Sobrevivencialismo e liberdade

É, chegou mais um daqueles momentos onde precisamos começar a conversar sobre política. Antes que você fuja ou comente “volte com as instruções de selva” peço que insista na leitura para pensarmos juntos sobre esse tema tão complicado.

Vamos direto ao que interessa: Será que para ser sobrevivencialista é necessário ter visões políticas semelhantes? Essa é a dúvida que jogo na mesa hoje, e, para tentar pensar sobre ela, vou colocar a minha percepção sobre o assunto e espero que você me diga se estou olhando para o rumo certo ou estou completamente equivocado.

Qual a essência do sobrevivencialismo?

O sobrevivencialismo tem um norte, uma missão principal. Muitos acreditam que ser um sobrevivencialista é ter um kit de sobrevivência ou saber acampar, mas quando começamos a ir mais à fundo entendemos que existe muito mais que isso. De maneira geral, todos as evidências apontam que os adeptos a esta visão buscam ampliar suas capacidades de sobreviver, não é? E para tal, estudamos diversas técnicas, formas de pensar e estratégias diferentes que englobam desde ambientes selvagens a cenários urbanos.

Partindo desse ponto, é seguro afirmar que o sobrevivencialismo empodera o indivíduo, não acha? Isso porque com conhecimentos técnicos e diferentes treinos um sobrevivencialista pode ser mais dono de si no que tange a cuidar de sua própria vida. Isso vai desde aprender a desentupir uma privada até a fazer um abrigo primitivo no meio da selva.

De maneira geral, ser um sobrevivencialista é fazer o máximo para assumir o controle de coisas que geralmente estão sob poder de outros, coisas como produção de comida, defesa da sua vida, geração de energia e mais. Logo, a partir dessa visão, voltamos ao lema que tanto repetimos por aqui:

O sobrevivencialismo visa tornar você mais responsável por sua própria vida.

Considerando que nosso objetivo é de dar mais poder ao indivíduo, é natural entender que desejemos cada vez menos a intervenção de forças externas em nossa vida, sejam pessoas ou instituições. Vamos conversar sobre isso agora.

Liberdade X Instituições

Compreendo que a visão de liberdade é completamente subjetiva e na maioria das vezes atinge o nível de utopia, mas vamos tentar brincar com este conceito aqui. Para você, o que é ser livre? Para mim, é ser capaz de tomar as decisões que eu quiser quando estas estejam ligadas às minhas posses – corpo, pertences e propriedades.

Entenda que não estou apelando aqui defendendo que qualquer um pode fazer o que quiser, pois sou um grande defensor de que a minha liberdade termina onde a do outro começa e que respeito é bom e conserva os dentes. Na minha visão é estúpido construir uma ideologia que não respeita o padrão de comportamento do ser humano, por isso creio que seja sim necessário algum tipo de regulação na conduta humana para que ela não descambe completamente, mas infelizmente as instituições (Estado) não tem se mostrado eficientes no processo – basta olhar o passado.

A regra parece se estender por diversos cenários da história humana: quanto maior a presença do estado, menor a liberdade do indivíduo. Basta olhar para a história do último século e exemplos não faltarão de que quando confiamos o poder das decisões a uma instituição que se intitula acima de nós, ela tende a abusar do poder concedido e escravizar aqueles que a colocaram neste pedestal.

Vamos às evidências que temos no Brasil, um país que foi gerido por um Estado cada vez mais inchado nas últimas décadas:

