Não tema a noite na mata!

Parece assustador, não?

Peço desculpas aos amigos, mas a postagens nesse fim de ano foram prejudicadas por excesso de trabalho e pelo tempo consumido por uma monografia. Assim, os reviews que queria fazer ficarão para o começo do ano.

Gostaria, porém, de aproveitar o pouco tempo para falar de algo que vi muitas vezes no mato: a apreensão, ou medo mesmo, dos novatos.

Todos já passamos por isso, em menor ou maior grau. Você, urbano, de repente se vê em meio à natureza. Ao menos nas propagandas, na literatura ou em alguns discursos politicamente corretos, ela é sua mãe, sua amiga, sua protetora. Na vida real, por uma razão ou outra, você se vê obrigado a passar uma noite, ou várias, dormindo em meio a uma densa mata, cheia de insetos e animais perigosos em maior ou menor grau, ouvindo ruídos estranhos e mesmo com fogo ou lanterna, o que é certamente sombrio.

Isso pode acontecer devido a várias situações  sobrevivencialistas. Seu deslocamento forçado, por qualquer razão, o leva a ter que deslocar-se para uma região de mata. Você está razoavelmente preparado, sabe se virar, monta um campo com algum conforto, tem suprimentos, mas a noite vem caindo.

Nesse momento, é normal que já comece a surgir alguma apreensão. Somos programados para temer a noite. Isso vem desde tempos imemoriais, quando nossos ancestrais protegiam-se como podiam durante a noite de toda sorte de perigos.

Se você não tem experiência, e principalmente se estiver só, pode ser um momento de grande pertubação. Para ajudar, só posso dizer algo: FIQUE CALMO! Se nada pode ser tão ruim que não possa piorar, a situação certamente não é tão ruim quanto você pensa.

Durante a noite, mato é assustador mesmo. Ruídos misteriosos, vultos, canto de aves noturnas. Falando em aves, uma de minhas preferidas, mais assustadora na minha opinião, é o Urutau, a famosaAve FantasmaSeu canto é lúgubre profundo. Veja neste vídeo disponibilizado no Youtube (crédito ao autor),seu aspecto e seu canto:

O que dá para dizer depois de tanto tempo de vida ao ar livre é que se existem riscos, são os óbvios e verdadeiros: animais e insetos peçonhentos, grandes mamíferos como onças, suçuaranas, catetos, eventuais marginais, caçadores ilegais, tempestades imprevistas…

 Muitos dos ruídos vêm de animais noturnos, insetos e árvores tocando-se com o vento. Sua mente, e seus olhos, lhe pregam peças. Assim, surgem vultos misteriosos e flashes. Já vi e ouvi diversas vezes coisas estranhas no campo, mas nada que não pudesse ser explicado com uma análise fria da situação, e pelo cansaço das atividades do dia. Tá, não vou garantir que você não vai encontrar a Bruxa de Blair pela frente um dia, mas que isso é altamente improvável, ah, isso é, pode ter certeza.

 O principal para aquele que se vê nessas situações é manter a calma. Monte seu campo adequadamente, protegido do vento e da chuva, limpe-o se possível, de forma equilibrada, evitando a presença de insetos e répteis indesejáveis. Se possível, faça um bom fogo, com o devido cuidado (veja como aqui). Lanternas de longa duração e lampiões dos mais variados também podem ajudar.

 Quanto aos demais riscos, em especial quanto a predadores de duas patas, se necessário nada que turnos de vigilância ou pequenas armadilhas com latas e galhos para disparar um conveniente alarme. Mas isso também é raro, muito raro.

 Falamos aqui de algo básico: enfrente seus medos. Lembro de um episódio em que subíamos o Anhangava, em Quatro Barras, perto de Curitiba. Conosco foi um amigo que nunca havia feito atividades desse tipo, o Tacão. Na descida, já ao fim do dia, dois garotos, irmãos de uma amiga que estava conosco, desviaram-se da trilha, em um descuido. Imediatamente voltamos a subir. Acontece que os tais garotos chegaram por outro caminho ao fim da trilha, encontraram sua irmã, e junto com alguns outros tomaram o ônibus….e foram embora!

