O que é radioamadorismo?

Radioamadorismo é uma atividade praticada por pessoas que se interessam por diversos aspectos da radiocomunicação, que são aptas e  licenciadas e regulamentadas pelo poder público de cada país para conduzir não só a radiocomunicação , bem como experimentação científica relacionada ao tema .

O praticante de radioamadorismo é denominado RADIOAMADOR, o que não deve ser confundido com o equipamento utilizado para realizar a radiocomunicação que deve ser chamado de transceptor, simplesmente: rádio.

Uma curiosidade: Radioamadores também são conhecidos em internacionalmente, principalmente na língua inglesa, por HAM, sigla que surgiu há muito tempo e se refere a parte do indicativo (conhecido erroneamente por prefixo)  de uma das primeiras estações deste tipo.

Radioamadores, PX e talkabout são a mesma coisa?

Não, apesar de muitos radioamadores também terem suas licenças para operar como PX, são serviços distintos, o PX ou mais corretamente,Serviço de Radio Cidadão, também conhecida nos Estados Unidos como Citzen Band ou CB.  É uma modalidade surgida após a segunda guerra mundial e tem por objetivo servir, basicamente, como um sistema simples de radiocomunicação entre cidadãos. Para isso é usada uma faixa de alguns canais de rádio por volta de 27mhz ou 11m.  

Devido a estas características o PX ou CB, antes do advento da telefonia móvel, era largamente usado para comunicações entre motoristas, entre motoristas e suas casas, etc. Ainda hoje é largamente usado como uma grande ferramenta de comunicação pelos caminhoneiros.

No Brasil, Para se obter a licença de PX é necessário apenas preencher um formulário e protocolar em um escritório da Anatel, recolher as devidas taxas e operar com equipamentos e normas específicos para este serviço.

Já para se tornar radioamador , a pessoa precisa, além dos dos requisitos burocráticos, realizar uma prova, onde serão avaliados conhecimentos de eletricidade, eletrônica, legislação sobre telecomunicações, ética operacional e, para algumas classes, recepção e transmissão em código Morse. Isso ocorre porque, tendo o radioamador um maior privilégio no uso de  frequências, potência, podendo até realizar pesquisas, se faz necessário a comprovação de um mínimo conhecimento específico , a fim de evitar interferências em outros serviços que dependam de radiocomunicação e até interferência em outra comunicação de radioamador.

Talkabout  é o nome do aparelho da Motorola que permite o uso de FRS (Family Radio Service)/GMRS (General Mobile Radio Service) que acabou se tornando sinônimo do serviço. Com o barateamento e desenvolvimento da tecnologia de radiocomunicação em UHF (lembra das pesquisas dos radioamadores? ) Foi possível desenvolver um aparelho portátil simples e barato para comunicação direta a curta distância. Como esse aparelho possui potência baixa, e pequeno espectro de frequência disponível através de canais, o seu uso não depende licença prévia do órgão regulador, bastando o usuário se atentar a comprar um aparelho homologado pela ANATEL.

Segundo os fabricantes estes aparelhos possuem alcance de até 4km em área livre, porém, no uso prático observa-se um alcance muito menor.

O que o radioamador faz?

A atividade do radioamador é muito ampla, basicamente um radioamador procura aprender e explorar o campo da radiocomunicação, tornando-se um especialista em enviar e receber informações via rádio, aprendendo com isso os detalhes técnicos e operacionais de seus equipamento, além de aprender a construir antenas, acessórios, dispositivos eletrônicos auxiliares e até mesmo seus próprios rádios.

O exercício dessas atividades o leva, inevitavelmente, a aprender sobre outros campos do conhecimento como: novos idiomas, geografia, mecânica, elétrica, energias alternativas, etc.

Com todo esse leque de possibilidades acima, fica meio difícil classificar as atividades dos radioamadores em grupos, mas de maneira bem simples podemos separar em :

  1. Bate papo (Chat) ou como dizem, ‘ primeira rede social ‘ que surgiu, podendo ser sobre os mais variados temas, desde dos do dia como técnicos ou científicos seja em fonia(transmitindo a voz) ou CW (através da transmissão de sinais Morse)
  2. DX – busca de contatos distantes – aqui a diversão é buscar a comunicação com todos os locais do mundo, variados países, culturas. Quanto maior a dificuldade técnica para realizar o contato maior é a felicidade do radioamador.
  3. Radioamadorismo expedicionário, aqui a diversão é estabelecer radiocomunicação em lugares inóspitos ou onde não há radioamadores existentes, pode ser uma ilha distante, um país, ou até um continente (Antártica).

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    Já pensou subir montanhas para tentar contato com locais distantes?