  • Você não é dono de sua casa: O conceito de propriedade privada não existe de maneira “preto no branco”. Toda propriedade em terreno nacional precisa cumprir uma “função social”, esta não descrita em local algum e logo dando brecha para que seja definida de forma discricionária pelos governantes. O termo correto para quem tem terras no Brasil não é proprietário, e sim “fiduciário”, ou seja, uma espécie de arrendamento da terra que sempre pertencerá ao Estado;
  • Você não pode defender sua vida ou posses: Apesar de haver mecanismos de legítima defesa para garantir que você não seja preso caso reaja a um assalto ou invasão domiciliar, a legislação é tão pouco realista e dá tanta margem para discricionariedade que na prática, reagir contra um criminoso vai lhe colocar na cadeia ou no mínimo lhe garantir um processo judicial cheio de dores de cabeça;
  • Você não pode produzir sua própria comida: Se você mora na cidade, alguns tipos de criações de animais não são permitidos (galinhas, por exemplo). Mais que isso, mesmo que em uma fazenda você não pode abater animais e preparar um churrasco para sua família pois a ANVISA exige que você possua instalações adequadas e devidamente certificadas para realizar o abate;
  • Você não é dono dos seus filhos: Pois é. Se você por alguma razão não seguir as premissas consideradas importantes pelo Estado ele pode tomar seu filho de você. Hoje isso só acontece em situações extremas de abuso e semelhantes, porém bastam algumas pequenas alterações de leis causadas por interesses maiores e pronto, tudo pode descambar. Porteira que passa um boi, passa boiada;
  • Você é obrigado a pagar tributos para continuar aqui: Não quero entrar em afirmações extremistas, mas sejamos honestos… Você paga impostos de todas as formas possíveis, seja em cima do que você compra ou do que vende. Você não tem como escolher onde o Estado investirá SEU dinheiro e se decidir não pagar, perderá tudo o que tem, talvez até mesmo irá para a cadeia.

Bom, chega. Hora de partir para a próxima parte desse papo.

Hora das dúvidas

Depois dessas pequenas reflexões acho que estamos prontos para as perguntas que têm permeado minha mente quando falamos de sobrevivencialistas brasileiros. Preciso enfatizar aqui que tudo o que escrevi deve ser contestado e questionado! Talvez minha visão esteja deturpada ou minhas informações não estejam certas, por isso a sua opinião e conhecimentos podem me ajudar a colocar a cabeça nos trilhos. Dito isso, vamos lá:

  1. Visto que visamos a liberdade de defender nossas casas e famílias, de produzir nossos recursos e incutir os valores que nós acreditamos ser válidos em nossos filhos, como podem existir sobrevivencialistas que defendem que o Estado deve estar presente e ser cada vez mais responsável pela nossa vida?
  2. Considerando que o sobrevivencialismo visa tornar você mais responsável pela sua vida, isso inclui assumir o desafio de cuidar da suas posses e defender sua família de invasões agressivas. Então como podemos ter sobrevivencialistas que se posicionam como desarmamentistas?
  3. A não existência de um Estado é praticamente impossível em termos realistas, então qual seria a visão política mais adequada para um sobrevivencialista?
  4. Para finalizar, concorda com minha visão do que é o sobrevivencialismo? Acredita que há equívocos?

Enfim, do ponto de vista social quanto mais fortes os indivíduos de uma sociedade, mais forte esta sociedade se torna – ao menos na minha visão. Logo, me pergunto por que alguns pensam o contrário e ainda assim se denominam como sobrevivencialistas.

Espero que este assunto possa render vários comentários aqui abaixo, está na hora de amadurecermos nossa conversa para além de fogueiras e barracas. Não viso agredir ou ofender ninguém com este texto, apenas gerar debate! Conto com sua participação e posicionamento educado, comentários ofensivos serão deletados.

Até.

 

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23 Comentários

  • Prezado Júlio,

    A reflexão levantada é interessante. E é um debate complexo, pois na sua essência versa sobre conceitos filosóficos importantes dentro da área da filosofia moral e filosofia política, tais como: a liberdade, a sociedade, a política, o Estado, o indivíduo, etc. Logo, acredito que devemos ser prudentes, pois é uma reflexão com diversas nuances que não são simples.
    Neste sentido, vou me ater aos pontos colocados em negrito. Concordo com sua perspectiva sobre a filosofia sobrevivencialista. Realmente, ela procura criar na pessoa uma visão de responsabilidade pessoal. Isso significa um amadurecimento individual. É, justamente, essa indução à responsabilidade que deve estar atrelada ao conceito de liberdade. De modo geral, concordo com a sua conceituação de liberdade, mas acrescento que esta deve estar vinculada a uma finalidade nobre. Em outros termos, a decisão que um indivíduo realiza sobre seus bens, corpo e propriedade (terra, casa, etc) deve ser feita visando um fim moral que engrandeça moralmente o indivíduo e a sociedade. A título de ilustração, a posse e o porte de uma faca e de um revólver podem ter finalidades distintas nas mãos de um sobrevivencialista ou de um psicopata. Isso pode ocorrer com quaisquer outros bens. Note que um indivíduo virtuoso tem uma conduta diferente de alguém que é movido por vícios (no sentido mais “pesado” do termo, ex. ganância, luxúria, desonestidade etc.). Portanto, a liberdade é uma autonomia de decisão que deve ser pautada por um fim moralmente elevado e o indivíduo alcança este fim por meio das virtudes.
    No que tange aos outros pontos, descrevo minhas discordâncias, conforme os pontos descritos em seus texto inicial.

