O mal da sociedade atual

Hoje vamos fazer uma pequena reflexão acerca de nossos atos e condutas. Você sabe qual o pior defeito da humanidade em sua era atual? Não, não é a violência, não é o consumismo ou qualquer item “clichê” que você já deve ter ouvido por aí… é algo muito mais estrutural e individual.

Ao analisarmos as bases estruturais da sociedade, observamos que (logicamente) ela é composta por seres individuais, correto? Bom, podemos presumir então que cada ser,em seu pequeno universo de ações, pode contribuir para a realidade a nível global. Julio, chega de teorizações e vamos ao que importa… qual é esse grande mal?

Eu lhes digo, é a terceirização de nossas responsabilidades.

Esse processo danoso sempre existiu na natureza humana, sempre esteve em nossos diálogos locais e em piadas espalhadas ao redor do mundo… a clássica frase “porquê vou fazer se outro pode fazer por mim?” representa exatamente o que quero lhes explicar.

Apesar desse fenômeno estar sempre conosco, este tem sido intensificado pelas facilidades da vida moderna. Hoje temos serviços para TODAS nossas necessidades, da água que você toma até a tosa no seu cachorro… então é simples, entregamos o dinheiro e recebemos a prestação de serviço, fazendo nossa vida ficar muito mais fácil.

O grande problema é que essa conduta não se estende apenas à compra de serviços, mas também chega ao nosso nível ideológico. Vamos elucidar isso:

  • Quantos aqui não votaram ao menos uma vez no candidato “menos pior” das eleições?
  • Quantos não ficaram chocados pelo estado da saúde pública e apenas preferiram desligar a TV para não se “estressarem mais”? 
  • Quantos não ficaram bravos pelo aumento na conta de energia mas pagaram a conta e continuam pagando todos aumentos consequentes?

Isso senhores, por mais que pareça, não é uma “alienação” ou falta de patriotismo. Esta é a conduta onde achamos que todos os problemas do mundo podem ser resolvidos, mas por outras pessoas. Vemos tudo que há de errado e sentamos no nosso sofá pensando… “alguém tem que fazer algo!”.

Agora imaginemos que todos os cidadãos (salvo raríssimas exceções) pensam da mesma forma… e BAM! O que temos? Uma sociedade morna, tolerante e sujeita ao auto controle. Bem vindos à nossa realidade.

Não estou criticando ninguém específico, até porquê somos criados com esta “metodologia” e não vemos uma forma diferente de funcionar…o que é muito conveniente para os governantes. Nada melhor do que termos um bando de pessoas dispostas a pagar impostos e taxas sem ao menos fazer um pequeno estardalhaço. Também não estou vindo com aquele discurso clichê de que “temos que agir”, apenas estou expondo um fato real, e que me preocupa muito.

Não sei se vocês todos sabem, mas é exatamente por isso que no sobrevivencialismo dividimos a sociedade em três grandes categorias:

  • Ovelhas: Indivíduos que “vão com a maré”, estão apenas passando os dias de suas vidas e buscando alcançar aquilo que está na moda ser alcançado. É aquele que se importa apenas com o hoje e pouco quer saber de outras coisas senão o que está acontecendo na novela e quem está ganhando o campeonato de futebol.
  • Lobos: São os malvados da história. Estes conseguem usufruir da inocência das ovelhas e tomam tudo aquilo que conseguem de indivíduos despreparados, pouco lhes importando os aspectos morais ou danos que causam nesse processo. Aqui estão os ladrões, políticos corruptos e toda a classe danosa da sociedade.
  • Cães: Estes meus amigos, são aonde devemos estar. Os cães tem como função proteger seus entes queridos, andarem unidos e serem movidos por coragem, honra e justiça. Os cães são os que estão alertas a todo o ambiente e sabem muito bem como proceder para manterem a integridade de sua família ou “matilha”. Somos nós, os sobrevivencialistas.

Mas lhes digo, ser um “cão” não é fácil. Eu mesmo ainda não posso me considerar um. Porquê? Observe o quão louco (na perspectiva de sobrevivência) são as ações que fazemos todos os dias:

  • Terceirizamos nossa responsabilidade de produzir e ter acesso à energia elétrica. Afinal, é muito melhor deixar uma indústria que não sabemos onde está destruir o ambiente à sua volta para podermos ter nosso video game ligado;
  • Terceirizamos nossa responsabilidade de conseguir água! Todos sabemos o quão importante é a água, mas ainda assim, confiamos que sempre que abrirmos a torneira, a estação de bombeamento mais próxima estará enchendo nossa caixa d’água;
  • Terceirizamos nossa responsabilidade de produzir comida! Não sabemos mais nada do cultivo de alimentos ou criação de animais, pois é mais fácil ir à um mercado e comprar tudo o que precisamos;
  • Terceirizamos nossa defesa! Confiamos que a polícia e entidades governamentais podem nos defender de quaisquer ameaças, mesmo vendo a calamidade que o sistema está e a ineficiência destas mesmas organizações.