 Nisso eu e mais dois amigos já estávamos no meio da subida! E, claro, ninguém foi nos avisar, do grupo mais experiente. Também, imagine que naquela época, uns 20 anos atrás, celular era coisa de ficção científica. Quase desistindo, já noite, e sendo impossível identificar rastros em uma região tão batida, voltamos ao ponto inicial. No meio do caminho encontramos o nosso amigo, que apesar de novato e nunca ter enfrentado até aquela época mata durante a noite, e tendo confessado certo medo, foi até uma casa, pediu uma vela e improvisou uma lanterna com uma vela e uma lata de massa de tomate vazia, e nos procurava para avisar que tudo estava resolvido. O curioso é que mesmo sendo o “novato” ele ficou, enquanto os outros….

 Confesso que poucas vezes vi tamanha coragem para enfrentar seus medos, e tentar ajudar os amigos. Um contraponto aos colegas que lá nos abandonaram lá (Nota.: O próximo ônibus demorou muito para chegar…). Não vou discutir se o que ele fez naquela ocasião é correto ou recomendável, mas vejo como um exemplo magnífico de como é possível enfrentar seus medos em plena noite, sozinho, na mata.

 E você, já passou a noite acampando em uma mata, sozinho? Como foi? Conte sua experiência!

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37 Comentários

  • gostei do artigo, bem orientador. Eu não tenho grandes experiências em acampar, a última vez que fui no Maranhão, Lençóis Maranhenses, junto com um parceiro, e foi uma experiência única. Planejo ir em Santarém e Alenquer, cidade dos deuses, na primeira quinzena de março; o difícil é coincidir ânimo/data de férias/dinheiro o suficiente para realizar essas incursões com mais pessoas. Por isso que acampar sozinho acaba sendo não uma opção.

    • Obrigado por suas considerações. Nem posso imaginar como deve ser acampar em uma região maravilhosa como a dos Lençóis. Parabéns.

    • Olá Watson,

      Fico feliz que o texto tenha ajudado. Boa sorte em suas próximas aventuras!

      Abraços.

  • Olá amigos, boa tarde e parabéns pelo belo post e discussão. Muita coisa a ser aprendida aqui. Gostaria de compartilhar algumas dúvidas, me desculpem pelo longo comentário.

    Sou um sobrevivencialista iniciantíssimo, mas muito afeito a caminhadas e pescarias pelo mato. Tendo feio algumas trilhas com esse fim, e moro em uma grande cidade que passa hoje por uma terrível crise hídrica, rs. Assim sendo, o úmido litoral paulista (onde tenho uma casa) sempre me pareceu a rota básica de fuga caso algo dê errado.
    Como não adianta planejar sem testar os planos (todos os planos são bons até caírem na realidade), pretendia no final do ano me jogar numa grande caminhada desde a minha casa, na Zona Leste de São Paulo, até Bertioga. Após sair do tecido urbano e semi-rural, ao chegar em Mogi, pretendo pegar uma trilha que desce a serra (a trilha do rio Itapanhaú) e, ao final desta, já na planície costeira, ladear o pouco de estrada que sobra até Bertioga.

    Como são seus sessenta e tantos quilômetros, pretendo cobrir isso entre dois e três dias de caminhada. Já preparei as ferramentas mais básicas (canivete e faca de bolso, machadinha e uma faca de caça de qualidade boa, apetrechos diversos para fogo e primeiros socorros, mochila, cantil, lanterna tática – coisas que uso para ir pescar), e estou providenciando aos poucos o resto – um calçado bom, poncho impermeável e uma rede com mosquiteiro.