    1) Quanto maior a presença do estado, menor a liberdade do indivíduo.

    Não necessariamente. Não vejo um vínculo automático de causa e efeito entre Estado maior e a perda da liberdade do indivíduo. Note que o Estado é a expressão do querer coletivo, ou seja, de nós – indivíduos – reunidos em sociedade. E qualquer sociedade possui um tipo de organização, seja mais simples ou mais complexa. Essa forma de organização que chamamos de Estado, é um ente que está inserido em contextos históricos concretos. Ou seja, uma situação é falar de um Estado que possuiu um regime político totalitário no século XX, outra situação é falar do Estado com um regime monárquico-parlamentarista no século XX. Por conseguinte, este ente denominado Estado não pode ser entendido somente com um conceito abstrato, mas deve ser avaliado sob vários prismas: os indivíduos que estão na liderança, os indivíduos que apoiam a liderança, o período histórico, o regime político, a cultura dos indivíduos (sociedade), dentre outros.
    Nesta linha de raciocínio, o Estado é bom, é ruim, diminui ou aumenta a liberdade do indivíduo? Depende de vários fatores, conforme citado acima. Por exemplo, o morador de um bairro dominado pelo crime organizado teve a sua liberdade diminuída pela ausência do Estado Democrático de Direito. Por outro lado, este morador responde a outro tipo de organização “estatal”, que regula o direito, a economia, a política etc deste e outros indivíduos. Em suma, basta olhar o Rio de Janeiro, o Espírito Santo durante a greve policial e outros exemplos. Todos os indivíduos tiveram a sua liberdade diminuída.
    Por outro lado, observe que se podemos trocar opiniões em um blog, montar lojas e exercer o comércio, possuir nossos utensílios e exercer diversas outras atividades é porque os indivíduos escolheram, ao longa da história do Brasil, fomentar um Estado que assegure estas liberdades ditas individuais.
    Por fim, o Estado provém da sociedade, e esta é feita de indivíduos que também são cidadãos, justamente, por conviverem em grupo que é regido por costumes e leis. Como são os indivíduos, será a sociedade e, por consequência, este ente administrativo chamado Estado.

    2) Você não é dono de sua casa

    Por desconhecimento não posso falar de modo profundo sobre a questão da “função social” da propriedade do ponto de vista do Direito brasileiro. Por isso, faço uma reflexão a partir da ideia posta acima acerca da finalidade, da virtude e da cidadania. Uso o exemplo já citado, uma situação é o uso da propriedade por um sobrevivencialista virtuoso, outro é o uso por um grileiro de terras que utiliza mão de obra escrava. Este último não pode se ater ao princípio da “minha e somente minha propriedade”, pois seria estranho alguém se valer de sua própria torpeza para reivindicar determinados direitos, uma vez que não cumpriu seus deveres para com os outros indivíduos.

    3) Você não pode defender sua vida ou posses

    Concordo que a jurisprudência atual acerca da legítima defesa está longe de ser adequada, pois não condiz com a finalidade de defesa de posse ou vida. Mas vale o descrito nos parágrafos anteriores. Não é o Estado em si, é uma parcela dos indivíduos-cidadãos que sustentam esta perspectiva equivocada e usam os meios do regime democrático para assegurarem esta visão de mundo. Isso inclui promotores (as). Cabe a nós, a outra parcela dos indivíduos-cidadãos, que defendemos uma linha adequada acerca da legítima defesa, mudarmos o paradigma cultural e, consequentemente, a jurisprudência majoritária atual.

