[18+] SHTF School: Três coisas que você precisa saber sobre matar

Existem algumas coisas que precisam ser entendidas se você for forçado a matar alguém ou se alguém está tentando te matar. A maioria das pessoas não sabem delas mas é importantíssimo entendê-las.

Nota do tradutor: Para aqueles que não conhecem, o Selco é um sobrevivente da guerra que ocorreu na Sérvia em 1990. Ele passou um ano em uma cidade completamente sitiada onde as pessoas faziam de tudo para conseguir recursos e sobreviver à violência enorme dos militares e dos criminosos. 

Peço atenção aqui – Não posso recomendar que pessoas sensíveis ou menores de 18 anos leiam este texto. O conteúdo é bastante pesado e se você não quer entender a crua realidade que o Selco viveu ou é muito sensível, não passe deste ponto. Se você for um sobrevivencialista e que entende que em momentos de crise temos de fazer o que for necessário, continue. Eu avisei.

Como eu já disse muitas vezes antes, a maioria das pessoas nunca enfrentou violência real antes. E eu me refiro a matar ou lutar pela vida. Isso é ótimo, afinal, vivemos em uma sociedade onde essas coisas não são necessárias.

Por outro lado, pelo olhar da sobrevivência, se você não passou por episódios de violência séria antes você não tem experiência o suficiente e não saberá o que esperar quando uma crise acontecer. Este texto é para tentar auxiliá-lo a ter uma melhor noção.

Matar uma pessoa é fácil ou difícil?

Adivinha? As duas coisas.

Antes de tudo, esqueça sobre as cenas de filme onde as pessoas estão voando dez metros para trás quando você atira nelas com sua pistola. Tem muito exagero ali.

Quando você atira em um homem em uma curta distância algumas coisas podem acontecer.

Em alguns casos ele pode apenas cair (como se desligasse) e pronto, é isso. Ele se foi. E o mais interessante que posso dizer da minha experiência é o som da queda de um corpo. É algo como um grande saco cheio de alguma coisa molhada com pedaços duros. É basicamente o que o nosso corpo é.

É um som especial e se você ouvir ele vai lembrar pelo resto da sua vida.

Vamos dizer que um tiro bem posicionado, distância certa, quantidade de disparos, seu treinamento e calma fazem isso acontecer.

Em outros casos você pode se encontrar em uma situação onde o agressor está vindo para cima de você rapidamente, você continua atirando nele, a distância é bem curta e nada acontece… Ele ainda está chegando, você atira, atira, grita ou apenas pensa que está gritando, algo alto continua explodindo seu ouvido e você não sabe nem se sua arma está disparando, algo talvez esteja errada com ela, o cara está chegando mais perto, ele tem uma faca enorme… “Que !#$% está acontecendo? Eu vou morrer? Deus? Mãe?”

E de repente, ele cai.

Aquele cara foi difícil de matar? Sim, mais tarde você descobriu que atirou nele seis ou sete vezes mas não nos lugares certos. O cara era grande e a adrenalina fez ele esquecer da dor.

Os dois exemplos são experiências reais. Existem muitos fatores que podem entrar em jogo nisso.

Então para responder a pergunta deste tópico eu sugiro uma fórmula simples. Se você for forçado a matar alguém, considere o fato de que uma série de fatores precisa estar de acordo para você conseguir isso, mas se está em uma situação onde alguém está tentando te matar, aja como se você fosse muito fácil de morrer.

Há um longo, longo tempo atrás, quando eu era um iniciante em algumas coisas e não sabia nada sobre violência (e estava claro que eu teria de enfrentá-la), um cara velho me deu um conselho, ele tinha uma pistola e um carregador extra.

Ele disse: “Ok, quando ele estiver vindo para você, você descarrega nele” Eu perguntei: “e o que eu faço depois?” Ele disse: “então você recarrega e esvazia o outro carregador nele também”. Eu perguntei: “Os dois carregadores?” Ele disse: “Os primeiros dois disparos devem fazer o trabalho, mas você precisa se garantir”.

Matar é um trabalho sujo.

