SHTF School: Sobrevivência de senso comum – O retorno da seleção natural

Como você imagina um sobrevivencialista real?

Um homem escondido dentro de um bunker com comida para dez anos, completamente isolado do mundo externo? Ou é o cara com corte de cabelo estranho dirigindo uma moto movida a metano, usando uma roupa completa de couro, armados com espadas saídas de jogos de computador e talvez uma moto serra nas costas?

Os dois exemplos são como estranhas fantasias e para alguns até mesmo desejos (“Eu quero que seja assim”). Estes cenários já cansei de ver em fóruns de sobrevivência e programas de televisão.

Também há a imagem do grande salvador, o cara que só faz coisas boas, salva outras pessoas durante a crise e sobrevive à tudo. Existe um posicionamento extremista em que algumas pessoas afirmam que farão só coisas boas ou só coisas ruins em termos de saquear e roubar para mantê-los seguros.

Muitas pessoas de nossa sociedade atual vêem os preparadores e sobrevivencialistas como loucos em roupas de camuflagem, caras conspiratórios e semelhantes. A maioria está certa, afinal, muitos “sobrevivencialistas” ajudam a manter essa imagem. É difícil para algumas pessoas apenas se calarem e se preparar, mantendo o perfil baixo. Algumas pessoas fazem da sobrevivência algo tão forte dentro deles que eles querem e precisam se mostrar. A escolha é deles.

O ponto aqui é que há várias definições de sobrevivencialistas por aí, e cada uma delas é quase que “escrita na pedra”. Eu acredito que a sobrevivência é mais sobre como você é como pessoa e não o que você espera. Assim que o desastre acontecer você verá homens durões desolados e caras normais se tornarem forças enormes. A verdadeira natureza aparece.

Dias depois que os tiroteios da minha cidade começaram eu combinei com um colega para que ele me pegasse com o carro para terminar um trabalho. Nós fomos ao apartamento de alguns parentes para buscar por algumas coisas úteis mas tudo já tinha sido saqueado. Naqueles tempos ainda podíamos dirigir, mas tiroteios estavam por todos os lados e pontos de checagem também.

Nesta época ninguém estava entendendo quem atirou em quem e por que, nem porque grupos de pessoas faziam pontos de checagem, mas pessoas já tinham morrido.

Quando ele chegou para me pegar eu percebi que as luzes traseiras de seu carro estavam esmagadas, quebradas. Dentro do carro haviam algum tipo de chapas de metal com ganchos e barras de madeiras que você podia prender na porta pelo lado de dentro.

Ele explicou para mim que quebrou as lanternas traseiras quando percebeu que as pessoas estavam sendo mortas quando os atiradores e infantaria os avistavam no momento em que apertavam o freio no meio da noite (as luzes de frente não eram usadas).

Aquele trajeto que fiz com ele foi a coisa mais próxima que tive de um apocalipse ao estilo Mad Max. Era ainda possível dirigir pelas ruas, mas estava toda coberta de lixo, ruínas e corpos em um lugar ou outro. Ele usava o farol alto ocasionalmente quando realmente precisava ver algo, mas somente por um segundo ou dois, no restante dirigíamos na completa escuridão.

No caminho de volta ele trocou a posição das chapas metálicas dentro do carro pois esperava que os disparos viessem de diferentes áreas.

Nós sobrevivemos à aquele trajeto. Aquele cara não era um membro das forças especiais ou um cara forte e durão. Ele era um cara de família, trabalhou como carteiro antes de tudo.

Ele não tinha experiência com violência, troca de tiros ou algo semelhante a não ser cachorros latindo para ele enquanto entregava cartas.

Você pode dizer “Ah, ele não fez nada demais, é senso comum não usar as luzes de freio e colocar alguma coisa entre você e possíveis projéteis vindo em sua direção”, e sim, você está certo que é senso comum, mas o grande ponto é que você precisa saber QUANDO você deve começar a usar o senso comum.

Um grande número de pessoas morreu pois eles “esperaram para ver o que ia acontecer”, outros caras começaram a usar seu senso comum mais cedo e sobreviveram (ao menos grande parte deles, pois não importa o que nós façamos sempre há o fator X de você estar simplesmente no lugar errado, na hora errada).

Aqueles que podem mudar seus pensamentos da vida normal rapidamente aumentam grandemente suas chances de sobreviver!

Muitos sobrevivencialistas “de fantasia” vão acordar com a grande surpresa de que as coisas não são como eles pensaram. Claro que você deve entender e saber o que esperar mas é mais importante ainda mudar rapidamente seu modo de vida e como você pensa sobre segurança. O pensador flexível sobrevive pois ele tem várias opções para fazer as coisas e reagir se precisarem.

Certa vez o bombardeio nos pegou dentro de um prédio de apartamentos, um grupo de seis de nós. O andar inteiro desabou ao nosso redor e em cima da gente. Alguns segundos depois nós nos levantamos e descobrimos que um estava semi enterrado embaixo das ruínas, enquanto outro teve alguns ferimentos e arranhões. Nós começamos a cavar para salvar o cara enterrado e depois percebemos que ele estava praticamente em frangalhos da virilha para baixo e seu pé estava embaixo de uma peça grande de concreto.

Depois de uma tentativa de levantá-lo, percebemos que não havia jeito.

As pernas dele estavam em tão mal estado que enquanto eu estava tentando fazer algum tipo de controle de hemorragia eu não tinha ideia de qual era a perna direita e qual era a esquerda. Estava tudo completamente ferrado da virilha para baixo. Embaixo dos joelhos eu conseguia somente ver uma mistura de branco e vermelho esmagado. Ele gritava muito.