    Isso tem a ver com o post pois minha principal dúvida é quanto a dormir no mato, o que nunca fiz – e a preocupação é com os bichos de dois pés. Já pesquisei (e antes de ir pretendo testar na prática) como fazer uma fogueira num buraco (o tal “Dakota fire pit”) para não chamar muita atenção. No mais, minha dúvida é sobre isso da segurança, se recomendam algo a mais, se é muito temerário tentar isso… não tenho arma de fogo e acho difícil obter uma até lá. Sei que muitas pessoas fazem a trilha, mas sempre há o medo de cair nas mãos de algum mal-intencionado. O risco é mesmo grande? Imagino que uma rede escondida num mato denso, um pouco distante de clareiras, seja algo bem difícil de se ver à noite… mas gostaria de ouvir as dicas e experiências dos senhores nesse sentido.

    Desde já obrigado pela atenção e forte abraço,

    João

  • Olá amigos, boa tarde e parabéns pelo belo post e discussão. Muita coisa a ser aprendida aqui. Gostaria de compartilhar algumas dúvidas, me desculpem pelo longo comentário.

    Sou um sobrevivencialista iniciantíssimo, mas muito afeito a caminhadas e pescarias pelo mato. Tendo feio algumas trilhas com esse fim, e moro em uma grande cidade que passa hoje por uma terrível crise hídrica, rs. Assim sendo, o úmido litoral paulista (onde tenho uma casa) sempre me pareceu a rota básica de fuga caso algo dê errado.
    Como não adianta planejar sem testar os planos (todos os planos são bons até caírem na realidade), pretendia no final do ano me jogar numa grande caminhada desde a minha casa, na Zona Leste de São Paulo, até Bertioga. Após sair do tecido urbano e semi-rural, ao chegar em Mogi, pretendo pegar uma trilha que desce a serra (a trilha do rio Itapanhaú) e, ao final desta, já na planície costeira, ladear o pouco de estrada que sobra até Bertioga.

    Como são seus sessenta e tantos quilômetros, pretendo cobrir isso entre dois e três dias de caminhada. Já preparei as ferramentas mais básicas (canivete e faca de bolso, machadinha e uma faca de caça de qualidade boa, apetrechos diversos para fogo e primeiros socorros, mochila, cantil, lanterna tática – coisas que uso para ir pescar), e estou providenciando aos poucos o resto – um calçado bom, poncho impermeável e uma rede com mosquiteiro.

    Isso tem a ver com o post pois minha principal dúvida é quanto a dormir no mato, o que nunca fiz – e a preocupação é com os bichos de dois pés. Já pesquisei (e antes de ir pretendo testar na prática) como fazer uma fogueira num buraco (o tal “Dakota fire pit”) para não chamar muita atenção. No mais, minha dúvida é sobre isso da segurança, se recomendam algo a mais, se é muito temerário tentar isso… não tenho arma de fogo e acho difícil obter uma até lá. Sei que muitas pessoas fazem a trilha, mas sempre há o medo de cair nas mãos de algum mal-intencionado. O risco é mesmo grande? Imagino que uma rede escondida num mato denso, um pouco distante de clareiras, seja algo bem difícil de se ver à noite… mas gostaria de ouvir as dicas e experiências dos senhores nesse sentido.

    Desde já obrigado pela atenção e forte abraço,

    João

    • Olá, vamos por partes. Sessenta e tantos quilômetros em trilhas, carregado, é coisa pra caramba. Para você ter uma ideia ai, veja no Google maps o trecho que vai do Hospital Angelina Caron em Campina Grande do Sul até Porto de Cima, em Morretes, pela serra do mar. Linha reta deve dar uns 20 e tantos kms. Pela trilha, desviando de tudo, e com uma carga de mais de 10kg, no auge de minha forma física levamos das 08:00h até 22:00h, e ainda faltou um pedacinho…..considere no mínimo 3 dias, a não ser que vc já tenha experiência na trilha. Com relação aos risco, na época em que eu vagava pela Serra do Mar os riscos eram menores, e sempre carregávamos facas e fações. Recentemente soube da morte de campistas da trilha do Itupava, que basicamente chegava no mesmo lugar, por outro caminho. Claro, de toda forma, não chamar a atenção é sempre bem vindo. Sempre estar atendo, desconfiar de tudo e evitar confusões desnecessárias, especialmente para quem gosta de beber. Abraços

