SHTF School: Higiene e sobrevivência

Existem alguns tópicos que algumas vezes as pessoas não querem ler ou ouvir… Outros ainda pensam que não é algo muito importante em um cenário de crise. Higiene é algo que todos nós sabemos ser importante, mas o quão sujo pode se tornar já é outra história.

Se por exemplo você olhar para  definição de Cólera você poderá ver algo mais ou menos assim:

“Cólera é uma infecção causada pela ingestão da bactéria Vibrio Cholerae presente em água ou comida contaminada com resíduos fecais. Primariamente é ligada à insuficiência de acesso à água limpa ou processos de higiene. Seu impacto pode ser mais dramático em áreas onde a infraestrutura está cortada ou foram destruídas.”

Eu já mencionei que sofri (junto com muitos outros naquele tempo) de casos sérios de diarreia, digo casos onde você não consegue levantar sua cabeça por dias… eu ficava completamente exausto. Eu tive Cólera? Eu não tenho ideia, não haviam hospitais, laboratórios ou doutores. Provavelmente sim. Tudo o que eu podia fazer é tomar alguns fluídos, chá de menta, chá de camomila e coisas do tipo.

Em pessoas adultas normais, isto pode ser resolvido com reidratação oral e casos de morte não são comuns. Em crianças pequenas ou idosos é mais complicado. Quando você tem alguma condição médica também é bastante complicado.

Deve se ter em mente que é difícil de qualquer maneira se você está em uma crise e tem um caso pesado de diarreia…você não está preparado para isso e nem conhece muito sobre isso. Quando há uma crise, pequenos problemas criam grandes problemas, mais tarde você tem uma junção de todos esses “probleminhas” e pronto, tem um problema enorme.

Se você tem acesso a uma unidade médica quando está desidratado e exausto devido a diarreia, na maioria dos casos tudo pode ser resolvido com soro e outros adicionais. Se você tem o conhecimento e equipamento, você pode tentar resolver sozinho a situação. O pior cenário possível é aquele onde você não consegue ter acesso à ajuda médica, não tem conhecimento e nem equipamento.

Claro que não ter doenças é melhor do que tratar uma.

Tente evitar de ir à locais onde se você precisar de socorro médico ele demore para chegar. Você também deve aprender um pouco do básico sobre tratamento destas condições e armazenar algumas coisas para isso. Não estou dizendo que você tem de ir para a faculdade de enfermaria agora, mas conhecimento é a chave. Aprenda como a desidratação funciona e como você pode reidratar um homem.

Ter conhecimento em como reidratar um paciente que está sofrendo de diarreia não vai te ajudar muito se você não resolver a questão de como se livrar de seus resíduos. Porque no final, você vai encontrar-se “correndo em círculos” e ficando doente sempre… de nada adianta ficar saudável e continuar em um ambiente contaminado.

Preste atenção extra ao gerenciamento de resíduos, sua água e sua comida. Considere o fato de que você talvez possa controlar as condições de sua casa se você planejar e preparar tudo, mas você terá de sair em algum momento por diversas razões… e o mundo lá fora provavelmente será muito ruim e sujo.

Proteja-se quando estiver fora e tenha certeza do que você está trazendo para sua casa. Hoje quando falamos de sobrevivência urbana eu penso que simples máscaras cirúrgicas e luvas devem fazer parte de sua preparação. Elas não são feitas para serem usadas apenas em salas de operação. Eu usaria em qualquer situação onde as coisas estivessem “estranhamente sujas” e tenha em mente que estes lugares são muitos quando os serviços normais não funcionam. Sacos para embalar os tênis são uma boa ideia também…

Você não conseguirá tornar sua casa um ambiente estéril, e o ponto não é esse. Mas sempre quando chegando em sua casa depois de uma viagem para fora (em cenário de crise), considere-se sujo e se limpe. Use roupas e equipamentos da melhor forma possível para se limpar.

Apenas use o senso comum, mas muito mais senso comum do que em tempos normais. O que te deixa doente em situações de sobrevivência geralmente não é visível. Sua primeira linha de defesa deverá ser sua higiene pessoal, como lida com sua sujeira e como se mantém limpo. Então simples procedimentos como lavar suas mãos cuidadosamente depois de fazer um trabalho sujo ganham um novo sentido… pode salvar sua vida.