Razões para a violência

Tópico gigante. Mas vamos falar sobre o básico, sem entrar muito fundo em filosofia. Muita violência será “compreensível” de certa forma, em uma crise. Luta pela comida, água, terra e etc. Você como sobrevivencialista deve estar preparado para isso, faz sentido esperar que isso vá acontecer.

Mas muitas pessoas tem problemas em aceitar a violência que acontecem sem nenhuma razão real.

De fato, como eu mencionei antes, muitas pessoas estão apenas esperando para uma crise acontecer para se tornarem violentas. Assassinar, estuprar, torturar, sequestrar…

Você pode chamá-los de pessoas doentes, o que eles são com certeza. Mas mais importante é entender que hoje eles são os caras que bebem cerveja no barzinho da cidade ou o cara que é seu amigo próximo e vai na sua casa algumas vezes.Ou talvez até o seu tranquilo e pacífico vizinho.

Quando uma crise acontece, todo tipo de lixo rasteja para fora do buraco. Aceitar violência em geral é algo difícil, mas dar um sentido ou razão para ela deixa isso mais fácil. Ainda assim, você não pode esperar que este seja o caso.

Prepare sua mente para isso.

Aceitando a violência

Você talvez tenha a sorte de viver tranquilamente depois de ver, experimentar ou cometer violência. Talvez você tenha sido construído para isso. Talvez você seja um daqueles que as pessoas chamam de “Homem forte”, duro do lado de dentro e do lado de fora, mas… Talvez não seja.

Eu lembro de cada homem que morreu na minha frente ou perto de mim. Eu lembro dos sons, cheiros e imagens.

Eu esqueci nomes, anos, datas e lugares. Mas eu lembro do momento quando a vida deixa os olhos de um homem morrendo. Ou o último suspiro de várias pessoas. Ou o simples cheiro de fezes quando um homem morre.

Algumas vezes eu achei ter sentido uma sensação estranha, alguns segundos depois do último suspiro de um homem, algo como se eu conseguisse sentir a alma dele deixando o corpo. Ou talvez apenas senti a minha adrenalina subir, ou estivesse perdendo minha sanidade por um momento… Quem saberá?

Com o tempo você aprende a lidar com essas coisas, ver as pessoas morrerem, seja aqueles que você ama ou pessoas que morreram pela sua mão.

Há um mito urbano que um oficial do exército perguntou algo como “Capitão, nós matamos grande parte daqueles garotos jovens e só sobraram algumas crianças que nem sabem o que estão fazendo, o que faremos com elas?”

O oficial disse: “Faremos o que nós fazemos, é o nosso meio de vida”.

É a morte. Você não tem outra alternativa a não ser aprender a lidar com ela.

Traduzido e adaptado do blog SHTF School.

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26 comentários

  • Bom, deixando minha contribuição, o texto é realmente excelente. Para todo sobrevivêncialista, acredito que esse eh o momento mais evitado e hora ou outra podemos ser forçados a enfrentar essa situação. Acredito que evitamos justamente com nossa preparação. Em um cenário de caos, o que queremos mesmo eh poder ter tempo de recolher nossas provisões e se deslocar para o abrigo de emergência. Esperar alguns dias até que o grande boom de instale e daí ver todas seguras para a aquisição de mais suprimento. Acontece que nem sempre o ideal acontece ée eu tento “fabricar” ou trabalhar uma força psicológica em mim para não exitar neste momento(que pode ser decisivo entre vida e morte) e conseguir ir adiante nem que seja por vinte minutos ou até estar longe do perigo novamente. Acredito que todos aqui do utilizarão suas munições em caso de necessidade. Bom, o que quero dizer em que o principal trabalho neste assunto, creio eu, é o trabalho psicológico. Até porque, você pode se ver forçado a atirar em um amigo ou conhecido que não aguentou o tranco, pirou e pode estar atacando a você ou sua família. Ojalá não precisemos.