Poderia fazer uma lista enorme aqui com as responsabilidades que terceirizamos, que deixamos nas mãos de outras pessoas ou entidades que sabemos muito bem que são falhas e frágeis.

Afinal, se der errado, temos alguém para culpar não é mesmo?

O problema é que se tudo isso vier abaixo, culpar alguém não vai resolver nada.

Meu conselho final é:

Não deixe ninguém tomar conta de sua vida, tome suas ações e seja responsável por elas. Não confie ou dependa totalmente de serviços alheios e continue sempre a buscar formas mais independentes de viver, afinal, se você está de verdade no sobrevivencialismo, de nada adianta comprar dez mil reais em equipamentos e suprimentos importados se você não tem nem a capacidade de desentupir o cano da sua pia.

Até.

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14 comentários

  • carlos fonck

    muito bem colocado esta questão,mas se voce tiver planejamento ,um pouco de dinheiro,e claro tempo como eu,que estou me dedicando um bom tempo se consegue,no mais ,tens q criar uma comunidade com mais pessoas ajudando tambem,,,,,

  • Danielle Tosto

    Você esta de parabéns. Amei seu post.

  • Excelente postagem!

  • otimo!

  • Parabéns pelo post! Na minha opinião, um dos posts mais importantes até agora.
    É interessante pensar que há apenas aproximadamente 10 mil anos atrás, passamos de um estilo de vida nômade baseado na caça e na coleta de alimentos (frutas, sementes, etc) para um estilo de vida domesticado e alienado dos ciclos naturais da natureza. Começamos a domesticar animais e plantas, e nos assentamos, no período que hoje conhecemos como revolução agrícola, que proporcionou o surgimento da nossa atual civilização. Antes próximos da natureza, seus ciclos naturais, utilizando os recursos naturais da mesma forma que outros animais, não causando qualquer tipo de impacto negativo (se comparado com os impactos que causamos hoje) na superfície do planeta, demos boas-vindas à um esilo de vida desequilibrado, e alienado do natural.
    Criamos novos costumes, novos rituais, e um estilo de vida artificial dependente principalmente de um único recurso natural – o petróleo – estando dependentes da mão de obra de vários. Criamos uma civilização dependente da agricultura, mas hoje a maioria de nós não sabem mais plantar, não reconhecem mais os ciclos naturais da Terra, tampouco sabem sobreviver onde nossos antepassados mais antigos praticavam esse conhecimento de sobrevivência.
    Domesticamos animais e plantas, mas também nos tornamos domesticados. Acordamos todos os dias para viver muitas vezes uma vida que desprezamos, presos por rédeas daqueles que nos controlam e ditam como devemos viver, como devemos nos portar e agir, e até mesmo o que devemos consumir.
    Esta brusca transição de um estilo de vida natural para um domesticador/domesticado mostra-se hoje insustentável. Produzimos alimentos demais, e descartamos demais, enquanto bilhões passam fome e padecem. Essa vida desequilibrada que passamos a adotar no momento que nascemos, herança distorcida dos primeiros agricultores, mostra-se agora doente, e os primeiros sinais de que nossa civilização não está bem já aparecem.
    Saber o que fazer quando ela entrar em colapso, é mais que urgente para aqueles que querem sobreviver. Mas repensar todo esse caminho de domesticação e destruição é mais que nosso dever, para que não possamos repetir os erros infindáveis e recorrentes dessa sociedade domesticada e alienada do natural.

    • Obrigado pela adição ao post Sofia,

      Concordo plenamente contigo e sempre afirmo que o nosso modo de vida é insustentável a longo prazo, por isso em algum momento vivenciaremos um colapso, seja repentino ou não.

      Abraços.

  • geraiscapoeira

    A auto-suficiência é um tema muito delicado…
    Ninguém se torna auto-suficiente da noite para o dia, é preciso muuuito sacrifício, não só de horas, dias, semanas ou meses mas em muitos casos de anos! É preciso investimento e conhecimento.
    Como um dos amigos falou: Que adianta ter um sistema de energia solar se na hora “H” ele falhar e vc não souber como concertar… Vai precisar terceirizar o concerto!
    Muitos de nós não temos recursos financeiros para de uma hora para outra podermos fazer uma reforma em nossas casas com tudo que é preciso para torna-lá auto-suficiente, aí teríamos que nos matar de trabalhar para outras pessoas para podermos juntar grana prá arcar com as mudanças.
    Em muitos dos casos a falta de tempo também é uma grande barreira, para que as pessoas deixem de depender de algumas das coisas, confortos e tecnologias da vida moderna.
    Minha intenção não é desanimar ninguém nem disser que é impossível, minha intenção é mostrar a vcs que é difícil e complicado mas pode ser feito, e só depende do seu esforço! “Aquele que planta colhe!!!!”

    • A grande dificuldade pela qual eu passo é a falta de tempo para aprender e praticar o que aprendo, em um papo com Victor onde o assunto era arco e flechas eu disse que estava velho para aprender sobre isso. Na verdade a questão é muito mais da disponibilidade de tempo que qualquer outra coisa.