      • Obrigado pelas dicas hwidger!
        Eu tenho uma faca de caça/pesca boa (estou pensando se complemento-a com um machadinho – melhor para obter material para fazer fogo – ou um facão simples, melhor para abrir trilha e defesa). No mais como mencionei, armas de fogo não são uma opção pelo custo e demora em obter. Acho que o segredo de fazer o trajeto em segurança vai ser caprichar na discrição na hora de montar acampamento.
        Quanto à questão do trajeto, obrigado pelo conselho! Acho que o ideal vai ser me calcular para quatro dias, com suprimentos para cinco, por segurança. Até para fazer o trajeto sem afobação – a ideia é fazer um primeiro reconhecimento, não percorrê-lo como se houvesse uma urgência.
        Novamente obrigado pelas dicas e se tiver mais conselhos ou indicações de material de consulta, por favor compartilhe!
        Um abraço.

      • Obrigado por suas palavras. O macete é não ser pego de surpresa, então convém testar técnicas, equipamentos e trajetos.

  • Clóvis Baricceli

    Animais são a ultima coisa que devem se preocupar, coisas sobrenaturais existem em todo lugar. ja presenciei 3 eventos inexplicáveis 1 em uma mata numa trilha de bicicleta com um amigo ao cair da noite próximo das 18:30h alguma coisa estava arrastando as plantas e arvores próximo da gente e não era nenhum animal pois já estava acostumado a anos com o ambiente, outro em um laranjal com outro amigo de dia escutamos assovios e gente chamando mais não tinha ninguém pois rodeamos o laranjal e não achamos ninguém, o último foi na casa da minha namorada quando a gente tava vendo tv a noite e a extensão se mexeu sozinha e ela também viu, nos 3 casos não foi imaginação pois quem estava comigo também presenciou, não sei o que era e não recomendo ninguém ir pro mato sozinho independente do horário, se acontecer com alguém um dia vão embora na hora não fiquem esperando pra ver o que é, antes de ir pro mato testem todos seus equipamentos, liguem suas lanternas e marquem quanto tempo ela fica funcionando. Se possível levem uma arma de fogo o ser humano é muito podre e está em todo lugar, um homem que chega no seu acampamento alguma coisa ele quer, mesmo que seja só para ver quem é a gente não sabe das intenções de ninguém pois este é o maior perigo, não subestimem nada e ninguém.

    • Olha, já vi muita coisa estranha…mas nada que supere a Navalha de Occam. Com o devido respeito, qual a explicação mais simples: Pássaros noturnos ou entidades estranhas? Na nossa Serra do Mar aqui temos muitas histórias sobre “gritadores”. Pessoalmente, não acredito. Mas pelo sim pelo não prefiro dormir de pé coberto….

  • O legal disso tudo é que as informações devem ser utilizadas como ferramentas: servem para várias situações mas o uso adequado dependerá do bom senso do utilizador, a quem caberá sempre fazer os ajustes e aperfeiçoamentos necessários.
    É melhor enfrentarmos uma situação prática com informações-básicas, do que sem nenhuma.

    • Concordo Irineu,

      Ao contrário do que muitos procuram, não há uma fórmula pronta para se preparar ou para ter equipamentos de sobrevivência. Temos que analisar profundamente todos aspectos de NOSSA realidade para poder então montar nosso próprio esquema de preparação.

      Abraços.

    • Depois de umas curtas férias, estou por aqui de novo. Espero que todos tenham um bom ano, ao menos até o sol se alinhar com o sol central da galáxia, lberar as mágicas energias violetas e fazer o continente americano cair nas nossas cabeças……bom, ao menos não tenho que me preocupar em pagar a OAB ano que vem….

      Irineu, perfeito seu comentário. As necessidades variam, e os equipamentos devem ser customizados. Aliás, venho querendo sugerir, se o blog dispor dessa capacidade, que os leitores enviem para publicação fotos de seu material. Vou ver com o pessoal e se der eu posto!

