O mundo dos insetos está próximo de um “Colapso catastrófico”

O mundo dos insetos está indo para um rumo muito perigoso de colapso – e se eles forem embora, as notícias também vão ficar bem ruins para nós.

O declínio mundial de insetos foi detalhado em um artigo de meta-análise publicado na revista Biological Conservation, nele, uma revisão de 73 relatórios históricos do declínio de insetos ao redor do mundo foi feita. A conclusão não foi nem um pouco animadora: 40% de todas as espécies de insetos podem enfrentar a extinção nas próximas décadas.

Isso é especialmente perigoso pois os insetos possuem um papel essencial como polinizadores em todo o ecossistema, além de comporem 2/3 da população de seres vivos do planeta.

“Se a perda de espécies de insetos não for parada, isso causará consequências catastróficas para o ecossistema planetário e a sobrevivência da humanidade,” diz o autor de estudo Francisco Sánchez-Bayo, da Universidade de Sidney, Austrália.

Com uma taxa de 2.5% de perda anual de espécies de insetos ao longo dos últimos 25-30 anos, “em dez anos você terá um quarto a menos, em 50 anos você terá só metade e em 100 anos não terá mais nenhum”, ele diz.

A raiz do problema é a intensificação da agricultura ao longo das últimas seis décadas. O método de cultura usada  hoje gera poluição, destruição de habitats e extinção de espécies por conta do uso de pesticidas sintéticos.

Os pesquisadores avisam em tom de urgência que precisamos “repensar nossas práticas agriculturais”, especialmente quando se trata do uso de pesticidas. “A conclusão é clara: Se não mudarmos nossa forma de produzir comida, insetos irão ir para o caminho da extinção em algumas décadas”, os autores concluem no estudo.

O mudança climática também aparece como um dos motivos causadores dessa extinção em cerca de 7% dos estudos. O relatório apresenta como o aumento das temperaturas globais já reduziu a quantidade de besouros, libélulas e semelhantes. Conforme as temperaturas subirem o problema vai afetar mais espécies, especialmente as que vivem em zonas tropicais.

Todas estas descobertas são particularmente preocupantes pois insetos possuem um papel fundamental no ecossistema do planeta. As borboletas e mariposas, que são vitais para uma quantidade enorme de plantas e também controlam pestes de maneira natural, são as espécies mais afetadas de todas. O pesquisador aponta que das 733 espécies de mariposas diurnas, mais de 85% experienciaram declínio acentuado em suas populações desde 1980.

Outros insetos vulneráveis são quantidades numerosas de besouros, vespas, abelhas e formigas. Somente este grupo é responsável por cerca de 20% da polinização de plantas ao redor de todo o mundo.

“Como os insetos ocupam 2/3 da população mundial de seres vivos neste planeta, os achados citados confirmam que o sexto evento de extinção em massa está profundamente impactando as formas de vida em nosso planeta” o relatório finaliza.

Texto traduzido e adaptado do site IFL Science.