Eu vou evitar, atravessar a rua. Você pode me chamar de covarde que eu não ligo, mas a verdade é que eu sei que se eu me envolver em uma briga, farei algumas coisas sem hesitação.

Eu sou conhecido pelo que sou capaz, e eu lembro (muito bem) do que fiz anos atrás quando encarei a violência. Eu não teria “botões de segurança” (ou algo que me diria “ok, é o bastante”) então eu prefiro evitar.

Se você carrega uma arma e um cérebro ao mesmo tempo, você também não vai procurar por problemas.

Uma das coisas que minha experiência me trouxe é a habilidade estranha de “reconhecer” caras perigosos, eu sei que alguns também podem ver isso em mim. Eu não estou falando aqui sobre algum poder estranho, estou falando sobre olhar nos olhos do cara e eles dizerem “Ah, eu sei te machucar bastante, já fiz isso antes. Farei isso novamente se for forçado e farei de forma muito eficiente”. Alguém que tem todas as possibilidades, incluindo colocá-lo em dor extrema e acabar com sua vida… Pessoas que pensam assim e viveram isso são diferentes, interagem de forma diferente.

Veteranos de guerra com experiência em combate em locais fechados sabem perfeitamente do que eu falo. Condenados e outros que viveram em ambientes violentos sabem também.

No final do dia, usar violência é algo muito ruim, te destrói. Também pode destruir relações entre as pessoas pois te muda e muda também a forma como te vêem. Você pode trabalhar em si estas questões durante muitos anos, mas isso não muda o fato de que você é um homem diferente da maioria das pessoas à sua volta.

Anos depois do colapso que eu vivi você pode pensar que eu sou como todos que estão ao meu redor, mas na verdade não sou. Em uma fração de segundos eu estou pronto para voltar ao que eu era naquele tempo. Pessoas que não estiveram nesse tipo de cenário acham que é uma boa opção ter isso…”O Selco está preparado”… Sim, mas eu também carrego isso comigo quando estou no parque para relaxar e ver famílias se divertirem. Esse lado negro nunca te abandona.

Se você tem experiência ou já se envolveu com violência, por favor, compartilhe nos comentários como isso mudou a sua vida ou a vida de quem você conhece.

Texto traduzido e adaptado do blog SHTF School