SHTF School: Como lidar com doenças em cenários de crise de longa duração

Existem grandes preocupações sobre uma possível pandemia do Ebola saindo da Africa. A mídia tem inclusive nos bombardeado de informações. Eles divulgam que as possíveis razões para o vírus estar tão forte na Africa são de caráter religioso e cultural, pois as pessoas manejam os corpos sem conhecimento adequado e contribuem para a propagação. Dizem também que eles não tem conhecimento geral sobre doenças, higiene e comem carne de caça sem restrição ou análise da carne. Fatos interessantes para serem lidos, sem dúvida.

Eles também dizem que não existe possibilidade alguma de um cenário apocalíptico acontecer onde uma pessoa entra em um voo e contamina todo mundo, pois a doença só se propaga por fluídos corporais. Toda essa informação é válida, mas em algum lugar no final do artigo há uma frase assim: “… Então claramente não há razão para pânico…”

Como eu já disse algumas vezes, sempre quando alguém do governo, das leis ou semelhantes dizem que “não há razão para pânico” eu tenho uma vontade enorme de comprar mais suprimentos (comida, água, máscaras de gás…). Tudo bem, eu sou um cara estragado que teve uma experiência ruim por ouvir declarações semelhantes, mas vamos usar o senso comum aqui.

A mídia diria em algum momento que “é tempo de entrar em pânico”? Que é tempo de se preparar? Não. Isso causaria caos e algumas pessoas sempre exageram à situação. Não apareceriam ao trabalho… enfim, isso poderia levar ao colapso por si só. As pessoas não pensam mais por elas mesmas, então a mídia sempre tem o papel de deixar as pessoas calmas, é assim que o sistema funciona.

Pânico é ruim em qualquer caso. Lendo como muitos preparadores andam assustados, parece que eles estão sempre em um constante estado de emergência. Isso não faz sentido algum e só deixa nossa vida miserável. Nós nos preparamos para qualquer possibilidade, não para ficar no “modo pânico”.

Primeiro se prepare e depois evite o pânico. Claro que ficar alerta faz parte e usar o bom senso também.

O Ebola é assustador e pode se tornar um grande problema, mas assim como os tubarões matam dez pessoas por ano e os elefantes matam dez vezes mais, muitas vezes o que percebemos como coisas inofensivas são as que nos causarão os maiores problemas. Sobrevivência é simplesmente ver os perigos onde eles estão. Dentro desse pensamento, é como a obrigação de ver se o seu banheiro não é escorregadio, pois muitas pessoas morrem escorregando ao sair do banho.

Hoje eu escrevo sobre os assassinos regulares que experienciei no meu tempo de guerra.

Feridas infeccionadas

Não precisa ser uma ferida grande para te deixar com problemas. Em uma crise um pequeno corte pode te matar (literalmente). Em um mundo onde não há tratamento médico você deverá estar pronto para lidar com problemas como esses.

Durante o meu tempo de crise houveram vários problemas com infecções de machucados. Todo tipo, desde cortes pequenos até perfurações por tiros, tinham chance de ficarem infectados. Nós tratávamos as feridas infeccionadas com o que tínhamos, com o tempo haviam menos e menos recursos até que chegou o ponto onde usávamos apenas água e algumas misturas de coisas para curar as infecções. As receitas eram diferentes, desde pedaços de pinho até alho para ser colocado nas feridas e claro, as bebidas alcoólicas também.

Algumas vezes nós tínhamos antibióticos, mas a maioria do tempo não. Os resultados eram aleatórios. O que funcionava para um cara algumas vezes não funcionava para outro, algumas pessoas morreram e outras ficaram com sequelas.

Para cenários de crises futuras eu sugiro que você aprenda o máximo que conseguir sobre tratamento de feridas.

  • Como limpar e fechar uma ferida e como usar antibióticos da forma correta;
  • Lembre-se que pequenos procedimentos como fechar uma ferida com ferramentas esterilizadas podem te tirar de muitas enrascadas mais para frente e claro que o quanto mais você sabe (suturar, tratar) é melhor. Não caia nas influências de filmes, por exemplo, não, o torniquete NÃO É a melhor escolha para sangramentos (é a última) e simplesmente cobrir a ferida com gases esterelizadas pode fazer milagres e prevenir infecções;
  • Guarde iodo e semelhantes para limpeza e tratamento da ferida;
  • Aprenda como gerenciar a dor, em muitas vezes eu simplesmente bebia álcool, mas não funciona muito bem sempre. Novamente, esqueça dos filmes.
  • Um bom conselho agora… Saiba como usar o que você tem, ter agulhas e suturas sem o conhecimento não faz sentido algum.
    Não siga cegamente os anúncios sobre “o kit médico milagroso para todos problemas do apocalipse”, você vai acabar com um bando de coisas inúteis em uma bolsa camuflada bonita. Como em todas as áreas da vida hoje, as pessoas tentam vender soluções milagrosas na área da sobrevivência. Conhecimento é a chave. Claro que tem coisas boas para comprar por aí, mas tenha certeza do que você vai pegar, uma boa ideia é perguntar a um conhecido na área médica o que você vai ganhar com o kit que pretende comprar ou até mesmo você decida montar um seu.