Ferva sua roupa, adicione um pouco de cloro e deixe secar na luz do sol. Estas coisas simples são as que aumentam suas chances de sobrevivência. Você não pode sair atirando em bactérias, elas mataram mais pessoas que balas (talvez bem mais) durante o tempo de guerra que vivi.

Armazene o maior número possível de sacos de lixo pelas mais diferentes razões, incluindo a razão de lidar com sujeira humana. Eles também lhe fornecem formas de limpeza… Use o senso comum guardando-os em pequenos locais que você pode carregar contigo sempre.

Ter um par de luvas médicas descartáveis e um pequeno sanitizador de mãos no seu bolso faz muito mais sentido em um cenário de crise do que em uma situação normal cotidiana, tenha-os prontos para uso.

Você tem máscaras, jalecos cirúrgicos, capas para sapato, sanitizadores de mão, álcool gel, luvas, copos descartáveis e pratos? Para você quais são as preparações mais importantes em relação à higiene?

Fonte: SHTF School

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16 comentários

  • Leonardo e leal

    Existe macacoes razoavelmente barato usados para apara aplicasao de defensivos agricolas a o melhor que sao descartaveis nao presisa se preocupar em esterilizar e cobrem o corpo todo basta adicionar botas e luvas de borracha

  • marcelo mamone

    ACHO QUE O BOM E VELHO PINICO PODE SER ÚTIL NESTAS HORAS. OS DEJETOS SERIAM DESCARTADOS DIRETAMENTE NO ESGOTO VIA BOCAS DE LOBOS OU BUEIROS (DE ESGOTO)

  • Eu me preocupo muito com esse tema, a curto prazo, não tem como deixar o meio urbano. por isso, vi uma idéia muito interessante que é descartar as fezes num saco plástico de lixo, junto com serragem, deixá-la acomodada num balde com tampa, como se fosse uma privada. Depois é procurar um lugar longe do seu abrigo para o descarte.

  • A maioria dos preparadores, principalmente os que estão começando, e me incluo nesse grupo, pensam que numa situação de crise ou emergência a melhor opção é sair da cidade e correr pro mato. Não sigo essa linha de raciocínio, acho que se você consegue guarda suas preparações em casa tem muito mais chances de viver bem do que apenas sobreviver no mato.
    O texto fala de higiene em um ambiente urbano, se você tem materiais para isso como água, cloro, papel higiênico, etc. você tem menos chances de contrair uma doença do que estando no mato, o mato também é um lugar sujo, você pode entrar em contato com fezes de animais contaminadas ou beber água contaminada, ingerindo parasitas assassinos 🙂

    • LuciloPCJr.

      Ir pro mato, mato msm? Não isso é doidera, quando penso em sair da cidade, penso em ir p/ região rural, em uma casa, não acampado em barraca no meio da floresta.

      • É mas tem muito loco que compra uma faca e uma pederneira e já se acha o Bear Grylls. Vi uma vez não lembro aonde que um cara tentou imitar o que ele faz, iria ficar um ano no meio do mato, depois de um mês acharam o cadáver.

      • LuciloPCJr.

        hehehehehe… sempre tem.

    • Vc tem razão quanto a parte dos noobs que pensam que em qualquer situação ir para o mato (eu meio que sou um desses), mas eu penso nisso, não me achando um bear grylls, pois tenho certeza que eu não durava nem 1 hora, mas com medo da violência urbana em caso de desordem civil, ou mesmo em caso de guerra… Isso porque tenho minha mãe e irmãs… e não sei do que eu seria capaz se tentassem fazer algo com elas. Cara, nós ainda temos leis e policia, mas o caos nas cidades está crescendo muito rápido, sempre que penso em caos ou uma situação de sobrevivencia, confesso que minha primeira precaução é com o bicho humano… Acho que isso é muito noob da minha parte 😀

  • LuciloPCJr.