    4) Você não pode produzir sua própria comida

    Neste ponto, deve haver uma justa adequação à vida na sociedade em que cada indivíduo está. Uma vez que concordamos que deve haver o respeito pelo outro indivíduo, em determinados lugares e considerando quem seja a pessoa e em que condições é feita esta criação deve ser proibido mesmo, com fins de preservação da saúde pública. Em outros termos, da preservação da saúde dos outros indivíduos.Em outros casos, pode-se permitir ou fazer algumas restrições.

    5) Você não é dono dos seus filhos

    Todos nós temos o “poder pátrio” sobre nossos filhos. Este poder somente é retirado quando o pai, mãe ou ambos não possuem condições desta criação, entenda-se total incapacidade para exercer este poder. Historicamente, o conjunto dos indivíduos considerou por bem que em determinadas situações, a sociedade deve proteger seus membros mais indefesos. Mais uma vez, adentramos na questão da finalidade e do exercício da cidadania para que não haja nenhum “descambamento”.

    6) Você é obrigado a pagar tributos para continuar aqui

    A discussão sobre os impostos é tão antiga quanto a história da humanidade. Tenho comigo que numa vida em sociedade é impossível não pagar algum tipo de taxa e/ou imposto (ou qualquer nome que se queira dar). O indivíduo pagará de alguma forma, uma vez que ele também usufrui de todas as benesses que os outros indivíduos oferecem (sociedade). A título de ilustração, poderá pagar para o Estado ou então para uma associação de moradores, para o condomínio, para empresas ou, na pior das hipóteses, para o crime organizado.
    Neste caso, entramos no debate de como deve ser a organização para uso deste imposto, seu montante etc. Em outras palavras, é uma questão como nós indivíduos e cidadãos desejamos organizar a sociedade em que vivemos.

    No mais, parabéns pela questão levantada e pelo excelente trabalho sobre o sobrevivencialismo.

    Um abraço.

  • Douglas Luis

    Entendo que temos um problema de prestação de serviço do Estado, antes de ele adotar x ou y de corrente doutrinária. O custo/benefício do estado brasileiro é péssimo. É um estado paternalista no sentido de:- Se não tiramos vantagem daquela área/setor, não deixamos ele se desenvolver.
    Entendo também que na briga do ovo e da galinha, a sociedade civil precisa demonstrar capacidade de mobilização e poder para regular/exigir do Estado, mas como é o próprio que teria de prestar este serviço de acesso e qualidade à educação ficamos em um looping de desmantelamento social com a tendência à piorar.

    • Deu na Record, faz alguns anos, o caso de médico-diretor de um hospital publico que mantinha o setor de radiologia com os aparelhos quebrados. Os exames eram feitos em uma clínica particular (o SUS pagando). A clínica era desse médico.
      Enfim, quem pagaria um plano de saúde se o SUS fosse uma maravilha? Quem botaria seus filhos em escola particular se as públicas fossem boas? E vc não fica curioso qdo o ministro da previdência era executivo de bancos de previdência privada?
      Serviço público, com investimento, é eficiente. Trabalho em escola pública e testemunho o interesse de muitos profissionais, mas os baixos salários e poucos recursos didáticos-pedagógicos desmotivam a maioria.
      Enfim, a depreciação de serviços públicos e estatais é programada. Afinal, que desculpa teriam para vender a troco de bananas uma estatal eficiente? Lembrando que uma empresa estatal não precisa dar lucro, mas ser eficiente. Tipo, uma empresa de energia elétrica não precisa lucrar bilhões, mas ser eficiente na distribuição de energia (cobrindo seus custos tá ótimo).

  • Esse post é filosófico e ético, podendo tender em qualquer direção. Levanta discussões que não levam a lugar algum.
    Mesmo as pessoas que querem liberdade total (vide documentários de quem vive em lugar nenhum) tendem a morar próximas, se procurar – viver em sociedade é algo mais que natural.
    Nós temos que fiscalizar o governo e agir, não apenas reclamar. Quem abre mão de sua defesa, passa o direito de agir, não deve dar palpite.
    Sobreviver é muito mais do que saber produzir ou executar algumas ações; sobreviver para mim e ter aptidões físicas, mentais e intelectuais para caso se, exemplo, eu sofra um acidente de avião e fico vivo, eu consigo voltar para casa, para minha família.

    • Vc quis dizer que não ganhamos nossos direitos, mas lutamos por eles.