O bombardeio começou novamente, dando uma boa chance de todos nós sermos enterrados por aquelas paredes. Eu seria um mentiroso se dissesse que não pensei em deixar aquele cara preso ali e dar o fora, mas de alguma forma eu estava estupidamente tentando parar o sangramento com pedaços da minha camisa.

Então (por muita sorte) um dos caras veio e me puxou. Com a baioneta do rifle ele simplesmente cortou o pé do cara preso que estava inconsciente (por sorte), colocou ele nas costas e disse “Ok, vamos”. Depois que saímos do lugar, o mesmo desabou devido ao bombardeio. Estranhamente o cara todo ferrado e sem o pé sobreviveu.

Se aquele cara não tivesse cortado o pé do outro provavelmente nós todos estaríamos mortos ou teríamos deixado aquele cara para morrer lá.

Por sorte um de nós teve o senso comum do que devia ser feito de forma rápida e eficiente, isso que ele não tinha nenhum conhecimento médico.

O real sobrevivencialista é o homem (ou mulher) que sabe o que fazer em certo momento. Todo o resto é falação e desejos em pensamentos. Se você quer aumentar suas chances de sobreviver, aprenda a tomar ações rapidamente. Seu conhecimento e suas habilidades vão lhe ajudar a tomar as decisões certas e executá-las de forma melhor.

Adaptado e traduzido do blog SHTF School.

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10 comentários

  • menos exibicionismo e mais treinamento, tanto treino físico quanto psicológico, saber o que fazer, quando e como fazer, sem exposição desnecessária. o sobrevivencialista é aquele que sabe como cuidar de si e outrem, independente das circunstancias.

    preparação sempre \o

  • Yoseph Makabi

    Olá rapaziada!
    É isso aí… SER SEM PARECER… Um dos maiores problemas do homem é a VAIDADE… quase todos gostam de aparecer… viver sua fantasia… Um sobrevivente de verdade pode manter-se apenas com UMA FACA. Mas não esqueçam, VOCÊ LUTA COMO TREINOU… Portanto PREPAREM-SE, mas sejam discretos, sorrateiros, treiteiros, camuflados, INVISÍVEIS. Na hora do “pega pra capar”, sejam letais como uma serpente…
    SELVA!!!

  • Carlos Andres

    Tendo passado por algumas situações desesperadoras digo-lhes com segurança que numa situação de emergência, preparações ajudam muito, conhecimentos ajudam muito, habilidades ajudam muito.
    Mas…
    O melhor e mais importante passo inicial que se pode dar em momentos de crise é o domínio do pânico: domine o pânico antes que o pânico domine você.
    O autocontrole é na realidade, 99% da solução.
    Vestir calça operacional, gandola, bota, cinturão, portar uma faca Imbel, uma mochila com Camelback, rações de emergência de alta tecnologia, uma .380 na cintura, pederneira, pintura, dezenas de cursinhos de sobrevivência e o escambau é apenas um bom jeito de morrer em grande estilo se não houver o autocontrole, o espírito tranquilo que lhe diz com clareza no exato segundo necessário a melhor maneira de proceder, pesar os males e optar pelo menor, não permitir que o instinto animal ou o coração fale mais alto que o cérebro.
    Cada um deve ter seu lugar e hora de agir.
    É triste desiludir mas Rambo é uma ficção pobre pois a teoria, na prática, é outra.
    Num momento de crise é melhor se parecer com uma pedra do que com o Sylvester Stallone.

    • Fala Carlos,

      Como sempre, no final o ponto de quebra ou de vitória é o comportamento humano.

      Abraços.

  • Você pode ser como Seu Madruga que é carpinteiro, mecânico, pintor, sapateiro, lutador de box, professor de violão, vendedor de churros, eletricista. Mas se a sua mente não estiver preparada para agir na hora em que deve se manter focada e fazer o que deve ser feito, vem a dona Florinda (SHTF) e te parte a cara.

    Habilidades são fundamentais para aumentar suas chances de sobrevivência mas ter mentalidade para agir, ter senso de urgência, é um habito que deve ser praticado mais que qualquer outra habilidade.

    • Olá Ismael,

      Ótimo exemplo, não poderia ter pensado de forma melhor.

      Abraços.

  • Justamente o que penso a respeito dos Sobrevivencialistas que conheço!!!Eu, tenho um canal no YT em que NUNCA me mostrei por completo, somente as mãos!!!Penso que quanto mais exposto, mais vulnerável, e aproveitando o comentário anterior, temos que “SER SEM PARECER”. O projeto GSE foi ótima ideia, mas está tomando uma proporção muito grande de sobrevivencialistas ( inclusive distorcendo do real objetivo do projeto)…e no meio sempre tem os LOBOS querendo as OVELHAS…por isso me Desliguei do GSE, prefiro parecer ser um Pastor Solitário a morrer com ovelhas!!!Sempre levo em conta o GRAY MAN, passo sempre despercebido, afinal, o “ataque” surpresa é sempre melhor!!!

    • Olá Marck,

      Compreendo seu ponto de vista, o GSE está ainda ganhando sua identidade e vai filtrar muitos membros durante o processo para chegar à um ponto de funcionalidade legal, peço que não desista do projeto por completo.

      Abração!

  • Excelente resumo do que é necessário para sobreviver, mesmo em situação normal. “ser, sem parecer” é o lema do GATE da PMESP e define bem um conceito de vida.
    Obrigado por mais esta ótima reflexão e saiba que graças a seu Blog, tenho me sentido cada vez mais preparado.
    FORÇA e HONRA!!!
    CAVEIRA!!!!

    • Olá Major,

      Fico feliz em saber que estou auxiliando. O Selco têm muito à nos ensinar, por isso sempre que posso traduzo os posts dele.

      Abração.

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