      Perguntado ao Dalai Lama. “O que mais te surpreende na Humanidade”?
      Ele respondeu:
      “Os homens… porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vive como se nunca fosse morrer… e morrem como se nunca tivessem vivido”

  • Excelente!

  • Salve Julio
    No final das contas, podemos considerar que é um problema cultural nosso: preguiça psicológica, cultural e física.
    Post excelente.

  • Somos viciados em petróleo “Jeremy Rifkin”

    Esse economista americano um senhor de 63 anos é esta entre os maiores consultores sobre energia do planeta, é o consultor a quem os governantes de alguns dos principais países europeus recorrem quando o assunto é energia.

    Se os governos são viciado em petróleo, nos mortais fomos viciados em tecnologia, essa aplicada ao conforto, alimentação, transporte, entretenimento, etc…

    Por essa lógica não é difícil de entender o por que esta tão complicado alcançar esses 4 PILARES, citados pelo Julio. Como alguns Sobreviventes do fórum já sabem, estou construindo uma casa e tentando transforma-lá no mais sustentável possível. Se me permitem vou descrever o meu ponto de vista e dificuldades (fora a financeira) de chegar a ser auto-sustentável:

    Terceirizamos nossa responsabilidade de produzir e ter acesso à energia elétrica. Sem sombra de dúvidas esse é o pilar mais difícil de ser erguido. Com exceção de quem possa contar um riacho e tecnologia para produzir uma roda d água com um dínamo, o restante fica dependendo de energia solar que alem de extremamente cara depende de fatores da natureza, produzida por geradores movidos a gasolina ou diesel, existem possibilidade de conversão para álcool, mas fica na dependência de alguém especializado nesse assunto, cheguei a ler algo sobre gasogênio, mas é uma tecnologia antiga e novamente cai na dependência de mão de obra especializada realizar o projeto e um dependência muito grande te madeira para ser utilizada como combustível, energia eólica na minha região esta totalmente fora de contesto. A possibilidade mais viável seria a soma de dois tipos de energia alternativas, no meu caso um gerador a diesel e alguma coisa de energia solar, mas mesmo assim não tenho mão de obra local para trabalhar com energia solar.
    Terceirizamos nossa responsabilidade de conseguir água! Esse ponto é relativamente fácil. Relativamente por que fiz um poço artesiano o único problema é que a bomba para trazer a água que esta há 80 metros de profundidade preciso de energia elétrica entrando em um Loop, sem energia sem água.
    Terceirizamos nossa responsabilidade de produzir comida! Sem energia, sem água e sem água sem comida, fora esse problemas já descritos, quem reside em centros urbanos ainda tem limitado a área de plantio. Resta aqui o desenvolvimento de alternativas como hortas hidropônica (no fórum já vi uma em formato de prateleira racionalizando melhor ainda o espaço) e germinação de grão, quanto a criação de animais em centros urbanos ela é praticamente inviável, mesmo as lindas lebres não são bem vistas por vizinhos e vigilância sanitária;
    Terceirizamos nossa defesa! Essa questão gostaria de poder dividir em dois grupos defesa do lar, onde você está substituindo o poder de repressão ao crime a nível de policia militar ou civil, até acredito ser possível, basta erguer muros, investir em grades e concertinas quem sabe realizar cursos de defesa e procurar meios de obter a posse legal de uma arma. Essas medidas podem vir a ser uteis em situações de distúrbios regionais. Porem quando o assunto é força de defesa em níveis nacional é impossível um grupo mesmo que bem organizado e armado substituir ou compensar a ausência das forças armadas.
    Para finalizar, somos Viciados em petróleo assim como em conforto e tecnologia. Cabe ao sobrevivencialista quebrar essa cadeia e sair desse loop que o sistema sutilmente nos colocou.

    • Julio Cheda

      Concordo que temos diversas limitações, principalmente no quesito energia. Não há como ter esperanças de que tecnologias “verdes” tornarão-se mais baratas, pois tal fato não é conveniente para as grandes indústrias. Uma das alternativas que achei interessante e vi alguns americanos fazendo é o velho “faça você mesmo”.

      Estes estão comprando painéis solares da china a preços miseráveis e aprendendo a instalar o sistema sozinhos, o custo torna-se muito mais adequado, mas requere algum conhecimento em engenharia elétrica… para isso servem os amigos…rs.

      Mas ainda assim, cotinuamos na luta!
      Abraços.

  • O consumismo e o comodismo desenfreado nos impele nos tornar ovelhas para o matadouro. Espero que em breve eu esteja latindo como um rottweiler.
    Excelente post!

  • Lucas Macedo

    Infelizmente isso é um fato, nos alienamos quando quisermos e apenas por isso, apesar de termos sido criados nesse “sistema de dependência”, podemos andar por nossas próprias pernas, não estamos fadados a viver dependendo de um sistema decadente que pode “estourar” a qualquer momento. Por exemplo, se você não quer depender tanto da empresa de água, o que acha de instalar um sistema de coleta da água da chuva ou algo assim?

    Post ótimo, continuem assim!

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