      Abraços

  • Vou com muita frequencia só, muitas vezes passo a noite, raras durmo e quando durmo é em topo de arvore .
    Meu boxer vai comigo quase sempre, aprendi a ler a sensibilidade do cão.
    Confesso que apliquei uma gestão diferente pro dia a dia do bicho, ele não vive só de ração, come comida 3 x por semana. Ele anda bem a rédea curta mesmo em local de muita arvore, vai na frente de guia assim não nos enrroscamos, ele recebeu adestramento de ataque e fizemos CQB em campinas. Nicko, meu cadelo é um inimigo do cacete na mata e ensina muito.
    Porque falei do cachorro? O treino ensina a detectar humanos, e visualmente ele entende o “armado”, observando o animal, vc percebe detalhes através dele, se ele se vira, se fica alerta, se se prepra pra lutar ou correr atrás de algo, se tem medo… enfim, vivencia na mata com um cão é diferente, mesmo velhos como eu aprendem observando uma criatura que, diferente de nós ainda mantém muito de seu instinto primitivo.

    • Márcio,

      Uma das minhas grandes vontade é ter um cão para acampar comigo, creio que realmente seja uma companhia inestimável… quem sabe daqui alguns anos consigo espaço e determinação para ter e adestrar um!

      Abraços.

  • Rafael Fry Lopez

    Olá meus amigos do blog.. é esse é um assunto bem subjetivo e variável, gostaria que lessem até o final, eu não costumo tirar o medo das pessoas de passar a noite em lugares hostis por vários e vários motivos, pois sempre tive uma educação rígida a respeito disso recebida de meus avós e de meus tios ex militares da Espanha ( esse povo é bravo mas com razão as vezes), é o seguinte, a maioria dos animais e insetos que podem causar danos reais e sérios a pessoas possuem hábitos noturnos exemplo básico de cobras, aranhas e escorpiões que saem a noite para se alimentar, o nosso ambiente é o ambiente urbano, é a cidade, não estamos tão preparados como pensamos para invadir outro ambiente e agir como se fossemos nativos dali, independente do seu nível de experiência, na pratica a coisa é outra, e o risco de você pisar e encostar em um desses animais é bem grande e real, então confiança de mais te prejudica, e de menos também te prejudica, a tensão seguida do cortisol e da adrenalina liberadas no sangue aguçam todos os seus sentidos em questão de minutos e isso já foi cientificamente provado, o que você não pode ser é um bunda mole que por causa do medo toma atitudes erradas e prejudica você e outras pessoas do grupo, então manter a adrenalina e a atenção redobrada é útil e válido, isso eu considero uma obrigação, pois do contrário você pode se ferir ou se prejudicar gravemente, o risco de encontrar uma aranha em cima de você no meio da noite é real, pode tomar as medidas protetivas que você quiser, elas estão no ambiente delas, conseguem entrar e chegar a qualquer lugar, digo isso que mesmo com isolamento nas cordas da minha rede ( vou postar em meu canal no YT como fazer um desses) acordei com uma aranha marrom no meu peito, você teria calma e frieza para não bater nela com a mão nem sair correndo ? Por eu conhecer os danos sérios causados pela mordida desse bicho eu fui obrigado a ter essa paciência e frieza e só bater nela quando não me oferecia mais risco, já vi cobras passando embaixo da rede a noite, rugidos de onça e por ai vai, então é preciso sim manter a tenção e atenção mesmo se for experiente pois a confiança muitas vezes nos leva a cometer erros bobos e primários, pergunte a qualquer militar que passa a maior parte do seu ano embrenhado em selvas em treinamento e combate que ele vai te dizer a mesma coisa, então cada caso é um caso, pessoas tem experiência diferentes uma das outras e é preciso sempre considerar o risco e manter a atenção, grande abraço e um feliz natal a todos.

    • Rafael Fry Lopez

      Eu acredito que o fato do uso de lanternas, não diminui as chances de um ataque, como você mesmo falo alguns animais pode percebe sua presença a distância pelo seu olfato, eu também jamais ando sem minhas lanternas levo no minimo 3.
      Ficar na escuridão total é questão de sentir o ambiente como ele realmente é, sentir parte, e isso mesmo que “falsa” mais me deixa com a impressão de mais segurança.