Intoxicação por comida (e água) ruins

Você pode ter certeza que cedo ou tarde você terá de lidar com isso. Não é apenas perigoso ficar incapacitado com diarréia e vômito por que no final isso pode te matar, mas também pode te deixar fraco a ponto de não conseguir realizar suas tarefas. Em uma crise isso significa que você está fraco demais para se defender, ou ir em busca de recursos e semelhantes… E isso é ruim. Novamente, é por isso que grupos são importantes e os lobos solitários estão contra as apostas.

Eu acho que todo mundo foi intoxicado com comida ou água ruim pelo menos uma vez durante minha crise. Nós lidamos com essa situação dando chá para a pessoa conseguir tomar mais água do que estava perdendo. Haviam mortes, a maioria incluindo os mais jovens ou mais velhos.

A primeira linha da sua defesa tem de ser a higiene. Enfrente de forma séria este assunto durante uma crise. Tenha um plano para como você vai manter a si e a sua casa limpa. É muito melhor pensar como prevenir que estas coisas aconteçam melhorando a forma que você guarda e lida com a comida do que ter de confiar em um kit médico para tratar os problemas.

Um erro que as pessoas cometem quando estão com diarréia e vômito é que tentam consumir muita água de maneira rápida, isso causa mais problemas do que benefícios. O certo é consumir fluídos de maneira bem devagar e em pequenas quantidades. Por exemplo, um gole de água a cada vinte minutos ou semelhante, descanse e mantenha-se alerta com o que consumirá pelas próximas 24 horas.

Pessoas já doentes

Eu sei que as pessoas pensam que quando houver uma quebra no sistema e haver colapso tudo será resumido em adrenalina, luta, caos e sangue. Isso faz parte, mas em sua maioria, especialmente nas primeiras semanas, as pessoas com menos condicionamento experienciarão de maneira muito pior.

Pense nos pequenos problemas que você tem hoje e que poderiam se tornar gigantes se você precisar viver em estilo de sobrevivência fazendo grande quantidade de exercícios todos os dias, tendo privação de sono, estresse extremo e pouca higiente. Os problemas serão multiplicados.

Por exemplo, seu tio tem pressão alta por anos, está tomando remédios e sua família tenta “forçá-lo” a comer de forma saudável e isso tem funcionado mais ou menos, porque de vez em quando ele tem que ir no pronto socorro pois a pressão está muito alta. Quando a crise acontecer qual será o plano para regular sua pressão e por quanto tempo as pílulas estarão disponíveis para ele? Ou como ele conseguirá comer de forma saudável durante uma crise? Pela minha experiência em situações de sobrevivência, estas são as primeiras pessoas a ir.

A solução seria tentar regular a pressão sanguínea da melhor maneira possível HOJE, ter uma boa quantidade de medicamentos estocadas para ele e claro aprender tudo sobre meios alternativos de tratar essa condição (com ervas por exemplo). O ponto é fazer tudo isso hoje, pois quando uma crise estourar você talvez não tenha tempo suficiente para isso.

Por mais frio que isso pareça pense também em o que fazer com as pessoas que são contra a preparação hoje e quem você conhece que entrará em sérios problemas quando o sistema normal não conseguir suportá-los mais. Quem estará bravo pelos problemas no grupo se você simplesmente tiver de deixar aquele tio doente enfrentar seu destino? Em algum momento você terá de decidir quando o trem ficou cheio e deverá partir, então faz sentido começar a pensar nisso o quanto antes.

Como você se prepara contra doenças? Além de kits médicos, quais planos você tem? Compartilhe nos comentários abaixo!

Traduzido e adaptado do blog SHTF School.

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11 Comentários

  • Rafael Borges

    O que acontece na sua época de crise como falou? Tem algum problema em falar sobre isso?

  • infelismente alguns acham q vao pegar no tranco, q literalmente vao se amontoar de tralha e resistir, BKsalvadora. Manter-se em movimento,higiene é uma obrigaçao.! parabens pelo post!

