Preparação e seus vários aspectos: Residencial

Para começo de conversa desculpem a brincadeira (rs), agora vamos seguir com o terceiro post da série, “Preparação e seus vários aspectos”. Neste post vamos tratar de uma das situações mais discutidas e controversas, que é a preparação em nível residencial. Neste momento temos que entender para quê estamos nos preparando, seja uma catástrofe ambiental, crise econômica, falha do sistema, etc…

Vale lembrar que não existe preparação que abranja todo e qualquer risco (ambiental, econômico, do sistema…), por exemplo, vamos imaginar que você transforme a sua casa em uma verdadeira fortaleza, um ambiente impenetrável, tecnicamente dessa forma você estará protegido de crises econômicas ou falhas de sistema que causem desordem pública, mas não vai estar salvo de uma queda no fornecimento de energia elétrica, ou mesmo de uma queda no fornecimento de água.

E assim podemos criar situações e mais situações que comprovem falhas do nosso preparo para X ou Y, nesse sentido podemos tomar atitudes voltadas para o que imaginamos ser o mais provável, ou seja, com base no que observarmos a nível global e regional é que faremos as preparações residenciais.

Para efeito de informação vou colocar em foco uma situação que já aconteceu em uma cidade do interior do meu estado então, vamos com um breve resumo da ocorrência:

A empresa fornecedora de energia elétrica informou que houve uma pane nos isoladores de uma estrutura da linha de transmissão e isso teria causado o “apagão” na cidade, vale lembrar que o tempo necessário para a solução do problema foi de aproximadamente 20h, de acordo com relatos dos meus familiares que residem na cidade, todas as escolas suspenderam as aulas, supermercados, bares, restaurantes, comércios e etc. tiveram prejuízos com produtos que estragaram e eletrodomésticos que queimaram, serviços de urgência ficaram inoperantes, alguns furtos, e invasões em casas foram relatados e as operadoras Claro e Vivo ficaram 100% inoperantes.

E observem que estou apontando a situação de uma cidade relativamente pequena, e que sofreu a queda de energia elétrica por um período menor que 24h, imaginem o que aconteceria em 72h?

Então vou seguir com o que meu tio relatou, e que achei muito interessante, ele disse que armazenar comida não seria útil de forma alguma em uma situação dessas, porque nós normalmente temos 1 mês de comida em casa, agora o que ele disse que realmente fez falta foram pilhas, gasolina, velas, lanternas, por que são coisas que nós normalmente não temos em estoque, segundo ele, todos os equipamentos que usavam pilhas, só possuiam a bateria que já estava neles, então como a energia caiu por volta das 18h, tudo que eles faziam tinha de ser iluminado, ou seja, antes das 20h todas os tocos de vela já tinham acabado e as lanternas já estavam falhando.

A saída que ele encontrou pra manter os filhos e a esposa em seguraça foi uma viagem para uma cidade próxima onde também temos parentes. Ou seja, mesmo com comida, água e abrigo, o quesito segurança falou mais alto e ele foi forçado a um Bug Out (fuga do local).

Então como podemos nos preparar e para o que? Bem, minha sugestão é aquela que comentei no começo do texto, temos que buscar no histórico de nossa região sobre os problemas pelos quais ela já passou, pois como bem sabemos a história tende a se repetir. Voltemos ao caso exposto, de que formas ele poderia reforçar a casa dele?

Em primeiro momento, poderíamos reforçar os muros e criar formas de defesa que não dependam de eletricidade ou de qualquer outra forma de energia (cercas elétricas por exemplo foram inúteis nesse caso), outra atitude defensiva seria reforçar a porta e a janela de um dos quartos, para que os bens mais valiosos fossem colocados nele, fazendo assim uma espécie de “cofre”, fazer um estoque razoável de velas, lamparinas e querosene (que tem prazo de validade extenso), estocar pilhas, e tentar uniformizar o tipo de pilha dos itens mais importantes da casa, por exemplo, todas as lanternas funcionando com pilhas AA, isso evita que se tenha de comprar vários tipos de pilha e também facilita na hora da procura, e por último, como vimos, seria interessante manter o carro sempre em meio tanque, com isso ele seria capaz de se afastar da zona de risco sem a necessidade de abastecer.

Enfim, com esse texto tentei direcionar o pensamento de vocês na hora de começar os seus preparos, foco no problema e não nas soluções. Respeitem a ordem das coisas, primeiro nós temos de encontrar os problemas, para só então criarmos soluções, se criarmos as soluções e depois procurarmos por problemas sempre trabalharemos com o desconhecido.