    Sim, isso é uma situação bem difícil de lidar. Eu penso que o sobrevivente tem de sair da cidade. Se ele não estiver suficientemente preparado, ele deve fazer isso mais rápido possível, coletando recursos na cidade e em seguida fugir o mais rápido possível.
    Não pense só em dejetos, em uma situação feia mesmo, imagine a quantidade de corpos, na rua, dentro das casas, em todo lugar, imagine a podridão que vai se seguir, e toda a nojeira que os corpos vão atrair, e junto virão doenças com certeza.
    Não dá para ficar vagando pela cidade. Ou você, ou grupo, se aloja num apartamento bem alto e tenta limpar os andares próximos, para ficar mais longe possível da “nojeira”, que vai ser bem difícil, ou saia da cidade.
    Mais não é pra ficar a dias de distancia da cidade, apesar de “infectada” ela é uma importante fonte de recursos. E mais cedo ou mais tarde você terá de ir até ela, devidamente equipado, como citado na postagem acima, e na volta tentar se livrar do que pode estar infectado.
    Agora quanto tempo até a cidade ficar mais tranquilinha? Os corpos não ficaram lá para sempre, nem as doenças penso eu. Uns 6 meses será?

    ** Obs.: MUITO, mais MUITO cuidado na coleta dos recursos, muita gente pode estar fazendo o mesmo, e isso pode ocasionar algum conflito, por isso é bom estar preparado antes dessas coisas acontecerem.

  • Ótima tradução, e um lema que quero levar sempre é : pequenos problemas criam grandes problemas.

  • É, ai temos um problemão, lidar com dejetos humanos é complicado, no meio urbano sem os serviços basicos, imaginem a situação e as alternativas de descarte, sem luz, agua ou sistema de esgoto cloacal….. no meio rural ainda é mais ameno, mas no meio urbano??? enterrar? onde é mais asfalto e concreto, descartar onde??? ainda mais levando em conta a população local, em um cenario onde o nosso conhecido banheiro torna-se inviavel. Temos ai o cenário e a introdução de uma grande epidemia, quais as idéias e alternativas mais lógicas, mudar ou tentar mudar o ambiente ou uma fuga para o meio rural, o mais longe possivel de dos grandes centros, que tormar-se -ão centros de contaminação em poucos dias. É pessoal uma situação complicada….

    • É realmente complicada a proposta de remoção de dejetos em tempo de crise… especialmente no cenário urbano. Muitos afirmam que o mais correto é fugir das cidades, que se tornarão rapidamente em pilhas de lixo e berço das mais variadas doenças, porém devemos levar em conta que muitos não tem como “correr para o mato”. Para estes, recomendo pensar na possibilidade de armazenar luvas, máscaras e outros elementos que ajudem a manter as bactérias e etc longe de sua casa e família.

      • oi julio preciso que me indique locais que posso adquirir o clorin moro em goiânia goias e não estou encontrando, entrei pelo face e deixei recado também, sei que não é assunto desta pg, mas eu e meu pai não conseguimos nada a respeito. aguardo ansiosa pela sua resposta. obrigado

      • Olá!

        Você pode comprar em lojas online, na arco e flecha sempre têm, porém justamente agora está em falta:
        http://www.arcoeflecha.com.br/p-353-Cloro-Organico-Purificador-de-Agua–Acuapura.html

        Abraços!

  • Weber Cheli Batista

    Quem conhece biossegurança sabe que o uso de jaleco comum ou cirúrgico, não sei como você os quis diferencia-los, talvez seja pela constituição da porcentagem de algodão no tecido, são os principais vetores de contaminação entre alas hospitalares e entre os profissionais da saúde com sua família. O que realmente tem efeito nesse momento são macacões de Tyvek que são forte o suficiente para agüentarem uma desinfecção e até mesmo esterilização com álcool 70%, nunca álcool 96GL, até desinfetantes com quarternários de amônia. Aventais de tecidos só podem ser esterilizados por meio de autoclavagem, que com o tempo vai aumentando o espaçamento entre a trama de algodão tornando permeável a materiais biológicos, sem contar com o tempo que se demora para lavar, autoclavar e secar os aventais. Os macacões de Tyvek são mais caros, porém são mais práticos para emergências.

    • Olá Weber,

      Obrigado pela complementação! Como este texto é uma tradução, não pude fazer esta separação visto que o autor não o fez. Muito interessante saber destes macacões… vou pesquisar sobre como posso adquiri-los.

      Abraços.

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