Sobrevivencialismo X Pessimismo

Depois de certo tempo imerso na cultura sobrevivencialista comecei a perceber alguns pontos onde eu entro em discordância. Acredito que isso seja normal, afinal, não há como nos identificarmos de forma completa com um movimento/causa/ideia, não é?

Quando comecei a escrever para o blog sempre dei um tom instrucional ou de reflexão para os textos, tentando disparar a pequena “sirene” na cabeça das pessoas para que elas se tornassem mais conscientes da fragilidade do nosso sistema atual, porém acredito que em alguns casos, o tiro acabou saindo pela culatra.

Interagindo com muitos colegas de diversos locais do país (e mundo) consegui ter uma noção bem legal de qual é o perfil sobrevivencialista, ou seja, que tipo de pessoas são as mais interessadas neste movimento e gostam de debater os temas aqui presentes, mas… Confesso que estou um pouco preocupado.

Aqui faço uma confissão meio polêmica para todos: Detesto pessimistas.

Não sinto prazer algum em falar com pessoas catastróficas ou dramáticas que só faltam tocar violino enquanto estão falando sobre as diversas dificuldades que vamos sofrer e o quão ruim será para todo o planeta os acontecimentos que ele prevê.

Mas calma lá! Deixo claro aqui uma diferenciação muito importante: Pessimismo está longe de ser realismo.

A diferença é muito pequena (infelizmente), mas ela existe. Ser realista é tomar em consideração os fatos e o possível desenrolar destes. Quando digo fatos, não digo textos escritos em blogs de conspiração ou amigos aleatórios que trazem “notícias que vazaram da NASA”.

Fatos são aqueles que podem ser comprovados em diversas fontes e nos dão elementos tangíveis e palpáveis. Neste ponto é válido ressaltar uma das mais importantes habilidades do sobrevivencialista: Ser um exímio pesquisador.

Essa habilidade julgo ser uma das mais importantes, pois só podemos reagir – e usar os equipamentos e habilidades que tanto valoramos – quando conseguimos captar informações coerentes e reais.

O pessimista, por outro lado, é aquele que orienta seu discurso e pensamento sobre o futuro de forma supersticiosa, apostando em eventos cinematográficos com enredos no mínimo chocantes e dramáticos. São aquelas pessoas que falam tanto de possíveis tragédias que começamos a pensar se eles realmente não querem que ela aconteça.

Esse tipo de pessoa trata o assunto de possíveis crises como se aí morasse a possibilidade do “mundo ficar sem leis” e ele se tornar o rei da cocada preta. Fantasiam com um mundo incrível onde podem ser poderosos e fazerem o que quiserem e, afogados nesta ilusão, acabam adotando um discurso dramático e pessimista como se estivessem na torcida para que o sonho se tornasse realidade.

Isso meus amigos, não é nem de longe sobrevivencialismo… É brincar de faz de conta.

Com o tempo é natural que comecemos a filtrar as pessoas com quem nos relacionamos. Assim como em grupos de amigos onde sempre há aquele com quem você acaba perdendo contato, ultimamente não tenho tido paciência para os que gosto de chamar de “Profetas do apocalipse”.

As situação está ruim? Está. Pode ficar muito pior? Com certeza, mas eu não vivo a minha vida pensando em tragédia, vivo todos os dias com um sorriso no rosto e lutando para conquistar meus sonhos.

Estar preparado é ter planos B, C e D para possíveis situações difíceis, mas torcer ao máximo para não usá-los. Para finalizar o texto uso a máxima sobrevivencialista que engloba tudo o que disse até agora:

“Prepare-se para o pior, torça pelo melhor”

Se você se incomodou pelo tom desta postagem peço perdão, mas seja bastante crítico e perceba se você não está apresentando os comportamentos que acima relatei. Não quero ofender ninguém, mas hora ou outra sempre é importante falarmos o que estamos pensando da forma mais clara possível.

Até.