      Sobre os riscos é claro que eles existem, qualquer um que entre em uma mata esta correndo riscos de ser, atacado por algum animal.
      Assim como aquele que prefere viver somente em vida urbana, desde quando levanta e vai a padaria esta correndo riscos, e em minha opinião o risco não é menor de acontecer algum tipo de acidente.

      Abraços Feliz Natal

  • Sinceramente pernoita em meio a mata sozinho ainda não tive o prazer, mais já passei por muita experiência em pernoites que hoje em dia, fico muito calmo quando estou em meio a escuridão, devo isso ao meu pai que sempre esteve, e esta ao meu lado compartilhando suas muitas experiências. Eu particularmente me sinto mais seguro quando faço parte da escuridão, sem uso de lanterna ou qualquer objeto que mostre minha posição.

    • Pensamos de forma semelhante Bruno!

      Eu quando estou no acampamento ou até mesmo me deslocando na mata me sinto mais à vontade quando estou apenas sobre a luz do luar do que com uma lanterna… Creio que a lanterna muitas vezes ilumina um ponto porém cega todos os outros. Obviamente, se não houver luz da lua não há possibilidade de andar sem iluminação, mas quando estou parado costumo ficar no escuro para sentir a natureza da forma que ela é, não perturbando-a com apetrechos tecnológicos.

      Abraços.

      • Meu pai, mateiro velho, inclusive nos velhos tempos em regiões de conflitos agrários no Paraná, ensinou-me desde cedo que durante a noite toda luz é um alvo….que era melhor usar luz de forma limitada e discreta, para não chamar atenção….

      • Concordo plenamente, e no final das contas após acostumar-se, a lua oferece luz o suficiente para você ver tudo o que precisa ser visto!

      • Rafael Fry Lopez

        Opa blz, é eu também prefiro ficar a luz da luz quando estou no acampamento já montado, mas por uma questão obvia e de segurança, JAMAIS faço caminhadas a noite sem lanterna, os riscos são muitos, buracos, cobras, pisar em armadilhas de caçadores, então cara essas coisas tem que ser levadas em conta, não estamos em guerra pra virar alvo por causa de uma lanterna, a visão dos humanos se adapta após 40 minutos aproximadamente se tornando melhor a noite mas isso não chega nem perto da visão de um felino grande por exemplo que pode te avistar a dezenas de metros, para caminhar somente com a visão noturna dilatada é arriscado e não recomendo isso a ninguém pois não somos nativos dali então não temos os sentidos e as “ferramentas” naturais desenvolvidas pra esse tipo de coisa, uma dica é, para preservar a sua visão noturna, se precisar acender uma lanterna, tape um olho e mantenha o outro fechado isso faz com que você não a perca por completo, flw t+

      • Rafael,

        Creio que antes de se arriscar em uma caminhada noturna você deve conhecer o local e saber onde está andando. Obviamente é impossível se locomover durante a noite em mata fechada, seria tragédia na certa. Quanto à questão dos animais, cabe ao sobrevivencialista compreender quais são as espécies que habitam a região alvo para acampamento e qual a incidência destes animais no local…

        Quanto à questão da dilatação da pupila, não sabia sobre este fato, obrigado por contribuir!

      • Rafael Fry Lopez

        Corrigindo “prefiro ficar a luz da LUA”

      • Rafael Fry Lopez

        É conhecido que animais como Onças, Suçuaranas, Javalis primariamente sentem sua presença pelo seu olfato apuradíssimo, então o uso ou não de lanternas não impede esses animais de te perceberem talvez a kilometros de distância, e o fato de militares evitarem o uso de lanternas é obvio, que conhecem totalmente o local onde estão, são treinados anos a fio para esse tipo de situação e estão armados e em grupo o que torna uma missão noturna muito mais viável, sem falar no emprego de óculos de visão noturna inclusive usados pelo BOPE em algumas operações policiais no RJ, bom essa é minha opinião técnica do assunto e é sempre bom compartilhar com vocês, abraço t+

      • Rafael,

        Vale lembrar que ao menos em minha experiência e também de meus colegas conhecidos, o animal mais perigoso que podemos encontrar no mato é o ser humano. Geralmente os animais do local fogem (inclusive os grandes felinos) ao ver que há movimentação humana… claro que há casos de ataques quando a comida é escassa na região e os animais tem que arriscar o confronto. Porém em 15 anos de mato nunca tive problemas com os “habitantes” do local, já me deparei com um grupo de 10 porcos selvagens (Queixadas ou Catetos) e o mesmos saíram correndo bem rapidinho ao ver o bicho homem.