  • KARLOS HEVERTON

    de 2 ou 1 ou é vc ou ele

  • Rafael Abreu

    Alexandre Ribeiro concordo contigo. Mais matar um galo ou galinha pra mim e simple pq quando eu tinha uns 3 a 5 anos meus pais, e tios criavam galinha e matavam pra comer depois e meu avo tinha uma criacao de cobras de todo tipo. Mas hj n tem mais nada disso

  • matar não é fácil, mas como foi dito pode ser necessário, trabalho a 19 anos como profissional de seg. publica, acredito que já vi e vivi mais da violência do que gostaria, o que posso dizer…
    a gente se acostuma, tudo vai do momento, da necessidade e principalmente da vontade de permanecer vivo.
    para aqueles que consideram tirar uma vida uma coisa simples, e em se tratando de um blog que trata de sobreviver eu sugiro uma experiência. comprem um pinto e criem ele até a idade adulta dentro da sua residência, junto da sua família e depois de alguns meses matem o animal e preparem a sua refeição com ele, depois sirvam-se da sua carne, acredito que para alguns aqui essa simples ideia soa como uma coisa doentia, mas fiquem sem comida por uns dias e depois olhem novamente para o frango, tenho certeza que até a luiza Mel pensaria no bicho com batatas num caldo quente e gorduroso, os escrúpulos caem por terra quando sobreviver falar mais alto

    • Elias Torres

      Sinceramente, não entendi a experiência. O que tem haver matar uma ave ou outro animal que criei com matar alguém? Concordo que matar é sim situação extrema, por isso muitos morrem mesmo podendo se defender.

  • Rafael Abreu

    Mas para matar , e claro que prefiro a fazer isso a longas distancias pois nao quero me por em risco, e sei que em um combate proximo eu estaria em desvantagens, ainda mais porque no momento em que eu atacar ou ser atacado o inimigo pode ter aliados para o proteger, entao sempre vou procurar situacoes e maneiras rapidas e seguras de fazer isso, e caso eu seja atacado em grupo e nao tenha pra onde fugir o que posso fazer e identificar aquele que vai atacar me primeiro e tentarei lhe causar os maiores danos possiveis e de forma muito visivel ao seu grupo, pois fazendo isso pode causar medo aos agressores e pode fazer com que recuem possibilitando me uma fuga. Mas para eu poder atacar vou procurar alguem que me de cobertura.

  • Rafael Abreu

    Na verdade eu matar como uma necessidade em uma crise, e claro que n vou sair por ai matando todos, mas eu vou procurar eliminar vermes da sociedade como bandidos, estrupadores e assassinos que matam todos que encontra so por diversao. Tenho apenas 16 anos mas tenho certeza de que estou com a minha mentalidade esta preparada para o pior e o que for necessario. Meu primeiro objetivo e procurar recursos que me protejam e que servem para muitas utilidades e isso inclui achar uma arma branca ou arma de fogo, e procurarei elimanar na primeira oportunidade os “vermes” que encontrar em meus percuso para lugares seguros.

    • Só eu acho preocupante uma criança de 16 anos dizer “procurarei elimanar na primeira oportunidade os “vermes” que encontrar em meus percuso”?

      • Também me preocupa, até porque qual o conceito de ‘vermes’ ???? Um bando de bandidos vai considerar como ‘vermes’, qualquer um que não faça ou não esteja no grupo deles, um grupo de sobrevivencialistas pode considerar como ‘vermes’ e indignos de viver qualquer outra pessoa com recursos, os militares durante a ditadura militar consideravam como ‘vermes’ os estudantes que protestavam nas ruas, isto é uma justificativa muito banal e subjetiva para atacar uma pessoa…. Além do mais, a realidade é que bandidos, marginais e policiais, em termos de violência, vão estar muiiiiiiiiiiiito mais preparados (psicológica e materialmente) para enfrentar uma situação de crise e extrema violência…

      • Mais estranho ainda é saber que tem gente que se achar preparada “para o pior que for necessário”, tem veterano de guerra passando perrengue, não acho que seja certo deixar um comentário dessa patente.