  • Phelipe Lima da Silva

    Concordo com o Julio e digo que se o governo em algum momento quiser nos privar de nossos direitos ou pior de nossas liberdades individuais então teremos que estar preparados para reagirmos a isso de todas as formas possíveis.Digo ainda que devemos combater isso agora mesmo atuando politicamente votando em políticos que protejam nossas liberdades e criando movimentos populares para que nossa causa seja reconhecida e respeitada.

  • Ao contrário da corrente ideológica de mercado, sou favorável ao Estado democrático forte. Ou seja, um governo que represente as aspirações da maioria de seus cidadãos.
    Aliás, essa discussão de Esquerda, Direita, PT, PSDB, Bolsonaro, Lula, Temer, etc é infrutífera! Que tal se o povo (ou boa parte dele) se mobilizasse e determinasse diretrizes gerais a serem seguidos pelos governos?
    Não é o povo que deve seguir os políticos, mas os políticos que devem cumprir os anseios populares!
    Vai ser surpreendente qdo muitos “esquerdistas e direitistas” descobrirem que tem mais objetivos em comum do que divergentes!
    Os aspectos principais a serem discutidos:
    Soberania econômica: Preservação e estímulo para empresas genuínas nacionais (sejam privadas ou públicas) ou entregar ao estrangeiro até aquelas estratégicas?
    Serviços públicos em Saúde e Educação em boa qualidade ou entregá-los as empresas privadas (e estrangeiras)?
    A política do Bem-estar social, como nos países europeus ou o puro neo-liberalismo?
    Um Brasil soberano ou submisso às potências mundiais (EUA e China)?
    Por fim, um Estado fraco será dominado por grandes corporações (estrangeiras).

    • Acho que você foi mais pro lado econômico da coisa.

      Respeito que você defenda um Estado democrático forte. Mas o próprio estado brasileiro é culpado por não deixar que as empresas nacionais se desenvolvam e se tornem mais competitivas ao mercado externo.
      É imposto que não acaba mais! Grande parte do lucro que uma empresa consegue, vai simplesmente pro governo de bandeja. Se não houvesse tantos impostos e burocracias gigantescas, esse dinheiro poderia ser usado em melhorias nas empresas, tornando-as mais competitivas e oferecendo produtos de melhor qualidade.

      O fato do governo vender as empresas estatais é ótimo, porque todos nós sabemos o quão horrível é o serviço público em sua maioria. Isso demostra que o Estado centralizador é incompetente para administrar muitas coisas, ele simplesmente não dá conta. Aí cada vez mais o Estado vai crescendo, crescendo… juntamente com os gastos públicos e quem paga somos nós.
      No fundo, o Estado controlando empresas estatais não passa de moeda de troca entre os políticos, porque é presidente que indica amigo dele para gerenciar a empresa estatal X e por aí vai.

      Há muitas décadas, falando do ponto de vista político, não mudou quase nada! Sarney da época da inflação gigantesca, até pouco tempo atrás ainda estava ligado na política, ou vai saber se ainda está lá, porque calou a imprensa de falar qualquer coisa sobre ele. Collor que literalmente roubou o dinheiro da população até hoje está em Brasília! Só atualmente que vemos alguns políticos começarem a ter alguma punição…mas isso levou décadas pra acontecer. Décadas!
      A corrupção é tão grande como sempre foi e os culpados sempre saem impunes, porque a lei é feita pra eles e a punição sobra para nós, que somos obrigados a sustentar esse sistema. Entende aonde quero chegar? Não adianta querer defender um Estado forte se ele está podre e corrompido!
      Não estou defendedo partidos, porque pra mim são tudo iguais. Brigam entre sí no período de eleição, mas por trás estão de mãos juntas. No fundo, ambos sempre estão no poder, só trocam de cadeira de tempos em tempos.

