Morar em um veleiro? Descubra como funciona! – Bota Suja EP.15

Vamos conhecer um casal que mora em um veleiro e quer dar a volta ao mundo! Você descobrirá quais equipamentos eles tem no veleiro, como cada coisa funciona e velejará com a gente!

Não bastasse o vídeo, se quiser saber mais sobre como é essa vida e responder possíveis dúvidas que surgiram, aqui vai o podcast que fizemos com o casal do projeto IPA Dive:

Estilos de vida mais desconectados do sistema sempre são interessantes, especialmente para nós, sobrevivencialistas. O que você achou?

Até.

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um comentário

  • Caro Lobo, Ébano, Adriano e leitores.
    Esse é um assunto em que me sinto um peixe dentro d’água! 😀
    Sempre fui um esportista nautico, prefiro o remo pois entendo o esporte mais completo que existe, malhamos todos os musculos do corpo e é um cardiovascular fabuloso, mas velejo e gosto.
    Acredito que essa repostagem vai acordar muitas pessoas para o mundo náutico.
    A escolha da embarcação quando buscamos uma “resindência” tem que ser sábia, não adianta achar que um benetteau é “o” valeiro, pois para cada mar existe o veleiro adequado. Um catamarã é sobremaneira mais espaçoso, e permite até uns exercícios amplos para fortalecer as pernas (ficar muito tempo no mar faz a musculatura da perna ficar meia boca), é até mais rápido, entretanto para cambar é uma tristeza, tem a manobrabilidade bastante dificultada pela proposta multicasco, mas o calado dele é mínimo e permite se aproximar bem da margem sem problema de encalhe, pois até o peso é menos pontual se tocar no fundo.
    Já os monocascos são mais manobráveis mas são mais problemáticos para encalhe, o do casal tem um ponto delicado nesse quesito de encalhe. Em meu entendimento é sempre melhor ter bolina móvel em vez de fixa, pois bolina móvel pode ser levantada reduzindo brutalmente o calado.
    Com relação aos materiais temos de novo várias opções e todad variam em função da proposta de uso.
    Um casco de fibra é mais barato (porque é mais fácil de encontrar, pois a maioria dos fabricantes usam a fibra por sua facilidade de manufatura), mais leve e mais liso. Mas não serve para uso em águas em latitudes mais altas, pois fibra se tiver uma rachadura, infiltração e a água congelar dentro do miolo do casco a fibra delamina pois o gelo é mais volumoso que a água.
    O casco de aço é o mais forte, garante uma embarcação realmente robusta (Os Schurmann tem seu barco em aço), mas exige uma manutenção mais acurada pois ferugem é real problema. Mas em altas latitudes é perfeito pois o casco aguenta até encalhar preso no gelo. O gelo quando se forma em volta do casco empurra esse para cima ou esmaga o casco.
    O casco de alumínio é meu favorito, é leve e sobremaneira robusto, quase como o aço e permite navegação em qualquer água, só que casco de alumínio é caro, muito caro!
    Em alumínio é fundamental que o casco seja muito bem isolado de toda a parte elétrica pois se houver “vazamento” eletrico para a água o casco é consumido em pouco tempo em um processo de anodização.
    É FUNDAMENTAL ÂNODOS DE SACRIFÍCIO EM CASCOS DE ALUMÍNIO, e no de aço uma pintura bem feita de boa qualidade já garante a situação, embora o ânodo de sacrifício seja também aconselhável!
    Em ambos os modelos metálicos (aço, alumínio), a bolina via de regra é retrátil.
    Um exemplo de um puta barco de alumínio é o paraty II que o Amir Klink foi para a antártida.

    No mais, tudo o que é marinizado é caríssimo, e o mais caro em um veleiro são os equipamentos, o casco e o motor são menos pesados no orçamento.

    Escolher o aço inox é melhor que o latão, dura mais apesar de ser bem mais caro, compensa no longo tempo.
    Minha sugestão a qualquer um que se candidate a virar velejador sugiro ler todo e qualquer livro sobre velejadores.
    O livro do Aleixo Beloff é muito bom, do Seti Júnior é uma aventura e temos uma relativamente vasta biblioteca sobre navegadores tanto em solitário quanto em família, vale a leitura dos livros dos Ceccon e dos Schurmann. É interessante aprender inglês pois é a comunicação mais comum entre viajantes e também porque a biblioteca nessa lingua é vastíssima.
    Para entender a arte da navegação sugiro o livro Navegar é Fácil do Capitão de mar e guerra Geraldo Luiz Miranda de Barros, com essa leitura qualquer um passa nas provas de arrais e mestre de tapa, pois ele é base para essas provas. Antes se podia fazer só as provas, já hoje em dia se obriga a fazer um curso comprovado.
    A diferença de mestre e capitão amador é a navegação celeste, enquanto mestres só podemos navegar em águas onde existem os referenciais geofísicos (morros, ilhas, pontos de referencia), já o capitão pode cruzar oceanos pois sabe navegação por sextante, e sobretudo sabe ler o céu.
    Tudo isso é relativamente fácil, só é preciso querer e gostar.
    Em meu entendimento todas as pessoas deveriam estudar nas escolas orientação por astros, deveriam aprender ler cartas nauticas e aéreas, pois tanto a área nautica quanto a de aviação são primordiais para um saudável desenvolvimento em todas as áreas.
    Em aviação conhecer motores, tipos meteorológicos, derivação por vento é lei, faz parte do curriculo, da mesma forma que em nautica, o que mais varia são as derivações, no mar o que mais pega é a derivação pela corrente ou maré, mais fortes que a influência do vento , pois o vento em caso de veleiro é o determinante do deslocamento.

    Um veleiro ataca o vento de forma ótima em até 45graus de bochecha em cada lado da proa, ou seja, vento de frente não gera movimento na embarcação. Mas a orça (ângulo de ataque do vento) se for forçada até ultrapassa os 45 graus, chegando até uns 30 graus, mas a navegação fica lentíssima.

    Lobo, vc comentou sobre caravelas que sem vento ficavam à deriva mas a razão é mais dinâmica, as velas daquela época (na europa) só trabalhavam até 90 graus em relação ao casco.
    A vela latina sempre foi a solução para navegação contra vento, mas os “gênios” europeus demoraram para entender isso! Os árabes sempre foram mais capacitados em navegação, até sextante com barbante e um toco de madeira com um furo eles fizeram, permitindo a navegação em variação de latitude com mais acurácia que só foi feita na europa depois do invento do sextante.
    Vale estudar as embarcações asiáticas, os juncos por exemplo. São engenharias muito ajustadas de construção de cascos e velas.

    Enquanto na europa se fazia nau tosca e lenta, insegura, na China já se fazia embarcações descomunais e com velas que permitiam atacar o vento com os tais 45 graus na proa.
    Faziam embarcações onde até se plantar e criar animais era possível, eram embarcações que exploraram o mundo inteiro, mas ficaram ocultas pela canalhar mídia ocidental que sempre gostou de puxar sardinha par seu lado mesmo que a sardinha estivesse podre!
    Vale ler sobre as navegações dos chineses, é algo fascinante.

    É isso, espero ter ajudado com informações pertinentes.

    Agradeço a atençao
    Obrigado

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