Eu errei?

Como muitos de vocês devem saber eu (Diego) sou Policial . Não me importo com o anonimato, pois carrego meu nome no meu colete e não visto a farda para parecer mais forte, faço isto para proteger os fracos. Mas proteger de que? Dos “bandidos”. Mas o que é bandido? Quem mata, quem rouba, quem vende drogas? Certo dia o pai de um jovem usuário de drogas entrou em uma “boca de fumo” e matou o traficante, três tiros. Então o homem honrado, trabalhador, se tornou um bandido. É em cenários de crise que os saques,  roubos,  furtos e outros crimes podem te transformar em um “bandido”.


Então, viram onde quero chegar?  Eu não sei contra quem eu luto! Talvez luto para manter minha família unida, luto para proteger meus filhos, minha casa. Mas quando eu estou na rua, protegendo a “sua casa” quem me protege? Quem está do meu lado? O Estado? Que só espera eu cometer um erro para ir até a TV e dizer: “Os fatos serão apurados, e serão tomadas as devidas providências”! Assim me tornando um exemplo para o restante dos milicianos que preferem  muitas das vezes serem omissos do que irem para o confronto. Este confronto não e sair atirando nos criminosos. É só para defender os colegas de trabalho, um Corporativismo Legal .

Não sei quando lerão este post, talvez eu já tenha partido, já tenha sucumbido perante a força da criminalidade. Por isto vou escrever “noite passada”.  Na noite passada eu entrei um baixo de uma ponte em um córrego de esgoto para capturar um cidadão em conflito com a justiça (é o nome dado para BANDIDO, pelo Direitos Humanos). Estava escuro, fedido. E eu, assustado confesso, entrei. Fui visto por ele e não sei o que ele pensou mas posso imaginar:”O porco (policial) entrou no chiqueiro”. Ele estava armado, me vendo escondido dentro do córrego… Eu era um alvo fácil. Ele disparou contra mim, um revolver .38 que estava mergulhado em fezes a uma distância de vinte metros, eu não ouvi e nem vi o procurado. Graças a Deus a arma era Tauros e não Glock, logo, a arma falhou.

Caminhei procurando o “cabra” com o cheiro ardendo em meus olhos, minha visão turva… Pensava na minha filha e torcia para nada de mal me acontecer. Precisava ver o sorriso dela mais uma vez. Mesmo assim eu continuei em frente. Quando cheguei a mais ou menos oito metros (distância ideal para short combat) ele estava mergulhado em fezes, porém lhe faltou fôlego e teve de emergir. Maldito! Com as mão para cima, quase tocando dez toneladas de asfalto sobre sua cabeça:”Não atira, eu me entrego”.

Nenhuma testemunha… Seria a palavra de um Policial corajoso contra um corpo flutuando em merda de um bandido morto. Eu conferi a trava da arma, identifiquei meu alvo, certifiquei sobre a autoria. Decidi! Poupei a vida de quem talvez não pouparia a minha.

Eu errei? Tenho medo da resposta… Se eu errei posso ser morto por este homem um dia, se acertei em mantê-lo vivo, só o tempo vai dizer.  Como disse no início do texto, preferi não ser um bandido.

Então tenho muito que me preparar para atirar em um homem que se entrega a uma JUSTIÇA mais suja do que ele.