Pensando sobre nossa prepotência

Venho aqui lhes relatar um ocorrido que nos leva a pensar em algumas questões. Vale lembrar que metade do relato abaixo não é meu e sim dos amigos e conhecidos que me contaram.

Neste domingo passado estava jogando uma partida de Paintball em um motel abandonado aqui na cidade, local onde sempre frequento. Em meio a partida tropecei em uma pequena mureta e cai no chão, me levantei e continuei, passando sinalização tática e trocando disparos com oponentes como se nada tivesse ocorrido.

Após a partida, comecei a perguntar a todos que estavam no local onde eu estava, o que estava fazendo e como cheguei lá… no começo, todos acharam que eu estava brincando, já que nosso grupo é bastante conhecido por brincar o tempo todo. Depois de persistir com as perguntas perceberam que eu estava estranho e um amigo me levou ao hospital. Lá fiz todos os exames e fiquei um dia internado em observação, pois não sabia onde estava e o tempo todo repetia as mesmas perguntas. Após os exames soubemos que estava tudo bem.

No momento que escrevo este post já devem fazer quase 48 horas que o evento ocorreu, porém ainda estou um pouco desorientado e esquecendo algumas coisas, mas a previsão é de que amanhã tudo volte ao normal.

Se não fossem os relatos das pessoas à minha volta eu não saberia de nada, já que como memória só tenho algumas cenas desconexas como: Eu na ambulância, eu em uma maca e por aí vai… Imagine como é acordar todo ralado e dolorido em um hospital e não saber o que aconteceu contigo… Agora imagine que isso aconteceu pelo menos umas cem vezes… É bastante desesperador.

Mas o principal objetivo do post é o que a situação toda me leva a pensar em algo que nós sobrevivencialistas sempre achamos que não nos pertence, a nossa vulnerabilidade.

Estamos sempre nos preparando para sobreviver as mais loucas adversidades que o mundo pode nos apresentar, compramos itens caríssimos e armazenamos alimentos para muito tempo… mas muitas vezes cometemos o pior erro de todos. Devido à todas essas preparações, nos tornamos prepotentes.

Veja minha situação… Tenho um equipamento de Paintball muito bom, experiência de jogo, colegas à minha volta e todos os recursos necessários para “triunfar” na situação, mas uma pequena mureta e um momento de desatenção me custaram belos machucados e uma chance de ter danos mais severos. Supostamente estava “seguro”, mas um pequeno incidente me causa um transtorno imenso.

Agora levemos essa situação para nossa prática! Imagine você armado, com um grupo experiente a sua volta, com 2 anos de comida em casa e todos recursos necessários para lutar contra qualquer inimigo… Basta um tropeção na escada e você pode morrer ou ficar com sequelas permanentes.

Posso ficar escrevendo aqui por trocentas linhas, mas o meu ponto final é simples: Cuidado com a sua prepotência. Não se dê por seguro e preparado pois nunca se sabe o que as situações podem causar a ti, de nada adianta ser o dono do mundo e morrer escorregando no banheiro.

Só porque você está em meio a uma crise, não quer dizer que as ameças mais simples e até bobas desapareceram, muito pelo contrário… Elas estão mais propicias a te acertar pois você estará desatento.

Até.

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23 Comentários

  • Bem , estou começando a ler este site agora e esta é minha primeira resposta ao mesmo.

    Concordo com o autor , em uma situação de emergência devemos dar uma atenção especial a “pequenos” perigos pois na maioria das vezes são nestes que levamos grandes tombos.

    Estou adorando o site , gostaria de me apresentar casa haja um tópico especifico a isso , e se possível de forma modesta contribuir com algumas experiências pessoais que tenho aos meus 37 anos de vida.

    Muito obrigado pelo relato e pelo trabalho.

    Att,

    • Olá Marcus, bem vindo ao blog!

      Obrigado pelos elogios amigo. Quanto à questão de poder contribuir, fique à vontade para utilizar nosso fórum (para acessar basta olhar ali na barra superior). Lá temos muitos companheiros que estão sempre trocando idéias sobre os mais variados assuntos.

      Abraços!

  • Pingback: Marcado para responder: Só um item! |

  • Julio, pode interessar-lhe a leitura de…
    http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=boxe-olimpico-tambem-danifica-cerebro&id=7788.

