Professora de Yoga se perde por 17 dias na selva

No dia 25 de maio a excursionista e professora de yoga Norte-Americana Amanda Eller foi encontrada com vida depois de 17 dias perdida na selva na ilha de Maui, no Havaí. 

Amanda tinha ido a Makawao Forest Reserve, na ilha de Maui, para fazer uma trilha curta de 5 km pela floresta. Apesar da reserva contar com 2.000 acres de selva, sendo rodeada por outros milhares de acres de uma selva densa sobre um terreno muito acidentado, Amanda resolveu deixar no carro o celular, carteira e garrafa d’água, e vestindo apenas um tênis, calças de yoga e uma camiseta…  Partiu para a trilha.

Num dado momento do percurso, ela decide sair da trilha para descansar. E é aí que seus problemas começaram, pois ao tentar voltar para a trilha ela se perdeu! De acordo com suas palavras: “Eu queria voltar pelo caminho por onde havia vindo, mas o meu senso de orientação estava me levando para o outro lado – e eu tenho um senso de orientação muito forte”. Amanda estima que esse equívoco a fez caminhar das 10h30 da manhã até quase a meia-noite no primeiro dia. 

Amanda só começou a procurar por água no terceiro dia perdida na selva, que foi quando as coisas ficaram ainda piores…  Ela caiu de uma ravina, fraturou uma perna e rompeu o menisco do joelho. No dia seguinte, ela perdeu os tênis numa enchente relâmpago. 

Para sobreviver ela comia as plantas que encontrava pelo caminho, sem saber identifica-las, além de morangos selvagens e goiabas. Algumas noites ela dormiu na lama e houve uma noite onde ela dormiu na toca de um porco selvagem.

A pesar de ter perdido muito peso, sua vontade de viver a manteve, até que no 17º dia, ao procurar por plantas comestíveis perto de um riacho foi localizada por um helicóptero de buscas e então foi resgatada. Uma história que terminou bem por pura sorte.

A situação de sobrevivência que a professora de Yoga se viu obrigada a passar segue o mesmo padrão de tantas outras, como o do chileno Daniel Flores, 21 dias perdido na ilha de Chiloé ou da excursionista Madeline Connelly que passou 6 dias perdida com seu cachorro em Montana ao sair para um mero passeio a pé. O que todas essas histórias tem em comum é que foram situações que poderiam ter sido facilmente evitadas, se a pessoa estivesse minimamente preparada. 

O que eu levo comigo no corpo cada vez que vou para o mato
Um kit simples, mas que salva vidas

No caso da Amanda Eller, se ela estivesse munida de uma simples bússola como a da foto, poderia ter saído da trilha, descansado e retornado a ela posteriormente com toda a segurança. Sem contar que um kit de sobrevivência básico, além de não pesar nada e serem pequenos podem ser a diferença entre estar perdido por vários dias (talvez até morrer) e voltar para casa. Como no caso do Daniel Flores, que chegou a escutar as esquipes de resgate procurando-o mas não tinha mais forças para gritar. Um apito teria solucionado esse problema! Se você puder estar equipado com um SPOT GPS além do kit de sobrevivência, ainda melhor, pois no caso de um acidente em que a pessoa fique impedida de se mover pode ser a única salvação. 

Mas o mais importante de tudo é que quando saímos preparados, automaticamente ficamos atentos a situações que nos possam colocar em risco, como sair de trilhas confiando somente em nosso instinto e senso de orientação, como fez a excursionista. 

Amanda com seus resgatistas.png
Amanda com os que a encontraram

Portanto, quando for para o mato… “esteja preparado”. 

Gostaria de deixar algumas recomendações de leitura:

  • The Ultimate Navigation Manual: Esse livro ensina desde o beabá da navegação até as técnicas mais complexas, inclusive como se orientar corretamente pelo sol e pelas estrelas.
  • Will to Live – Les Stroud: O Survivorman da Discovery Channel analiza varias histórias reais de sobrevivencia, que são sempre interesantes de serem estudadas para que possamos aprender com os erros dos outros.

Texto escrito por Carlos Cabral de Menezes