SHTF School: Como planejar sem ter preparações

Eu recebi uma ótima questão recentemente e pensei que poderia respondê-la com um artigo. O e-mail foi esse:

“Eu tenho lido este site pelos últimos anos, mas apesar disso não me sinto um sobrevivencialista, eu leio o que você escreve porque quero conhecer sobre tempos de guerra e semelhantes… Minha questão é simples, você pode dar alguns conselhos sobre o que fazer em caso de uma crise sem que eu precise me preparar por anos ou construir um grupo e coisas do tipo? E se a crise acontecer amanhã e eu não tiver nada disso?”

Olhando de forma superficial pode parecer uma questão simples, algo que qualquer um de nós que já somos preparadores pode responder facilmente, mas, novamente, nós estamos falando de um homem que não quer saber de nada disso.

Então… O que fazer?

Livros inteiros são escritos para responder isso, então vamos tentar focar no mais essencial e básico possível do assunto.

O que está acontecendo?

Você vê que algo está acontecendo, algo grande. Vamos imaginar que você vê que uma mensagem de emergência na TV, vê muitos policiais e militares nas ruas e não sabe mais nada além disso.

Agora, neste momento, você precisa tomar decisões importantes. Você precisa tomá-las baseadas no que você sabe, então obviamente quanto mais informação você conseguir, melhor serão suas decisões.

Contudo, dois pontos importantes que você precisa saber são:

1. Não importa qual a real razão para a crise na sua região. existem alguns elementos em comum que acontecem em qualquer crise, em qualquer lugar no mundo – seja um ataque terrorista, um pulso eletromagnético solar ou alienígenas atacando.

Pânico, desordem, rumores, saques e caos. Então não fique esperando coletar informações o suficiente. Não espere para descobrir o que  realmente está acontecendo ou as razões disso. Apenas esqueça o “porque” neste momento e entre em ação.

2. Colete informações nos seus pequenos círculos. Isso significa que você não precisa saber porque alguém está saqueando casas da rua atrás da sua, porque a polícia está em grandes números nas ruas, porque não há sinal de TV e porque existem focos de fumaça aparecendo ao longe no centro da cidade.

O que você precisa saber é como evitar os vândalos, que tipo de força policial está andando pela rua e que rota de futa você pode usar que passará bem longe da fumaça que você vê no centro da cidade.

Não me entenda errado, saber o que e porque as coisas estão acontecendo é muito bom, mas esperar demais para descobrir é algo ruim.  Solucione as coisas com pequenos passos.

O que realmente eu posso fazer?

Volte ao básico. Fique longe de problemas.

Nós dissemos que neste cenário você não é preparador e mora na cidade, então vamos focar nisso.

Acesse sua situação e aja. 

Sua “sorte” é que provavelmente neste momento as pessoas vão estar muito mais focadas em roubar televisões e notebooks do que alimentos ou ferramentas para defesa.

Se organize por meio de simples categorias, nós tipicamente temos SETE prioridades de sobrevivência.

  1. Fogo
  2. Abrigo
  3. Água
  4. Comida
  5. Comunicações
  6. Medicamentos
  7. Defesa

Tente cobrir cada uma dessas prioridades o máximo que você puder.

Novamente, não perca muito tempo pensando em suprir isso e de repente se encontrar no meio do olho do furação.

Como você não é um preparador e pode estar no meio do teu turno de trabalho quando a crise acontecer, olhe em volta e veja o que você pode usar para cobrir cada uma dessas prioridades.

  • Para fogo você pode ter apenas um isqueiro, mas, por agora, esta prioridade está coberta;
  • Para água você pode por exemplo colocar várias garrafas de água na sua mochila;
  • Para abrigo você pode pegar mais algumas jaquetas ou até mesmo sacos de lixo;
  • Para comida você pode pegar os lanches na geladeira e qualquer outra comida que esteja disponível;
  • Para comunicações você poderá levar o celular contigo –  e torcer que haja sinal;
  • Para medicações você pode “emprestar” o kit médico da sua empresa ou ao menos improvisar algumas bandagens com tecidos de casacos de colegas e afins;
  • Para defesa você pode pegar algumas facas da cozinha ou simplesmente quebrar uma cadeira e usar uma de suas pernas como bastão.

