SHTF School: Tipos reais de sobrevivencialistas – O camaleão

types of real survivalists

A maioria das pessoas que passaram por situações de ameaça de vida sérias e sobreviveram vão te dizer uma coisa: Que sobreviveram devido à força mental. Inclusive, todos os instrutores de sobrevivência falarão que a primeira coisa que você tem que ter em um cenário de ameaça é a vontade de sobreviver.

É fácil falar isso hoje… “Eu vou sobreviver!”, mas a grande maioria das pessoas não sabem o que vontade de sobreviver realmente significa. Durante meu tempo eu vi alguns caras simplesmente se deitarem e perderem a vontade de viver. Eles apenas desistiram.

A mídia geral dá a todos uma espécie de modelo de como o sobrevivente real tem que parecer e agir. Isto é errado. Hoje eu falo sobre o tipo de sobrevivencialista inteligente.

O camaleão

Quando a crise ocorreu, a palavra “enganação” ganhou um novo significado, se tornou mais poderosa. Era usada em diferentes situações e por muitas razões. Lhe ajudava a sobreviver mas também o ajudava a tirar vidas.

Nunca forme sua opinião sobre que homem é perigoso baseado em imagens “populares”. Quando a crise acontece você pode acabar morto porquê uma senhora de 70 anos de idade explode sua cabeça com uma escopeta. É assim que você deveria pensar, mas um homem comum, ovelha, não consegue.

Então certifique-se de que quando os tempos ruins vierem, você terá de parecer mais forte do que é, mas algumas vezes também terá de se mostrar muito mais fraco do que é. Ter opções é sempre muito bom. Em resumo, todos aqueles que estejam se preparando com a atitude de “deixem eles virem”, terão de mudar para “não deixe eles virem”.

Havia um cara na cidade naquele tempo que era muito bom em saber onde achar o que você precisava, ou descobrir os boatos do momento. Por exemplo, no meu caso, se eu precisasse achar alguma coisa em particular como 10 litros de diesel ou coisa semelhante, eu primeiramente checaria com as pessoas da minha rua, veria se um ou outro cara tem ou conhece alguém que tenha. De certa forma, estava apostando na sorte.

Mas sempre havia aquele cara que tinha boa informação sobre recursos para troca ou qualquer outra informação.

O cara era coberto por rumores, ou era algo como um mito. Então você podia ouvir todos os tipos de histórias como “ele tem amigos importantes” ou “ele tem fontes de fora” ou “alguém poderoso está protegendo ele”… Depois de todas estas histórias você podia facilmente concluir que aquele cara era poderoso, mesmo sem vê-lo antes.

Ele sozinho não parecia poderoso ou algo semelhante, mas ele carregava aquela metralhadora malvada e antiga durante todo o tempo, com faixas de balas no ombro e no peito. Toda vez que eu ia visitá-lo eu conseguia algo útil para troca ou alguma informação importante de onde poderia encontrar o que precisava.

Ele sobreviveu a guerra e eu não o vi mais durante muitos anos. Então o encontrei no shopping, ele estava comprando brinquedos para seu neto. Comecei a conversar com ele e paramos para tomar um café.

Eu perguntei o que ele estava fazendo agora, e ele disse que era advogado. Eu estava surpreso. Então ele me disse que era advogado antes da crise. Por algumas razões eu não conseguia conectar aquele homem do período da guerra com um advogado, mas logo as coisas ficaram mais claras para mim.

Ele me convidou para ir até sua casa para pegar mais café e depois de algum tempo ele desce até o porão de sua casa e arrasta uma grande caixa de madeira com cadeado.

Ele abriu e eu vi a velha metralhadora dentro. Claro que eu queria checá-la. Quando eu a peguei na mão, vi que o cano estava entupido de ferro derretido, para torná-la inútil. Eu fiquei surpreso e perguntei a ele porquê fez isso, digo, você nunca sabe quando precisará de uma arma pronta para uso. Ele riu e disse “ela sempre esteve assim, inútil”.

Agora eu estava completamente confuso, mas então ele começou a falar.

Ele era um advogado antes da crise, nunca tinha atirado sequer uma vez com alguma arma e a violência era algo completamente estranho a ele. Quando a crise começou a gerar caos, ele se encontrou no meio da rua com pessoas quebrando lojas e shoppings para pegar o que fosse útil.

Em cinco minutos ele estava em um museu local com algumas pessoas jovens que estavam quebrando coisas e saqueando. Ele disse “quando eu vi um policial local completamente bêbado tentando tirar o uniforme alemão da vitrine por diversão, eu percebi que nós estávamos começando a viver em um tempo bem interessante”.

Ele tirou a metralhadora de uma vitrine junto com algumas faixas de balas e foi para casa. Dez dias depois alguns punks tentaram saquear a casa dele armados com facas e chaves de fenda:

“Eu coloquei aquelas faixas de balas em mim, peguei a metralhadora e fiquei parado em frente deles gritando que se eles não sumissem naquele momento eu iria massacrá-los”. Claro que eles sumiram.