      Se o Estado gera essa tensão e medo no povo de que o país será invadido por empresas estrangeiras, não passa de estratégia para amedrontar a população.
      Nos países de primeiro mundo, se o produto/serviço não atende as espectativas da população, eles simplesmente não compram e boicotam. A empresa que se vire pra melhorar a qualidade ou vai falir por sí só.
      O problema, é que a população brasileira não tem o hábito de boicotar as coisas. Reclamam, mas continuam aceitando as coisas. Caso JBS por exemplo, conto nos dedos quantas pessoas no mercado não consumiram mais produtos deles por conta da safadeza que fizeram. A grande maioria não liga, a empresa joga o preço da carne lá pra baixo pro povo comprar. Ao meu ver, a empresa deveria ir a falência, mas o Estado com sua doutrina socialista, ajuda a empresa porque diz que se falir muitas pessoas vão perder o emprego. Entende como o Estado passa a mão na cabeça de corrúpto? A questão ética e moral passa longe do Estado.

      Empresas produzem riqueza, geram empregos e melhoram a qualidade de vida das pessoas. Todo ser humano precisa ter algum tipo de trabalho para viver. Já o Estado não produz nada, simplesmente obrigam a pagar imposto para se sustentar as custas dos outros.

      Não quero te ofender, apenas estou apenas mostrando minha visão sobre porque o Estado forte não funciona.

      • Nosso Estado não é forte, é fraco… a nível internacional então, um anão. Mais fraco do que isso só assumindo-se como colônia de alguma potência.

      • O problema no Brasil é a corrupção e os cargos políticos nas autarquias,.

    • R.F.Peixoto

      Nacionalismo e protecionismo nunca levam a bons lugares. Você não deve proteger as empresas nacionais da competição, você deve deixar livre inclusive para estrangeiras. Sobrevive quem fornecer mais qualidade e ponto. Ou você prefere favorecer uma empresa nacional que só entrega péssimos serviços e bloquear uma gringa que poderia fazer um excelente trabalho? E sim, terceirizar qualquer estatal é uma boa independente de quem compre. “Ah, os milionários americanos vão tomar nosso petróleo”. Pô, tomara! Ninguém perde com isso. “Privatizar não vai acabar com a corrupção nas empresas.” Não, não vai, mas o dinheiro que vai ser roubado não vai ser mais o seu.

      • Temer pode mesmo se candidatar! Já tem muitos votos cativos!

    • Infelizmente ir pela maioria ou pelo povão, não é o mais acertado e muito menos justo.

  • Ao meu ver, o indivíduo deveria ter a liberdade de fazer o que ele quiser, afinal não é da minha conta o que os outros fazem, mas desde que não atrapalhe ou prejudique os outros. Se ele optar por fazer algo que prejudique os outros, terá que pagar as consequências.

    Sobre a regulação da conduta humana citada no texto, fico pensando que ela parte primeiramente da educação familiar. Ou seja, não é o Estado que precisa fazer isso, mas educação é dever dos pais. Educação mesmo vem de berço. Se a pessoa for bem educada e tiver base sólida, terá plena capacidade do convívio em sociedade sem que precise de tantas regras e leis.
    Negligenciá-la dos pais para o governo, é criar alguém sem respeito com o próximo, ética e moral. Ou estou errado?

    1 – Acho que muito do fato das pessoas defenderem o Estado, é porque foram doutrinados a pensar de acordo com as regras do governo. De maneira geral, a população é criada para ser dependente do governo. Geram o medo e pânico na sociedade e sem saberem o que fazer, se agarram naquilo que sempre foram doutrinadas a acreditar, ou seja, que o Estado vai sempre estar ao seu lado.

    2 – Não me lembro quem ou aonde eu lí isso, mas no caso dos EUA que tem a cultura altamente armamentista, o próprio governo sabe que não tem capacidade de proteger todos os cidadãos, por isso ele libera o acesso a qualquer um que esteja capacitado para poder utilizar arma de fogo para sua própria segurança. Já aqui no Brasil, o governo acha que tem tudo sobre controle e por isso quer ”cuidar” de tudo para que não tenhamos o direito de nos defender ou principalmente do povo se rebelar contra ele.
    Eu por exemplo, não optaria no porte de arma de fogo pois prefiro outros meios para me defender. Mas apoio totalmente o cidadão devidamente capacitado, em ter o direito de possuir arma de fogo para se defender!

    3 – Acredito que na minha visão, o Libertarianismo seria a melhor solução não somente para sobrevivencialistas. Porque todo ser humano busca a felicidade na sua vida e para tal, devemos ser livres para que possamos atingir nossos objetivos. O livre mercado é um meio, então nele não haveria um Estado gigante com burocracias enormes para atrapalhar o empreendedorismo. O indivíduo é livre para produzir, trocar ou vender o que produziu. E a ética de não agressão ao outro é o principal para o convívio em sociedade.