    • Gustavo Lanes

      Não que eu queira ser moralista ou questionar sua filosofia de vida, ou de morte – a sua no caso -, mas tem certeza que planejou isso direito? Como pretende eliminar a escória da humanidade? O quanto sabe usar armas? Já matou alguém? Tem alguma experiência em combate? Quando você se expõe ao perigo é apenas questão de tempo até algo dar errado. E se você torcer a perna num tiroteio ou fuga? E se estiver tão preocupado com um grupo à duzentos metros que não perceba um cara no andar de baixo do seu prédio? E se ficar doente e precisar de medicamentos e tempo pra se recuperar? Na vida real não existe cura instantânea juntando duas ou três plantinhas, nem spray mágico que cura tiros. Uma lesão na perna ou braço e você não pode correr ou atirar, um tiro no lugar certo e você vira estatística quando muito. Talvez não tenha pensado nisso, mas você vai estar procurando exatamente os caras mais experientes em matar. A propósito, como pretende distinguir os “vermes” de alguém procurando pão pros filhos? Acha que vai ativar a visão de águia e enxergar os inimigos em vermelho e civis em azul através das paredes? O único modo de ter certeza é se expor. A melhor forma de fazer alguém mostrar o que realmente é é dando poder à ele. Aquele cara que você salvou ou que ajudou você ou simplesmente passou reto por você podem te matar na primeira oportunidade, por isso são chamados de oportunistas. Eu não tenho nada a perder com isso, mas você tem, então sugiro que pense melhor sobre o assunto.

    • Rafael Abreu

      Po pessoal desculpa ae se vocês me entenderam mal, não me expressei bem aqui. No caso de matar eu mataria aquela pessoa que eu tivesse certeza de que era uma pessoa muito ruim(tipo eu preciso ver ela fazer ruindades com meus próprios olhos, pois não confia na palavra de ninguém. [Respondendo a Welthon e Gustavo Lanes].). Bem e [Gustavo Lanes] No caso eu nunca iria enfrentar um grupo maior que três pessoas, pois sei que no máximo que eu talvez possa dar conta seja duas pessoas, e nessa parte onde você fala “E se estiver tão preocupado com um grupo à duzentos metros que não perceba um cara no andar de baixo do seu prédio”, como eu já disse eu não enfrentaria 200 e também quando não quero que ninguém me descubra aonde estou ou quando estou preocupado com outras coisas e não quero que ninguém chegue de fininho, eu sempre boto uma armadilha sonora(Exemplo usar uma corda ou linha transparente com latas ou penduradas com pedras dentro ou algo que faça barulho para fazer ruídos altos caso alguém vier por trás.) e também como eu disse eu estaria com alguém na cobertura e no máximo eu enfrentaria dois a longa distancia pois corpo a corpo não me dou bem de jeito nenhum.. E sobre experiência com armas de fogo, sim eu tenho com algumas armas, mas não prefiro citar quais e também sei onde tem uma loja especializada em armas na cidade vizinha bem perto que fica uns trinta minutos de carro e eu sei dirigir então seria fácil. Também escrevo aqui que não pretendo eliminar a escória da humanidade apenas o a escória do meu local para evitar que eles possam fazer mal a mim ou mais alguém no meu local atual ou local de fuga e esconderijo. E não nunca matei ninguém. (Mas a mentalidade das pessoas hoje em dia dos jovens veem isso como uma simples tarefa sem remorsos por nada, porque o coração de muitos já se esfriou.(Pra deixar claro aqui eu não acredito em cura milagrosa tipo ervas e spray como você falou e sei bem os riscos que corro por tentar matar alguém, não quero que vocês me vejam como alguém doentio isso é apenas a realidade de muitos jovens no mundo todo.) [Respondendo a Dom Lobo] Po cara hoje em dia acreditar nesse negócio de idade não significa nada porque os jovens hoje tem acesso a todo tipo de informação. Sem querer ofender ninguém aqui, pois respeito a todos e me expressei mal porque tive preguiça de escrever tudo que pensei antes como tenho agora rsrs.. [Respondendo a Welthon] o meu conceito de “verme” é aquele cara que faz tudo na ruindade sempre causando prejuízos a vida de outrem de propósito e que comete vários crimes brutais por diversão. E como eles vão estar preparados materialmente como você disse, eu pretendo usar lugares estratégicos e também pretendo usar o momento surpresa e claro que vou ter um plano de fugo pois se eles me descobrem ai da ruim e também como já disse antes eu só faria tais coisas com alguém na cobertura. E terminando aqui me desculpem pelo mal entendido e não quero ofender ninguém então pessoal desculpa ae e boa noite. (não quero ser alguém obcecado por tal isso aconteceria mesmo só quando necessário, pois hoje me preocupo com muito mais coisas e mais importantes como estudar arranjar um trampo pra ter um dinheiro extra, falo um pouco latim, inglês e japonês, mais de inglês que os outros e pretendo aprender russo. hoje estou estudando e aprendendo a programar softwares e sites e pretendo me especializar em mecânica automotora e e outros passa tempo como medicina, eletricista que estou aprendendo com meu pai, e aprender a fazer obras e consertar e fazer encanamentos, e também a fazer um gerador de energia simples movido com a força da água..

