SHTF School: Violência como ferramenta de sobrevivência

Quando alguém diz “sobrevivencialista” ou “preparador” a maioria das pessoas imaginam um cara com um monte de armas. Muitas pessoas nos vêem como caras que têm “dedo nervoso”.

Até certo ponto isso é verdade e eu acredito fortemente que preparadores e sobrevivencialistas precisam estar armados e educados tecnicamente muito bem. Mas usar violência é algo completamente diferente, tomar a decisão correta de quando usar violência e com que intensidade é muito difícil. Frequentemente o uso de uma arma pode significar a sua morte também, então escolha com cuidado.

Para estar pronto para usar violência com rapidez e eficiência você precisará de muitos requisitos como treinamento, escolha correta de equipamento, vontade de usá-lo e necessidade de usá-lo. Eu vi muitas situações onde pessoas foram mortas simplesmente pois escolheram usar violência em uma situação onde ela não era a única alternativa ou não era a melhor opção. A situação poderia ser resolvida por outros meios, não com armas e violência.

Se falamos de sobrevivência e existe um risco de você perder sua vida e você escolher a violência, abra sua cabeça antes e esteja pronto para procurar por outras soluções. Pode parecer uma coisa de “fracos”, mas o ponto é : Tenha a sua arma pronta, mas repasse todas outras alternativas para solucionar o problema antes.

Considere o que você e o outro lado pode ganhar ou perder

Quando os conflitos entre pessoas era uma coisa diária na crise em que vivi, se eu escolhesse solucionar tudo com violência eu não estaria aqui para escrever sobre isso. É uma simples questão de números e chances. Lembre-se que você não é o Rambo e isso não é um filme.

É uma simples barganha, o que você pode ganhar e o que pode perder. O outro lado também pensará isso.

Eu lembrei mais de uma vez quando eu “convenci” caras a ficarem longe da minha porta “mostrando” quantos iriam morrer se escolhessem me atacar. O primeiro impulso era atirar, claro, mas é mais barato tentar com palavras. Claro que algumas vezes isso não funcionou e são para essas situações que as armas servem.

Esteja preparado e pronto, mas não tenha o dedo nervoso

A arma não é nada sem uma mão para operá-la. Aprenda a usar a sua arma nas condições mais próximas da realidade. Não é apenas praticar tiro ao alvo, há também o tremendo estresse e situações bagunçadas.

Esqueça das cenas quando dois caras bonzinhos atiram com rifles de assalto em caras ruins e ficam conversando sobre o que terão para almoçar com grandes sorrisos na cara. É um filme. Na vida real é uma confuso, alto, muitas vezes uma bagunça… E o mais importante é que os caras bons também podem morrer.

O que há de errado com o mundo hoje em dia?

Claramente algo está errado com tudo hoje em dia, não importa onde você more.  Se você é um preparador, definitivamente está atento ao fato e também sabe que provavelmente ficará pior.

O que você pode fazer? Você pode estar preparado, armado, com estoques de água, comida, munição e todo o resto.

Mas…você também pode fazer mais. Você pode falar com as pessoas sobre o que está errado. Você pode tentar resolver alguns problemas, talvez você consiga colocar algum senso em um membro de sua família ou bom amigo.

“Por que nós somos comandados por idiotas, por que o crime têm aumentado, por que há mais desemprego em todo lugar”… Qualquer fato desses servirá.

Eu não estou dizendo aqui para sair e dizer para as pessoas que você é um preparador. Estou dizendo para sair e falar com outras pessoas para quem sabe, conseguir algumas mudanças. Tentar levantar alguma atenção para o fato de que algo está errado e tirá-los da “bolha”.

Revolução armada

Eu sei que muitos de vocês não confiam no governo. Eu também não confio. Uma recente pesquisa nos EUA mostrou que 29% das pessoas pensam sobre uma revolução armada e que acham que esta é necessária.

Eu também acredito como preparador e sobrevivencialista que em toda situação, conhecer mais opções é melhor. Por isso eu recomendo que vocês leiam “Da ditadura à democracia“. É um livro gratuito de Gene Sharp (que foi nomeado para o prêmio Nobel da paz) que mostra passo por passo como abafar o governo e começar uma revolução não violenta.