    4- Eu concordo totalmente com você Julio.

    • Gostei do seu comentário. Mas fiquei com uma dúvida. Você disse: “Eu por exemplo, não optaria no porte de arma de fogo pois prefiro outros meios para me defender”. Que outros métodos de defesa você prefere? Quais outros são possíveis e eficientes? Faço esse questionamento com o intuito de aprender mais. Agradeceria sua resposta.

      • Opa Alexandre, blz?

        Acho que depende muito da situação.
        Teoricamente, e digo teoricamente porque na hora a gente não sabe exatamente como vai reagir porque depende de vários fatores (se está sozinho ou acompanhado, se tem mais pessoas ao redor pra poder ajudar e etc).
        Mas por exemplo, se fosse pra me defender na rua eu usaria spray e iria fugir do local porque tenho certa agilidade. Descobri o prazer físico e mental na corrida, então meu condicionamento físico é melhorado com o tempo. Com isso tenho mais disposição e condição de me afastar da situação mais rapidamente por um tempo maior.
        Como não tenho porte físico e nem treinamento em defesa pessoal, chances zero em confronto direto. Então tenho mais chances de ficar vivo fugindo do local.

        Se for pra defender meu território, iria colocar câmeras de vigilância escondidas, fortalecer muito as portas, janelas e muros pra tentar dificultar ao máximo possível, mas sem chamar a atenção. Por fora uma residência aparentemente comum, mas por dentro uma série de redundâncias para desencorajar o bandido.
        Fazendo uma analogia, na aviação se usa muito redundâncias para o caso do sistema principal falhar, ter outro sistema reserva pro avião não cair e assim por diante.

        A essência da minha defesa em primeiro lugar seria o Grey Man Directive, com isso me torno um alvo menos interessante em primeiro lugar.
        Tudo que falei foi pra evitar qualquer tipo de confronto e com o que eu conseguiria fazer atualmente. É lutar com o que a gente tem e explorar os pontos fortes.

        Claro que se tudo que foi feito não der certo, acho que o último recurso seria a arma de fogo. Ainda mais no Brasil onde bandido armado não falta.
        Mas repito, não tenho absolutamente nada contra e nem julgo quem deseja utitizá-la como defesa, porque respeito a livre escolha de cada um achar a melhor maneira de se proteger.

    • Esqueci de comentar que também estou aprendendo, Alexandre. Não sou especialista, mas procuro sempre estar aprendendo e maturando minhas idéias.

  • Rogerio Almeida

    1. Eu quero mais autossuficiência pra mim, não sei muito sobre quem quer mais intervenção do Estado. Talvez seja o caso de cobrar mais o Estado daquilo que ele deva fazer.

    2. Ando praticando defesa pessoal, uso de facas e estudando outras coisas, quanto a armas de fogo ainda não me causam uma boa impressão mas não acho errado liberar o uso pra quem for licenciado. Minhas dúvidas é se o Brasil consegue fazer um controle justo do uso disso e se o povo é racional o bastante.

    3. Da minha parte não vejo um sistema político ideal. Gostaria de menos intervenção e mais liberdade embora não acredite que haveria distribuição justa sem um sistema regulatório.

    4. Nada a opinar.

  • João Eugênio

    Concordo com sua visão, Julio.

    É inconcebível que um sobrevivencialista apoie o desarmamento, tendo em vista que as armas de fogo são a melhor forma de defesa do nosso tempo, toda via, se não gosta, não use. O fim do Estado é algo utópico, assim como o Comunismo. Na minha opinião o Estado só deveria atuar nas áreas de saúde, educação e segurança. Acredito nas liberdades individuais, mas como você falou, respeito é bom e conserva os dentes. Por isso e outras coisas me considero um conservador.

    Parabéns pelo trabalho!