  4. Radioamadorismo de competição ou esportivo – Através de concursos realizados através do mundo, radioamadores buscam realizar uma maior quantidade de contatos e ou contatos mais difíceis com outros radioamadores participantes, tudo isso dentro de um tempo e regulamento específicos, geralmente um final de semana.
  5. Pesquisa – Muito embora a pesquisa seja necessária em todas as atividades acima, aqui falamos na pesquisa em si, é: estudar a propagação, desenvolver antenas mais eficientes, buscar novas fontes de energia, criar códigos e programas de computador para decodificar sinais fracos, estudar a emissão de sinais para fora do planeta, e por aí vai, pois o objeto de pesquisa para um radioamador nunca se esgota  Saiba que o seu forno de microondas e o seu telefone celular são o resultado prático de pesquisas de radioamadores !

Além da simples transmissão da voz, toda essa comunicação pode ser feita de várias maneiras. O Radioamador pode se comunicar via código Morse, ou com a ajuda de um computador transmitir e receber e interpretar sinais digitais. Pode ainda receber fotos de satélites meteorológicos,  utilizar satélites repetidores específicos para se comunicar , ou mesmo estabelecer contato com a ISS (Estação Orbital Internacional). Mas o céu não é o limite, recentemente radioamadores até acompanham os sinais de sondas espaciais enviadas pela NASA. Ufa! Muita coisa não é ?

Como tirar licença de radioamador?

O primeiro passo para se obter a licença de radioamador é procurar a Anatel e realizar um teste de conhecimentos básicos, dependendo da classe pretendida (saiba mais aqui).

Classes de radioamadores?

Sim, as licenças para o serviço de radioamador são divididas em classes, similar a carteira de motorista, baseado no conhecimento comprovado em testes na Anatel, são elas:

  • Classe C – a mais básica, onde é preciso fazer um teste teórico de conhecimentos em ética e técnica operacional e legislação.
  • Classe B – o candidato a classe B precisa comprovar conhecimento em legislação, ética e técnica operacional e realizar um teste de conhecimentos em eletrônica e código morse.
  • Classe A – as provas têm um requisito bem parecido com as da classe B mas a porcentagem de acerto deve ser maior para a aprovação, porém o candidato precisa ter licença como classe B por no mínimo um ano para se candidatar a prova.

As matérias abordadas nas provas podem variar conforme o local de avaliação, ou seja, podem haver locais onde para classe A seja cobrado somente conhecimentos em eletrônica devido ao fato de que o candidato já foi avaliado em código morse quando fez a prova para a classe B e vice-versa.

Qual o custo da licença?

O custo para se obter uma licença de estação fica em torno de 60 reais, isso aumenta para algo perto de 110 reais caso o radioamador precise de uma licença que permita operação fora da estação principal, estação móvel.

Qual a distância que um radioamador consegue se comunicar com seus  equipamentos?

É natural que se consiga fazer contatos com todos os pontos do planeta onde tenha um uma estação de radioamador em funcionamento, qualquer continente, ilhas, aeronaves e embarcações. Até mesmo é possível conversar com astronautas em órbita na estação espacial, por exemplo. Tudo isso diretamente, sem o uso de qualquer sistema de artificial retransmissão de sinal. Tudo depende banda usada e das condições de propagação.

Propagação? o que é isso?

Propagação das ondas de rádio é o fenômeno que ocorre com os sinais de rádio que se refletem na atmosfera terrestre como se fizesse uma “tabelinha”, levando o sinal do seu equipamento de comunicação além da linha do horizonte. Esta condição de “espelho” depende, principalmente, da quantidade de energia que o sol manda para a terra nos fenômenos de manchas solares. O estudo destes efeitos é ao mesmo tempo complexo e fascinante.

Banda, o que é isso?

Em radiocomunicação, banda é um grupo de frequências que os radioamadores podem usar. Podemos usar muitas bandas diferentes, tipo 10 metros, 20 metros, 2 metros e muitas outras. Metros nesse caso é uma relação entre a distância que o sinal percorre em 1 segundo e a frequência que este sinal possui. Com essa relação temos o chamado “comprimento de onda”.

O que é uma repetidora?

Uma estação repetidora ou um repetidor é um equipamento que fica, geralmente, em pontos elevados e repete o sinal que chega até ele, ou seja, a repetidora recebe o sinal em um canal e transmite simultaneamente em outro canal bem próximo, na mesma banda.

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Este artifício é usado em bandas com frequências que não tem boa reflexão na atmosfera, geralmente frequências mais altas, acima de 30 mhz. Isso permite aumentar várias vezes o alcance da sua estação. Exemplo, você pode falar de SP ao RJ com um rádio HT.

Rádio HT?

