SHTF School: A verdadeira natureza da sobrevivência

É difícil estar preparado para algumas coisas antes de experienciá-las. O primeiro passo para estar preparado é ter o entendimento de como a natureza realmente é e que nós vivemos somente em uma bolha que nos protege dela.

Se você não está comendo agora, tire um momento e veja este vídeo de um macaco comendo uma gazela.
Nota do tradutor: O vídeo possui cenas muito fortes, não me responsabilizo por qualquer mal estar gerado. Por outro lado, é muito importante assisti-lo para que o post atinja seu objetivo de despertar esta reflexão. A escolha é sua.

Algumas pessoas podem se sentir muito mal ao ver essas cenas. Isso mostra o quanto nós estamos desconectados da natureza. A maioria das pessoas quer comer carne mas nunca matariam o animal para isso, por exemplo. O que acontece com a gazela não é bom ou ruim, é a natureza. Simplesmente.

Quando você se encontra em uma situação de sobrevivência, você entra em contato rapidamente com tudo isso e então percebe que a natureza é cruel e o conceito de justiça não existe.

Quando a crise começou naquele período, a maioria de nós pensava que o que acontecia à nossa volta eram saques temporários que saíam um pouco do controle. Os serviços da cidade ainda funcionavam em algumas partes e todo mundo estava esperando por essa “loucura” parar.

Naquele pequeno período antes da crise estourar de vez, as pessoas perdiam suas vidas simplesmente por não reconhecer a situação. Haviam pessoas lá fora saqueando, roubando, lutando… Mas tudo era “moderado”.

Naquele momento as pessoas ainda estavam “dentro” do sistema, então estávamos todos tentando nos esconder e ficar passivos quando saqueadores passavam pela vizinhança. A polícia ainda estava prendendo pessoas e tentando controlar as coisas. Haviam sim pessoas atirando uma contra as outras, mas não era algo como um tiroteio de grande escala e violência, as pessoas estavam atirando somente para assustar os outros.

Um dos meus amigos foi envolvido em um tiroteio desses nesse período, depois de saquear algumas lojas, ele foi ferido. A ferida não era muito perigosa, pois ele havia levado um tiro no pé.

Como eu disse antes, a maioria dos serviços da cidade ainda estava funcionando e tentando trazer ordem ao caos. As ambulâncias vieram e o pegaram, indo então o mais rápido possível ao hospital com ele.

Cerca de um quilômetro à frente o mesmo grupo de pessoas que havia atirado contra ele parou a ambulância em uma barricada improvisada, atiraram no motorista e depois atacaram meu amigo na traseira do carro. Eles atacaram ele de forma mais lenta e dolorida do que o motorista, usando lâminas. Nós chegamos lá um pouco mais tarde, mas já era tarde demais.

Essa história pode parecer confusa para você, fazendo você dizer que “isso acontece na guerra”… Mas para 95% das pessoas naquele momento não havia guerra alguma, era algo como saques violentos. Estes mesmos 95% ainda confiavam que a ordem ia ser restaurada pelo sistema, polícia e governo. As pessoas ainda confiavam que as ambulâncias são coisas “protegidas” e que ninguém vai pará-las, muito menos que poderia ser alvo de tiros.

Nessa história que lhes contei o cara ferido e o motorista da ambulância simplesmente não reconheceram a situação. “Ele era um cara bacana, por que isso aconteceria com ele?” Se fosse comigo eu também teria entrado na ambulância. Eu senti esse acontecimento como algo muito errado, mas também foi meu despertar para entender que o conceito de justo e injusto ficou no passado.

Em primeiro lugar, meu amigo não deveria estar naquele local no tempo de caos. O motorista da ambulância deveria ter dito “que se ferre”, pegado todos medicamentos valorosos e ter ido para casa ao sentir os primeiros sinais da violência e colapso total. Ele não fez isso. É fácil chamá-lo de herói por ter tentado ajudar outra pessoa, mas o risco era muito alto naquele momento.

É fácil perceber que ele errou agora, mas naquele tempo nós ainda usávamos palavras antigas como confiança, governo, lei, sistema, penas… Se meu amigo tivesse se ferido um ou dois dias depois talvez ele teria rastejado e curado seus ferimentos sozinho, ou o motorista teria se recusado à dirigir… Enfim.

Alguns dias depois o colapso verdadeiro aconteceu e ninguém mais tinha ilusões de que era um problema temporário.

O ponto aqui é que muitas pessoas morreram naquele curto período antes de realizar que as coisas não eram as mesmas. Você não podia confiar em pessoas boas ao seu redor, mas a maioria confiava. Esse evento da ambulância foi um dos muitos que terminaram com mortes semelhantes.

Então a próxima vez, quando saques surgirem na sua cidade, brigas ocorrerem depois de jogos de futebol ou protestos contra o desemprego começarem a aparecer e você ouvir tiros, gritos, boatos de que existem pessoas sendo mortas nas ruas, lojas sendo saqueadas, você precisa ter esperança que isso é um distúrbio temporário… Mas não pode confiar nessa ideia.

Seja desconfiado, confie nos seus equipamentos, no seu estoque, confie na sua arma. Não saia lá fora simplesmente por que “todo mundo também está lá”. Evite ser ganancioso e acabar indo para esses saques, pois mesmo que pareça fácil, suas preparações são feitas para você não precisar sair de casa.

Quando você perceber o quão randômica e brutal a natureza e a violência são, você então percebe que não se prepara para ser herói, se prepara para sobreviver. O cara da ambulância poderia ter ajudado muito mais pessoas nos meses posteriores quando estávamos lutando pela sobrevivência se ele não tivesse morrido. Mas lá atrás, nós não entendíamos a seriedade da situação.

Se você experienciou uma situação que te lembrou que justiça é somente um conceito do mundo “civilizado”, por favor, compartilhe nos comentários.

Traduzido e adaptado do blog SHTF School.