SHTF School: Tipos reais de sobrevivencialistas – O chefe bom

Apenas um lembrete rápido sobre esta série de posts, você pode encontrar os outros tipos de sobrevivencialistas sobre os quais Selco escreveu e também os outros textos clicando aqui.

Hoje eu escrevo sobre o típico líder que sabia como lidar com a situação de sobrevivência durante a guerra.

Ele era policial, nós o chamávamos de “chefe” devido ao seu olhar e postura. Tinha cerca de trinta anos de serviço e eu não acho que tinha usado sua arma muito, mas ele tinha a mão do tamanho de uma pá e usava isso constantemente com adolescentes problemáticos.

Aquele rabugento com que você não quer ter muita conversa e se você for pego por alguma coisinha pequena, furto ou coisa parecida, ele não falaria muito com você, mas o olhar que ele tinha contavam histórias… e suas mãos também. Ele deu justiça para as pessoas na dose correta e ganhou respeito por isso. Ele fez a diferença em nosso bairro e era o tipo de policial que na minha opinião não existe mais hoje em dia.

Ele e seus colegas estavam em uma patrulha na melhor parte da cidade quando a crise começou. No começo eles tentaram fazer algum sentido, recuperar a ordem, mas quando eles viram aquela ambulância ser destruída por tiros enquanto estava em uma emergência eles perceberam que um novo tempo havia chegado.

Eles não discutiram muito mas eles sabiam que a lei e a ordem era algo que havia sumido e agir como detentores da lei não fazia mais sentido algum. Eles voltaram à estação de polícia e pegaram mais armas e equipamentos, depois, usaram a van da polícia para entrar em um depósito do exército e pegar mais armas.

Eles levaram tudo isso para suas casas e se separaram. Seu colega apertou sua mão e foi embora, cada um lutando sua própria guerra. Ele tirou a van da policia para fora da rua e foi para casa.

Ele viveu sozinho por muitos anos antes da guerra, e ser um policial lhe deu a vantagem de conhecer algumas coisas sobre a mentalidade das pessoas e sobre como exercer poder, então ele não teve problemas em lidar com o começo da crise, mas ele estava sozinho e isso era um problema. Mas ele era esperto e fez a diferença.

Nestes dias tudo estava indo por água abaixo na cidade, tudo o que faz a vida normal, então as instituições estavam caindo também. O centro de correção de jovens local, uma espécie de cadeia aberta para adolescentes, estava sendo abandonado também, então os jovens estavam saindo de lá.

Ele foi até o local e pegou sete jovens de lá. Ele era algo como um “supervisor” em tempos normais, ele mesmo prendeu aqueles jovens por roubos pequenos e outros delitos leves. Ele também cuidou deles quando foram para o centro de correção e depois nas ruas novamente e devido a tudo isso ele era algo como um pai que havia dado uns tapas ali e aqui.

Eles eram todos jovens sem família e aquele centro de correção ou a rua eram a casa deles. De qualquer maneira, ele levou estes jovens para sua casa, tomou conta deles durante o caos e depois de um certo tempo eles também tomaram conta dele. Todos tinham em torno de 16 – 17 anos naquele tempo quando o inferno estourou.

Ele os ensinou a atirar, se defender, fazer trocas e reconhecer pessoas problemáticas (sendo eles mesmos problemáticos, foi algo que acelerou o processo de aprendizagem). Esses jovens eram espertos de rua. Ele também não pegava leve no ensino, em outras palavras, ele usava sua “pá” bastante durante o processo de “torná-los gente”, como ele mesmo chamava.

Mas ele também ensinou a nunca tomar nada de ninguém. Ele ainda era um policial e manteve seus ideais. Nenhum deles nunca o traiu. Eu vi várias vezes filhos se revoltarem contra seus pais naquele tempo, ou irmão contra irmão, mas eles eram perfeitamente leais uns aos outros, como uma família. Eu acho que é porquê sabiam que somente naquele grupo eles poderiam sobreviver.