Serviu como orientador para muitas revoluções não violentas nos anos recentes.

É sobre se educar e conhecer mais, para mais tarde ter mais opções.  Neste livro existe muito sobre como criar um movimento, algo que pode ser útil até mesmo na comunidade local. Você não precisa concordar com todo o livro, eu não concordo, mas conhecê-lo lhe dá mais opções.

Mais flexibilidade para pensar é o que te faz mais forte e aumenta as chances de sobrevivência de seus entes queridos e as sua.

Violência, sim ou não?

Violência não é a solução. É o último recurso. Não me entenda mal, eu vi e cometi muita violência.  Mas é a sobrevivência. Isso muda alguma coisa? Bom, eu estou vivo e pronto para causar mais violência. Como as coisas vêm aparecendo ultimamente, provavelmente precisarei dela no futuro.

Eu estou dizendo que talvez exista uma forma de quebrar o ciclo da violência nos educando para olhar e reconhecer o que está acontecendo a nossa volta. Nós vivemos em um mundo que é bombardeado pela mídia como se a violência fosse um meio normal da vida, mas se você parar por um momento e pensar sobre isso, verá que violência não pode ser algo normal.

No final, enfatizo para não me entenderem como pacifista, eu estou perfeitamente pronto para explodir a cabeça de algum membro de gangue ou viciado que quiser atacar minha casa e minha família, em crise ou sem crise.

Eu só tento checar se existem outras soluções para mover aquele viciado ou criminoso para longe antes que eles cheguem em minha casa.

E você, o que acha do uso da violência?

Traduzido do blog SHTF School.

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22 comentários

  • Marcelo Petry

    Olá Julio,
    Muito boa esta materia, tem muita gente que pensa que sobrivencialistas são sociopatas pessimsitas, e ja fazia um tempo que pensava num testo para esclarecer e argumentar em nossa defesa. Existem bom cursos disponíveis para quem é pacifista, como os de armas não letais nível I e II, e artes como “jiu-jitsu” e “Chin-Na” que se focam mais no controle que no nocaute. Para quem quer promover a paz nas suas localidades existem as ONGs que atuam com a justiça restaurativa.

  • Bem, sabemos que a violência é inerente ao ser humano, assim como também as demais espécies animais, sendo uma ferramenta de sobrevivência (seja atacando ou defendendo).
    Numa situação de sobrevivência pode ser necessário o uso da violência sim, mas eu defendo essa atitude caso seja a última saída. Arriscar minha integridade ou a integridade de membros do meu grupo simplesmente porque o “mundo acabou” é no mínimo estupidez.
    Claro que outros fatores virão a interferir nesse caso, como a pressão psicológica sofrida por ambas as partes. Mas como dito no texto, acredito que a preparação psicológica, além da física é indispensável, ajudando na “hora H”.

  • Eu fico um mês sem vir aqui e ja tem gente dando fiasco?
    Concordo que o Blog dever ter assuntos mais praticos e videos mais aventureiros, por isto proponho a todos os outros autores do Blog que saiam dos empregos, parem de trabalhar e vamos pro mato fazer video para o Sr Fabio.

  • Primeiro o Fabio falou do povo Brasileiro…depois disse que saiu as ruas e tudo mais. papo furado…vai ver só fica enfiado no seu quartinho vendo tv e no computador…Vai morar nos EUA kkkkkkkkkkkkkver se voçê sobreviver lá. Isso aqui é um BLOG de sobrevivencialismo, queria o quê ???. Pessoas assim, deveria primeiro ver onde estar metendo o bedelho.

