Ostentação no sobrevivencialismo?

Este texto vêm como uma forma de desabafo perante a tudo que venho lendo nas redes sociais e também em outros blogs, sejam brasileiros ou internacionais.

Depois de todo esse tempo envolvido com comunidades e redes sobrevivencialistas, tenho me incomodado com um ponto cada vez mais presente… O materialismo. Claro, ser sobrevivencialista é ter estoques e equipamentos em quantidade, mas tê-los é diferente de adorá-los.

O materialismo é um mal muito forte e cada vez mais presente nos preparadores e sobrevivencialistas. Parece-me que em alguns casos há até certa ostentação envolvida na compra de equipamentos caros, como se ter um canivete de 600 reais fosse a prova clara de que aquele cara é melhor que todos os outros e vai sobreviver à um apocalipse digno de Stephen King.

Sério, você quer ser esse tipo de cara?

Vejo indivíduos orgulhosos com aquilo que tem mas que nunca sequer acamparam ou sentiram necessidade de usar metade dos itens que possuem. Esse é o típico cara que discute páginas e páginas sobre qual desenho de lâmina é melhor para cortar lenha mas nunca sequer teve de coletar madeira para se aquecer em uma noite fria sem abrigo.

Para completar, sequer conseguem subir um lance de escadas sem perder o fôlego e não fazem “check-ups” para saber o estado geral de saúde há mais de cinco anos. Sonham em colocar todos itens em suas mochilas (que pesará 50kg) e caminharão por um suposto mundo em crise como se fosse heróis saídos de um filme de ação.

Eu não sei quanto a vocês, mas quando criei este blog esta era a última de minhas intenções. O sobrevivencialismo é uma forma de se tornar independente do sistema, responsável por sua própria vida… Não mais um jeito de mostrar se você tem ou não dinheiro.

Não quero ofender ninguém com esta postagem, longe disso. Só quero que as pessoas compreendam que priorizar aspectos errados é o mesmo que jogar dinheiro fora, pois de nada suas preparações valerão. Com o pensamento que tenho hoje, acredito que a ordem mais adequada de prioridades seria a seguinte:

  • Conhecimento

Comece aprendendo de forma teórica o máximo de informações que puder, verifique as áreas de maior afinidade e vá se especializando, conhecendo os assuntos mais pertinentes para sua preparação. Esse é o momento de aprender e conhecer relatos das pessoas que já foram para a prática.

  • Condicionamento

 Enquanto você vai aprendendo por meio de suas pesquisas, trabalhe seu corpo. Crie uma cultura de exercícios físicos e aprenda a condicionar seu corpo para as atividades que realmente importam. Faça de tudo um pouco, mas dê mais ênfase em exercícios aeróbicos e de resistência.

Aqui entra um ponto importantíssimo! Estar condicionado não é parecer um modelo, magro e musculoso. Ter condicionamento é aguentar a lida de um cenário adverso onde você têm de se esforçar fisicamente por longos períodos de tempo. Geralmente ao falar de condicionamento as pessoas automaticamente correlacionam com a forma física (estética), e isso não está correto. Quebre estes mitos e vá transpirar um pouco, você só tem a ganhar.

  • Prática

Depois de conhecer e ter certeza de que seu corpo aguenta o tranco, comece a partir para simulações de suas preparações. Se você planeja partir para região selvagem, vá acampar. Se você acredita que precisará adotar uma cultura nômade, coloque a mochila nas costas e vá caminhar longas jornadas.

Aqui é onde você simula e pratica tudo o que poderá precisar em eventual cenário de emergência. Para guiar esse processo há uma regra de ouro… Se você não fez, você não sabe. Não se deixe enganar achando que só porque viu um vídeo você já é capaz de reproduzir perfeitamente a mesma técnica.

Enfim… Tenho estado ligeiramente desmotivado para escrever pois parece-me que qualquer texto de reflexão como este é convenientemente ignorado pela maioria do público, que já está contaminada com essa percepção “capitalista” de nossa prática.

Eu divulgo o sobrevivencialismo pois acredito na capacidade desta ideologia de ajudar as pessoas quando elas mais precisarem. Realmente espero ouvir a opinião de vocês, se ao menos alguém vê sentido no que eu falo ficarei muito mais motivado e tranquilo.

De qualquer maneira, peço perdão se ofendi indiretamente alguém, mas algumas vezes é importante dar uma dura.

Até.