Pronto, todas as prioridades foram cobertas. Sim, pode ser super precário, mas improvisar e adaptar é a chave.

Para onde ir?

Ficar em casa ou ir embora? Apenas se afaste da bagunça, só isso.

Nós estamos falando sobre a cidade aqui neste caso, então a possibilidade é que você terá de sair. Mais pessoas, mais problemas.

Mas a primeira coisa que você precisa ter em mente não é correr da cidade, e sim escapar de encrenca (pense em ações de pequenos passos). Rory Miller diz de forma bastante simples: “Não corra do perigo, corra para a segurança”.

Isso significa que se você precisar se esconder em um prédio corporativo, em um ônibus capotado ou qualquer lugar no meio da cidade por dois dias para que possa sair para o campo de maneira segura, você fará isso.

A primeira e mais imediata tarefa é ficar longe de (e evitar) problemas no seu objetivo de abandonar a cidade.

Talvez você tenha de passar semanas se escondendo em algum lugar na cidade, esperando o momento certo para sair. Você não tem como saber.

O ponto aqui é evitar qualquer chance de problemas e se adaptar de acordo com a situação.

 

Regras

O melhor conselho que posso dar para você é que simplesmente não há regras, mas algumas coisas são comuns à todas situações, então:

  • Fique com o seu plano até o momento em que se torne perigoso seguir o plano. Ao chegar neste ponto você deverá improvisar, adaptar e modificar seu plano. Esteja preparado para ver seu plano desmoronar logo no começo;
  • Violência. Fuja da violência, simples assim. Violência significa que você tem chances de se machucar ou morrer. Se você morrer, fim da história. Se ficar machucado terá muito mais problemas, lembre-se que até um pequeno arranhão pode te matar em um mundo sem estrutura;
  • Violência, de novo. Quando não existir outra forma a não ser a violência, use-a de maneira rápida e eficiente, sem hesitação ou regras. Você pensará/sofrerá sobre o que teve de fazer depois, quando estiver vivo;
  • As coisas poderão não ser o que parecem. A polícia poderá não ser a polícia, a lei não será mais a mesma, roubar não terá o mesmo sentido e a honra não existirá. A sobrevivência muda isso tudo/
  • Priorize. Um colapso sistêmico, especialmente em seu começo, apresenta muito caos e logo muitas distrações em sua ação planejada. Sempre tenha em sua mente qual a sua prioridade no momento dado. Se deslocar do ponto A ao ponto B pode parecer fácil hoje, mas em uma crise você poderá encontrar eventos, problemas e obstáculos no caminho que poderão deixar seu progresso muito lento;
  • Não se encontre empurrado para situações. Por exemplo, ir à uma farmácia pode ser uma ótima ideia para encher seu kit médico, mas também pode ser uma chance de ser esfaqueado por drogados. Escolha sabiamente quais “distrações” você considera que serão mais interessantes.

Conclusão

Como você pode concluir, o conselho para um não preparador seria desenvolver um plano de ação. E obviamente, que este plano não seja sair correndo como um idiota e ser morto.

Algumas vezes tudo o que você precisa é vontade de sobreviver, e, baseado nisso você irá se adaptar e construir seu plano.

Você já teve de lidar com situações sérias sem tempo para se preparar para elas? Compartilhe seus relatos e lições aprendidas nos comentários abaixo.

As you can conclude, for non prepper advice would be develop some plan and act. Also that does not mean that plan is to run like an idiot and get yourself killed.

Traduzido e adaptado do blog SHTF School.