  • primeiramente quero lhe agradecer por você fazer esses tipos de abordagem seus temas estão ficando cada vez melhores.
    Eu acredito que usar de violência nunca resolveu nada,acho que piora ainda mais uma situação de crise, digo isso pois sou praticante de arte marcial e nunca precisei usa ate o momento claro que isso varia de pessoa por pessoa vivemos em tempos que pessoas morrem por um simples detalhe,falta de humildade, seja no transito na rua numa fila em qual quer lugar pessoas que deixa que a arrogância e sua pré potencia fale mais alto . As vezes as pessoas confundem humildade com inferioridade ser humilde nao faz de voce inferior as pessoas mas faz com que seja superior em muitos outros aspectos ,saber considerar a situaçao e poder avaliar os fatos antes de qual quer ação inesperada ajuda muito quando se tem humildade.
    Quanto ao comentario do amigo ali quero lhe dizer que e muito facil chega aqui escreve um monte de ideias sem ao menos considerar o esforço de sua equipe .mas mostra como se faz melhor isso pouca gente faz . aprendi muito com esse blog e quero quem sabe um dia compartilha desses conhecimentos com meus filhos.
    Obrigado por compartilhar seus conhecimentos .

    • também sou pacifista, mas sempre devemos ter em mente que existem ameaças das quais não podemos nos esquivar. É provável que nos deparemos com pessoas desequilibradas que matariam por qualquer motivo,nesses casos, estaríamos apenas nos defendendo…

  • Bom dia, Julio!
    A priori, quero agradecer por essa ilha de conhecimento útil que é o seu bolg, em meio ao mar de futilidades da internet. Quase todos os dias procuro novas atualizações no seu blog e creio que, se um dia a crise estourar, vai ser uma das primeiras coisas que vou sentir falta.
    Acredito que a violência é como um “fermento”. Basta um pitada pra começar a expandir. Sendo assim, a diplomacia ainda é uma alternativa que deve ser tomada, de preferência, imediatamente. Porém, se o filtro da diplomacia falhar, o adversário se mostrar excessivamente hostil e obstinado, entre outros sinais, apenas um único golpe basta (entende-se por golpe qualquer coisa simples que faça o adversário reconsiderar as opções). Violência e morte somente em casos extremos, quando o adversário for inflexível demais e não houver outras opções para um acordo mútuo. Ainda assim, tentar até o último momento convencê-lo de que unindo forças ambas as partes sairão ganhando, ainda é a melhor opção.

    Se estou errado, por favor, corrijam-me. 😀

    • Olá Ewerton,

      Primeiramente obrigado pelo apoio! Concordo plenamente com suas colocações. Assim que você opta pela violência, está se expondo ao risco de vida direto e indireto, logo, é melhor recorrer a todas outras alternativas antes.

      Abraços.

  • Também acho que a violência deva ser encarada como último recurso, quando se esgotarem todas as outras alternativas!

  • Olá Júlio, Bom dia !!!

    Gostaria de dizer que gosto muito do site de vcs que produzem um conteúdo inigualável nesse mar de merda que é a internet.

    O que eu acho do uso da violência ???

    A violência é uma forma de oprimir fisicamente um inimigo que se demonstre hostil. Eu acho que ela deve ser usada de maneira cuidadosa e precisa. No momento certo da forma mais ideal.
    Não aprovo o uso de armas, acho uma maneira covarde e banal de se aproveitar de alguém.
    Eu pratico muito a sabedoria e a paciência. Mas uma coisa é certa, eu não morreria sem lutar. E utilizaria minhas mãos e até os dentes para me defender de alguém, que dá muito nojo só de ouvir (eu nem vi) falar !

  • Pedro Oliveira

    Muito bom o post Julio, sempre trazendo material de qualidade. =D
    \o/

  • Luiz Rodrigo

    Eu quero expressar aqui o meu profundo repúdio ao comentário do senhor Fábio. Este país e seu povo não merecem as severas e inverídicas críticas dele. Somos um país cheio de problemas, é verdade! Mas, sem cultura? Temos isso de sobra! Sem educação? Se compararmos o nosso comportamento social com os de alguns povos “desenvolvidos” do mundo seremos chamados de os mais corteses do planeta. Sem bom senso? Senhor, com todo o respeito que as opiniões merecem, por favor, não generalize! Qualquer país tem muitas pessoas que apresentam comportamentos inadequados. Eu sou brasileiro, bem educado, sensato, culto (já fui mais humilde) e nunca falaria assim de qualquer povo, tampouco aceitarei calado que se refiram assim do meu. Senhor Fábio, por favor, seja sensato, culto e educado quando se referir a sua própria nação.

