Até onde o Sobrevivencialismo vai?

Geralmente as práticas que temos em nossa vida tem limites bem claros. Será que isso se aplica ao Sobrevivencialismo? Será que existem pontos que simplesmente não fazem parte do mundo de preparação?

Logo de início imagino que você tenha uma opinião bem clara formada, e que você sabe que diferenciará de outros. Basta acessar os fóruns, sites e canais de Youtube que você verá que cada conteudista aborda o Sobrevivencialismo de forma ligeiramente diferente, com focos e visões que podem ser até mesmo contraditórios quando comparados com outros produtores. Mas quem está certo?

Essa pergunta talvez tenha que ser devolvida de forma a alcançar o que há de mais básico na discussão: O que é Sobrevivencialismo para você?

Muitos acham que é acampar no mato, outros acham que é preparar-se para desastres, outros acham que é ser capaz de se defender… Enfim, a tendência que acompanho nos comentários que recebemos é que as pessoas possuem uma visão bastante afunilada desse estilo de vida. Opa! Estilo de vida? Pois é, acho que vale aprofundarmos o papo com a nossa visão.

O que é o Sobrevivencialismo?

Em resumo, o Sobrevivencialismo é o estilo de vida que faz com que você desenvolva habilidades e acumule recursos que possam lhe ajudar em situações difíceis, sejam elas amplas (Ex.:desastres naturais, guerras) ou individuais (Ex.: desemprego, doença).

Isso significa que qualquer coisa que você faça ou aprenda pode ser chamada de Sobrevivencialismo! Se aprender a trocar a resistência do chuveiro te deixa mais independente do sistema e te ajuda superar situações de dificuldades…. Parabéns, você é um sobrevivencialista. Se você tem aquele ímpeto de resolver as coisas sozinho, de construir, de testar suas capacidades para solucionar problemas… Pois é, sobrevivencialista.

E não acaba por aí…

Como se já não bastasse ter uma infinidade de habilidades para adquirir e treinar, esse é só o começo. Ser um sobrevivencialista não é apenas acumular conhecimentos, é também saber gerenciar grupos em situações de crise. Até porque você dificilmente se verá sozinho quando as coisas darem errado! Familiares, amigos, conhecidos e até completos estranhos podem estar no mesmo local que você e só trabalhando em grupo vocês terão chance de superar as adversidades.

“Mas pera lá, eu me viro melhor sozinho, é o meu plano”

Veja, por mais que você possa fantasiar com isso, o tal “lobo solitário” tem uma data de validade muito curta em situações de risco. Você tem que dormir em algum momento, pode adoecer ou se ferir. Ninguém cobre todos os flancos ao mesmo tempo estando sozinho.

Basta olhar a história e a verdade é clara: A humanidade só se manteve viva pois soube o valor do trabalho em grupo e você não será o floco de neve especial.

Isso significa que o nosso leque de atuações agora é maior ainda! Além de ter que desenvolver habilidades variadas, você também deve tornar-se um líder, um cara capaz de coordenar e estruturar pessoas durante situações difíceis. Isso requere uma boa dose de controle emocional, treinamento em comportamento humano e é claro, resiliência.

Mente blindada, missão bem sucedida

A resiliência é, na minha visão, um dos pontos mais importantes no desenvolvimento da sua vida sobrevivencialista. Ser resiliente é, de maneira simplista, aguentar as porradas e continuar trabalhando.

Olha só, de nada adianta você focar sua vida em ser um especialista em áreas chave mas ao primeiro sinal da fome, do frio ou do cansaço você se tornar abalado e incapaz de performar. Pode parecer bobo, mas já vi vários indivíduos muito competentes se tornarem crianças choronas quando ficaram 1 dia sem dormir e comer. É mais comum do que você pensa!

Para não cair nesse erro, um bom sobrevivencialista precisa se expor de forma gradual a situações de desconforto e desafios tanto mentais quanto físicos. É preciso criar uma “couraça” capaz de manter você funcionando quando o frio está nos seus ossos e quando o sono ameaça tomar você a força. É o cansaço e a sensação de sofrimento que destrói o moral e, por consequência, mata o combatente.

Mudanças na rotina

Diferente de outras práticas que são pontuais em nossa vida, o Sobrevivencialismo nos força a mudar até mesmo como somos no nosso cotidiano. Afinal, de nada adianta ser um indivíduo altamente treinado para situações de crise mas manter-se distraído com a cabeça nas nuvens enquanto você anda em uma cidade durante a noite, não é?

No momento que você decide ser um sobrevivencialista, você precisa aplicar preparações e táticas diferentes para cada ambiente onde você vai. É preciso estar sempre atento e sempre munido de ferramentas para lidar com o inesperado, é preciso estar preparado para o improvável. Isso significa que a sua forma de andar, de se posicionar e seu comportamento como um todo precisam ser alterados para manter a segurança como um critério predominante em suas ações. Esta é, de fato, uma mudança profunda e que exige sacrifícios dos hábitos tão amados atualmente.

Análise do passado, foco no futuro

Para que você esteja realmente pronto para enfrentar o inesperado, é preciso ser um mestre em criticar seus pontos falhos do passado e planejar com eficiência seus passos futuros. O sobrevivencialista precisa sempre buscar aprimorar os pontos fracos que possui e manter seu olhar sempre em busca de possíveis tempestades que se aproximam, planejando suas ações de acordo.

Isso significa que é preciso também dominar o planejamento estratégico para que você seja de fato completo em suas ações. Um indivíduo bem intencionado mas sem nenhum plano vira vítima do acaso… E sabemos que os brasileiros não são conhecidos por prevenir problemas.

Aqui posso recomendar nossa Oficina de análise sobrevivencialista, que montamos com base em ferramentas bastante eficientes para você organizar seus passos dentro do mundo vasto do Sobrevivencialismo e para que você não gaste tempo e recursos em áreas desnecessárias. Caso queira conhecer, basta clicar aqui.

Em conclusão

Diferente do que muitos afirmam, ser um sobrevivencialista não é ser paranoico e preparado para o apocalipse. É, na verdade, tentar atingir o seu potencial máximo, tornar-se o melhor possível para proteger a si e as pessoas que você ama.

Digo, após uma década vivendo esse estilo de vida, que sou uma versão muito melhor de quem eu era. Além de equipamentos e preparações, o Sobrevivencialismo me fez um ser humano mais completo, mais atento às minhas falhas e me deixou sedento por sempre superar meus próprios limites. É tornar-se o que todo ser humano deveria ser: capaz de tudo.

Eu poderia escrever muitas outras linhas sobre habilidades e visões que poderiam também entrar no que eu considero como Sobrevivencialismo, mas o objetivo desse texto é rascunhar e causar interesse… A pesquisa aprofundada eu deixo com você.

Se quiser conferir essa versão de texto em uma conversa mais aprofundada, ouça o podcast que fizemos sobre o tema!

Mas me diga, você concorda? Acha que de fato o Sobrevivencialismo é tão amplo como vemos ou prefere uma visão mais restrita? Nos conte nos comentários!

Até.