      • Quando falo de idade, Rafael, não me refiro ao conhecimento ou ao acesso a informação. Muito menos a técnica ou habilidades de lidar com situações de crise.
        Enfrentei minha 1ª crise aos 14 anos, quando morei na rua e tive de me virar para conseguir comida, abrigo e me manter seguro sem recorrer a “ruindades”. Sei muito bem que jovens são tão ou mais capazes de se virar em situações de crise. Por serem mais criativos e o escambau.
        Me refiro ao pensamento de “eliminar os vermes”. Porque além de o conceito de verme ser muito subjetivo, sentir vontade de eliminar alguém não é algo que eu considere saudável. Mesmo que tudo desandasse e o mundo entrasse em guerra civil, eu dificilmente mataria alguém por vontade. Por considera-la um verme. Até porque se você decide matar alguém, você também é um assassino, um bandido para os olhos da sociedade. Logo, você também seria taxado como escória da humanidade.
        Matar como autodefesa. Porque o cara esta atacando minha esposa ou algo do tipo pode até ser necessário. Mas existe uma diferença entre matar porque você PRECISA e matar porque você QUER.
        A crítica, tanto minha quanto da galera, é por você dizer que QUER matar. E principalmente na sua idade. Se você pensa assim agora, enquanto é novo, como será sua mente ao atingir a maturidade?

      • Agora você se expressou melhor Rafael no que gostaria de dizer. É isso mesmo, vá aprendendo um pouco de tudo na vida, e estas habilidades que pretende adquirir são excelentes. Abraço

      • Gustavo Lanes

        Não precisa se desculpar por nada, já disse que é você quem pode estar se arriscando com essa mentalidade. Não acho que você seja um psicopata obcecado ou que vá machucar alguém inocente. Na verdade estou mais preocupado com a possibilidade de você mesmo se machucar. Eu sei que as coisas parecem simples quando se trata de se defender ou proteger alguém que você ama, mas na realidade as coisas são bem diferentes. As vezes o melhor à se fazer é não fazer nada.
        Acredite, eu sei do que estou falando, já estive em situações de perigo real, já vi pessoas morrendo por menos do que um tiroteio. Estive em mais combates do que gostaria e sei que na hora em que as coisas acontecem de verdade não é tão simples. Não importa se você fala 10 línguas diferentes ou sabe construir um foguete, nada disso vai salvar você em um conflito direto. Na hora de fazer uma escolha, no momento mais crítico, se você hesitar estará morto, e se acabar se precipitando pode fazer algo de que vai se arrepender para o resto de sua vida. Um conflito é aterrorizante, a violência é feia e nojenta e a morte é impactante, tudo isso pode te afetar de uma forma completamente imprevisível, algumas pessoas congelam de medo, outras enlouquecem (geralmente estas são as primeiras á morrer), algumas nem mesmo compreendem a situação até ser tarde demais. Então se tiver que matar alguém de verdade, seja rápido, decidido e eficiente. Se não, a melhor maneira de se lidar com o perigo é manter distância e anonimato.

