Realidade e Ficção: Profetas e Crenças

Passada a pauleira do período eleitoral, que consome cada segundo de meu tempo livre, volto a ter tempo para meus pequenos prazeres, como escrever para este blog. Aproveitando esse feriadão para renovar as energias, não pude deixar de ver essa notícia, de ampla divulgação: clique aqui.

Um suposto “profeta” conseguiu arregimentar uma centena de seguidores, que abandonaram família, emprego, bens, para habitarem em uma “arca” (na verdade, uma modesta residência) que seria poupada pela “besta-fera” na data de ontem, quando o mundo “acabaria”. Novamente, não entrarei na discussão sob o aspecto da fé. Nem de como um sujeito sem qualquer referência obtém credibilidade suficiente para isso. Quero discutir o tema sob o aspecto da fantasia.

Diversos colegas já abordaram aqui que aqueles que se preparam são por vezes motivo de zombaria. Mas quando vejo blogs sobrevivencialistas dedicarem quase que a totalidade de seu espaço para “zumbis” e coisas semelhantes, imagine se tais críticas não tem uma ponta de fundamento. Você deve estar preparado porque as coisas simplesmente dão errado. Deram durante a nossa história, e darão de novo. Já apocalipses, maias ou zumbis, não me lembro de qualquer relato.

Velhos escoteiros como eu, militares, policiais, campistas, gostam de estar preparados por várias razões: Prazer em juntar cacarecos úteis por toda uma vida, preparação pura e simples, segurança. Se você acha que um maia que acreditava que o sol só sairia no dia seguinte se arrancasse o coração de alguém poderia prever o fim do mundo para dezembro desse ano, ok, prepare-se. Se você acredita que por alguma razão os mortos sairão por ai devorando cérebros, ok, prepare-se. Mas sem abandonar seu bom senso.

Se Elias descer do céu em um carro de fogo, e te falar em aramaico “Ferrou”, ok, ai você deve se preocupar. Mas se o pedreiro da esquina, seu advogado ou o gerente de seu banco de repente resolver tentar te convencer que o mundo vai acabar no dia 12, às 16h00, sua primeira pergunta deve ser: “Em qual fuso horário?” É, porque 16:00h chega antes para mim do que para o Julio Lobo.

O que quero dizer é que você deve usar seu bom senso. Pense antes de acreditar no primeiro maluco que se apresenta, e de tomar decisões baseadas nisso.

Mas esteja preparado.