        Mas como você mesmo disse, cada caso é um caso! Abraços.

      • Rafael Fry Lopez

        Sobre as pupilas, elas se dilatam não especificamente só a noite, mas quando ah falta de luminosidade então isso se dá a dilatação para a entrada de luz no interior do globo ocular ser maior, isso ocorre as vezes com 10, 15 minutos de exposição ao escuro em algumas pessoas, em outras após 30, 40 e até uma hora, e realmente sua visão chega a dobrar e dependendo da sua saúde ocular até triplicar, mas como eu disse nunca chega perto da visão de um felino que possui um sistema de captação de luminosidade totalmente diferente dos humanos, por isso os olhos deles brilham a noite, e pra preservar essa visão quando for usar uma lanterna, mantenha um olho fechado e use um só aberto pois quando acabar de usar a luz, a dilatação será mais rápida no olho que ficou aberto exposto a luz, flw abraço.

      • Rafael Fry Lopez

        Animais são imprevisíveis e podem atacar não só por fome mas também quando se sentem ameaçados ou estão com cria perto, eu estou fazendo um estudo sobre ataques de onças no Brasil e os dados reais são escondidos pela mídia a pedido de ongs protetoras desses animais, os dados são preocupantes pois animais não sabem o que é humano, não sabem que dominamos o mundo, somos apenas outros animais pra eles, e minha ultima experiência com um bando de javalis não foi nada legal, nada mesmo, sobre caçadores e bandidos no mato, eu nunca desço pro mato desarmado ( sou agente de segurança pública tenho meu armamento de trabalho e o pessoal devidamente registrado não estou fazendo apologia ao uso de armas ilegais) em um caso de ver caçadores ou pessoas suspeitas minha primeira atitude vai ser me esconder e camuflar pra sentir a movimentação e ver o que se passa, e o resto só estando na situação pra saber qual medida tomar, mais uma vez digo que meus comentários jamais são para questionar opiniões e comentários e sim para mostrar experiências e situações diferentes de cada pessoa, aprendo muito com isso e gosto do trabalho de vocês, grande abraço.

      • Olá Rafael,

        Fique tranquilo que são essas discussões que produzem conhecimentos, cada um tem vivências diferentes e então, desenvolve percepções diferentes!

        Abraços!

  • A alguns anos comecei no montanhismo, acampava com uma turma de amigos, depois de um tempo comecei a procurar aventuras mais dificeis que eles não queriam encarar, a isso somou-se o fato deles ficarem muito dependentes de equipamentos caros, enquanto eu procurava fazer uma coisa mais rústica e simples, estilo bushcraft, mas que eles criticavam muito, então me desliguei do grupo e resolví me aventurar só. A questão de pernoitar sozinho na mata é somente psicológica, eu trabalhei minha mente me mantendo conhecedor dos riscos que os animais ofereciam e do que eu poderia fazer contra isso, e convicto de que não há nada além das plantas e animais na mata. É só ter frieza que a gente vê as coisas como realmente são, não há nada de assustador ou sobrenatural na mata. Convicto disso me aventurei só por diversas vezes em lugares muito isolados de qualquer povoado ou sítio sem problema algum. Só não recomendo que façam isso por causa dos riscos de acidente ou animais peçonhentos, tendo uma boa companhia que possa pedir socorro pra você é muito melhor, mas boa companhia por que “antes só que mau acompanhado”

  • A primeira vez que acampei com os escoteiros foi a mais marcante para mim. Tinha cerca de 12 anos e acampamos em uma região bastante isolada, em um grupo de oito pessoas.
    Durante a primeira noite fiz a minha primeira ronda, fato que me deixou em pânico. Houvia passos, conversas, miados, tudo o que você pode imaginar… e para piorar o rapaz que estava comigo também era iniciante e confirmava ouvir os mesmos barulhos (nada como um medo coletivo para piorar as coisas)!