Eles se saíram muito bem devido ao “capital” inicial que ele pegou dos depósitos, então eles avisavam as pessoas que poderiam visitar a casa e pegar um rifle em uma troca justa sem o perigo de ser abatido pelas costas. Eles também se tornaram as pessoas que você não quer se meter, pois violência não era problema nenhum para eles.

O “chefe” morreu alguns meses depois que a paz chegou, por uma infecção de um ferimento. Todos os sete garotos sobreviveram e eu nunca ouvi algo que eles fizeram de mal naquele tempo. Ok, mal era algo analisado sobre diferentes termos naquele tempo, mas não houveram atrocidades ou violência desnecessária. O que era necessário é uma questão diferente claro, mas todos nós que sobrevivemos não eramos gentis naquele tempo.

Um deles mais tarde entrou no crime organizado e acabou sendo morto, mas todo o resto dos seis cresceram e se tornaram pessoas orgulhosas e de família. O tipo de homem que você quer ter como amigo. Eles todos se referem ao “chefe” como Pai. Atualmente eles vivem em diferentes cidades e países, alguns deles até em outro continente, mas uma vez a cada dois anos eles se encontram para honrar a memória do pai.

E aquele cara do começo da história, o colega do Chefe? Ele usou sua parte das armas para formar uma gangue e fizeram muitas coisas ruins com as pessoas, ele acabou morto, esfaqueado mais de trinta vezes. Ninguém lembra dele ou quer lembrar dele, é como se ele nunca tivesse existido.

Então o que tirar de tudo isso? Em um cenário de sobrevivência você quer pessoas ao seu redor que entendam que estar em grupo é importante. Assim como nossos ancestrais sabiam que não podiam lutar entre si pois causariam problemas para sobreviver. No caso do chefe, as crianças de rua já conheciam sobre sobrevivência e ele era um líder perfeito para eles, que também sabia que tipo de estilo de liderança funcionava com eles.

Agora eu posso dizer coisas boas sobre como encontrar um grupo e claro falar que você tem que incluir aquela pessoa chata e dramática que talvez seu irmão seja casado porquê “ele/ela é parte da família”. Mas eu falo a partir da minha experiência e se você quer sobreviver, seu grupo tem que funcionar. Ter um líder forte como o chefe ajuda bastante.

Leis normais não existem em sobrevivência de longo termo então as pessoas que ainda fazem coisas porquê querem aparecer vão estar em desvantagem comparadas com aquelas que querem fazer o que funciona e fazer o time ficar mais forte. Se alguém faz meu time ficar mais fraco de propósito (não por doença ou idade) ele não é parte dele.

Quando você pensa em um grupo de sobrevivência, pense… Quem faz o melhor chefe? Como liderar pessoas? O que funciona? Prepare-se para isso também e você estará anos luz à frente dos preparadores que acham que podem comprar a segurança com dinheiro e equipamentos.

Traduzido do SHTF School

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6 comentários

  • Excelente texto!
    Esta postagem mostra que estar em grupo é uma vantagem mas é preciso que o grupo tenha um líder que lidere de verdade.

    Gosto muito dos textos de Selco, cada texto é um baita aprendizado.

    Amigo Julio obrigado por colocar esses textos à nossa disposição!

  • vitor gomçalves

    obrigado pela dedicaçao qeu tem tido , pois sao exemplos destes que fazem falta . abraço para todos !!!!!!!!!!!!

  • Sempre excelente, Julio, parabéns pelo trabalho de tradução. O Selco já publicou a história completa do começo da coisa toda, como a tal explosão da ambulância? Seria interessante ver o ponto de vista dele sobre esse evento histórico…

    • Fala Hwidger,

      A história toda está disponível no curso completo dele!

      Abraços.

      • Você começa a traduzir quando? Hein? Hein?

  • Parabéns pela excelente postagem Julio.

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