  • Junior Paiva

    É por isso que o socialismo sempre destrói toda sociedade que passa. E explico porque, Julio. Quando você disse que se faz uma sociedade mais forte com pessoas mais fortes, ou seja, eu concordo plenamente com você. O estado te dá cerca elétrica, alarmes e portões reforçados para você proteger sua residência? NÃO! Então, se ele não dá nada disso, como colocar no estado a responsabilidade de fazer a segurança da minha vida? Um ladrão enta na sua casa, você vai ligar para a polícia depois que ele for, e o tempo de resposta do estado? Demora hein… então já começa aí, é impossível o estado cuidar da segurança dos cidadãos… a função do estado é garantir a ordem nas ruas. Polícia, exército e ministério das leis, essa deveria ser a estrutura do estado. Todo o resto é privado. Não existe sobrevivêncialista desamarmentista ou socialista. O que eles defendem nada tem a ver com o que o sobrevivêncialismo prega.

  • Oi Julio,

    Aí vai minha opinião sobre as dúvidas:

    1. Devemos defender um estado mínimo, com impostos mínimos, somente para manter a ordem e a soberania nacional. O resto a propria sociedade se auto regula. Um exemplo de isso funciona é o CONAR (Conselho de Autorregulacão publicitaria), que regula a publicidade no Brasil e é formado exclusivamente por publicitarios, sem interferencias de governo. O CONAR existe desde 1977.

    2. Um sobrevivencialista que não se preocupa com a própria protecão, seria, a meu ver um meio sobrevivencialista, já que isso vai contra toda a lógica do que é ser sobrevivencialista. Mas eu acho que por exemplo se sujeito não gostar de armas, e optar por se entrincheirar num bunker também é valido como forma de defesa. Ou se usar uma defesa não letal também seria valido.

    3. Como disse acima, o ideal seria um estado minimo, basicamente para manter a ordem e a soberania.

    4. Concordo. Quanto menos estado, melhor.

    • Nem os EUA, muito menos a China (obviamente) cai nessa cantilena de “Estado mínimo”.
      Se a referência é a área econômica, o Estado sempre é grande o promotor de desenvolvimento! Pois geralmente grandes obras são encomendadas por governos e, no campo internacional, promovem a expansão de suas empresas.
      Os EUA tem uma política intervencionista em outros países para desestabilizar concorrentes, poder manter seu vasto comércio de armas militares aquecido(graças aos conflitos intermináveis), tomar riquezas naturais e entrega-las às suas petroleiras, etc.
      A China, embora opte pelo soft power, tb tem um governo predador implacável em busca de mercados e fornecedores de matéria-prima barata em outros países…por aqui querem a Eletrobrás, terras férteis e até compraram um terminal de containeres no PR… só molhando a mão dos brazucas!

  • R.F.Peixoto

    Júlio está cada vez mais perto do Anarcocapitalismo, o que é muito bom haha.

    1 – É complicado generalizar, mas é possível que um sobrevivencialista que defenda o Estado não conheça a natureza do mesmo. Se você defende um Estado você defende a agressão contra outras pessoas em seu benefício. Por exemplo, Fulano acha que o governo deveria regulamentar determinado setor da economia está interferindo diretamente na liberdade daqueles que estão envolvidos no setor. Um dia alguém vai querer que isso aconteça com coisas nas quais você está envolvido. E aí?

    2 – Mesmo caso. Apoiar o desarmamento é retirar o direito natural da autopreservação dos outros indivíduos. Se uma pessoa é sobrevivencialista e defende tal coisa, ou ela está se dedicando ao estilo de vida errado ou existe uma explicação muito boa que eu ainda não ouvi.

    3 – Difícil, mas não impossível. O exemplo sempre citado é o da Irlanda medieval. Eu acredito que a visão do Anarcocapitalismo é a mais correta não apenas para sobrevivencialistas, mas para qualquer um. Nessa visão – se me permite repetir a palavra -, os indivíduos possuem total controle sobre suas vidas. Continuam guiando suas ações pela moral que, aliás, é a base do pensamento.

    4 – Concordo com todos os pontos. Gostei principalmente do penúltimo parágrafo em que você prova que a sociedade não existe, talvez não intencionalmente. Ela nada mais é que um grupo de indivíduos. As únicas visões que me parecem incompatíveis com o sobrevivencialismo são visões coletivistas que tendem a reduzir o indivíduo ao estado de um objeto.

    Excelente conteúdo, como sempre!

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