Asma: Como abordar na sua preparação? – Por Doctor Prepper

Estava eu no meio do meu treino e pensando na vida, acabei refletindo sobre alguns dos meus últimos pacientes do plantão. Esse texto não tem a pretensão de substituir o atendimento médico, é apenas um alerta. Procurei usar uma linguagem leiga, acessível, para facilitar o entendimento. Caso tenham dúvidas, não hesitem em perguntar e procurarei esclarecer.

O autor do texto que você lerá agora é médico, militar e preparador. Acompanha o nosso trabalho há anos e decidiu contribuir com suas visões aqui no portal. Espero que gostem.

A asma é uma doença que é simples de ser tratada na maioria das vezes, mas com repercussões impactantes principalmente quando negligenciada. Em termos de preparação, ter uma pequena “bombinha”, e saber usá-la, pode fazer a diferença entre a vida e a morte em um momento de crise.

É, também, bastante comum. Cerca de 13.1% das crianças norte-americanas têm o diagnóstico. Mas, no Brasil, a esmagadora maioria que tem asma acha que não tem. Aqui passamos por uma onda do politicamente correto que resolveu amenizar tudo, até dentro da medicina. Lepra não pode mais ser chamado de lepra, tem que ser chamado de hanseníase (único país do mundo que não chama de lepra). Asma é passado para o paciente como se fosse bronquite, esquecendo que o nome da doença é asma ou bronquite asmática e o usuário da “bombinha” é estigmatizado.

A bronquite em si também é uma doença crônica, mas está relacionada ao tabagismo como fator causal. Evoluindo para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica e posteriormente podendo cursar com o infame enfisema. O problema é os pacientes acharem que não têm asma, responderem “tenho bronquite” ou “quando era criança tinha bronquite”. Isso leva à uma menor adesão ao tratamento.

Considero, então, pertinente fazer um breve resumo do que se trata e como evitar estar de mãos atadas em uma crise asmática em uma situação de caos.

A asma é uma doença pulmonar que cursa com a constrição da árvore respiratória, basicamente os canais por onde o ar passa para chegar até os alvéolos. Devido à esse estreitamento, há dificuldade de expirar o ar (soltar) e é por este motivo que os principais sintomas são tosse e falta de ar. O sibilo (chiado) é o ruído que o ar causa ao passar pelos canais estreitados.

Os principais fatores que podem desencadear a crise são:

  • Alérgenos (pólen, ácaros, pelos de animais…);
  • Infecções ;
  • Poluição;
  • Cigarro;
  • Estresse;
  • Exercício;
  • Ar frio e seco;
  • Odores fortes;
  • Refluxo gastroesofágico;

É importante frisar que um paciente pode ter asma desencadeada por um ou mais fatores, independente de ser “imune” à presença dos demais. Quando o asmático sabe, pode evitar aquilo que causa a sua crise e ter uma vida mais saudável e segura.

Além de evitar os gatilhos da crise, se exercitar regularmente (com acompanhamento adequado) pode tornar as crises mais brandas, na medida em que aumenta a capacidade cardiorrespiratória do indivíduo e garante uma maior “reserva” respiratória. Principalmente a natação, sendo o esporte que mais ajuda.

O problema da natação está na desinformação, novamente. A natação não pode ser feita em piscina clorada, o cloro é uma das maiores substâncias irritativas e é mais prejudicial ainda para o asmático. Mas, na maioria das vezes o paciente acha que melhora ao nadar porque a umidade do ar inspirado na superfície da piscina alivia os sintomas. Então, o adequado é fazer natação em piscina salinizada, ou nem fazer.

O tratamento na maioria das vezes envolve nebulização quando em ambiente hospitalar. O nebulizador é um aparelho relativamente grande e pesado, mais compatível com o ambiente doméstico ou da BOL. Enquanto que crises moderadas podem ser tratadas exclusivamente com broncodilatador em spray (bombinha), e estes são equipamentos leves e pequenos, fáceis de serem levados em uma BOB.

Considerando a prevalência da asma, a probabilidade de se ter ou ter alguém no seu grupo de sobrevivência que seja portador é bem alta.

Ressalto aqui a importância de que se fale abertamente sobre a doença, que procure informar seus companheiros sobre a sua condição e o que fazer para te ajudar e, principalmente, conversar com seu médico a respeito de como melhor tratar a sua asma.

Texto escrito por Doctor Prepper.