2012 – Uma Opinião

O legal de quando já se tem uma certa idade é que posso falar “quando eu era criança…..”…então….quando eu era criança, perdi muitas noites de sono graças ao programa “Fantástico”, da Rede Globo. Naquela época, lá pelos anos 70, eram comuns reportagens sobre o “fim do mundo”, o que ocorreria no ano 2000. Eu ficava apavorado, e fazia as contas para saber com quantos anos iria morrer…hehe

Entrevistavam-se “especialistas” que garantiam que o apocalipse estava ali na esquina, e logo chegaria. Pois bem, o ano 2000 chegou, passou, e o maior risco que corremos foi com o tal “bug do milênio, em boa medida por culpa de um tal de Bill Gates e da IBM, que, frise-se, não se parecem em nada com os cavaleiros do apocalipse.

Passada a data fatídica, começou-se a falar em 2012, pois supostamente um dos calendários maias (e eles tinham 3!) terminaria em 21/12/2012. Por curiosidade, tenho acompanhado atentamente todas as discussões sobre esse tema, e gostaria de falar um pouco sobre isso. O tempo é curto, pois estou preparando outras postagens, mas acho que posso expor a vista do meu ponto.

O tema 2012 foi popularizado por filme homônimo, onde, sem razão aparente, os continentes começam a cair na cabeça das pessoas. Provavelmente estou simplificando a trama, mas vocês entenderam o espírito da coisa. Poucos sobrevivem, e a superfície do mundo é alterada para sempre.

Temos considerar alguns aspectos, em especial a dicotomia entre ciência e fé. A ciência nega que algo irá ocorrer, que não há qualquer alinhamento celestial previsto para a data. A fé, aqui consideradas as pseudociências, o misticismo e a religião, sem qualquer demérito, diz que a data representa o fim de um dos 13 ciclos maias, e o mundo sofrerá profundas transformações.

Como analisar ciência e fé? Há convivência possível? Aos que se preparam para situações de sobrevivência, seja por higiene mental, esporte, conhecimento, toda a celeuma criada é útil para que as pessoas preparem-se, o que pode ser benéfico em situações muito mais mundanas, como desabamentos, enchentes, falhas em sistemas de abastecimento de água, falhas nos sistemas de energia.

O mais importante, entretanto, é o bom senso. Analise as coisas com isenção, independente da sua visão, pela fé ou pela ciência. Será que se algo realmente grave fosse ocorrer, e nada pudesse ser feito para salvar a grande maioria da população, as autoridades nos revelariam? Hmm……boa pergunta, sujeita a muitas respostas. Pessoalmente, creio que sempre haveriam tentativas de reduzir os danos, que não seriam ignoradas por todos. Mas, sendo os governos em geral como são, não dá para garantir.

Por outro lado, quando vejo um “especialista” na TV, dizendo que nosso Sol vai se alinhar com o sol central da galáxia, o sol da chama violeta mágica, fazendo nosso mundo colapsar, e que fontes secretas dele na Nasa garantiram que é tudo verdade, não posso deixar de me preocupar com as consequências disso. Primeiro, quem como eu estuda profundamente questões militares e de defesa sabe que essa história de “fonte secreta” é, em 99,9% das vezes, uma tentativa de se adquirir alguma credibilidade, ainda mais para quem não é um técnico reconhecido na área.

Não quero discutir fé. Minha visão do universo é que ele é maravilhoso por si só, e independe de magia para isso. A mecânica celeste explica como seus intrincados mecanismos são mais maravilhosos que qualquer magia.

Depois, estamos falando de energia. Não uma energia violeta mágica, mas das brutais quantidades de energia geradas pelos vários eventos no universo, e das mesmas brutais quantidades necessárias para alterações de grande porte no nosso pálido ponto azul pendurado no espaço.

Em sua obra “O Mundo Assombrado Pelos Demônios”, Carl Sagan (sentimos sua falta, Carl) traz vários exemplos de discussões que abandonam a ciência, e derruba todas elas. Não quero ser radical, mas é um bom exemplo. Quando se fala por exemplo de naves vindo pelo espaço para salvar a Terra, que nos contatam através de “médiuns canalizadores”, pergunte-se porque com tanta tecnologia esses caras simplesmente não nos telefonam, ou usam o rádio, ou mandam um e-mail. Não estou duvidando da existência de médiuns, quero deixar isso claro, mas apenas analisando um caso concreto.

Calma, estou tentando manter-me imparcial nessa história. O que quero dizer com tudo isso é que você deve sim, estar preparado. Sempre. Mas parte da preparação é saber julgar adequadamente as ameaças, e tomar as diversas precauções. Não se deixe levar por histerias ou fenômenos culturais. Abandone uma posição ou outra, em nome de uma análise sistematizada e objetiva dos riscos. Nosso planeta tem mais ou menos 14 bilhões de anos, e por sua história percebe-se que grandes fenômenos planetários não são cíclicos, mas lineares, mesmo porque cada evento de g rande porte consome parte da energia disponível, transformado-a em modificações na geologia ou clima. Portanto, siga sua vida, pague seus impostos, estude, lute. Preparado, sempre, mas sem qualquer medo ou histeria.

O risco porém, de algo acontecer em 2012, é significativo. Histeria coletiva, suicídios de pequenos grupos fanatizados, e outros distúrbios pontuais. E só. E, claro, muita, muita gente ganhando dinheiro com isso. Por fim, para relaxar, segue a melhor teoria que vi até agora sobre os maias e o motivo do calendário acabar em 2012. Para mim, faz muito sentido… clique aqui para ver.

E você, tem opinião sobre isso?