  • Sinistro, mas infelizmente é a pura verdade…

  • Lembrei de uma coisa com esse comentário sobre o “vaso Ruim”…e digo mais..”Aquilo que não nos mata nos torna mais FORTES”…e isso tenho certeza que isso está acontecendo com o nosso amigo Júlio!

    F.A

  • O Julio vai ficar 100% logo, logo. Vaso ruim nao quebra não. kkkkk

  • Júlio sinto o ocorrido com vc e desejo melhoras!
    Estive acamado durante 4 dias por uma forte gripe e enquanto estava preso à cama comecei a pensar: “E se neste momento eu estivesse em uma situação de sobrevivência?” Fiquei imaginando como seria difícil sobreviver já que não tinha forças nem para ficar de pé… Como seria enfrentar uma situação onde eu tivesse que ir atrás de comida ou defender-me contra agressores estando tão debilitado, e se não tivesse ninguém para me ajudar, e se não conseguisse adquirir medicamentos?
    Quando pensamos em situações de sobrevivência nos atamos aos grandes acontecimentos, nos equipamentos que podemos precisar, nas armas para nos defender e esquecemos das pequenas enfermidades e das pequenas adversidades que podem nos tornar vulneráveis.
    Temos que pensar a respeito desta questão também!

    • Olá Léo!
      É difícil mesmo assumir que somos vulneráveis as coisas mais “bobas” do cotidiano… uma escolha errada e facilmente você pode se acidentar e ficar com belas sequelas. Acho que apesar de ser uma discussão frustrante para nós, é algo que merece ser dito.

      Abraços.

  • Camarada DOC de jeito nenhum fiquei chateado, mas eu nao tinha me expressado direito, a corda nao seria para decer uper paredões ou subir super montanhas.Era mais para pequenos barrancos e declives ou ate para içar algo na arvore.A corda era mais para um motivo de segurança mesmo e nao descer apé,o proprio batata que vc compartilha dos mesmos ideais usa uma corda para o mesmos fins.

  • Parabéns pela Sua recuperação e pela experiência compartilhada.Acredito realmete que a prepotência é a mão de todas os abusos e excessos que cometemos contra os outros e contra nós mesmos, ao achar inatingível e longe do alcance do destino e de suas adversidades .Seu depoimento nos traz pela sua fatídica ( ou quase trágica ) experiência , a refletirmos sobre o quanto somos impelidos pela imaginação e conjecturas do futuro incerto a ir ao encontro da “sorte” e contando somente com a coragem e determinação esquecendo das regras básicas da sobrevivência que é o manter-se vivo e cuidar dos que DEPENDEM de nós, aqueles que amamos.Torço pela sua breve recuperação .

    Um fraterno Abraço amigo!

    • Olá Viny!
      Obrigado pelo apoio. Concordo contigo, como sempre digo e penso… fantasia é bem diferente de realidade. Esses acontecimentos são os melhores professores, apesar de perigosos.
      Abraços.

  • Julio, obrigado por compartilhar esta experiência com a gente. Com certeza foi só o susto. O importante é sua recuperação e logo estará de volta.

  • Obrigado Julio por compartilhar esta experiência com a gente. Com certeza foi só o susto e logo tu estarás 100%.
    Na tua análise lembrei de um vídeo que rola no youtube e acho que todos já assistiram sobre uma família sobrevivendo à uma pandemia global de gripe. Depois de resistir a todas dificuldades o cara morre no fim vítima de uma farpa na mão.

