Nossa entrevista no Domingo Espetacular – Comentários

Neste domingo (04/03/18) tivemos a oportunidade de demonstrar alguns conceitos do sobrevivencialismo em TV aberta no programa Domingo Espetacular… Mas será que valeu a pena? Vamos conversar sobre isso hoje.

Antes de qualquer coisa, se você não viu a entrevista dificilmente vai entender o que conversaremos aqui. Para isso não acontecer, clique aqui para visualizar a reportagem completa.

Dito isso, agora podemos começar.

Um foco diferente… Finalmente!

Se você acompanha nosso trabalho há alguns anos você já conhece nosso histórico com a grande mídia. Em 2012, por exemplo, o SBT Repórter conseguiu inserir o Sobrevivencialismo no meio de pessoas com planos conspiratórios que beiravam um seriado de comédia, onde mesmo com um discurso permeado de bom senso ficou difícil parecer são (diga-me com quem andas que direi quem és, não é isso? rs).

Achei o programa no Youtube caso você não tenha visto, contudo a qualidade está bastante baixa:

Se você não havia visto essa reportagem, provavelmente está com um sorriso amargo na cara, não é? Então, eu também. A história de fim de mundo persistiu por longo período nas mídias e sempre que comentávamos sobre preparação contra desastres e autossuficiência surgia algum comentário depreciativo ou daqueles que quer me convencer a colocar o chapéu de alumínio na cabeça (não preciso nem falar de zumbis aqui).

Mas, por sorte, o tempo passa e as pessoas esquecem. Esta reportagem que demos para o Domingo Espetacular conseguiu, apesar de puxar o gancho apocalíptico, manter a essência da conversa, que é bastante simples: O Brasil não anda bem e é importante estar preparado para situações de emergência.

Isso foi muito bem clarificado também por conta do discurso do Márcio “Batata”, do portal Guia do Sobrevivente. Como sobrevivencialista focado em homesteading ele teve a oportunidade de mostrar que com ações simples podemos criar recursos em nossa própria casa, reduzindo nossa dependência do sistema (Parabéns Batata!).

Visto que o foco dele era esse a produtora nos pediu para abordar uma ótica diferente, então ficamos responsáveis por mostrar o que deveria ser feito caso você tenha de deixar sua casa em uma situação inesperada de emergência. Infelizmente muito do que falei foi cortado por questões de tempo, mas acredito que ainda assim mostramos que é possível sobreviver em ambientes remotos e selvagens.

Por fim, uma mensagem que mostrou que talvez esta visão de vida não seja tão estranha e louca.

A comparação com o Clodovil

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Quando vi a entrevista achei que comparar os sobrevivencialistas com Clodovil pode parecer muito infeliz, mas depois de pensar bastante sobre isso pude observar alguns pontos que talvez sejam positivos.

A “massa” – e não digo isso de forma perjorativa – não se espelha em desconhecidos. O brasileiro que tem como principal fonte de informação a TV aberta não vai ficar cativado por um guri de cavanhaque que apareceu por 10 minutos em uma reportagem… Mas talvez se houver algum famoso que ele já conhece que faz a “mesma coisa” o negócio pode ficar mais interessante.

Ao mostrar que pessoas famosas (ou ex-famosas no caso do falecido Clodovil) também estão preocupadas em se preparar para emergências – mesmo de forma duvidosa – a matéria pode ter gerado interesse em pessoas que não viam sentido nenhum na prática.

“Se o famoso faz, eu acho que tenho que fazer também”. Eu sei, motivo esdrúxulo, mas se serve para salvar vidas… Eu posso viver com isso.

O comentário da Psicóloga

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Curiosamente fui apresentado como empresário na reportagem, mesmo tendo dito que minha formação é a psicologia, mas isso não vem ao caso. Só digo isso pois achei curioso chamarem uma psicóloga para comentar sobre uma prática que ela provavelmente não tem muito conhecimento. Como você já sabe, quando falamos sobre algo que não conhecemos vamos, com certeza, falar burradas.

Em defesa da profissional eu acredito que ela foi convidada para a entrevista, recebeu a pauta por cima e fez seu comentário baseando-se nas informações que possuía. O Sobrevivencialismo não é algo simples de entender, então por isso dou um desconto para ela… MAS…

O comentário da profissional mostra o quanto estamos doutrinados a pensar em coletivismo. Sim, somos seres sociais, sim, precisamos de uma sociedade e relações entre grupos para continuar prosperando… Mas qual é o problema de adotar ações individuais para garantir a minha segurança? Não é difícil perceber como o discurso sempre tende a valorizar o social e não o indivíduo.

Eu não sou sociólogo e não entendo bulhufas das teorias da área, mas até onde entendo, quanto mais autossuficientes são os indivíduos de uma sociedade, mais propensa ao crescimento ela fica, não é? Essa é a lógica da medicina preventiva… Então porque não estender isso para o resto?

Se o João tem 3 meses de comida, planta, tem meios de defesa, planos de emergência e mora em um bairro onde o José, a Maria, a Mathilde e o Valdevino também fazem o mesmo, não seria este um bairro mais forte a diversos fatores que vão de desastres naturais até violência urbana?

Uma conclusão simples

Sem título

Apesar dos diversos “poréns”, toda exposição dessa forma de pensar é válida. Se entre os milhões de telespectadores UM se interessou e foi atrás do conteúdo verdadeiro, o esforço valeu a pena.

Temos muitos outros desafios como estes pela frente, então gostaria de saber a sua opinião e se estou equivocado na minha visão. Estar na frente da câmera me imbui de muita responsabilidade e preciso sempre de feedbacks para saber se não estou saindo dos trilhos da lógica.

Até.