São equipamentos que podem ser usados com apenas uma mão, ou que cabem não sua mão, ou seja, vc tem uma estação completa na sua mão, com receptor, transmissor, antena e bateria, por isso o termo HT, “hand transceiver”, ou transceptor De mão.

Então HT é parecido com Walk Talk?

O que ocorre que antigamente os equipamentos eram maiores, a tecnologia ainda não permitia a construção de equipamentos pequenos como nos dias atuais. Então uma estação completa e portátil era acomodada em caixas maiores ou ainda em mochilas, por isso o termo walk talk (falar andando) foi muito utilizado. Nos dias atuais este mesmo equipamento se tornou o HT devido ao tamanho.

Equipamentos para radioamadorismo precisam ser homologados?

Sim, os equipamentos de radiocomunicação ou que emitem sinal de radiofrequência precisam ser homologados pela Anatel, dessa forma fica garantido que estes aparelhos não darão interferências em outros equipamentos e em outros serviços.

Ser radioamador é útil para a atividade sobrevivencialista?

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Extremamente útil. Uma das principais evoluções da humanidade foi adquirir a capacidade de se comunicar a longa distância. Conseguir enviar a informação e se comunicar com outras pessoas, informar situações, noticias, soluções para problemas, receitas de remédios etc, é algo importantíssimo em uma situação de crise. E saber fazer isso sem depender de qualquer sistema público de comunicação é ainda mais importante, pois em situações de crise, onde não se tem fornecimento convencional de energia elétrica, onde as redes de telefonia móvel e fixa entram em colapso, o radioamador com seu equipamento preparado e com o conhecimento necessário poderá ser o único elo de comunicação com o restante do mundo, como já ocorreu diversas vezes desde o surgimento do radioamadorismo, inclusive aqui em nosso país.

Rádios mais baratos como o Baofeng e outros chineses prestam ou não?

Rádios de baixo custo e de segunda linha como os Baofeng´s e outras marcas que compramos por um preço bem mais em conta são muito úteis para nossas atividades. Apesar de não ter a mesma qualidade dos equipamentos mais caros e de marcas mais tradicionais, eles tem evoluído muitos nos últimos anos.

Podem ocorrer problemas, principalmente com a recepção em áreas urbanas ou com mais poluição eletrônica onde estes equipamentos perdem sua capacidade de receber sinais fracos.

Porém muito úteis para atividades ao ar livre, como acampamentos e expedições, podem ser usados inclusive para operações via satélite para radioamadores e alguns deles podem ser homologados pois atendem os requisitos da FCC e da CE.

AUTORES DESTE TEXTO:
Augusto – PR8MET
Billy – PY2LCD
Claudio – PY9MT
Richard – PU5KGB
CDR Group – Radioamadorismo Sem Fronteiras – http://www.grupocdr.com.br

 

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12 Comentários

  • muito bem esclarecido ……Parabéns de PU2 OKC Ricardo

  • Radioamadorismo é algo fascinante com possibilidades infinitas de modalidades e forma de operar, é um passatempo, diversão, necessidade nas horas de calamidades, porém no Brasil pouco difundido e com pouca credibilidade, mas na hora que se precisa estamos ai. Parabéns a oportunidade de poder explicar um pouco do radioamadorismo aos interessados.

  • Excelente material sobre radioamadorismo. Vinde de um dos melhores grupos CDR Group… parabéns

  • Gustavo de Aquino Marques

    Muito fera esse texto, tudo a ver com o sobrevivencialismo, todos deveriam ter uma estação de radioamador em casa, mesmo sem sinal de internet, celular, telefone ou até mesmo sem energia elétrica, vc ainda consegue se comunicar via radioamador… Forte 73 a todos PY2MSR

  • Luciano Miguel Diniz

    Muito bom parabéns PU2OAL LUCIANO

  • Parabéns pela matéria, PY3MU

  • Ótimo texto, até então um assunto pouco discutido pelos sobrevivencialistas brasileiros mais que é de extrema importância.

  • Paulo E. da Costa

    Grande texto. Esclarece muito bem todas as questões. Parabéns aos autores.

    Um abraço de PU3PEC.

  • O texto explica de forma simples, curta e clara como é o Radioamadorismo.
    Parabéns aos autores por esse brilhante trabalho. Vai servir de alicerce para balizar àqueles que tem interesse por esse mágico segmento das Comunicações e da Eletrônica.
    Sebastião – PY2KEY

  • Welthon Tavares

    Muito bom, e o Sobrecast sobre o assunto?

  • Benhur E Godinho

    Parabéns pela matéria sobre radioamadorismo.

  • J. C. de Oliveira

    O texto ficou ótimo! Parabéns!

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