Se os caminhões pararem, a crise se estabelece.

Este post foi traduzido e seus dados estatísticos adaptados à realidade do Brasil, porém algumas questões podem não ser fidedignas pois o funcionamento de algumas instituições nos EUA são diferentes das nossas, mas acho que é uma reflexão interessante a se fazer sobre a grande fragilidade que temos: o abastecimento de suprimentos na sociedade moderna.

Risco sistêmico. Eu garanto que a maioria das pessoas normais não tem ideia de que se os caminhões parassem de andar por todo o país bastaria um pequeno período de tempo para que quase todos Brasileiros estivessem em uma situação de perigo devido ao intenso atraso nas entregas de suprimentos. Cerca de 56% de toda carga que passa pelo Brasil é feita por caminhões. Você (nós) depende de toda essa carga para sobreviver.

Uma ruptura severa nas entregas por caminhões iria impactar nas grandes indústrias e faria o Brasil ficar de joelhos em poucos dias devido à prática moderna chamada “Just in time“, que é a técnica onde as lojas não tem estoque pois recebem entregas de produtos conforme vão vendendo os que possuem. Há de se lembrar que nosso estilo de vida moderno depende de uma enorme cadeia de distribuição de itens.

Áreas que seriam impactadas pela paralisação dos caminhões:

Indústria alimentícia

  •  Severas faltas de suprimentos em cerca de três dias, especialmente nos itens perecíveis;
  • O pânico da população intensificará a falta de suprimentos;
  • A água potável iria faltar em várias áreas (a cada sete ou quatorze dias as estações de tratamento recebem os químicos necessários para tratar a água por caminhão).

Saúde

  • Muitos hospitais atuam na mesma técnica “just in time” de mercados e restaurantes, em relação à medicações e suprimentos;
  • A comida dos hospitais acabariam em cerca de vinte e quatro horas.

Transporte

  • O combustível nos postos vai acabar entre 24 e 48 horas.  Um posto de gasolina de movimentação média requere abastecimento a cada 2,4 dias;
  • Por consequência da falta de combustível os carros e veículos vão começar a parar e não poderão transportar as pessoas para seus trabalhos… policiais, bombeiros, correios, entregas, coletas de lixo, trânsito público…
  • As entregas aéreas estarão paradas devido a falta de suprimentos;
  • As linhas férreas (trens) irão parar devido à não entrega das primeiras e últimas partes do percurso, que são feitas por caminhão.

Remoção de lixo

  •  Em poucos dias, o Brasil estará afogado em lixo, apresentando enormes problemas e ameaças à saúde.

O Setor de vendas gerais

  •  A maioria das lojas também dependem da técnica “Just in time” para manter menos itens em seus estoques;
  • O comportamento consumista durante emergências irá triplicar o esgotamento dos estoques – acelerando a já ruim situação.

Setor de manufatura (fábricas de produção em série)

  • Quase 100% das fábricas mudaram suas formas de estocagem para a técnica “Just in time” para optimizar a eficiência e lucro. Estas fábricas vão parar de funcionar em poucas horas.

Bancos e finanças

  • Dinheiros de caixas automáticos irão acabar rapidamente;
  • Comerciantes perderão o acesso ao dinheiro;
  • Filiais de bancos vão fechar.

Vamos montar uma linha do tempo do impacto causado pela paralisação dos caminhões:

As primeiras 24 horas

  • A entrega de medicamentos na área afetada vai parar;
  • Hospitais vão começar a ficar sem suprimentos básicos como seringas e cateteres em poucas horas. Remédios quimioterápicos vão deteriorar e ficar inúteis;
  • Postos vão começar a ficar sem gasolina;
  • Fabricantes usando a técnica “just-in-time” vão começar a sofrer escassez em alguns componentes;
  • A entrega dos correios e outras transportadoras irá parar.

Após 48 horas

  • A escassez de comida vai começar a se desenvolver;
  • A disponibilidade de combustível nos postos vai ficar cada vez menor, levando a preços altíssimos e longas filas nas bombas de gasolina;
  • Sem componentes para as indústrias fabricarem seus produtos e caminhões para entregá-los as linhas de comércio pararão, deixando milhares de trabalhadores sem trabalho.

Após 72 horas

  • A escassez de comida vai piorar cada vez mais, especialmente depois que o povo entrar em pânico e comprar tudo o que puder;
  • Os suprimentos essenciais – coisas como água engarrafada, leite em pó e enlatados –  em grandes mercados vão desaparecer;
  • Caixas automáticos vão ficar sem dinheiro e os bancos ficarão incapazes de processar as transações;
  • Postos vão ficar completamente sem combustível para carros e caminhões;
  • Lixo vai começar a se acumular em áreas urbanas e suburbanas;
  • Navios de contêiner vão ficar em espera nos portos e o transporte ferroviários ficará desfalcado, eventualmente parando completamente.

Em uma semana

  • As viagens de automóvel vão parar devido à falta de combustível. Sem carros e ônibus, muitas pessoas não poderão chegar ao trabalho, ir comprar suprimentos ou acessar cuidados médicos;
  • Hospitais vão começar a esvaziar seus suprimentos de oxigênio.

Em duas semanas

  • O país vai ficar sem água tratada e esta só será segura para beber após ferver. Como resultado as doenças gastro intestinais vão aumentar, sobrecarregando ainda mais o sistema de saúde já enfraquecido.

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É tudo muito assustador. Os efeitos seriam tão severos que listar cada detalhe seria impossível aqui. Você pode ter a opinião de que algo como isso nunca aconteceria, mas pode estar enganado.

Imagine uma pandemia.  Uma grande e mortal pandemia VAI acontecer de novo. Já aconteceu no passado e não há nada que evite que aconteça no futuro. Grande parte do sistema de transporte por caminhões seria afetado por inúmeras razões, incluindo a que eles mesmos estariam congelados de medo de se infectarem enquanto estivessem na estrada. Até mesmo um colapso parcial levaria a uma reação em cadeia que paralisaria o resto.

Imagine um pulso eletro magnético natural ou de causas humanas. Um pulso desses destruiria os sistemas elétricos na maioria de todos caminhões em um instante, deixando-os inúteis. Em adição, um pulso também traria abaixo a maioria dos sistemas elétricos, causando um verdadeiro evento apocalíptico.

Uma nova falha na crosta que leve à um terremoto inesperado. Esta poderia destruir toda ou quase toda a frota de distribuição e a maioria das pontes destruídas ou danificadas incapacitaria várias passagens.

Um aumento exorbitante no preço do dísel.  Devido à um desastre grande/ guerra no Oriente Médio ou nas plataformas de petróleo brasileiras, o aumento do preço no petróleo poderia causar uma paralisação dos caminhões.

Ataques terroristas usando caminhões carregados com bombas poderiam atrasar todo o tráfego pois o governo inspecionaria cada carga para evitar novos ataques.

Qualquer grande evento, terrorista ou outros, que façam a maioria dos caminhoneiros ficar em casa com suas famílias para o bem de suas saúdes ou segurança, ao contrário de deixá-los em perigo e saindo para a estrada.

Pense sobre isso… você está preparado?

Fonte: Daily Survival