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16 comentários

  • Reinaldo Junior

    Bem interessante, Julio! Normalmente as crises não avisam que estão chegando e nos pegam desprevenidos. Elaborar um plano de ação e improvisar.

  • Para sempre lembrar das SETE prioridades, monte esse esquema:

    FACA MDC (em MDC lembre de Máximo Divisor Comum).

    Assim, sendo:

    F = Fogo
    A =Abrigo
    C = Comida
    A = Água
    M = Medicamento
    D = Defesa
    C = Comunicação

    • Gostei do “bizu”.

  • Realmente o que conta é ter a “atitude de preparação” como o colega citou, pois por mais bem preparada que seja sua casa ou refugio, por mais ferramentas e estoques que você tenha, você nunca sabe onde vai estar e quando as coisas vão sair do controle, sendo assim, você precisa ter sua mente e seu corpo treinado sempre.

  • Muito bom! Tira um pouco da ansiedade de muitos que querem adentrar no espírito e movimento sobrevivencialista, mas tem medo de “não dar tempo”. Um pocket manual! Valeu! Inté!

  • Texto muito legal mesmo. Eu também tinha uma visão assim. Nao queria ser um sobrevivencialista ou preparador ao extremo. Me considero mais um precavido para algumas situações. O que posso deixar de dica por mais que nao seja experiente no assunto. É que podemos tomar medidas pequenas e simples que poderão nos ajudar em algum momento. Ex. se preocupar primeiramente o que de fato pode vir a ocorrer em seu ambiente. Enchente? Roubo? Deslizamento?Crise financeira?Falta de abastecimento de comida? um Ex na minha cidade tivemos um momento que sofremos com falta de combustível e de gas de cozinha. Hoje o que eu faço. Possuo dos botijões de gás, quando acaba um já solicito o outro porem em uma nova situação de emergência já estarei preparado por mais um período. Assim como combustível evito andar abaixo do meio tanque, pois caso acabe o abastecimento ainda tenho combustível para alguma emergência. Nada de radical de meses ou anos de estocagem, como disse apenas precavido. E com isso você começa planejar outras situações como alimentação, água e assim vai evoluindo ao poucos.

  • WarthogHunter

    Básico do básico: Tenha em casa além do consumo normal tenha também como reserva 20kg de arroz, 10kg de feijão, 10kg açucar, pelo menos 2 butijões de gás, 10 pacotes farinhas tipo neston, 10 pacotes de leite em pó, pelo menos 2 cx d’água de 1.000 lts. E se possivel uma arma curta 38 com pelo menos 200 munições em estoque.
    Inicialmente terá comida basica, água e defesa.
    Racione tudo, fique em casa com luzes apagadas e janelas veladas para não chamar atenção.
    E aguarde as coisas se acalmarem, se consolidarem ou voltarem ao normal.

  • carlossilvapb

    A preparação não está na quantidade e qualidade de itens que você tem a sua disposição. Está na maneira de agir quando houver alguma confusão. Todo preparador deve estar ciente que, no caos, por melhores que sejam seus recursos e seu refúgio, tudo pode dar errado e você pode ser pego sem NADA à mão. Imagine, por exemplo, que você precisa fazer uma viagem de avião. Com toda a certeza seu EDC não passaria pela segurança dos aeroportos. E, dependendo do lugar para onde você fosse viajar, nem adiantaria colocar na bagagem despachada, que pode ser revistada. Se algo acontece no local para o qual você viajou, estaria tão “despreparado” quanto o sujeito que motivou o texto acima. E, ainda por cima, longe de seu ambiente normal. Aí é que a atitude de preparação faria TODA a diferença. Todos os preceitos da preparação continuam válidos. Ser discreto, estabelecer prioridades, evitar confusões estar em boas condições físicas e, principalmente, estar atento à todos os aspectos relacionados à possíveis eventos que podem provocar uma SHTF.

    • Demóstenes Jr.