  • Desejo melhoras e cuidados.
    No entanto, se me permitir, acrescento comentários.
    O que você relata indica algum dano cerebral. Trauma na queda (afinal, sua memória do evento não é confiável), alguma falta de circulação momentânea… Causa indeterminada e, talvez, indeterminável. Então, quando leio “Após os exames soubemos que estava tudo bem” ou “… ainda estou um pouco desorientado e esquecendo algumas coisas, mas a previsão é de que amanhã tudo volte ao normal”, assusto-me. Exame, mesmo o melhor, não passa de uma sugestão, quase um “boato”, um dado a ser inserido no contexto do diagnóstico com muita responsabilidade. O fato do exame não indicar algo pouco significa. Meu pai teve um ataque cardíaco no consultório do médico-cardiologista, enquanto o profissional o elogiava pelos exames. Nem um pouco incomum. Atletas acompanhados pelos mais caros médicos caem mortos em frente às câmeras. Aonde quero chegar é que você não deve pensar que “está bem”, muito menos “normal”. Não vá dirigir, por exemplo. Não volte ao trabalho, por enquanto. Peça uma licença médica por algumas semanas. Nunca fique sozinho. Não faça esforço físico. Repouse. Cuide-se e seja cuidado.
    Sobre a atenção a detalhes que devemos ter no matear, acrescento algos. Na foto anexada ao texto, o camarada está com cotoveleira e joelheira. No entanto, não vejo alguém usando isso nos vídeos de matear que aparecem por aí. “Aprendi” com o Nutnfancy e não dispenso nem a pauladas. Acredito ser um erro primário. Outro. Vejo muito quebrarem madeira no joelho. Às vezes, a madeira resiste e insistem. Continuando, poucos usam luvas. Já vi darem socos no dorso do facão para rachar madeira.
    Finalizando, tem razão você quando traz esse texto para que reflitamos sobre os cuidados que deveríamos ter e não temos. E deu um bom exemplo de a vida lhe dar limões e você fazer limonada. Com açúcar, espero.
    Fica com Deus, camarada!

    • Obrigado MRRG, amanhã de manhã já tenho médico marcado para fazer mais algumas verificações. O indivíduo da foto sou eu mesmo, e foi graças essa máscara que devemos usar que o impacto foi absorvido…no momento é isso mesmo, só repouso e paciência.

      Abraços!

      • Julio, você bateu o rosto no chão?

      • Bati, estava correndo e cai de rosto… estou com um pequeno machucado na face, mas nada sério.

      • Não fale isso, Julio. Sério obviamente foi. Se o machucado na face é pequeno, não impede que tenha provocado um trauma neurológico-cervical ou efeitos ainda desconhecidos de desaceleração súbita. Os sintomas que você relatou são muito sérios e exames podem não fornecer qualquer informação útil, o que, de nenhum modo, significaria ausência de problema. Cuide-se aí, camarada.

      • Olá MRRG,

        Acabo de voltar do médico, a minha tomografia demonstra que o impacto foi forte sim, houve até um pequeno sangramento. Amanhã farei um ECG para verificar se houve prejuízo nas funções e conexões neurais, mas segundo o médico há 90% de chances de não acusar nada sério. O negócio é torcer, pois caso haja, terei de tomar anti-epiléticos.

        Abraços.

      • Finalmente um exame mais confiável. Independente dos resultados futuros, não tome esses medicamentos a não ser que seu estado piore. A tendência é, seguindo as indicações que dei no meu primeiro comentário, você melhorar. Fármacos assim consomem sua vitalidade de modo monstruoso. Tive um paciente, jovem rapaz que os ingeria, que ficou parecendo estupidificado; tudo provocado por um tratamento ortodôntico criminoso.
        Vai aqui mais uma indicação. Comece a praticar meditação. Comece com 1 min, apenas. Se se interessar, orientar-lo-ei mais.
        Fique com Deus, camarada.

  • Julio estou torcendo pela sua completa recuperação.
    Foi assim que eu entrei no fórum estava rolando um assunto “alguem pratica escala???”, Irmão def4 não fique magoado é que acho a resposta que eu dei no dia muito propicia nesse momento.
    Plano de Saúde!!! Ficar Vivo!!!
    por DocRDM em Sex Abr 13, 2012 9:43 pm

    Amigos, o que vou falar é sério…

    Nesse vídeo o Giuliano Toniolo, do qual sou fã, resume bem que para sobreviver precisamos primeiramente estar vivos… então nada de ficar pulando de um lugar para o outro, se hoje com o sistema funcionando quebrar um osso já é uma “M” se o sistema cair quebrar um osso pode ser o mesmo que morrer… Em uma conversa com o Sobrevivente urbano ele me perguntou o que eu achava importante ter para emergências medicas… porra deu uma lista enorme so das coisas que não precisam de eletricidade para funcionar. Sério e olha que nessa lista não tinha colocado GESSO que depois desse tópico de escalada estou cogitando seriamente…

    Para quem não viu esse vídeo vale muito a pena ver…

    Já sofri um acidente sério de automovel, hoje pensando sobre o ocorrido acho que com um pouco mais de atenção esse acidente poderia não ter ocorrido ou então as consequencias seriam menores.

  • Cara, qualquer coisa que vc precise, envie um email. Estimo pronta recuperação. Precisando é só avisar.

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