Ele disse que mesmo que aquela coisa funcionasse ele não saberia como atirar com ela. Mas então ele percebeu uma coisa. Não é importante saber o que as coisas são – é importante saber o que as coisas parecem ser.

Quando diferentes grupos na cidade começaram a usar sinais, digo, bandanas coloridas nos braços para mostrar claramente de que grupo cada um pertencia, ele pegou todas as bandanas e marcações.

Quando todos os grupos começaram com alguma espécie de sistema para quando usar aquilo, ele subornou alguns caras para conhecer o sistema. Então se um grupo que estava controlando alguma parte da cidade usava bandanas vermelhas na segunda e na quarta, e uma preta no domingo e sábado, ele saberia disso.

Ele usava isso para se mover na cidade, pois devido a todo aquele caos, se você está se movendo durante a noite e precisa passar por uma área controlada por algum grupo, era muito importante saber o sinais ou códigos deles.

Basicamente ele era um membro de múltiplos grupos e todos grupos compartilhavam informações com ele. Como resultado, ele estava em todo lugar na cidade, sempre tendo as informações certas sobre coisas importantes. Ele sabia o que teria o preço aumentado ou quando comida nova poderia chegar. Eu perguntei a ele “como você conseguia saber tanto sobre tanta coisa?” porque parecia muito complicado para mim lembrar de tudo o que ele ouvia.

Ele disse “o que eu não sabia, eu inventava na minha cabeça”. Na verdade ele estava brincando com os preços, de acordo com a necessidade das pessoas. Ele ditava os preços.

Depois de algum tempo, devido a todas as informações que ele dava, ele se tornou tão “popular” que se ele dizia que “enlatados estarão em escassez no próximo mês” as pessoas acreditavam nisso.

Então era fácil para ele distribuir todas as latas em preços mais altos, claro que não era ele quem distribuía  mas conhecia um cara que tinha as latas a um preço mais barato. Um cara que trabalhava em conjunto com ele. Ele pegava uma comissão em cima dos negócios e isso o ajudou a sobreviver.

Por meio de sua rede de pessoas ele colocou uma fama de que “pessoas poderosas o protegiam”. Outra ilusão, mas isso somado ao fato de que pessoas não queriam ter problemas com alguém que sempre tem boas informações, fez com que ele sobrevivesse.

Outra coisa que o ajudou, durante o primeiro momento, foi que ele coletou cinco ou seis corpos bastante desmembrados por estilhaços de bombas e colocou na frente da casa dele. Depois espalhou o boato nas ruas de que “alguns caras encrencaram com ele, mas ele chamou seus amigos poderosos e então deixaram os corpos dos inimigos mortos na frente da casa para deixar claro… não deveriam mexer com ele”.

Quando algum grupo muito grande e forte causava perigo real a ele, ele abandonava a casa e esperava que o grupo fosse embora. Não havia problema, ele não tinha nada de valor na casa pois seus recursos de troca ficavam nos “associados” e o seu maior valor era o de ter informações. Seu maior valor era na verdade seu cérebro.

Então mantenha isso em mente. Antes de desistir por não ter nada, use seu cérebro e tente brincar com o sistema através da enganação. Um cenário de sobrevivência urbana caótica oferece inúmeras oportunidades para isso.

Texto traduzido por Julio Lobo do blog SHTF School.

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7 comentários

  • Cara, no filme wall street II o dinheiro nunca dorme rola essa estratégia, boatos e mais boatos, no final dá uma confusão danada, mas o objetivo foi alcançado. Muito Parabéns a matéria!

  • SHOW DE BOLA ESSA MATERIA JULIO, O BLEFE E A INTELIGENCIA SÃO PODEROSOS QUANDO BEM USADOS, NA ANATUREZA É ASSIM, CERTAS ESPECIES IMITAM AS CORES DE ESPECIES VENENOSAS PARA MANTER OS PREDADORES LONGE DELES.

    VALEU CARA PARABENS MAIS UMA VEZ, UM ABRAÇO !

  • Muito interessante… Me fez lembrar o jogo I am Alive, onde mesmo sem balas, tu podes ameaçar outros sobreviventes hostis com a arma…

    • Olá Mateus,

      Muito legal, fui procurar pelo jogo e gostei bastante da proposta. Vou ver se compro.

      Abraços.

      • É interessante sim. Claro que é um jogo, mas tem algumas ideias úteis nele.

        Li os outros tipos de sobrevivencialistas no SHTF school e realmente, de certo modo, todos os três aparecem no jogo…

        Ele dá até dicas de quando tu encontrar um grupo, tentar matar primeiro o mais violento, assim o resto fica mais “manso”.

        Ensina que ajudar pessoas pode ser bom (receber algo em troca) mas algumas vezes tu só perde o item que usou quando ajudou a pessoa.

        Abraços,

  • Boa idéia!
    Boa estratégia!!

  • mais uma vez parabens pela postagem!obrigado!

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