      “atitude de preparação” – com estas palavras o sr. fez a síntese do melhor uso do conceito e de tudo que foi dito, excelente!

  • Demóstenes Jr.

    Selco sempre ajudando os outros a sobreviver, essas 7 prioridades são uma chave mestra para tudo, só discordo do celular, é inútil em uma crise e dependendo do modelo é um ímã para ladrões, melhor um rádio portátil multibanda para captar notícias e rádio amadores por aí.

    • Talvez um celular não seja tão inútil quanto vc acha, pelo menos enquanto este estiver com carga. Celulares mais modernos tem o recurso lanterna que pode ser bem útil, mesmo durante o dia como no caso se vc precisar adentrar em uma edificação sem iluminação por exemplo, vc pode carregar seu celular com informações úteis numa crise, vc pode usar o aplicativo de mapas do seu celular para traçar uma rota por exemplo, antes que todas as linhas caiam vc pode usar o celular para entrar em contato com pessoas importantes, se o seu celular possuir o aplicativo de rádio vc pode ouvir as rádios locais para coletar informações. Basta saber como e onde tirar o celular do bolço. Sem contar que um celular é compacto e discreto ao contrário de muito rádios e comunicadores, e outra, se decidirem te roubar e vc estiver com um rádio/comunicador o roubarão de vc do mesmo jeito que roubariam seu celular.

      • Demóstenes Jr.

        Concordo e agradeço seu comentário, mas o rádio a que me refiro é dos pequenos que usam 2 pilhas AA que gente simples usa encostado ao ouvido para ouvir suas partidas de futebol, nada que não seja fácil de encontrar em camelôs por R$19.00 ou um AM/FM/SW de 5 bandas por R$60 ou menos, não é um rádio comunicador nem px faixa do cidadão, acho que me expressei mal. O melhor celular que usei foi o Nokia 1208 com lanterna led muito resistente a quedas, mas ele queimou a pouco tempo, uso hoje um Motorola C168 antigo com FM que nunca dá defeito e tive um Nokia X2-01 onde fiz tudo que se possa imaginar com seu Bluetooth (o único que me furtaram), quaisquer modelos sem créditos são inúteis, além de precisarem da rede que vai cair em algumas horas pela falta de energia ou sem ninguém para operá-las.

        Acho que o perfil de quem perguntou isso a Selco está mais para esses zumbis que só tem um braço (por que o outro sempre está segurando o aparelho) e que caminham olhando a tela do smartphone esbarrando em postes, caindo em buracos, sendo atropelados ou roubados o tempo inteiro. Gosto do conceito de “tudo em um”, mas é o mesmo que por todos os ovos em uma só cesta e penso que aparelhos o quanto mais modernos forem pior será, tenho cultura tecnológica mas não confio inteiramente na tecnologia, hoje eu aposto em 3 ou 4 itens pequenos separados cada um com uma ou mais funções, ao contrário do personagem do texto eu me acostumei a portar um EDC todo o tempo e sem eles posso usar coisas ordinárias de forma criativa, sou fã do MacGyver.

  • Um dos melhores textos dele.

  • Muito bom o texto, Muito obrigado!

    Ataques alienígenas só em filmes da Marvel por enquanto.

    Abraços

    • Tecnicamente é possível. Misticóides têm o hábito de imaginar hipotéticos aliens como seres iluminados, superiores e que viriam para nos elevar. Quando peno nesse tema penso nos Incas….só que NÓS seriamos os incas dessa vez…e os aliens seriam os espanhóis. É quase impossível que não exista vida abundante no universo. Penso que o que nos protege são as enormes distâncias e as leis da física, somadas aos rigores das viagens espaciais. Nesse ponto, penso que o velho Carl Seagan pisou na bola ao enviar nas Voyager um mapa ensinando como chegar aqui….rs

  • Leiam: “E se os humanos sumissem?” https://www.oficinadanet.com.br/post/14611-e-se-os-humanos-sumissem

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