POST DO LEITOR: INCÊNDIO NO BAMBUZAL

Olá, meu nome é Arthur Callahan, tenho 21 anos e resido em Brumadinho, no estado de Minas Gerais. Sou um entusiasta do Sobrevivencialismo e, através dessa prática, desenvolvi habilidades e uma mentalidade voltada para enfrentar situações adversas. Este relato, que compartilho agora, é sobre um incêndio significativo que ocorreu no sítio do meu avô, e como essa experiência reforçou a importância dos princípios do Sobrevivencialismo.

No domingo, 24 de setembro, houve um incêndio de grande escala no sítio do meu avô, em Brumadinho, MG. Devido à estiagem, o fogo se alastrou rapidamente, atingindo dois enormes bambuzais na divisa com o terreno vizinho. Com o risco iminente de o incêndio se espalhar para as terras próximas e outras partes do nosso terreno, toda a família se prontificou a ajudar a conter o fogo da maneira possível. Após mais de seis horas de trabalho intenso e ininterrupto, apagando fogo literalmente à base de baldes de água, conseguimos controlar a situação.

Ao refletir sobre o ocorrido, percebi a aplicabilidade de vários aspectos do Sobrevivencialismo. Compartilho agora algumas observações:

Mentalidade em situações de estresse

Em crises, é crucial manter a mente ajustada. Agir de forma controlada e pensante, entendendo a situação, é fundamental para resolver problemas de forma eficaz. Reagir impulsivamente pode colocar você e outros em risco. Por exemplo, durante o incêndio, alguns familiares ficaram visivelmente assustados e propensos a desistir, achando que a situação estava fora de controle. No entanto, eu e meu pai, que temos mais experiência com situações de estresse, conseguimos manter a calma e direcionar os esforços de forma organizada.

Preparação física

Assim como a mente, o corpo precisa estar apto para suportar condições adversas. Não adianta ter um plano se o corpo não está preparado para agir sob pressão. Enfrentamos relevo acidentado, fogo intenso, lama e difícil locomoção entre bambus tombados. Estar fisicamente preparado fez uma grande diferença. Lembro-me de uma vez que eu e meu irmão, ainda adolescentes, apagamos um incêndio em uma área de capineira utilizando apenas água de uma caixa d’água com bomba. Essa experiência prévia nos deu a resistência e a habilidade necessárias para lidar com o fogo atual, mesmo em condições extremas, como carregar baldes de água através de terrenos íngremes e lamacentos.

Equipamentos adequados

Bons equipamentos e vestimentas são essenciais para a execução de tarefas, proteção e conforto. Usei uma bota robusta da marca Azimute, uma bermuda/calça ripstop leve e uma camiseta resistente, que ajudaram imensamente na tarefa. Meus familiares, que não tinham calçados adequados, acabaram se queimando e se cortando nos bambus e pedras espalhadas pelo terreno. A bota, em particular, foi crucial para me proteger de queimaduras ao caminhar sobre brasas e me dar firmeza ao pisar em terrenos instáveis.

Nosso terreno tem cerca de 13.000 metros quadrados (aproximadamente 1,3 hectares). O incêndio atingiu entre 5% e 10% da área total, concentrando-se nos bambuzais, o que facilitou a propagação rápida do fogo. Embora as áreas vizinhas não tivessem muitos moradores presentes no dia, um funcionário de um sítio vizinho monitorou a situação e estava pronto para ajudar, caso necessário. A preocupação com o bambuzal era grande, pois essa planta, quando seca, é extremamente inflamável e pode facilitar a propagação do fogo para áreas ainda maiores.

Temos três casas no sítio, e a mais próxima do incêndio é a dos meus avós, a aproximadamente 8 minutos de caminhada. A locomoção até o foco do incêndio foi dificultada pelos bambus tombados, que criaram um terreno instável e perigoso para andar. Em alguns momentos, tivemos que caminhar sobre os bambus caídos, o que tornava o avanço lento e perigoso.

Além disso, tivemos que lidar com a dificuldade de buscar água em um pequeno rio que se entrelaçava a um brejo. Esse processo envolvia carregar baldes pesados por uma área lamacenta, onde a água chegava até a cintura em alguns pontos. A água, quente devido ao fogo, acrescentava mais um desafio ao já complicado processo de combate ao incêndio.

A experiência mostrou a importância da preparação mental e física, além da necessidade de equipamentos adequados. A nossa familiaridade com situações de estresse na zona rural ajudou, mas enfrentar um incêndio dessa magnitude foi um desafio. Por exemplo, a coordenação necessária para cortar galhos de árvores em chamas e evitar que o fogo se espalhasse exigiu uma combinação de força física e mental, além de um bom planejamento estratégico.

Outro aspecto importante foi a necessidade de equipamentos específicos, como facões e motosserras, que estavam guardados em uma oficina na extremidade oposta do terreno. O deslocamento constante para buscar essas ferramentas, subindo e descendo o terreno íngreme, foi exaustivo. No entanto, a disponibilidade dessas ferramentas foi crucial para cortar bambus e criar barreiras que ajudaram a conter o fogo.

Conclusão

A experiência vivida durante o incêndio no sítio do meu avô foi um verdadeiro teste de sobrevivência e resiliência. Ao refletir sobre tudo o que aconteceu, ficou evidente a importância de estar mental e fisicamente preparado para enfrentar situações extremas. A calma e o controle mental foram fundamentais para coordenar os esforços de maneira eficiente e evitar decisões precipitadas que poderiam ter agravado a situação.

Estar preparado mentalmente, fisicamente e com os equipamentos certos não só ajudou a proteger a propriedade e as pessoas envolvidas, mas também reforçou a importância de sempre estar pronto para o inesperado. Esta experiência fortaleceu ainda mais minha convicção nos valores e práticas do Sobrevivencialismo, mostrando que, mesmo nas situações mais extremas, é possível superar desafios com preparação, disciplina e trabalho em equipe.

Relato por: Arthur Callahan.

um comentário

  • Edvard lima da silva
    Avatar de Edvard lima da silva

    Arthur Calahan boa noite, sua experiência de emergência que vc narrou é um dos vários que quem mora na roça tem que enfrentar.

    Daqui a 1 ano, começarei a viver num sítio perto da Divisa com o sul de Minas Gerais, e para começar bem, no poço caipira do terreno, tinha uma cascavel. Espero poder conseguir me desenvolver igual vc narrou. E depois quero dar meu depoimento.

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