  • Murilo Almeida

    Bom texto para reflexão… Parabéns Julio…

    A morte quase todos os dias nos ronda, e, dificilmente, alguém se acostumaria com isso… Não tomamos consciência deste flerte… Para a maioria, é preferível ficar no “SE” pois nossa criação teve valores éticos e morais que não trabalharam a morte, seja ela, a morte de um ente querido, a morte de um animal de estimação ou mesmo a morte de “John Doe”… A morte sempre é traumática, e, nosso consciente, tende a repudiá-la…

    Alguns de nós convivem com o morrer, seja na rua, nos hospitais, nos sanatórios e etc… O morrer já nos é conscientemente menos agressivo, embora não menos traumático… Ver a carne definhar, a alma enfraquecer e a vela se apagar nos marcam profundamente…

    Pois bem, para podermos matar uma pessoa, nos trabalhamos (treinamos) o condicionamento motor do arco reflexo… Ou seja, não é um ato consciente… Personificamos no alvo, o “bandido” para que na “vida real” o bandido seja tão somente visto como o alvo… E assim não hesitarmos frente a necessidade de abater um ser vivo…

    NUNCA MATEI NINGUÉM, mas certamente meu treinamento ira me condicionar a faze-lo, caso necessário, de forma inconsciente, para ser o mais eficaz possível e resguardar a vida, minha vida…

  • Como sempre um excelente texto. O que mais tenho medo, tenho que admitir é ter que ferir alguém. Eu não tenho experiência com violência. Me pergunto o quão difícil deve ser a sensação de perfurar alguém com uma lâmina. Sempre me pergunto isso para tentar ao menos preparar-me mentalmente. Sem dúvida ferir e matar alguém é algo extremamente difícil. Sentir o sangue e o corpo de outro humano na sua mão deve ser algo nojento. Se um dia eu precisar matar alguém, espero que eu haja racionalmente e sem emoções. Tenho certeza que se você deixar suas emoções o dominarem mesmo que em uma fração de segundo, provocando hesitação, estará morto. Essas coisas têm que ser executadas com 100% de frieza. Infelizmente é matar ou morrer. Por mais que você sinta raiva na hora, por mais que você deseje matar alguém devido alguma situação, ainda sim deve ser difícil. O máximo que você pode fazer é ler sobre o assunto e tentar adestrar a sua mente a momentos como esse.
    É um assunto de vasta discussão.

  • Feralviverde

    Texto forte e necessário, espero em meu DEUS, para que nunca ter de passar por isso.

  • Lido com a morte quase todos os dias, no início ficava perplexo vendo um homem morrer vítima de uma desgraça. Aquele corpo ali agonizando, dando os últimos suspiros, muitas vezes faltando partes do seu próprio corpo. O mais impressionante para mim não é a morte, mas a maneira como muitas pessoas se aproveitam da situação. Em vez de ajudar, chegam do nada como se fossem zumbis perambulando e saqueiam, furtam, levam tudo que podem.

    São tão maldosos que colocam as mãos no bolso da vítima e nem se quer ajudam a comprimir um sangramento. Minha experiência diz que a população de uma maneira geral gosta ou tem muita curiosidade em ver pessoas vítima de algum acidente, e mais ainda quando há sangue.

    Tratando de violência digo uma coisa, não fique na dúvida em reagir para se defender, reaja o mais rápido possível contra sua ameaça. Cuidado com as histórias que podem estar te contando, pode ser uma armação para que você caia. Sempre desconfie primeiro, assim você pode avaliar e decidir melhor. Ensine isto para sua família, filhos, sobre determinados assuntos. Tenha muita atenção quando pessoas pedirem ajuda, mesmo gritando e pedindo socorro. Tenha calma e olhe o cenário em que você está, avalie a situação, é uma maneira fácil de dominar alguém se o pedido de ajuda for falso.

    Nossa intuição é de ajudar, o mais rápido possível, fazendo com que tenhamos uma visão de túnel, isto quero dizer apenas olhar para aquela situação e não perceber o que ocorre a sua volta. Não quero desestimular que ajudem as pessoas mas como sobrevivencialistas tenham um olhar mais apurado em cada questão, principalmente em um cenário crítico.