    Em determinado momento ouvimos um pequeno barulho em um arbusto e um animal marrom pulando, o que julgamos ser uma lebre… logo em seguida ouvimos um grande barulho e ao mirarmos a lanterna o que estava a nossa frente? Um Lobo Guará!!!!

    Aquele animal lindo com pelos meio avermelhados parou e ficou olhando para nós, assustado com a luz (creio que ele estava perseguindo a lebre que pulou antes)… imagine a situação, dois meninos tremendo, eu com uma faquinha de 12cm na mão rezando pra não precisar usá-la e um lobo olhando pra gente… logo ele virou e saiu disparado de volta para o mato… toda a situação durou cerca de 15 segundos, porém na minha cabeça eu fiquei encarando aquele bixo durante 5 minutos! Depois disso foi bem complicado dormir ou saber que estavamos em segurança novamente… mas a experiência serviu e muito para alguns conceitos de como nos proteger e não chamar atenção dos animais do local onde estamos…

    Essa é minha primeira grande noite no mato, memorável com certeza! Tenho outras pérolas, mas ficam para outro dia… Abraços!

    • Quando acampei pela primeira vez com os escoteiros foi na época da fundação do Grupo Escoteiro Terra Bonita, em Ibiporã. Ainda nem tinhamos uniformes. Eu era monitor, e a noite foi de várias atividades, guiadas pelo chefe de um grupo convidado. Teve brejo, corrida de um suposto cara com uma espingarda, que fez metade do pessoal cair em uma valeta, e por ai vai.
      Já em mata fechada mesmo foi na serra do mar. Confesso que estava bem sobressaltado, e me tranquilizava sentir o cabo de uma grande faca que levava na cintura bem ao alcance da mão…..
      Estava tão preocupado com eventuais predadores de duas patas que um amigo me disse: “Calma, cara, você não está na guerra nem no exército…relaxe….”

  • Gustavo Marcolin

    A primeira noite que eu passei sozinho foi muito sinistra, ouvia de tudo e o medo que estava sentido fazia piorar ainda mais as coisas. Olha pro relógio que parecia não funcionar mais, pois, a hora não passava. Lá pelas 21:00 horas decidi ir me deitar e tentar dormi. Pra ser sincero não dormi nada! Ouvi e vi muita coisa. Fruto da imaginação? Com certeza!

  • Olavo Borges

    Paulo, um pescador nos levou e nos deixou lá e ficou de nos buscar três dias depois. Na primeira noite começamos a ouvir barulho em volta do acampamento, alguma coisa nos rodeava, mas não conseguíamos ver o que era, cansados fomos dormir, meio de prontidão. Acordamos com a nossa cozinha sendo atacada por um bando de gambás.

  • Nenhum heroismo é recomendável ou “correto”, em qualquer situação. Talvez, por isso, seja heroismo. Parabéns ao seu amigo. Esse, sim, sabe o que é amizade.
    Minha primeira experiência individual com o escuro, no mato, foi há quase trinta anos. O que mais me impressionou foi que nada se via. Podia colocar a mão em frente ao rosto e necadepitibiriba. Vultos não havia. Breu total. Cegueira completa. Um fósforo aceso parecia um holofote cegante. Inesquecível!

    • Algumas vezes faziamos o Caminho do Itupava, na Serra do Mar aqui no Paraná, durante a noite, com lua cheia. Fora as áreas realmente de risco, usávamos muito pouco as lanternas. Mas em noites sem lua o bicho pega mesmo…..não se enxerga nada….

  • Por enquanto não tive nenhuma experiência de ficar só na mata, mas vou me lembrar deste post caso isso ocorra.

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