  • Luiz Rodrigo

    O seu texto foi muito sensato. Vale também lembrar que nem toda violência precisa ser letal. O uso progressivo e proporcional da violência é o adequado.

  • Eu acho que tem muita criança se dizendo sobrevivêncialista, gente que não tem o mínimo de preparação nem de suporte psicológico ou técnico, tudo isso parece uma grande piada, vcs tinham que filtrar melhor o vosso publico e expelir do vosso meio os matadores de zumbis e os teóricos da conspiração, estou me decepcionando com este blog dia após dia por ver que esse assunto esta sendo cada vez mais tratado como uma grande brincadeira, antes de vc ou alguém do se meio pensar em usar “violência” para alguma coisa, precisam aprender muita coisa antes disso, estamos no Brasil, terra de gente sem cultura, sem estudo, sem educação e sem bom senso, vocês deveriam abordar esse assunto de forma mais técnica e profissional e não deixar no ar para os zumbizeiros virem aqui e dizer o que acham.

    • Olá Fábio,

      Perdão, mas realmente não sinto o mesmo que você. O blog tem caráter educacional, reflexivo e vivencial. Eu sou um indivíduo jovem, que gosta de expor os conteúdos de maneira mais leve e de forma que proporcione não somente a educação, como também o entretenimento.

      Sempre haverão pessoas mais imaturas, não importa o tamanho do filtro imposto. Eu até gosto de ver adolescentes por aqui, pois mesmo que o motivo seja algo fantasioso, já estou os fazendo refletir sobre a importância de saber tomar conta de si.

      Hora ou outra enche o saco, eu sei. Mas se eu mudo o blog do formato que sempre foi, deixo de colocar nele parte de minha personalidade. Falar de temas sérios com um tom descontraído deixa o ar mais leve e não atrai atenções indevidas, compreende?

      Enfim, quando algo é público, está aberto a todo tipo de gente. Mas a questão é por que você se incomoda tanto com isso? Tirando os comentários, você diria que as postagens também estão com esse tom satirizado/não real?

      Abraços,
      Julio.

    • Primeiro, sempre tenha em mente que qualquer pessoa, zumbizeiro ou não, tem potencial para ser um Sobrevivencialista.

      Segundo, como diz minha mãe, que é policial civil há mais de dez anos, “o homicídio é o único crime que QUALQUER UM está passível de cometer”, partindo deste princípio, qualquer pessoa deveria se questionar quando a violência se faz necessária.

      Terceiro, o Brasil é “terra de gente sem cultura, sem estudo, sem educação e sem bom senso” por culpa de pessoas como você, Fabio, pessoas que querem limitar o conhecimento que outras pessoas tem acesso! Filtrar e excluir pessoas que vieram por livre espontânea vontade BUSCAR CONHECIMENTO?

      Desculpe-me, Fabio, mas você está tentando enfraquecer a nossa Matilha e deixar as Ovelhas mais suscetíveis aos Lobos…

      • Fábio, Sobrevivencialismo é “com as palavras do Julio Lobo” saber tomar conta de si “nada mais”. Qualquer um que poupe uma grana para qualquer coisa no futuro, o Pai de família que faz a feira do mês, a dona de casa que faz comida e guarda na geladeira para refeições posteriores, o garoto que vai para à escola e diante da chuva enrola seus livros e caderno com sacola plastica e coloca dentro de sua mochila para não molhar… tudo isso é SOBREVIVÊNCIA… e sobrevivência é SOBREVIVENCIALISMO.

      • Falou tudo.
        Quem tem essa visão do brasileiro ignorante e manipulável, certamente tem sentimentos de superioridade. O povo brasileiro é criativo e sabe contornar problemas como nenhum outro no mundo. É um sobrevivencialista por natureza, e trabalhos como o desse blog ajudam com conhecimentos técnicos e reflexão que afloram esse dom natural do nosso povo.

        Abs

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