  • Postagem muito esclarecedora, o problema que vejo em relação a ser o lobo solitário, é como englobar a família ainda estão na zona de conforto misturado a um éter religioso…”que se deus quiser”… Porra! O ebola esta ai matando, que mais que eles querem? A violência berrando em nossas cidades, o caos, esta por ai. e mesmo assim conseguem acreditar na televisão, o governo “disse” que não haveria problema, mas agora o problema esta ai… ¬¬

  • flint broadhead

    A maioria das vezes pensamos nas crises como sendo algo rápido que vem em uma onda repentina e logo passa, então teremos estoques de alimentos, remédios à nossa disposição e será só invadir uma farmácia ou mercado munido de um cartão de crédito e pronto, estaremos nadando sobre a massa, ai, na pior das hipóteses, fugimos para uma região isolada, ficamos lá por um mês ou mais e depois voltamos e tudo será como era antes. Na realidade, o Brasil nunca foi invadido e, devido à nossa imensidão territorial, acho difícil que seja pois as nações militarizadas quase sempre entram em conflito com as de menor tamanho pois sabem da dificuldade de enfrentar um pais de maior tamanho territorial que tem condições melhores de produzir logística, mas mesmo não tendo bombardeios e guerra (afora uma guerra civil, e ai sim a situação muda drasticamente), mesmo conflitos de grande porte em países distantes podem gerar desestabilização econômica, caos e desordem que acarretariam pela falência do nosso padrão de vida. Meus avós e meu pai comentava que durante a segunda grande guerra faltava tudo pois tudo o que era produzido no pais era enviado às tropas para mantê-las e, ainda, não exportávamos quase nada e importávamos de tudo, então, o pais ficou com dificuldades financeiras e recorreu a ajuda internacional por bastante tempo, o que gerou muitas mortes por problemas de saúde aqui.
    Agora, com a inflação às nossas portas novamente por causa do preço dos combustíveis que irá (obrigatoriamente) ter que ser aumentado no ano de 2015, não importa quem assumir nas próximas eleições (informem-se sobre o que o governo vem fazendo em relação ao preço da gasolina hoje e a quebra do setor sucroalcooleiro com perda de milhares de postos de emprego), estocar alimento e medicamento de longa duração hoje é apenas um sinal de bom senso e uma questão de economia. Gerenciamento de crises de longa duração são dificílimos e requerem um esforço muito grande por parte de cada membro da família/grupo, então, liderança e disciplina são palavras de ordem.

    • Bruno Rochs

      Muito bom!

  • Bom post! Há um documentário feito pelo canal History Channel chamado “Depois do Armageddon”, disponível no youtube. Deixa bem claro como ficará a situação com uma catástrofe pandêmica.
    Abraços!

  • Ricardo Lourenço

    A partir do ano que vem estaremos completando 100 anos da gripe espanhola (pesquisem no Google e vejam o que ela fez no mundo e no Brasil, você vai gostar). Estou lendo algumas matérias cientificas que confirmam a periodicidade de doenças que surgem, matam milhares e são controladas ou até mesmo desaparecem (peste, malária, febre amarela, tifo, cólera, e outras, façam as pesquisas). Já está na época de surgir outra, talvez uma mutação do ebola com a gripe aviária, ou coisas do tipo. E provavelmente não haverá tempo para produzir em massa uma vacina (lembrem-se da burocracia que faz com que um medicamento demore 10 anos para chegar ao povo comum, outros quando não há interesse em “curas” por manterem a indústria farmacêutica). A ideia para “vamos fugir para as montanhas” parecem fazer mais sentido…já que as condições de higiene nos grandes centros estará insuportável e o perigo de morte (pela doença ou por ser morto por outro humano ladrão) estará em cada esquina. Enfim, certas coisas são inevitáveis. E ainda bem que há sites como este, que estarão ativos até que os sistemas de comunicação entrem em colapso. Estejam preparados…..

  • carlossilvapb

    Penso nisso o tempo todo. No nosso núcleo, temos pelo menos um profissional de saúde. E, na medida do possível, tentamos entender o máximo possível sobre remédios e doenças, como tratar diversos males e como agir em certas situações. É fundamental!

  • Sobrevivente Urbano

    Bom post e em boa hora.
    Não são só os governos que agora dizem “vai ficar tudo bem”, temos canais de entretenimento brincando com a situação e prolongando a baboseira.

    O que eu aprendi com esses posts do SHTF e o Selco é que se ficamos desconfiados de alguma informação, por menor que seja, é porque aí tem coisa.
    Se você não segue tudo que a mídia diz e usa um pouquinho de massa cinzenta diariamente, cria-se um filtro pessoal. Tudo o que “eles” falam soa falso e hipócrita.

  • E também quando os governos anunciam: ” está tudo sobre controle”.

  • Excelente post. Realmente, é algo muito importante a se pensar, em termos de preparações. Estoques, conhecimento e, em especial, capacidade de adaptação e improvisação quando necessário. Go ahead.

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