    • ótima colocação.

  • Welthon Cunha

    Uma vez eu presenciei de perto um acidente de carro, um atropelamento, a pessoa simplesmente foi jogada para cima uns 4 ou 5 metros, como um boneco e caiu no asfalto, de cabeça, cai e morreu de imediato… como a cabeça é a parte mais pesada do nosso corpo, tendemos a cair com ela primeiro no chão, por isto, motociclistas, usem capacete…. o barulho que fez a cabeça da pessoa impactando no asfalto foi um som oco, de ossos quebrando que nunca mais esqueci….!!!!

  • brian jones

    A verdade é que nessas situações leva vantagem quem já tem qualificação prévia, como profissionais das forças armadas, policiais e afins. Mas mesmo nessa área, uma coisa é ter prática teórica e outra e o combate real. Isso só vai saber se tem coragem quando chegar a hora. É fácil fantasiar e dizer que “eu faria isso ou aquilo” mas a realidade é outra. Quem já viu alguém baleado, esfaqueado ou morrendo sabe o que digo. Espero que isso nunca ocorra comigo.

  • é algo o qual eu iria me sentir mal, pois depois que você mata, você para e pensa “é agora o que sera de min?, ah meu deuss “mateu alguém” vou pro inferno, sou meio religioso gosto da sobrevivência, mas matar alguém e como sofrer toda vida pra min :<

  • Eu não acho que matar seja algo difícil. Viver com os resultados disso sim.

    A mídia em geral tornou a sociedade fria, carniceira até. Cada vez mais vemos filmes e seriados onde a morte é tratada de forma tão natural que ver duas pessoas conversando enquanto furam a cabeça de outras pessoas é comum (vide walking dead). O quão comum é ver vídeos de pessoas agonizando depois de acidentes sendo compartilhados via whatsapp? Eu fico perplexo quando vejo juntando várias pessoas para ver algo assim (dia desses surgiu um vídeo de uma mulher que teve o rosto arrancado em um acidente e o povo assistia como se fosse um filme pornô ou algo assim).

    As pessoas esquecem o quanto pode ser terrível tirar a vida de outra pessoa. Ou ver alguém morrendo ali, ao vivo, na sua frente.
    Ver alguém morrer no cinema ou no whatsapp parece fácil, mas na prática o buraco é bem mais embaixo…

  • É cruel, é forte, é sujo, mas verdadeiro. Treinar em alvos de papel ou latas é uma coisa, mas ver outro ser humano sangrando na sua frente deve ser algo terrivel, e pensar que isso não tem mais volta é pior ainda. Peço a Deus pra nunca ter que tomar uma decisão dessas mas se for a minha família que estiver em risco… só espero tomá-la antes de ser tarde demais.

    • Quem já teve experiência com morte pode ter mais facilidade com isso, não digo quem já matou outra pessoa mas quem já vivenciou um acidente e viu pessoas morrendo por perto, ou até alguém que já trabalhou em um hospital ou necrotério com certeza tem mais facilidade para lidar com essas coisas. Infelizmente não existe treinamento para isso.

      Júlio Lobo sugiro outro tópico conexo:

      Em tempos em que a lei ainda existe (mesmo que pervertida): Digamos, o bandido entrou na sua casa, você defende a sua família e ele morre, e agora? Você vai preso e deixa sua família desprotegida e vulnerável ao resto da gangue que volta para se vingar? Você oculta o cadáver e ninguém fica sabendo que ele morreu no seu quintal?

      Em tempos sem lei: Você está no meio da guerra civil, não há lei, cada um por si e mata um invasor, não vai deixar o corpo la fedendo, vai fazer o que? Enterrar no quintal? Transformar em cinzas no fogão a lenha?

      Essa sugestão de tópico seria uma continuação desse tópico aqui, eu sempre penso nisso, talvez matar seja fácil (quando se tem um bom motivo para isso), mas quais os melhores passos após a ação?

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