SHTF School: Sobrevivência com uma guitarra

Para aqueles que não conhecem o contexto do blog SHTF School, clique aqui para ler a introdução do blog e assim conseguir entender o texto abaixo.

Ele vivia sozinho, tinha um trabalho de vendedor. Não tinha nenhum conhecimento sobre como atirar, técnicas militares ou nada conectado com assuntos de sobrevivência. O seu conhecimento era mais sobre cantar e tocar guitarra, ele estava longe de ser muito famoso mas era muito conhecido em seu grupo, tocando em casamentos locais ou festivais. Ele perdeu algumas chances de ir para fora do país no começo de tudo, alguns parentes da América o chamaram alguns dias antes e começaram a oferecer dinheiro para ele fugir, mas ele achou que aquela bagunça toda era temporária. Quando as pessoas começaram a serem mortas diariamente ele ainda pensou que isso ia parar logo logo, mas não parou.

Eles vieram buscar ele no meio da noite, como muitos outros. Naquele momento eles estavam apenas fazendo uma “varredura”, o que significa que as gangues procuram casa por casa em uma área (rua ou bairro) com o objetivo de mobilizar você a lutar para eles ou em outros casos te matar ou simplesmente sequestrá-lo (roubar todos seus pertences já era algo certo).

Ele não era bom o suficiente para luta, na verdade parecia mais como uma garota vergonhosa do que um homem crescido, desmaiando em qualquer menção sobre sangue. Então eles simplesmente o aprisionaram junto com um grupo de pessoas. Muitos anos depois ele me disse que a coisa mais difícil para ele não era sofrer alguns espancamentos ocasionais ou a falta de comida e água. A pior coisa era sentir o desespero e muitas vezes sentir que tudo aquilo era um pesadelo. Seu sofrimento psicológico era maior do que seu sofrimento físico. Em uma ocasião ele mencionou que era bom tocando guitarras… Daquele dia em diante ele se transformou como um membro da gangue, ele tocava para eles enquanto eles bebiam, batiam e torturavam outras pessoas.

Era difícil se concentrar enquanto outras pessoas sofriam, mas ele tocava músicas encorajadoras que faziam alguns homens baterem nos outros em frenesi. Homens se adaptam e se acostumam com suas ordens, ele não tinha certeza se um deles iria atirar na cabeça dele por causa de uma música ruim, ou dar a ele uma corrente de ouro por uma boa música. Mas o ponto é que ele estava sob algum tipo de proteção. Ele era valoroso porque haviam poucos recursos de entretenimento. Os outros prisioneiros odiavam ele e também tinham medo ao mesmo tempo, pois ele era mais popular do que eles.

Depois de alguns meses ele pegou a chance de fugir com alguns jornalistas estrangeiros carregando uma grande câmera, capacete azul e coletes a prova de bala no corpo. Eu perdi contato com ele durante muitos anos, então encontrei ele novamente em uma discussão sobre guerra e música na internet. Ele hoje trabalha como zelador, em um país bem distante. Eu comecei a conversar com ele sobre preparação e sobrevivência e descobri que ele ainda não sabe nada sobre como lutar, atirar ou sobreviver. Mas ele me disse que ele toca guitarra todos os dias, sozinho em seu quarto, então acho que ele está muito melhor com isso do que estava antes.

Eu penso nele algumas vezes e tento descobrir se ele é um homem bom ou mal. Apenas um homem fazendo o melhor na sua situação, provavelmente. Nós todos eramos cinzentos e fizemos o que devia ser feito. Algumas vezes coisas feias. Mas mantenha em mente que simples habilidades extras podem lhe dar um valor maior e até mesmo salvar sua vida.

Quais habilidades fora da prática sobrevivencialista você tem ou aprende?

Traduzido na íntegra do blog: Shtfschool